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New year’s (ir)resolutions

por Laura Abreu Cravo, em 19.12.06

 

 

Desde o início dos tempos (destes modernos) que, depois de correr às lojas para trocar as prendas de que não gostou por restos de coisas de que não precisa — dada a escassez da oferta — o ser humano comum se lança no segundo exercício-padrão das festividades de fim de ano: a ponderação dos acontecimentos do ano transcurso e a edificação do ano seguinte enquanto plano melhorado do que finda.

Uma espécie de operação de cosmética à nossa existência, como um eficaz e providencial anti-olheiras depois de uma noite de whisky mal dormido passada em cima de uns desafiadores stilletos.

Olhamos sempre o ano novo da mesma forma que, em crianças, olhávamos os cadernos limpos do início de Setembro encetados com a promessa — fácil de quebrar— da caligrafia bonita e esforçada. Com a esperança de um pecador que fixa o ainda distante caminho da redenção e com a promessa silenciosa e contida dos que expiam secretamente os seus maus actos.

Não me parece que, ano após ano, qualquer de nós se esforce muito por mudar (nem mesmo aqueles para quem isso seria uma nítida questão de saúde pública), mas descansa-me imaginar que, ao menos, uma vez por ano, pensamos nisso. Por um dia. Ou pouco menos.

 

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comentários

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De jonasnuts a 19.12.2006 às 23:12

Este post teria tudo a ver comigo, não fosse a idade da autora (que não conheço).

Um post que começou por incutir em mim alguma nostalgia, tropeçou de repente na frase "Olhamos sempre o ano novo da mesma forma que, em crianças, olhávamos os cadernos limpos do início de Setembro encetados com a promessa — fácil de quebrar— da caligrafia bonita e esforçada".

É que os meus cadernos limpos, era no início de Outubro :)

As minhas férias grandes iam de Junho a Outubro :)

Grandiosos momentos.

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