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“Amizades Coloridas”

Quando se fala de “amizades coloridas”, acreditem, não é ao mesmo a que nos referimos, para homens e mulheres. Ainda que, à primeira vista, para ambos a sua definição seja igual – um relacionamento sexual, sem exclusividade e compromisso emocional, prolongado no tempo, com vista à satisfação de ambas as partes – na prática, este contrato de regras, aparentemente, tão bem definidas será assinado apenas por uma delas: a masculina. Para eles, é claro que este se trata de um relacionamento puramente sexual; para elas, mesmo que com ele tenham acordado a priori – e até acreditado ser possível – a coisa não é bem assim.
Se podemos conceber a ideia de que uma mulher, seja lá por que razões forem, tenha relações sexuais esporádicas com este ou aquele homem que com ela se cruze na vida, asseguro-vos, será muito rara aquela que invista tempo, atenção, afecto – e este, por incrível que pareça, está presente, para uma mulher, num envolvimento sexual quando este é prolongado no tempo – num relacionamento sem que fique, emocionalmente, ligada a ele. Para o sexo feminino, o que mais pesa é o investimento afectivo feito na relação e este é directamente proporcional ao tempo dispendido na mesma. Pelo contrário, para os homens, o que tem mais valor é o prazer dela retirado e o factor novidade. Por outras palavras, podemos dizer que eles se prendem a elas enquanto não as conquistam; e elas prendem-se a eles depois de terem sido conquistadas.
Senão como explicar, num relacionamento sem compromisso, que se passem quando descobrem que não são as únicas? Ou que justifiquem a ausência do “amigo colorido”? Este comportamento seria, então, perfeitamente desnecessário e elas fazem-no sistematicamente. Fazem-no, também, com o invariável argumento de eles serem muitíssimo ocupados, pais extremosos em missão baby-sitting, ou até mesmo detentores de uma particular personalidade, atípica e muito reservada, dada ao “anti-social”. E nem elas imaginam, a contar pelas vezes que o ouvimos, a quantidade de homens com este particular carácter que por, aí, há!
Mas quando se vão abaixo, quando apertadas na tristeza de tão desigual investimento de afectos, elas confessam. Confessam que o seu sonho era casar, ter um casalinho de filhos com eles, enfim, um ninhinho perfeito, e que mantêm viva a esperança – e vejam só, se eles as ouviam agora! – que eles, um dia, lhes digam que é isso que querem também. Senão, porque viajam eles com elas? Porque passeiam e jantam fora tantas vezes? Porque respondem a sms e a chamadas tardias? Porque CONTINUAM eles com elas? E é aqui, meus queridos leitores, que reside mais uma grande falha na comunicação entre homens e mulheres: é que elas interpretam todos os actos deles como sinais de ligação; e eles transmitem o sinal por pura cortesia [e, como acredito pouco no altruísmo masculino, para assegurarem – obviamente – a próxima queca].

Sofia Bragança Buchholz

Minha crónica publicada na Revista Atlântico de Março de 2008

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comentários

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De Animal a 18.05.2008 às 01:38

não é só para assegurar a próxima queca. o pequeno almoço na cama também conta!
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De tomé a 18.05.2008 às 16:58

Fico na expectativa de uma próxima crónica em que se aborde a distinção entre prostituta e prostituto.
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De Ray a 18.05.2008 às 13:49

Por favor pára. Já tá bom.
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De brutamontesalentejano a 18.05.2008 às 15:27

A avaliação psicológica simplista "dos homens" por uma mulher. Agora é que já não há que ter dúvidas que é mesmo mulher - ou "coiso". Está convencido, João?
E nada mais direi, pois tenho que ir responder ao sms da mariazinha, não vá perder a queca de logo à noite! ;)
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De Allie a 18.05.2008 às 15:42

Gostei desta visão das coisas. E até concordo. A maioria das mulheres não consegue ter uma amizade colorida. Eu sou uma dessas, para andar com alguém tenho de sentir mais qualquer coisa... O que aqui esqueceram de mencionar são os gajos que insistem em mentir e prometer mundos e fundos em nome de uma queca. A verdade é que em todas as relações coloridas ou às ricas pretas e brancas, a dada altura há um confronto entre as verdadeiras intenções de cada um. A pergunta é: porque será que nessa altura os gajos que na verdade só queriam umas quecas de vez em quando, não aproveitam para procurar outra menos envolvida, ao invés de continuarem nas suas promessas infundadas?
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De FuckItAll a 19.05.2008 às 10:32

Allie, não lhe parece que o erro é de quem espera mais do que lhe foi prometido? De quem teima em ver "sinais" e fazer interpretações em vez de ouvir o que lhe é dito explicitamente?
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De Allie a 20.05.2008 às 14:22

Realmente, a culpa também é daquelas que insistem em interpretar os sinais e não ouvir o que realmente lhes dizem. Mas, podia enumerar alguns casos, onde a mulher se afasta do tipo, porque de facto deu ouvidos ao que ele (não) disse, porque assume que o que quer não é o que ele pretende, e o menino, talvez por esperar que andem atrás dele, não hesita em fazer o (im)possível para que ela se renda.

Agora, há de facto aqueles que não prometem nada, não fingem, não insistem e só não percebe a mulher que não quer perceber.
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De FuckItAll a 18.05.2008 às 16:49

A Sofia vai desculpar-me, mas isso depende dos homens e das mulheres em causa... Consigo pensar numa série de exemplos opostos ao que diz, no masculino e no feminino. O que me parece verdade é que nos contratos implícitos ou explícitos das nossas intimidades, uma coisa é a clareza inicial e outra a complexidade para que as relações reais entre pessoas normalmente resvalam.

Além disso, a chamada amizade colorida não compreende apenas a parte da "cor" (leia-se, sexo, mas também intimidade, carinho, etc - o que não tem que significar vontade de compromisso); parece-me que esqueceu a parte da amizade propriamente dita, que muitas vezes está mesmo lá, antes, durante e depois da fase colorida.
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De Luís a 18.05.2008 às 22:35

Isso é mito. A última namorada que tive agora tem sexo com quem passa, que "não lhe pedem mais", e serve para passar o tempo. Está bem que é pouco feminina, mas serve para refutar a ideia. Tendo com o tempo a achar que é ao contrário do seu texto. Para uma mulher é que é para passar o tempo. Como outra rapariga me disse, querem amar alguém como se fosse o último e o único: mas se não for eu, é outro.
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De blogdaping a 19.05.2008 às 14:53

Olhe...........!!!!
A menina , tá a ver ???? Escreve tanto, que não consegui passar da 2ª linha.......imagine !!!
Tem montanhas de interesse !!!!

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