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ensaio sobre a cegueira

por Rui Castro, em 15.05.08

Ontem, a esquerda parlamentar mostrou o que não deve ser a política: uma mera luta entre classes (desculpa, deus). Perante um projecto apresentado pelo CDS (de que o Francisco falou aqui ontem) que iria trazer mais racionalidade e, essencialmente, liberdade na escolha pelos pais das escolas onde pretendem que os seus filhos estudem, bem como uma cada vez maior autonomia dos estabelecimentos de ensino, os partidos à esquerda do PSD decidiram votar contra. Tentando justificar o injustificável, vieram depois alegar que o CDS pretendia privatizar o ensino. Não perceberam, porque não quiseram, que uma das principais virtudes da alteração consistiria na possibilidade dos menos favorecidos acederem a escolas particulares mais próximas de casa, com mais vagas ou simplesmente melhores (o Pedro Picoito refere isso mesmo aqui). Seria igualmente uma escelente forma de envolver as famílias na responsabilidade que o Estado assumiu durante 30 anos, de forma muito pouco eficaz refira-se, na educação dos filhos daquelas. Este sistema, que alguns designam de "cheque-ensino" (o projecto era mais abrangente, mas parece-me justo realçar este ponto), foi experimentado com bastante sucesso em países desenvolvidos e seria, sem dúvida alguma, um enorme avanço no nosso sistema de educação. A esquerda, tão moderna e progressista noutras matérias, disse que não, porventura com receio de perder o controlo sobre alguns conteúdos. Só tenho pena que o agendamento da discussão da proposta do CDS tenha sido feito para uma data em que parte considerável do Governo se encontra fora do país.

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comentários

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De David Silva a 16.05.2008 às 12:32

Li apenas parte do documento.
Concordo (e todos os professores concordarão) com isto: "defendemos uma autonomia na sua plenitude, que responsabilize toda a comunidade e valorize os sujeitos mais interessados no sucesso educativo."
MAS...
Esclareçam-nos lá umas coisas:
- A Assembleia de Escola parece ser uma grande comissão (à moda dos tempos pós-25 de Abril, quem diria!) onde muita gente quererá ensinar os professores a ensinar.
- Se o Projecto Educativo é assim tão envolvente (e particular) da comunidade, como é que no final, são exames nacionais a avaliar as competências dos alunos e das comunidades (ou das escolas e seus profissionais)? É que é tudo muito bonito, decidido pela assembleia, mas se der para o torto, quem "paga" são os docentes!

Digam-me também qual é a diferença entre o modelo do Conselho Executivo agora (ainda) em vigor e o do Director proposto.
Faz-se também a apologia da concorrência como se de normais empresas se tratasse. Que tal dar as condições para a qualidade, sem se preocuparem com a questão da concorrência entre escolas?

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