Dúvidas acerca da tal solução federal: esta respeitaria o princípio da igualdade entre os Estados federados? Em termos práticos, estes teriam o mesmo peso numa das futuras câmaras parlamentares? Sem isto, não se trataria de uma verdadeira federação mas de centralização disfarçada. Com a subsidiariedade como flor de lapela. Mais do mesmo, portanto.
Para não variar, também não concordo com o Paulo. Imagine-se uma qualquer 'troika', ainda que com outro nome, a comandar para sempre os nossos destinos e a impedir-nos de fazer as nossas próprias escolhas.
Apoiei com o entusiasmo que mantenho um Tratado da União que consagrava no Artº 5º os princípios da atribuição, da subsidariedade e da proporcionalidade. Só seria resolvido pela União aquilo que lhe viesse a estar atribuido nos tratados e, dentro disso, apenas o que não pudesse ser melhor resolvido pelos Estados-Membros.
Ter contas públicas equilibradas ou deixar de conseguir financiar as suas economias são opções que cabem exclusivamente aos Estados-Membros. A isto chama-se ser livre.
Vou ali mandar uns SMS ao António José seguro e já volto.
Também discordo do Paulo. Acompanhei várias "Filadélfias". Falhadas. Projectos fantásticos de reformas institucionais profundas e decisivas e que não resultaram. Porque os povos não as desejam e não as sentem como suas. Em vez dos pequenos passos que criam as tais "solidariedades de facto", precipitámo-nos a desenhar soluções impecáveis, à prova de falhas, como o Titanic. Galgámos etapas, andámos depressa demais e o resultado está à vista.
Um espião nomeado por um governo socialista mandava mensagens para o secretario geral do PSD. O secretario geral nao respondia. A atitude de Miguel relvas é criticavel porque deselegante.
O Paulo Marcelo, desta vez, levou o seu esforço indutivo demasiado longe. Se aquilo que "tem" de ser salvo só puder sê-lo com o milagre do federalismo, valerá a pena salvá-lo? Em nome de quê? ou de quem? Para quê? Para quem? A ideia que me dá é que estamos todos tão empenhados em defender uma coisa que nem nos damos conta de que há outras, a meu ver bem mais importantes, que ninguém cuida de defender.
Imagine-se uma estufa antiga, bonita, preciosa, de risco impecável, recheada das flores mais raras do mundo. De repente, descobre-se que uma das traves foi atacada por uma espécie de formigas particularmente vorazes. Há que resolver o problema rapidamente. Solução: caçar formiga a formiga ou, mais eficaz, fumigar toda a estrutura. Opta-se, claro, pela eficácia. Salvou-se a estufa. Perderam-se as flores.
o benfica é um clube tão grande, tão grande, tão grande que os seus jogadores convocados para a seleção não têm lugar na equipa principal.
Alegre recusa rompimento do acordo com 'troika'
Miguel Relvas aparece mais no Expresso que o próprio Primeiro-Ministro. Se eu fosse Passos Coelho teria alguns ciúmes.

"quem diz que a TAP está super-endividada está falando bobagem", Fernando Pinto, 26 de Março de 2012
"A dívida remunerada do Grupo TAP manteve-se nos 1,2 mil milhões de euros em 2011, «valor idêntico ao do ano anterior, registando até uma ligeira redução de cerca de 46 milhões de euros, inferior no entanto à redução das disponibilidades de caixa»" Relatório da Parpública, 14 de Maio de 2012
Fernando Pinto apresentou com pompa os resultados da TAP SA. 3 milhões de lucro. Infelizmente não teve disponibilidade para apresentar os resultados do grupo. Mais 76 milhões de euros de prejuízo. Isto de não ter agenda é uma chatice.
governo alemão decide cortar na conta de roaming
Temos que ter mais cuidado com os emails que recebemos que com os emails que enviamos.
Eu que não sou de intrigas: Noutros tempos o PSD produziu milhares de aventais para distribuir à população.
É verdade que os serviços de inteligência portugueses têm estado envolvidos em situações menos claras e que interessa apurar todas as responsabilidades. Desta parte ninguém discordará. Mas o que foi publicado hoje na capa do Expresso é outra coisa: colocam em destaque os nomes do Miguel Relvas e Marco António para quê? Para dizer que eles recebiam emails e sms de Jorge da Silva Carvalho, aos quais nem sequer responderam? Segundo a própria notícia, não há nada que indique o menor indicio de ilegalidade cometida pelos dois visados, pois as informações recebidas seriam sem qualquer relevância. Uma não notícia que desprestigia o Expresso.
Alguma vez nos passaria pela cabeça que o Ministério Público pudesse ter alguma responsabilidade nisto?
Temos todos bem presente a eficácia com que combatem a corrupção e levam os bandidos a responder pelos seus crimes...
Passos Coelho disse o que o país já percebeu há muito tempo: o estado não pode ajudar. é preciso fazer pela vida. Passos disse, o país percebeu, os partidos e os políticos estão mais atrasados.
Vi uma reportagem na TVI sobre Vale e Azevedo. Enganou dez ou quinze portugueses. Depois disso foi presidente do Benfica e enganou 6 milhões. Foi apanhado, preso e condenado. E depois disso voltou a enganar outros vinte. Foi para inglaterra onde continuou a carreira. Vale e Azevedo tem alguma razão no que diz agora. À primeira é normal. À segunda e quase normal. À terceira a culpa já é de quem foi enganado.

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Marinho e Pinto incita a malta a manifestar-se; Seguro oferece-se para liderar as manifestações. Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzz... O quê? Hum? Ehem. Onde é que eu ia?
Próximos passos do caso Isaltino, de acordo com o Público de hoje:
"O requerimento deu entrada no Tribunal da Relação, que deverá pronunciar-se sobre a sua admissibilidade" - até aqui tudo bem - "sendo que a lei estabelece um conjunto de apertados requisitos para que o tribunal aceite" - mau - "Em caso de indeferimento na Relação" - a coisa acaba, certo? Errado. Isso é que era bom - "o arguido terá a possibilidade de recorrer dessa decisão para o Constitucional." - mas quantas vezes se pode recorrer para o Constitucional? - "Em caso contrário" - a coisa acaba? Acaba, não acaba? - "a admissibilidade do recurso será ainda objecto de uma nova avaliação no TC" - n-n-nova avaliação?! Mas acabou de sair de lá!! - "que não fica vinculado pela eventual admissão do recurso pela Relação" - claro que não. Isso seria demasiado fácil - "Uma vez no Palácio Ratton, o apelo pode ser objecto de decisão sumária do juiz relator, se - há sempre um "se" - "a questão a decidir já tiver sido objecto de anterior decisão do TC, ou se" - estão a brincar, certo? - "for julgada manifestamente infundada" - manifestamente infundada. De certeza que a coisa acaba aqui. Não. Esperem. Em que país julgam que estão? - "Dessa decisão sumária o interessado pode também reclamar para a conferência de juízes" - e para o júri dos "Ídolos", imagino.
"No caso de ser admitido o recurso, Isaltino terá um prazo de 30 dias para apresentar alegações" - sim, porque, afinal, ainda só teve meia dúzia de anos para se explicar - "Em apoio das mesmas, poderá apresentar pareceres encomendados a especialistas em Direito Constitucional. O processo vai depois ao Ministério Público junto do TC, que tem mais dez dias" - Ah, ah. Ah, ah, ah-ah-ah - "para se pronunciar, após os quais os juízes dispõem de cinco dias" - aaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhh - "para apreciação, a seguir aos quais" - isto acaba, né? Acaba. Ou bem que o prendem ou bem que o soltam - "é MARCADO O JULGAMENTO".
Eutanásia, por favor. Onde é que eu assino?
Confesso a minha fobia: Tenho sempre receio de que estas cimeiras sejam uma versão Séc. XXI das cortes de Tomar. Vá lá saber-se porquê...
Mas o alívio surge quando leio as conclusões: Invariavelmente uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.
Desta vez tivemos no início a difusão de uma ideia cómica de um Sr. Enrique Santos, que preside à Câmara de Comércio Luso-Espanhola, defendendo a criação de uma "marca ibérica" como potencial mais-valia para as empresas portuguesas. Deu como exemplo elucidativo a possibilidade de Portugal poder levar as rolhas de cortiça a entrar em mercados de maior dimensão, quando é sabido que não há no mundo garrafa de vinho que se preze que não tenha lá metida uma rolha portuguesa.
A única experiência de marca comum que tivemos com a Espanha foi a "Habsburgo" e, como é sabido, trouxe-nos péssimos resultados.
Eu, que não sou empresário mas sou Português, sugiro ao Sr. Enrique Santos que adquira uma boa rolha portuguesa e a introduza na sua própria boca.
Argentina proíbe as importações de presunto espanhol
Em vez de fazer as contas ao quanto ganhou com a saída de Falcão o Porto devia fazer as contas ao que perdeu com a saída de Falcão.
Recebo, na minha caixa de email, uma média de vinte cv´s por mês. Mais coisa menos coisa. 70% nem sequer estão personalizados. São enviados para uma espécie de base de dados em bcc e começam com “exmo senhor(a)”. Mais de 40% têm erros ortográficos. 10% nem fazem ideia do ramo de atividade ou o nome da empresa para onde estão a enviar o email. Mais de 80% exigem uma “resposta breve”. Os 100% queixam-se que estão desempregados. Deve ser coincidência.
Isto não é só falta de preparação académica para a integração no mercado de trabalho. É falta de senso.
Desde a sua última reencarnação política, depois da candidatura presidencial falhada em 2006, que as intervenções públicas de Mário Soares têm sido um desastre. Nos últimos anos, Soares transformou-se numa caricatura daquele político que em tempos lutou contra a extrema-esquerda antidemocrática, que nos aproximou dos Estados Unidos e da União Europeia e que lutou pela democracia. Hoje, Soares é uma personalidade mal educada, irresponsável e sem memória da sua própria história. Os recentes acontecimentos assim o mostram: o triste episódio da multa paga por todos os portugueses ou o momento perpetrado no 25 de abril foram maus de mais. Mas, apesar de tudo, não passaram de fait-divers sem grande substância política. Soares, não satisfeito pelos disparates que tem feito e dito, hoje saltou para um outro nível: o da total irresponsabilidade perante os problemas do país. Mário Soares não é nenhum Pedro Nuno Santos ou um militante qualquer do PS. É um dos pais fundadores da democracia, antigo Primeiro-ministro (que governou com o FMI) e Presidente da República. Ao juntar a sua voz ao coro da esquerda radical que pede o afastamento da Troika, Soares marginalizou-se e colocou-se contra a estabilidade e os interesses do país. Fez bem o PS em descartar liminarmente a opção soarista. Mas quem continuar a considerar que os conselhos de Soares são relevantes só estará a enganar-se a si próprio: Soares é uma voz totalmente descredibilizada. Até o seu partido já o percebeu.
O Governo Regional dos Açores decidiu que a SATA terá regime de excepção aos cortes dos salários. Porquê? Porque a TAP também tem. Ora, o que o Governo da República definiu foi que o ordenado do primeiro-ministro seria o tecto máximo para os vencimentos dos gestores públicos - com duas excepções: empresas de gestão especialmente complexa ou que operem em regime de concorrência (como a TAP). Qual delas se aplicará à SATA, empresa que opera há anos em escandaloso monopólio, fazendo com que seja mais caro voar para os Açores do que para qualquer país da Europa?
A explicação é simples e já aqui a demos: um governo PS é um governo PS é um governo PS.
Há-de aproveitar tudo até ao fim, enquanto fala sobre os direitos dos pobrezinhos.
Ele não deve ter reparado, mas já lá vão 16 anos desde que o povo o mandatou para alguma coisa.
Deve achar que é uma multa de trânsito.
Ainda o vamos ver candidato pelo Bloco.
- Os livros da Fundação Manuel dos Santos foram o único produto que não esgotou nas promoções do Pingo Doce.
Merkel quer manter as boas relações com a França. Para isso já mandou vir o novo Presidente Francês à capital.
Barómetro do Der Spiegel.
Em virtude da vitória de Hollande, tenho visto por aí muitos pulinhos de contentamento contra a Chanceler Merkel. Apesar de ainda faltar mais de um ano para as eleições legislativas de 2013, a CDU-CSU lidera confortavelmente as sondagens. Se as eleições fossem hoje, provavelmente teriam de levar com a senhora Merkel mais um mandato, novamente acompanhada pelo SPD, que substituiria a FDP na coligação governativa. Que chatice...
PS: surpreendente tem sido o crescimento do Partido Pirata, em contraste com a queda dos liberais da FDP, que perdeu quase 10 por cento das intenções de voto em relação ao resultado que obteve em 2009. A CDU-CSU está ligeiramente acima dos resultados de 2009, tal como o SPD e os Verdes. O Die Linke está em queda.
Com Obama não deu mas o tal do Hollande é que vai ser. A sério. A sério.
As únicas eleições regionais que Merkel perdeu este fim-de-semana foram no estado alemão da França.
Tripla derrota de Merkel contagia França, Espanha e Itália (in Expresso)
Os partidos da coligação conservadora-liberal de Angela Merkel perderam o poder no pequeno estado regional de Schleswig-Holstein, segundo as primeiras estimativas, apesar da vitória da CDU da chanceler alemã. (in diário de notícias)
A notícia no DN sobre as regionais alemãs dá conta de uma derrota de Merkel. O que vem em linha com a primavera europeia de António José Seguro. Em linha. Quem se der ao trabalho de continuar a ler o artigo depois do título dará conta que Merkel, afinal, ganhou as eleições. Um pormenor.
ca esta a "lufada de ar fresco" que o líder do PS falava...
Quando o Merkozy mandava na "Europa", era inadmissível que a França e a Alemanha mandassem sozinhos em todos os países da UE. Merkel era Hitler, Sarkozy era Napoleão. Agora que temos o Merkollande, ah!, é a salvação!, "há uma nova esperança para a Europa", disse o Não-Sei-Quem que é porta-voz do PS. Esse forasteiro já nos pode vir chicotear.
Para mim é seguro que os trabalhadores do Pingo Doce podem fazer o que quiserem aos feriados, incluindo trabalhar.
Também é pacífico que as pessoas em geral podem fazer o que quiserem, e se lhes apetecer perder um feriado em bichas de horas num supermercado para comprar whisky ou lagosta em saldo é com eles; se não for para comprar whisky e lagosta mas arroz e feijão, por acharem que lhes convém comprá-los mais baratos, também não temos nada a ver com isso.
Em ambos os casos, podemos apenas fazer os nossos juízos de valor, que também são livres, sobre o estado de necessidade de uns ou a opção de outros.
Simplesmente, a mim não me parece muito relevante discutir os trabalhadores do Pingo Doce ou os clientes do Pingo Doce. São o elo mais fraco e nem uns nem outros têm grande poder de auto-determinação nesta história. O que eles fazem ou fizeram decorreu de uma decisão da administração da empresa. Essa decisão é que deve ser analisada e não as suas consequências.
Ora, a decisão da Jerónimo Martins limitou-se a inovar na continuidade. O caminho já estava traçado e o grito de guerra tinha sido dado no final do ano passado, com o anuncio da parceria entre o Continente e a EDP.
Ou seja, o que está em causa é a concorrência na distribuição alimentar. E o que podemos perguntar é se temos a concorrência que queremos ter e, se a resposta for negativa, se podemos fazer alguma coisa para a mudar.
Uma coisa é certa, nada disto é beliscado com a criação de "taxas de segurança alimentar", nem com a ministra Cristas a responder ao caso, só porque se fala dele nos jornais, com entrevistas a prometer a "produção de legislação".
(Originalmente publicado aqui)
Na grécia o eleitorado escolheu hoje os únicos funcionários públicos com emprego garantido para os próximos meses.
- será que o sarkozy vem estudar filosofia para lisboa?
Pior que os salários em atraso no união de leiria só o silêncio dos outros clubes.
Boris Johnson foi ontem reeleito Mayor de Londres, depois de uma interminável contagem que obrigou a que os resultados oficiais tivessem sido entregues “even later than one of Boris’s columns” (palavras de Paul Goodman, ex-deputado Tory e ex-colega de Boris do Telegraph). É um facto extraordinário, nesta época de opressão uniformizadora em que apenas parecem ter sucesso os políticos com a espessura intelectual da massa folhada. Um excêntrico como BoJo só podia mesmo ter sido eleito em Londres, a cidade onde o individualismo é mais considerado e a extravagância não é um insulto.
Em 2006, escrevi para a Atlântico este texto. Não imaginava que Boris se fosse candidatar a Londres, muito menos que vencesse, muito menos ainda que vencesse por duas vezes. Lido à distância de seis anos, parece-me um perfil demasiado agarrado ao tempo em que foi escrito, mas há ali na parte final um tom levemente premonitório, involuntário, que me apetece a partir de agora cultivar, como aqueles nefelibatas bem-intencionados que o querem ver um dia em Downing Street.
"E o encerramento de maternidades não pode acontecer e pelas mesmas razões, apenas fora de Lisboa".
Uma frase certeira do jfd que explica bem o que está em causa com o encerramento da maternidade lisboeta. Não se pode aplicar uns critérios no resto do país, mas apenas porque o alvo agora é Lisboa e as vozes contestatárias terem mais força mediática, as instalações da capital ficarem fora da alçada das reformas. O governo tem vindo a realizar uma reorganização da rede hospitalar, e esta decisão em particular até é suportada por diversos especialistas, como o Fernando Moreira de Sá aqui relata. Nesta semana, que foi ocupada em termos mediáticos com a (não) questão das promoções do Pingo Doce, a oposição calvagou na onda do populismo e levou à Assembleia da República o assunto, mas a maioria PSD/CDS manteve-se firme. Bom sinal, pois esta é uma reforma necessária e urgente.
Ás vezes, fico com a sensação que algo de pessoal te move contra a MAMAOT, tal a imprecisão e falta de rigor de alguns dos teus postes. Espero estar enganado e que não seja esse o caso nem tão pouco um fanatismo ideológico que te impede de ver a luz.
Ora vejamos, a Ministra Assunção Cristas, na entrevista ao jornal Expresso, que percebo, não leste até ao fim, versa a relação desproporcional que existe entre a distribuição e os produtores, favorável aos primeiros. Não opina sobre a legitimidade da distribuição a decidir sobre as suas promoções.
A distribuição organizada, ganhou um poder enorme face aos fabricantes e distribuidores, invertendo uma relação de forças que existia há 20 anos atrás. Isto começou com o primeiro Hipermercado Continente na Amadora e nunca mais parou desde aí. Se a isto adicionares o fenómeno das marcas brancas ou marcas de distribuição, o caso torna-se ainda mais grave. Ao ponto de hoje, à excepção, provavelmente da Coca Cola, do SKIP e Fairy e talvez do leite Mimosa, qualquer cadeia de distribuição pode prescindir de qualquer marca, mas estas não podem prescindir de uma cadeia de distribuição, por mais pequena que ela seja. Ora, nas categorias alimentares e eventualmente no chamado bazar ligeiro, há ainda o agravante de muitos fabricantes ou produtores terem uma dimensão média mais reduzida e não possuírem sequer uma marca (ninguém compra maças ou laranjas da marca X). São as chamadas “ comodities” – bens pouco diferenciáveis e não “marketizáveis” (a palavra não existe mas penso que entenderás o conceito).
Ora, aquilo que a Ministra Assunção Cristas pretende é equilibrar uma relação negocial abusiva e desproporcional entre os fornecedores e a grande distribuição. Essa relação, passa pelos prazos de pagamento demasiado largos, pelos bónus de final do ano, pelas taxas de centralização, o valor de topos e folhetos, a verba de aniversário, remodelações, etc, etc. Frequentemente, nesta relação, o risco é totalmente assumido pelo produtor e zero pelo retalhista. A situação foi de tal forma expressiva, que poderemos dizer que foram os fornecedores a financiar a expansão dos retalhistas nos últimos 20 anos. Expansão essa que até já terminou e por isso, ainda menos sentido faz esta relação. Se duvidas tiveres, basta comparares as margens de EBITDA de uma cadeia de distribuição com as dos produtores seus fornecedores. As contas são públicas.
É isto que a Ministra Assunção Cristas quer alterar. E até na forma, o está a fazer correctamente, alertando os intervenientes para a necessidade de existir auto-regulação e apenas se estes não se entenderem, será necessário a intervenção legislativa. Para isso, criou se a PARCA - plataforma com o objectivo de promover um código de boas práticas entre as grandes superfícies e os fornecedores industriais e agrícolas.
Já isto, não tem nada a ver, e imagino que tenhas ligado o tema da noticia, pela existência de um titulo menos feliz, com a legitimidade que o grupo Jerónimo Martins e outros, têm em fazer as campanhas mais agressivas, nas datas que entender, desde que não o faça à custa dos seus fornecedores e à revelia destes como se fosse um imposto revolucionário. Nisso, estamos de acordo.
Começa a ser verdadeiramente angustiante assistir à actuação desta ministra, que mais parece retirada de um filme de terror socialista. Neste caso bastava ouvir o que o seu colega de governo disse sobre a matéria para não dizer disparates. Pedro Passos Coelho e a sua equipa, que terá bem mais com que se preocupar neste momento, tem que começar a observar atentamente a actuação desta ministra. Não colocando em causa o bom trabalho que este governo tem feito nas actuais condições extremamente adversas, será importante alguém colocar um travão na senhora. Não pode o governo defender que é necessário democratizar a economia, numa feliz expressão de Pedro Passos Coelho, e depois ter uma ministra sistematicamente a tentar boicotar esse desígnio. É preciso agir.
é impressão minha ou falta uma boa polémica na blogosfera