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por Rodrigo Moita de Deus, em 29.07.15

Governo quer funcionários públicos a partilhar carros do Estado e a andar de bicicleta

Partilha de carros, bicicletas...qualquer dia jogging. Seria muito mais fácil, barato, ecológico e eficaz oferecer o passe social.

 

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finalmente algo interessante

por Rodrigo Moita de Deus, em 29.07.15

Ironia: a audiência de Santos Silva aumentou desde que foi despedido da TVI.

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outras sondagens que também dão empate técnico

por Rodrigo Moita de Deus, em 29.07.15

Diplomaciafrancesa.png

A diplomacia francesa convida Vexa para uma conferência Franco-Portuguesa. Com a presença de uma personalidade portuguesa de primeira linha. A conferência é depois das eleições. Não sabemos que partido ganha. Que políticos chegam a ministro. Mas nem interessa. França é França e nesse dia vai estar lá um "ministro qualquer". Seja ele quem for.

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este senhor tem muito que explicar...e duvido que consiga.

por Rodrigo Moita de Deus, em 28.07.15

O vídeo é claro na identificação de Sewel e mostra-o com duas mulheres num apartamento do centro de Londres. Segundo investigações feitas pelo Sun e por outros jornais, Sewel pagou a uma das prostitutas em dinheiro, 200 libras, e à outra entregou um cheque. Numa das cenas, o antigo vice-presidente da Câmara dos Lordes está sentado, tem um soutien cor-de-laranja vestido e fuma um cigarro enquanto faz comentários sobre as principais figuras da política britânica.

Coca, duas miudas giras e o tempo pago...para que raio foi vestir o soutien? Cor-de-laranja?

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entretanto na frente leste

por Rodrigo Moita de Deus, em 28.07.15

 

Turquia ataca Jihadistas. Turquia ataca Jihadistas e curdos que estavam a atacar os Jihadistas.

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da série: ah! nunca esperei!

por Rodrigo Moita de Deus, em 28.07.15

Constitucional chumba diploma do enriquecimento injustificado

Que maçada. E agora? O estado vai ter que se dar ao trabalho de investigar antes de mandar prender alguém? Isso é uma loucura. Estúpidos dos juízes que não percebem nada. 

 

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coisinhas boas

por Rodrigo Moita de Deus, em 27.07.15

Até fica mal aos sindicatos fazerem este tipo de elogios a um governante. 

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eu que não sou de intrigas

por Rodrigo Moita de Deus, em 27.07.15

Poiares Maduro disse ao PÚBLICO que vai alertar “para uma novidade importante no âmbito do próximo ciclo dos fundos europeus”: “Uma outra área em que os municípios passam a ter acesso a financiamento, que não tinham antes, é para o desenvolvimento de estudos que auxiliem à identificação dos factores económicos que devem ser valorizados no seu território, ou que auxiliem os municípios a apoiar o sector económico local para ser mais competitivo”, adiantou o ministro, explicando que não há uma verba pré-definida e que tal depende da qualidade dos projectos apresentados. As candidaturas abriram este mês e decorrem até ao final de Setembro.

Um autarca eleito que ainda precisa de gastar dinheiro para conhecer as potencialidades da sua região provavelmente não devia ser autarca.

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Ceuta 1415 - 2. Partida para a grande expedição

por João Ferreira do Amaral, em 25.07.15

bandeira D. João I.jpg

D. João I encontrava-se em Alhos Vedros, vila livre da terrível peste, quando decidiu prosseguir com a grande expedição, apesar de todas as contrariedades. Partiu na galé do seu filho Conde de Barcelos e foi pernoitar junto da frota que, fundeada no Restelo, aguardava instruções. No dia seguinte, levou o navio de comando até Santa Catarina (Algés) donde fez soar as trombetas que assinalavam a partida. Foi certamente impressionante o espectáculo da partida em direcção à foz da armada com dimensão nunca antes vista no Reino. Estima-se que incluía cerca de 200 navios e 20,000 homens. Era o dia 25 de Julho de 1415, dia de S. Tiago. Faz hoje precisamente 600 anos.

 

Aproveitando o vento favorável de norte, a frota dobrou o cabo de S. Vicente no dia seguinte, tendo folgado momentaneamente as velas como sinal de respeito pelo lugar onde tinham repousado as relíquias do santo. Ancoraram na baía de Lagos já na noite do dia 26. Foi aí que, no dia seguinte, o Mestre Frei João Xira explicou durante o sermão da missa o destino e os motivos daquela grande empresa, que tinham sido guardados em segredo até então e, portanto, eram ainda desconhecidos de quase todos os participantes.

 

A cruzada foi razão a invocada. Era considerado “serviço de Deus” expandir a fé em Jesus Cristo e combater o infiel. Tratava-se de retomar a reconquista cristã para sul mas, desta feita, além-mar. Recorde-se que a cidade de Ceuta tinha sido cristianizada pelos bizantinos na época de Justiniano – séc. VI – e cristã se manteve durante o domínio visigótico. Foi a partir do séc. VIII que a invasão do califado omíada instalou o culto islâmico na região, transformando as igrejas em mesquitas. Portanto, era chegada a hora de vingar a traição do conde Julião, governador visigótico de Ceuta que, reza a tradição, terá colaborado com o invasor árabe e facilitado às tropas de Tariq a travessia para a Hispânia através do Estreito, em 711. Seria esta ideia de cruzada e a promessa de indulgência concedida por bula do Papa a razão publicamente invocada para a realização da expedição.

 

Viagem1.jpg

Contudo, o próprio Zurara refere no início da narração que foi João Afonso de Alenquer quem convenceu os três infantes de Avis dos méritos que teria a eventual conquista de Ceuta nas suas investiduras como cavaleiros. O facto de João Afonso ser vedor da fazenda, isto é, responsável pelo tesouro do Reino, serviu de base às diversas conjecturas surgidas na historiografia pós-romântica acerca das razões que verdadeiramente teriam pesado na decisão de El-Rei. António Sérgio, Jaime Cortesão, Vitorino Magalhães Godinho, Luís Adão da Fonseca, entre outros, elaboraram variadas hipóteses baseadas em motivos de outras naturezas:

Motivos económicos – O aproveitamento do relevante entreposto de comércio, o controlo das zonas de pesca, o combate ao corso e a protecção da costa algarvia face aos frequentes ataques mouros, o trigo produzido nas searas de uma região próxima, as especiarias e o ouro que ali chegavam vindas do oriente e do sertão africano.

Motivos sociais – As oportunidades de novas terras e de mais mercês para a nobreza, de expansão do evangelho para o clero, de mais negócio para os mercadores, de saque para alimento do povo mais humilde.

Motivos políticos - Afirmar o prestígio da nova dinastia que acabava de se impor a Castela, tomar a iniciativa da reconquista cristã em África e ali estabelecer uma base para futuras conquistas, assumir o maior protagonismo entre os reinos hispânicos, asfixiar o reino de Granada pelo sul, controlar a entrada e a saída do mediterrâneo.

 

Dificilmente se sairá da discussão em torno da verosimilhança de cada uma destas hipóteses. Certo é que a “chave do mediterrâneo” (nas palavras sábias do cronista), era o objectivo para onde se dirigia a grande armada portuguesa saída de Lagos. A ausência de vento obrigou ainda a uma paragem de uma semana em Faro. Como iria decorrer o resto da viagem, agora que eram do conhecimento de todos o destino e o objectivo da missão?

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defina: "falta de jeito"

por Rodrigo Moita de Deus, em 24.07.15

O Estado poderá devolver aos contribuintes 100 milhões de euros em crédito fiscal da sobretaxa de IRS em 2016, caso o aumento de 4,2% da receita fiscal proveniente de IRS e de IVA se mantenha no conjunto deste ano.

Para ver se eu percebi bem. O estado anuncia que pode devolver em créditos fiscais (créditos!) parte da sobretaxa (sobre!taxa!) porque está a cobrar bem. Cobra a taxa, a sobretaxa e ainda estou a fazer pagamentos por conta de 2015. Ainda vamos a meio do ano e já estou a pagar aquilo que ainda não recebi. O estado antecipa receita que só teria em 2016. Mas dizem-me que está a correr bem. Só pode estar a correr bem. É como se a GALP cobrasse em 2015 o combustivel que só vou usar em 2016. E me quisesse devolver dinheiro em pontos no cartão Fast. Se isto era uma medida eleitoralista estamos bem f!#"!$$".

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como é óbvio

por Rodrigo Moita de Deus, em 24.07.15

Visitas aos centros de interpretação ambiental cresceram 28% até maio

Esqueçam a Easyjet. Esqueçam a Ryan Air. Esqueçam a liberalização do espaço aéreo do arquipélago. Esqueçam isso tudo. O turismo cresce a dois dígitos nos Açores e o Governo Regional sabe porquê: os centros de interpretação ambiental. 

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grandes titulos que não aconteceram

por Rodrigo Moita de Deus, em 23.07.15

"Os negócios do PT passavam pela PT"

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entretanto no partido socialista

por Rodrigo Moita de Deus, em 21.07.15

- Foge cão que te fazem barão.

- Para que lado se me fazem deputado?

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é preciso salvar a língua dos perigosos legisladores

por Rodrigo Moita de Deus, em 21.07.15

Ouvi ontem uma senhora explicar que a orthographia do portuguez não se muda com a lei.

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Ceuta 1415 - 1. Morte da Rainha Dona Filipa

por João Ferreira do Amaral, em 18.07.15

 

Filipa_1.jpg

 

Foram longos meses de permanência no Porto, a liderar os trabalhos de construção de uma frota naval, a arregimentar os chefes militares do norte, a adestrar homens para combate e a recolher víveres de toda a espécie. O jovem infante D. Henrique regressava a Lisboa com a missão cumprida, ao comando da armada com 70 embarcações que el-Rei seu pai o incumbira de preparar. O infante D. Pedro partiu ao seu encontro fora da barra e os dois irmãos entraram juntos no estuário do Tejo, indo desembarcar no lugar do Restelo, numa praia onde mais tarde D. Henrique mandaria construir a igreja de Santa Maria de Belém. Reunia-se assim finalmente a grande armada com dimensão nunca vista nestes Reinos e festejava-se com alegria a iminente partida para a empresa tão grandiosa quanto desconhecida de quase todos. Surge então a triste notícia da súbita doença da Rainha D. Filipa que padecia no mosteiro de Odivelas. Para lá se dirigiram imediatamente el-Rei e os três filhos mais velhos, D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique, enquanto os mais novos, D. Isabel, D. João e D. Fernando ficavam ao cuidado do Mestre de Avis.

 

Pilippa of Lancaster nasceu em Inglaterra a 31 de Março de 1360. Era a filha mais velha de John of Gaunt, duque de Lancaster e de Blanche of Lancaster. Foi educada na corte plantageneta, em pleno ambiente da Guerra dos Cem Anos que opunha o reino de Inglaterra ao de França. Terá sido muito influenciada pelo ideal cavaleiresco recuperado pelo seu avô, o rei Edward III, instituidor da famosa ordem de cavalaria da Jarreteira. As mortes, primeiro do herdeiro do trono – o Príncipe Negro, seguida do rei Edward III tornaram o pai de Philippa a pessoa mais poderosa em Inglaterra durante a menoridade do novo rei Richard II. Mais tarde, o duque de Lancaster, casado em segundas núpcias com Constança de Castela, filha de Pedro I o Cruel, quis reclamar a coroa de Castela por direito de sua mulher. Estabeleceu então uma aliança com Portugal para juntos fazerem frente aos reinos inimigos de França e de Castela. A aliança foi selada pelo casamento entre Philippa (já com 26 anos) e el-Rei D. João I, no Porto, em 1387, ano e meio após a grande vitória de Aljubarrota. 

 

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 A Rainha Dona Filipa destacou-se sobretudo como esposa muito dedicada e pela influência que teve na extraordinária educação da sua prole, imortalizada por Camões no verso de Os Lusíadas “ínclita geração, altos infantes”. Mas o cronista Zurara, que contava 5 anos à data da morte da Rainha, descreve-a como modelo de virtudes cardeais – justiça, prudência, temperança e fortaleza – e teologais – fé, esperança, e caridade. Foi aliás na prática obstinada da caridade junto dos mais pobres e dos doentes que D. Filipa se deixou infectar irreversivelmente pela terrível peste que naquela altura fustigava Lisboa. Já no leito de morte, em Odivelas, mandou chamar os três filhos mais velhos e deu a cada um deles um pedaço do santo lenho da vera cruz para que lhes servisse de protecção. Entregou-lhes também as espadas que mandara fazer propositadamente para os ver armar cavaleiros, após a batalha pela expansão da fé em Jesus Cristo. Depois, a D. Duarte, herdeiro dos Reinos, encomendou a defesa dos povos com justiça, incumbiu D. Pedro da protecção das donas e donzelas e a D. Henrique rogou que zelasse por todos os senhores, cavaleiros, fidalgos e escudeiros.

 

A insigne Rainha Dona Filipa deixou este mundo a 18 de Julho de 1415, faz hoje precisamente 600 anos. Iriam o luto e o mau agouro fazer suspender a partida da armada para a importante expedição, preparada com tanto afinco e minúcia nos anos anteriores?

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por Rodrigo Moita de Deus, em 18.07.15

Sousa Tavares tem dinheiro em ações do BES ou em fundos de liquidez ou em depósitos a prazo ou afinal não tem. E a relevância disso? Qual é?

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os bons, os maus e a maria

por Alexandre Borges, em 15.07.15

Toda a vida, só conheci três gregos: o deprimido que se limitava a responder ”Philip Morris. Isso é da Philip Morris” ao entusiasmo com que lhe dizia que comprar cigarros Karelia de duvidosa sexualidade era o meu contributo para a recuperação da economia grega, e duas gregas simpaticíssimas, uma das quais, pura e simplesmente, uma das mulheres mais belas que alguma vez conheci (A propósito, Maria, se estiveres a ler isto… Ah, deixa lá). O saldo é, portanto, francamente, positivo. Mas, nesta interminável discussão sobre a Grécia, reduziu-se tudo a um simplismo maniqueísta de fazer corar de embaraço.

Os Gregos são os bons; os Alemães, os maus. Os Gregos são bons porque são coitadinhos; os Alemães são maus porque só emprestam mais dinheiro aos Gregos se estes prometerem portar-se bem. Os Gregos são os bons porque nos deram a democracia; os Alemães são maus porque são nazis.

Bom, é capaz de valer a pena lembrar que os mauzões dos Alemães – e dos Holandeses, e dos Belgas, e dos Luxemburgueses, enfim, do resto da Europa – estão, pela terceira vez, a emprestar enormes quantidades de dinheiro à Grécia, a juros que a Grécia nunca encontraria, por si só, no mercado. E que esses mauzões e amigos já permitiram uma reestruturação da dívida grega. E que aceitaram os dois pedidos de adiamento de uma prestação pedidos pelos geniais Tsipras e Varoufakis.. E que, quando Tsipras e Varoufakis simplesmente não pagaram, os mauzões – estranho comportamento para vilões tão infames – rosnaram, mas continuaram disponíveis para novo empréstimo. E que, afinal, os implacáveis alemães, andam há cinco anos nisto.

Ah, dirão: os Alemães (vamos continuar a fingir que são só os Alemães) não andam nisto há cinco anos porque queiram salvar os Gregos; os Alemães andam nisto há cinco anos porque querem salvar os bancos alemães. Claro. Mas os bancos alemães têm uma peculiaridade – peculiaridade, aliás, partilhada por todos os bancos que conheço: não têm dinheiro; têm o dinheiro dos clientes. Quando cai um banco – sim, PCP, desculpe dar esta notícia assim, a frio – não é o banqueiro que se trama; é o povo que lá tenha as poupanças. Tome-se aqui o bom e velho BES como exemplo: é a família Espírito Santo que vêem a liderar as manifestações dos lesados do dito? Sim, amigos solidários. Estou certo de que se fosse o meu dinheiro na Caixa que estivesse em xeque na questão grega, era rapaz para andar um bocado mais agastado. Serei nazi?

Para a discussão, gostamos de trazer a Grécia que temos na cabeça. E a Grécia que temos na cabeça – vá lá explicar-se este fenómeno psiquiátrico – é uma Grécia que inventou a democracia e a filosofia há 2400 anos e que, por qualquer razão, os Alemães decidiram agora linchar. Mas – notícia de última hora – a Grécia de há 2400 anos, por mais gratidão que nos mereça, nada tem a ver com isto. A Grécia que se deixou cair nesta trágica situação não é a cidade-estado de Atenas com que, romanticamente, a insistimos em confundir. É o país que só existe como hoje o conhecemos desde o século XIX e que sempre teve dificuldades financeiras. E é, sobretudo, a Grécia que, nos últimos 20 anos, maquilhou os números para ocultar a sua dívida real, que atingiu défices anuais de 15%, que continuou a engordar o número de funcionários públicos até mais de 800 mil (incluindo casos célebres como o dos 45 jardineiros para tratar de quatro canteiros num hospital). É a Grécia onde, apesar de haver uma economia ainda mais pobre do que, por exemplo, a portuguesa, se praticava (e pratica) um ordenado mínimo superior ao ordenado médio português, se trabalha menos anos e, frequentemente, se fecha a porta quinta-feira ao fim da tarde e se volta segunda. É a Grécia que, na sua extensa lista de profissões de desgaste rápido a quem era permitida a reforma aos 40 e tal anos, se encontrava, por exemplo, o perigoso métier de cabeleireiro. É a Grécia que, apesar de todas as vilanias pedidas pelos mauzões do centro da Europa, ainda não aceitou mexer nos seus off-shores, em fazer os armadores pagarem impostos, em retirar os privilégios à igreja ortodoxa ou reduzir aquele que é, percentualmente, um dos maiores orçamentos militares da Europa.

E, no entanto, choca-nos que possa haver quem não esteja disposto a continuar a dar a esta Grécia, de mão beijada, milhares de milhões de euros. Choca-nos a vilania desse sinistro FMI que insiste em fazer exigências, quando, afinal, não é mais do que uma organização de países, a maioria dos quais – continuam as notícias bombásticas – com condições de vida bem piores do que a Grécia. Repugna-nos que governos democraticamente eleitos pelos seus povos tenham de prestar contas a esses mesmos povos pelo que decidem fazer com o dinheiro deles, porque, aparentemente, o argumento da democracia só é válido quando se fala da – digam em coro – Grécia.

Os gregos comuns não terão culpa da Grécia. Mas não podem, certamente, culpar os maus dos alemães pela enorme e persistente ingenuidade, senão negligência, com que escolheram os seus responsáveis políticos e os deixaram agir, ao longo de décadas, enquanto seguiam, lenta e inapelavelmente, para o abismo.

Recentemente, cansados das velhas soluções, os Gregos entregaram o governo a um pequeno partido que, pouco antes, não recolhia mais de 300 mil votos, e que dizia que faria tudo diferente do que os outros faziam. Por cá, mas não só, a esquerda facilmente impressionável (levem-me ou não a mal, amigos de esquerda, a diferença entre esquerda e direita é, frequentemente, apenas uma questão de ingenuidade versus realismo) tratou da canonização instantânea. Não era só Tsipras, cuja rebeldia consistia, ao que percebi, em dispensar a gravata; era, sobretudo, Varoufakis, o homem que as mulheres queriam ter e que os homens queriam ser; o governante que se deixava fotografar a caminho de reuniões de mota e blusão de cabedal; o génio rico, filho de ricos, casado com uma mulher rica, filha de ricos, que, ao que se diz, terá inspirado Jarvis Cocker a escrever essa bela canção sobre uma grega em Londres, estudante de escultura, que queria brincar às “pessoas comuns”.

Pouca importava se lembrássemos que Varoufakis já trabalhara no governo do PASOK e que, portanto, era difícil compreender que o seu tão propalado génio não tivesse funcionado então. O fascínio deu para meses. Deu para fazer uma super-star política como não se via, talvez, desde a primeira corrida presidencial de Obama.

Eis o resumo da genialidade: eleito para bater o pé à austeridade da Europa, o Syriza passou cinco meses a pedir adiamentos. O tempo foi passando, entre as lições de moral de Varoufakis aos ministros das finanças a quem tinha de pedir dinheiro e os “programas económicos” rabiscados pelo negociador em folhas do bloco de notas do hotel. No fim, o Syriza não só não pagou, como passou a batata quente para as mãos do povo. Que coragem, disse-se por aí. Um governo eleito pelo povo para o representar e decidir, na hora da decisão, lavou as mãos e disse ao povo que fizesse o que entendesse.

Tsipras e Varoufakis nunca tiveram a menor ideia de como tirar a Grécia da situação em que está. Talvez tenham achado que encher o peito e aparecer ao lado de Putin bastaria para meter medo a um velho continente tão cheio de medos, traumas e ligações perigosas. Mas a chantagem emocional não funcionou. Então, sonharam ardentemente com um “sim” no referendo. Sim, com um “sim” – “nai”. Durante uma semana, apavoraram o próprio país impondo um limite diário de 60 euros por cabeça aos levantamentos de dinheiro. Com um requinte: só mil dependências bancárias poderiam estar abertas em todo o país. Porquê? Se cada cidadão só podia levantar 60 euros, que diferença fazia estarem todos os bancos abertos? Uma diferença enorme: as filas dramáticas de gregos, de todas as idades, espremendo-se contra a porta de um dos poucos bancos abertos num raio de quilómetros. As imagens correram mundo e, naturalmente, chocaram. Os maus dos Alemães. Os maus dos Europeus. E, entretanto, as sondagens iam dando o “sim” a subir porque os Gregos começavam a ter um terrível vislumbre do que seria um futuro sem dinheiro. Se votassem “sim”, Tsipras e Varoufakis lavariam daí mais uma vez as mãos. Era o povo que tinha escolhido a austeridade, forçado pela vilania alemã. Apresentariam a demissão, saindo como tinham entrado: como heróis, sem que tivessem tido de provar o que quer que seja a quem quer que fosse.

E, no entanto, os Gregos disseram “não”. Oxi. Não à austeridade. Não à Europa. Morremos, mas morremos de pé. Vamos lá! E que fizeram Tsipras e Varoufakis? Varoufakis, que prometera demitir-se se ganhasse o “sim”, demitiu-se ganhando o “não”. Diz que foi para facilitar as negociações porque tinha ouvido dizer que lá na Europa não gostavam dele – mas, na verdade, já tinha sido substituído há muitas semanas por um “negociador” que, agora, o substitui como ministro de facto. E Tsipras? Foi negociar mais austeridade, para depois voltar a casa e gritar que foi “chantageado”.

Nunca souberam o que fazer. Nunca houve alternativa. E é melhor que deixemos rapidamente de tratar a questão como um debate moral. Alguém pode não pagar o que deve? Pode. Mas não espere que lhe voltem a emprestar dinheiro. Isto não é moral; é lógica simples. E, a propósito: haverá, com certeza, muitos especuladores a enriquecer com a compra de dívidas soberanas, mas sabem quem é que também investe muito em dívidas soberanas? Outros estados soberanos, com os fundos com que tentam financiar os seus sistemas de Segurança Social.

Quanto à solidariedade, choca-nos que o Presidente da República Portuguesa dissesse que, saindo a Grécia, ficavam 18 países, em resposta a uma jornalista que lhe perguntava se a Zona Euro acabaria com uma saída da Grécia. Choca-nos que o primeiro-ministro português se demarcasse da Grécia. Mas não nos choca que a Grécia não tivesse tido o menor pudor em dizer, consecutivamente, que, saindo eles, Portugal seria o próximo. Não nos choca que o governo grego arrastasse com ele os juros da dívida portuguesa em nome de nova chantagem emocional. Mas choca-nos que o governo português faça o que tem de fazer: preocupar-se, em primeiro lugar, com a débil situação portuguesa. Choca-nos o alemão feio de cadeira de rodas, que é ministro das finanças e tem cara de mau, mas admiramos o ministro das finanças gregos, que é garboso e bem falante. E não nos chocam os seus colegas de governo que chamam nazis por tudo e nada aos alemães, que ameaçam invadir a Alemanha com jihadistas (?), enquanto vão fazendo os seus negócios com Putin.

Podemos estar todos à beira de uma história muito complicada, e as histórias muito complicadas nunca foram contadas dizendo que, de um lado, estavam os bons e, do outro, os maus.

E, já agora, a quem possa ser mais sensível ao argumento arqueológico, vale a pena pensar que o nosso sistema político – aliás, toda a contemporaneidade – deve muito mais à Revolução Francesa, arquitectada sobre os princípios definidos por alemães como Kant, do que à longínqua democracia de Atenas, onde mulheres, escravos e estrangeiros não podiam tomar parte. E que não é lá muito humanista insistir em reduzir a Hitler uma cultura que nos deu Beethoven, Bach, Goethe, Schumann, Nietzsche, Hegel, Leibniz, Husserl, Shopenhauer, Schiller, Thomas Mann, Brecht, Murnau, Lang, Einstein e até, vejam lá, Karl Marx.

(Mas concedo que também foi de lá que vieram os Scorpions. E, afinal, a Maria era muito mais bonita do que qualquer alemã que tenha conhecido em dias de minha vida).

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por Rodrigo Moita de Deus, em 14.07.15

Estive a tentar planear as férias das crianças. Sinto-me um uber-pai.

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por Filipe Nascimento, em 13.07.15

a esquerdalha ululante de ha 8 dias ja voltou à praça Syntagma para festejar o acordo?

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os perigosos liberais gregos II

por Rodrigo Moita de Deus, em 13.07.15

Olhando para o pormenor com que foi feito o programa de ajustamento os gregos podem começar a poupar dispensando o próprio ministro das finanças.

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os perigosos liberais gregos

por Rodrigo Moita de Deus, em 13.07.15

Em cinco meses Tsipras e Varoufakis passaram da "política alternativa à austeridade" para isto. Passaram de 7 mil milhões para 80. Foi bonita a festa. 

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ouvido no elevador

por Rodrigo Moita de Deus, em 13.07.15

- no caderno de encargos da troika não está o "aprender alemão" para não dar tanto trabalho a quem de direito?

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eu que não sou de intrigas

por Rodrigo Moita de Deus, em 13.07.15

Se Tsipras executar aquele programa será a nova estrela da constelação neo-liberal europeia.

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ouvido no elevador

por Rodrigo Moita de Deus, em 13.07.15

Tantos partidos anti-euro a reclamar com a sugestão da Grécia sair do Euro.

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por Rodrigo Moita de Deus, em 13.07.15

O syrisa defende uma "reestruturação da dívida" na ordem dos 30%. Os 80 mil milhões que agora pediram? É a contar com os 30% ou sem os 30%?

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um político como os outros

por Rodrigo Moita de Deus, em 13.07.15

Tsipras demonstrou ser um génio. Durante cinco meses andámos todos convencidos que o que estava em causa eram 7 mil milhões de euros. A última tranche do segundo resgate. Afinal eram 80 mil milhões. Um terceiro resgate. Se Tsipras tivesse ido para eleições a dizer que o país precisava de um terceiro resgate? Alguma vez teria sido eleito?

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resumo do fim-de-semana

por Rodrigo Moita de Deus, em 13.07.15

Tantos partidos anti-euro a reclamarem mais euros para um dos seus.

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Amanhã - À Volta dos Livros com Nuno Sampaio

por João Vacas, em 13.07.15

IDL_AVoltaLivrosJul.jpg

 Às 19h00, na rua do Patrocínio n.º 128-A, em Lisboa.

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Ouvido no elevador

por Afonso Azevedo Neves, em 13.07.15

Alguém se lembrou que a Grécia além de ter inventado a Democracia também inventou a Tragédia?

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e não dá para privatizar isto também com a EMEF?

por Rodrigo Moita de Deus, em 10.07.15

Para ver se eu percebi. O Estado tem uma coleção de arte contemporânea e tem um museu de arte contemporânea mas não quer por a coleção de arte contemporânea no museu de arte contemporânea que está em obras para receber uma coleção de arte contemporânea. Ou não. Não sabemos. O que sabemos é que tudo faz imenso sentido.

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banda sonora para o fim-de-semana

por Rodrigo Moita de Deus, em 10.07.15

 Os pearl jam de almada. O resto está por aqui.

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Syrisa. Cinco meses a defender os interesses do povo grego.

por Rodrigo Moita de Deus, em 09.07.15

Grandes companhias anunciam suspensão de voos para Atenas. Grandes companhias anunciam reforço de voos para Lisboa.

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ouvido no elevador

por Rodrigo Moita de Deus, em 09.07.15

- A política económica do Syrisa triplicou o nível de poupança das famílias gregas.

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os mesmos tiques de sempre

por João Ferreira do Amaral, em 09.07.15

Podem escrever o que quiserem, desde que pensem como nós.

Não queremos por cá estilos matarruanos.

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produtividade grega

por Rodrigo Moita de Deus, em 08.07.15

O governo do Syrisa precisou de cinco meses e de um referendo para escrever uma carta.

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e explicaram que depois vão querer um corte de 30%?

por Rodrigo Moita de Deus, em 08.07.15

Grécia recorre ao mercado para angariar 1,6 mil milhões

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a única mulher que aparecia nas fotografias

por Rodrigo Moita de Deus, em 08.07.15

Fico sem perceber se Maria Barroso foi mulher de Mário Soares ou se Mário Soares foi o marido de Maria Barroso. Só isso já foi um feito extraordinário. 

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a liberdade

por Rodrigo Moita de Deus, em 08.07.15

2015-06-30-Augusto-Santos-Silva.jpg

Santos Silva é um espírito tão livre, tão livre mas tão livre...que preferiu criticar publicamente o seu empregador em vez de rescindir o maldito contrato por sua própria iniciativa.

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Vai ganhar 60 euros por dia?

por Rodrigo Moita de Deus, em 07.07.15

Marco Silva diz 'NAI' ao Olympiakos

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António Costa quer a Grécia no euro

 

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"nervos de aço" no referendo Grego...

por Filipe Nascimento, em 07.07.15

tinha curiosidade em saber como votou o "pater familias" Varoufakis...

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...

por Rodrigo Moita de Deus, em 06.07.15

Querida Caixa Geral de Depósitos,

Tem sido muito complicado pagar os empréstimos que eu pedi. Ontem, durante o jantar, falei do assunto com a família e sufraguei a coisa. Só o mais novo votou a favor do pagamento da dívida. A esmagadora maioria votou contra qualquer tipo de penhora sobre os bens que comprei com o vosso dinheiro. Posto isto espero que a vossa administração tenha em conta a votação lá de casa e se acalmem com essa coisa das cobranças. Afinal...somos uma democracia.

Cordialmente,

Rodrigo Moita de Deus

PS: Este mês estou um pouco apertado por causa das férias. Queiram por favor transferir algum para o NIB do costume. Obrigado.

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Syrisas dão mãozinha ao turismo de lisboa

por Rodrigo Moita de Deus, em 06.07.15

IMG_20150706_095959.jpg

 

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...

por Rodrigo Moita de Deus, em 03.07.15

Para evitar cortar nas pensões o Syrisa resolveu acabar com as pensões.

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eu que não sou de intrigas

por Rodrigo Moita de Deus, em 02.07.15

É melhor não tomar nota de quem estava no livro de Miguel Relvas. Vamos é tomar nota de quem não estava.

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eu que não sou de intrigas

por Rodrigo Moita de Deus, em 01.07.15

Obama parece-me mais preocupado com a Grécia do que esteve com Detroit.

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não notícias

por Rodrigo Moita de Deus, em 30.06.15

1. Sócrates diz que é um preso político;

2. Há uma biografia de Rui Rio;

3. Não há acordo para a Grécia

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...

por Rodrigo Moita de Deus, em 30.06.15

Não vale a pena perder muito tempo com esta coisa do sorteio dos árbitros. Daqui a dois anos mudamos outra vez para nomeação.

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the greek standoff

por Rodrigo Moita de Deus, em 30.06.15

FMI e BCE recusam-se a emprestar dinheiro à Grécia para a Grécia pagar ao FMI e ao BCE.

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...

por Rodrigo Moita de Deus, em 29.06.15

Não atou nem desatou e quando foi preciso decidir...convocou um referendo. E este mês? Tsipras recebeu o ordenado?

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