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Commie Watch 2

por João Vacas, em 14.12.06

Os rapazes da Juventude Comunista Portuguesa manifestaram-se ontem em solidariedade com a Juventude Comunista da República Checa (KSM), recentemente ilegalizada pelo governo daquele país.

A JCP e a KSM são parceiros na Federação Mundial da Juventude Democrática, uma simpática organização juvenil internacional que foi controlada pelo KOMSOMOL (União da Juventude Comunista da URSS) e que papagueou disciplinadamente o breviário estalinista até que o muro lhes caiu em cima.  Agora fazem variações sobre o mesmo tema.

O Ministério do Interior da República Checa considerou que os métodos defendidos pela KSM para alcançar os seus objectivos políticos, nomeadamente o Marxismo-Leninismo e a consequente abolição da propriedade privada, constituem um apelo à violência e ao terror. As autoridades checas consideraram ilegal a existência de um movimento que pretenda suprimir liberdades e direitos humanos.

Nem se desconfia onde os checos poderão ter ido buscar esta ideia.

O divertido é que os JCPs declaram com a maior das caras de pau que "O movimento comunista atingido por esta criminosa campanha anti-democrática na República Checa é o mesmo que lutou abnegadamente contra o nazi-fascismo e pela libertação do seu Povo.". Abnegadamente? Pela libertação de que povo?

Álvaro Cunhal foi o primeiro líder comunista, a seguir a Fidel Castro, a aprovar a intervenção soviética em Praga em 1968, divergindo de forma nítida do seu correligionário espanhol, Santiago Carrillo", sublinha Kenneth Maxwell [A Construção da Democracia em Portugal]. "A primeira delegação de um partido 'irmão' a visitar a Checoslováquia 'normalizada' foi uma delegação do PCP, em fins de 1969, chefiada por Cunhal" e recebida por Gustav Husák, confirma Cândida Ventura [membro do partido entre 1937 e 76, viveu em Praga de 1965 a 75]. Ao lado do PCP, os comunistas de Cuba, Vietname, Coreia, Argélia e Líbano; a favor dos checos que pintaram nas paredes "Lenine, levanta-te, Brejnev está louco", os comunistas de Espanha, Itália, França, Bélgica, Inglaterra, Suécia, entre outros.

Em 1980, apoia os blindados soviéticos em Cabul. "Muitos portugueses só começaram a interessar-se pelo Afeganistão quando tropas soviéticas entraram nesse país a pedido do governo, na base de um tratado de amizade. O PCP há muitos anos acompanha de perto a situação no Afeganistão. Sempre apoiámos a revolução afegã." No IX Congresso até tinha estado um delegado do Partido Democrático Popular do Afeganistão. Pelo contrário, as outras forças "nada conhecem" daquele país. Mas como o presidente americano Jimmy Carter "deu ordens (barulho, protesto, boicote aos Jogos Olímpicos [de Moscovo], etc.)", esses partidos puseram-nas em prática. "Destes sim, se pode dizer que são 'fiéis' submissos e servis para com o imperialismo norte-americano."

Como sucedeu na crise checa, quando o general Jaruzelski procurou esmagar o Solidariedade, em Dezembro de 1981, Cunhal foi o primeiro dirigente comunista ocidental a visitar a Polónia depois da imposição da lei marcial, considerando que tinha sido "o único processo de evitar o massacre". No regresso, a 10 de Abril de 1982, declarava "Estava à espera de encontrar tanques e patrulhas a todas as esquinas e apenas vi um ou outro tanque e algumas patrulhas espalhadas pela cidade."

In DN 14.06.05

Andam distraídos, é o que é.

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