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Conservadorismo-liberal III (do nosso leitor Fernando Barragão)

por Francisco Mendes da Silva, em 16.05.08
"Boas tardes.

Ainda eu tinha um outro blogue ( Almôndega Reaccionária, um nome bonito...), já havia pensado na aplicação de hífenes de modo a definir diferentes prioridades dentro das principais famílias políticas. Houve quem se queixasse e achasse confuso. Começo a ver o porquê.
De certo modo, acredito que uma estrutura mais simples (substantivo + adjectivo) poderia ajudar. Assim, um conservador liberal seria, antes de mais, um conservador, e um liberal conservador pertenceria, em primeiro lugar, a qualquer agremiação liberal que se prezasse.
E é aqui que chegamos a Burke - ele que é, em meu entender, o pai em simultâneo destas duas tendências. Uma base liberal com uma predisposição conservadora por cima, no caso particular do senhor. Isso explica que a liberdade (a sua prioridade enquanto pensador e político) deveria ser uma liberdade ordeira (e bem antes da Revolução Francesa já ele tinha algo a dizer sobre o assunto, não recordo o nome da obra, mas creio ser de 1770 ou algo parecido).
De onde viria, então, o conservadorismo liberal, que complementa o liberalismo conservador? Da sua crescente proximidade face à figura de William Pitt, aliado frente aos excessos revolucionários. Burke nunca foi um Tory, mas inspirou gente que aligeirou a distinção: Gladstone, o célebre líder liberal, começou por ser um "Peelite", um livre-cambista na esteira de Sir Robert Peel. Logo, liberal dentro do conservadorismo.
Gladstone, claro está, levanta problemas. Como passou a ser um liberal "tout court", impõe-se perguntar se os conservadores de inspiração burkeana não serão liberais de coração à espera de regressar a casa. "Old Whigs" serão sempre "Old Whigs", e nunca "Tories" ou até "Old Tories".

Diria eu que o conservadorismo à antiga portuguesa é o mais próximo que temos da tradição Tory. Afinal, os conservadores à séria. É deprimente pensar que gente como Disraeli, nas Ilhas, ou Bismarck, no Continente, seriam rotulados de esquerdistas por certos meninos que aí andam, à conta das suas críticas ao "laissez-faire" sem freios.

Aceitem, pois, a pequena provocação que vos envio, caso resulte. Na esperança de que possa haver um intercâmbio de ideias construtivo com um dos meus blogues de referência diária.

http://papaecarrasco.wordpress.com/2008/0
4/30/ter-algo-contra-burke-eu/

Cordialmente,

Fernando Barragão."

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