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O país que antes de não ser já não era

por João Vacas, em 16.12.06
Na quarta-feira passada, a RTBF (televisão pública  belga francófona)  interrompeu a programação com uma emissão especial na qual se anunciava que o parlamento flamengo havia declarado unilateralmente a independência e que o rei fugira do país.
Aquilo que depois foi classificado de "documentário-ficção" foi uma operação mediática que demorou meses a planear e lançou o pânico nas instituições belgas, enfureceu a casa Real, originou um pingue-pongue entre os maiores jornais e uma discussão sobre a deontologia jornalística, pôs a diplomacia europeia em rebuliço e colocou de forma ainda mais clara na ordem do dia a questão da secessão da Flandres.
O Estado Belga tem sido forçado a uma erosão permanente de competências em benefício das duas comunidades que cada vez mais desconfiam e se afastam uma da outra. Os casos de tensão sucedem-se à medida que o fosso se cava.  
Os flamengos acusam os francófonos de não serem capazes de aprender a sua língua, chamam-lhe preguiçosos e dependentes da assistência pública enquanto os valões acusam os seus vizinhos de xenofobia e fascismo. Não se gramam. Ponto.
Encontrei um bom exemplo do carácter artificial desta federação: o testemunho de um belga valão em Erasmus em Coimbra que fala com os seus compatriotas flamengos em inglês.
Este desabafo diz tudo : Bravo à la RTBF pour décrédibiliser l’image de la Belgique à l’étranger. On passe vraiment pour des cons.
Mas qual imagem? E qual Bélgica?

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