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(our troubles will be far away)

por Alexandre Borges, em 22.12.06
A Humanidade veio ao mundo em circunstâncias difíceis. Filha dum Pai ausente e mãe incógnita, obrigada a crescer uma puberdade contrária à ordem, em que teve de se libertar do excesso de superfícies pilosas e comportamentos animais, atingiu a idade adulta com todos os modos doutra criança com historial aparentado: revoltada, problemática, egoísta, instável, com desejos de vingança e delírios de grandeza. Uma vez por ano, no Natal, comove-se como todos os outros miúdos crescidos à pressa se comovem no Natal. E quer sentar-se à mesa, comprazer-se no voltar a sentir-se pequena, protegida, cuidada, e ter mimos, presentes, canções, refeições quentes e abraços.
Se os motivos ou formas por que e como isto acontece são ou não questionáveis, parece-me irrelevante; o que importa é constatar que todos os rebeldes continuam a ansiar por um momento de sincera e encantadora pieguice.

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