Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008
Nesta coisa da reforma da Educação, o centro do debate são sempre os professores. Quando o centro do debate sobre a educação são os professores em vez dos alunos, está praticamente tudo dito.
publicado por Rodrigo Moita de Deus às 10:24
link | nunca erro e raramente me engano
7 comentários:
De filhaemãe a 29 de Fevereiro de 2008 às 11:37
Ora aí é que está!
Os professores andam tão preocupados com a manutenção do seu estatuto (que mesmo assim é muito mais privilegiado do que a grande maioria das profissões) e não se ouve ninguém falar sobre o que será melhor para os alunos...
Um professora minha punha-nos esta questão: Um vendedor a quem ninguém comprou nada, pode dizer que vendeu? E a um professor pode dizer que ensinou, se no final ninguém aprendeu?
No colégio da minha filha, as professoras do 1.º ciclo dão aulas das 9h às 15h30 e 3 dias por semana ficam no colégio até às 17h30 para fazerem o estudo acompanhado com os alunos e reuniões com os pais! Nunca as ouvi protestar pela exigência do colégio!
E os professores do ensino privado? São avaliados? Como? Têm progressões na carreira? E os alunos aprendem bem?
Era bom que os professores do público reflectissem nisso...


De orianafall a 3 de Março de 2008 às 00:39
Gostaria de saber onde estão os privilégios dos professores? Será que é o privilégio de pagarem do pp bolso o material que devia ser fornecido pelo patrão? Será que é privilégio entrar na escola às 8 da manhã e sair de lá às 19:30, com apenas 45 minutos para almoçar? Será que é privilégio estar a trabalhar desde as 21h até à meia noite (às vezes até à uma)? Será que é privilégio passar as tardes de Sábado e de Domingo a ver testes/trabalhos/cadernos/preparar material para asa aulas? Será que é privilégio poder tirar férias apenas no mês de Agosto, quando tudo é mais caro? Será que é privilégio ser insultada por um adolescente,sem que nada seja feito pq afinal temos é que manter o coitadinho na escola? (nos colégios é que lhes mostram logo o caminho da rua). Será que é um privilégio eu ser prejudicada na minha avaliação pq os meninos nem se dão ao trabalho de estudar? Será que é privilégio eu ser prejudicada na minha avaliação pq o menino decidiu não mais voltar à escola pq é uma seca e há lá um monte de regras p'a cumprir e os profs. são umas melgas pq querem que essas regras sejam cumpridas? Será que é um privilégio haver na escola seis computadores para mais de 100 professores que passam lá o dia inteiro e têm que ficar na fila, à espera para imprimir uma única folhinha que seja para enviar correspondência aos Encarregados de Educação? Estaria aqui uma noite inteira a listar privilégios .... mas tenho ali a olhar para mim um monte de fichas de trabalho realizadas na sala de aula(28 fichas X 2 folhas cada uma),que servem para ajudar os meus alunos a avaliar se estão ou não preparados para o teste. Como tal listarei mais privilégios noutra oportunidade.


De filhaemãe a 4 de Março de 2008 às 13:25
Não digo que não tenha razão para estar indignada... mas não sei se sabe, há muitas profissões que têm situações muito piores que a dos professores!
Já trabalhei em IPSS em que era eu que levava o material de trabalho de casa, tinha que realizar reuniões fora do horário, sem receber um tostão em troca, e era muitas vezes "convidada" a participar em actividades de promoção da Instituição, claro de forma "voluntária"!
E uma grande parte do meu trabalho era lidar com crianças e jovens cuja escola "excluiu" empurrando-os para a exclusão social! e raramente encontrei professores interessados em procurar soluções em parceria para reinserir estes jovens "complicados"... Fique com a sensação que a grande maioria dos professores só gosta de "dar" aulas aos alunos das famosas turmas A em que os alunos eram escolhidos a dedo... posso estar errada, mas muitos dos seus colegas SÃO assim!
E se de facto a luta dos professores não reúne muita simpatia do resto da sociedade deve-se ao facto de estarem constantemente contra tudo o que vem do ministério, seja deste governo ou dos anteriores, aliás , qual foi o último ministro da ed com quem a fenprof esteve de acordo?
Também não sei se sabe, mas o resto da função pública tem as carreiras congeladas, e na prática ninguém vai progredir, pois só quem tem excelente é que progride e há circulares a correr as chefias a dizer que ninguém terá excelente! Sim, esta nova reforma serve para que ninguém, ou quase ninguém progrida na carreira... no resto da função pública já é assim, faltavam um "esquema" para os professores... é que há quem ache que vocês ganham muito para o que fazem...
Resumindo, este governo pode estar errado, e provavelmente estará, mas também não vejo ninguém da parte dos professores a fazer sugestões e recomendação de como se pode melhorar a situação deplorável da educação. A sociedade mudou, as crianças mudaram, são mais indisciplinadas, mas também são mais participativas quando devidamente mobilizadas e motivadas... Porque não reivindicarem por melhores condições DENTRO da sala de aula? turmas mais pequenas p.e. e também que se acabe com o trabalho burocrático feito pelos professores, tanta reunião da treta não valoriza em nada a educação; exijam outros técnicos nas escolas para vos ajudarem, educadores sociais p.e. que trabalhem no "terreno" da escola e não técnicos de gabinete como algumas escolas têm...
Desculpe que lhe diga, mas num país em que milhares de pessoas trabalham em situações precárias ouvir as reivindicações dos professores pela manutenção do seu estatuto torna-se no mínimo irritante...
Durante muitos anos, muitos professores contribuíram para a imagem negativa que a sociedade (e o governo) tem dos professores... é um facto. Está na vossa mão mudar isso... e isso só se consegue com bons exemplos da vossa parte... mobilizem-se para isso!
Já dizia o outro "não perguntes o que pode o país fazer por ti... pergunta o que podes tu fazer por ele!"


De orianafall a 4 de Março de 2008 às 17:39
Tem toda a razão. Tal como a sra. já fiz muito trabalho voluntário para o ME (e sem aspas), daqueles de ter de ficar fora da minha casa fins-de-semana inteiros. Quanto a isso estamos conversadas. Quanto à ajuda a crianças com Necessidades Específicas, Especiais, o que quer que seja, também me tenho voluntariado sempre. Ainda este ano, estou a dar duas horas da minha vida pessoal a uma menina que tem um problema grave. Não dou mais apenas porque o dia não tem ainda 30 horas. Nunca me recusei a ter qualquer turma que fosse, antes pelo contrário. Agarrei sempre todas as novidades de Percursos Alternativos, Cursos de Educação e Formação onde se encontram alunos com graves problemas sócio-económicos (onde a educação, tal como eu a conheço, simplesmente não existe). Ainda ontem sai da escola às 20 horas, porque estive precisamente numa reunião com alunos, encarregados de educação e professores de uma dessas turmas com imensos problemas de comportamento. A ideia foi aferir algumas estratégias com os pais para ver se levamos todos até ao fim do curso. A ideia com que fiquei é que não deve dar grande resultado, porque os pais não têm a mínima noção do que é impor regras aos filhos. Apesar das nossas sugestões, duvido, pelo que ouvi e pelo que observei, que a maioria ponha em prática o que ficou combinado.
Quanto a horas dadas à escola e material que sai do meu bolso, acho que se fosse fazer as contas o Ministério iria ter algumas dificuldades em me pagar. Durante dez anos tive apenas 17 dias de férias/ano, porque me encontrava a fazer horários na escola, a partir do dia 16 de Agosto acabando apenas na 1ª semana de Setembro, das 9:00 às 20:00. Se fizermos as contas ... vai lá vai ...
Concordo consigo em alguns pontos. Foi pena que os professores em vez de terem andado anos a perder tempo com queixas internas (deixadas em actas) sobre essas questões que aponta, desde falta de condições de trabalho (na escola onde estou não há pavilhão para EF há 16 anos, nos dias de chuva simplesmente não há aula prática e encerram-se as crianças numa sala), turmas com um número elevado de alunos o que nos impossibilita de dar um apoio mais individualizado aos que precisam, falta de material para tudo e mais alguma coisa ... Se os professores não fossem tão estúpidos e tivessem parado de trabalhar por falta de condições... Mas não ... queixámos-nos vezes sem conta ao "patrão" que nunca nos ouviu. Algumas vezes fingia que ouvia e, afinal, nem por isso ... Se tivesse tempo tinha um mundo de coisas para lhe contar que iria durar horas. Tenho a certeza que ficaria espantada. O que está a acontecer agora não é mais do que uma revolta acumulada durante anos. Parecendo que é a avaliação, afinal de contas é muito mais do que isso ...são todas as outras coisas juntas. E ao ver que o ensino público português está a ficar completamente de rastos, como professora (foi a minha primeira escolha desde os tempos de Liceu) não posso baixar os braços e, mais uma vez, ficar calada. São 20 anos da minha vida profissional com disparates das diferentes equipas do ME atravessadas na minha garganta.
Muito teria para contar ... mas, a seguir, lá vai haver mais uma das tais reuniões


De António de Almeida a 29 de Fevereiro de 2008 às 12:03
-Os sindicatos é que andam preocupados com a defesa do status quo. Os professores têm razão em não quererem este modelo de avaliação que está a ser proposto, mas os bons professores sabem que é necessário um modelo de avaliação, não este mas outro. Os sindicatos é que não querem qualquer modelo de avaliação, agarrados que estão ao neo-socialista sistema de progressões automáticas, e manutenção da bardinagem que são as gestões colegiais, onde nunca ninguém é responsável. Os maus professores claro que estão contra tudo, na mediocridade passam mais despercebidos. Os bons professores estão mal pagos, os maus professores estão a ser principescamente pagos em função do que produzem.


De blogdaping a 29 de Fevereiro de 2008 às 16:58
Tem muita piada, aos prfs. neo socialistas, quando o sindicato principal é dirigido por membros do PSD, lol...


De AAC a 29 de Fevereiro de 2008 às 12:22
"praticamente tudo dito" é muita cerimónia! Está mesmo tudo dito!


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