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O 31 da Armada dá voz aos seus leitores

por Sofia Bragança Buchholz, em 16.05.08

"Caros leitores

 

Aproveito o facto de hoje, 10 de Maio, ser assinalado como dia do Comércio Justo. E, assim, venho denunciar que este dia, ao contrário de que muitos pensam, não é mais se não uma farpa – e das mal cheirosas… - da Reacção que tenta equivocar os pensamentos, afastando-nos assim da possibilidade do cumprir de um futuro radioso e igualitário para a Humanidade.

Pois passo a esclarecer: "comércio" e "justo" são palavras antagónicas que juntas produzem um contra-senso! O comércio nunca pode ser justo nem trazer qualquer justiça. Foi precisamente quando o Homem começou a comerciar que deu início à dialéctica que acriolou o progresso da Humanidade, tornando o devir histórico na luta entre exploradores e explorados. A iniciativa de mercado não é senão um instinto maléfico que deu origem à burguesia! São os herdeiros dessa mesma burguesia, os deturpados pensamentos da "esquerda barraquinha de artesanato" que hoje nos querem engodar com essa do "comércio justo". Entendem eles pelo facto de os produtos que circulam nesse dito comércio não explorarem o trabalho infantil nem estarem nas mãos das multinacionais, os torna protagonistas de um mercado mais justo. Pois que enganados estão! Qualquer iniciativa privada, mesmo a de um humilde artesão, não provém se não de um ímpeto egoísta e individualista  que dará origem mais dia menos dia a um empreendimento com explorador e explorados.

Toda a produção e circulação verdadeiramente justos serão aqueles que provirão da planificação do Estado, com limites justos e adequados a um consumo equitativo entre todos. Não haverá comércio nem mercado, mas sim uma sapiente e igualitária distribuição de mercadoria, não consoante os ganhos, ou actividade de cada um mas sim as suas necessidades.

Por conseguinte, em cada artesão que prolonga um suposta tradição, em cada velhinha que nos seus cantares provindos de tempo de exploração e injustiça, esconde-se um engodo para a Revolução. Não vos iludis com as camurças e seu cheiro agridoce ou com os ornamentos garridos e desnecessários das tecedeiras daqui ou dacolá. A produção não necessita nem deve de ser criativa. Antes pelo contrário, deve obedecer a uma sobriedade despida de ornamentos ou deambulações da traiçoeira imaginação humana!

As musiquinhas dos cavaquinhos e dos rabequins que fazem remontar a uma suposta tradição étnica apenas nos embalam no caminho do logro produzido pela ideia de nações e etnias. O futuro radioso dos amanhãs que cantam não pode ver seu internacionalismo ameaçado por qualquer manifestação pretensamente cultural que marque diferenças entre povos governados pelo único e viável sistema  político-social.

 

De modo que, deixem-se lá de tendinhas de pufes de Marrocos, de colchas do Bangladesh ou do café biológico do Zanzibar. Em vez disso, estudem os clássicos do socialismo e preparem a Revolução. Não, obviamente, comprando armas vindas do Grande Satã, mas sim com o desenvolvimento de ideias para uma guerra psicológica que prime pela inteligência desestabilizadora do purgatório envenenado em que vivemos. Recorramos à guerra biológica-orgânica. Por exemplo aumentando o consumo de feijoadas para depois lançarmos nossas "bombas" em dependências bancárias. Atirando pedrinhas pequeninas com fisgas (estas, vá lá, para não dizerem que eu sou fanático, podem ser feitas pelo comércio tradicional)  aonde passarem governantes e membros da alta finança. Fazer telefonemas anónimos para as multinacionais lançando o rumor de que o patrão tem uma amante a quem lhe faltam os dentes da frente que idolatra Quim Barreiros e se  chama Graciete…

Não faltam ideias brilhantes para construirmos um futuro radioso, mas não me venham com essa do comércio… "justo"."

 

Um texto da responsabilidade e autoria de um leitor identificado, mas que preferiu ser chamado de Cavaleiro Vermelho

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