Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Uma notícia no Público dá-nos conta do pesar de Saramago sobre a possibilidade de coexistirem pavilhões «diferenciados» na Feira do Livro de Lisboa, a qual, como todos sabeis, era servida por barraquinhas uniformes:

”Referindo-se à autorização para pavilhões diferenciados, Saramago criticou a "diferença na apresentação dos livros de qualquer editora". "Não me parece bem. Se nos pavilhões cabiam as pequenas e as grandes editoras, podiam continuar a caber", defendeu o Nobel da Literatura. Para o escritor, esta "não foi uma boa solução" porque "abre portas a uma espécie de caos". José Saramago caracterizou a Feira do Livro como uma "festa democrática", onde a existência de pavilhões diferenciados e eventualmente "imponentes", "exibe uma diferença de classes".

Comunista dos sete costados (vamos pensar que sim), e provavelmente incomodado pelo facto da sua editora – a Caminho – ser agora propriedade do vampiro capitalista Paes do Amaral (grupo LeYa), Saramago não deixa os créditos igualitaristas em mãos alheias e alerta o mundo para o caos que aí vem se deixarem o homem à solta. Para Saramago, será um duro golpe no espírito comunitário e democrático da Feira do Livro, onde toda a minha gente se sujeitava, por hábito e amorfismo, à mediocridade vigente. Fazer diferente, e provavelmente melhor?! E os pequenos?! E os pobres, que não vão poder «acompanhar» os ricos?! Nem pensar, avisa Saramago. Isso estragaria a «festa». Há que nivelar por baixo. Há que refrear a diferença. Há que domar a diversidade. Há que ser utilitarista na adopção de proteccionismos. Há que boicotar essas novas ideias «progressistas». E eu penso: ainda bem que um certo “Abril” não se cumpriu.


(publicado também aqui)

publicado por Carlos do Carmo Carapinha às 15:46
link | nunca erro e raramente me engano
7 comentários:
De Vitor Cunha a 19 de Maio de 2008 às 18:18
Cometendo o grave pecado de falar sem verificar quais os fundamentos por detrás deste impedimento, num nível básico de principio abstracto, julgo que pelo menos deveria ser possível juntar vários pavilhões consoante a quantidade de livros que se pretende disponibilizar e/ou dimensão da editora.

Afinal de contas, sempre julguei que no ramo da escrita e domínio concreto das publicações, o importante é o conteúdo e não as quantidades. Qual o motivo para se sentirem intimidados pela quantidade das editores maiores face a qualidade dos vossos textos/conteúdos?

Mais uma vez.. isto sem atender às especificidades do problema, mas sim num ponto de vista informal e estritamente abstracto.


De Vitor Cunha a 19 de Maio de 2008 às 18:21
As minhas mais sinceras desculpas pela falta de "revisão" do comentário anterior e consequentes "atropelos" à língua portuguesa..

Julgo que a ideia seja perceptível apesar de tudo.


De António Leite a 19 de Maio de 2008 às 19:01
Não sei se o sr Saramago alguma vez foi à feira do livro do Porto, mas nesta, desde que me lembro, as editoras têm direito a espaços de diferentes tamanhos, algumas o equivalente a 3 ou 4 vezes a área de outras, e não é por isso que deixa de se prestar atenção aos pequenos editores. Por vezes é até mais fácil encontrar alguma coisa nestes, porque algumas das maiores tornam-se numa perfeita barafunda.
Mais uma prova que o comunismo e a esquerda nunca hão-de conseguir proteger os coitadinhos. E que estes sem ajuda se safam melhor


De raider a 19 de Maio de 2008 às 22:44
O Camarada Saramago é tão democrata e igualitarista que na época do PREC, ao tomar o poder no Diário de Notícias, saneou todos os jornalistas que não comungavam as suas ideias políticas.

É esse homem que é incensado e elevado nas alturas, e a quem a imprensa passa a vida a dar ouvidos, quer seja sobre literatura, quer seja sobre a nacionalidade, quer seja agora sobre uma feira


De alerta a 19 de Maio de 2008 às 23:01
O preço dos combustíveis é um roubo!

Para fazermos baixar o preço dos combustíveis é necessário meter a mão no bolso das duas principais Companhias Galp e BP, por isso é necessário não abastecermos as nossa viaturas nas bombas dessas duas companhias, à semelhança do que se fez em França.
Eles quando começarem a sentir que estão a ter menos vendas vão ter de mexer nos preços para baixo e aí efectivamente vai começar a verdadeira liberalização dos preços dos combustíveis.
A bem do consumidor, divulguem por qualquer via este comentário pelo maior numero de pessoas possível


De Vitor Cunha a 19 de Maio de 2008 às 23:04
Hmm.. quando decidi comentar neste blog, não estava ciente das motivações politicas associadas ao artigo.. :S
(Bem, relendo o texto acho que de facto estavam lá umas dicas "subtis")

Não é que o que tenha sido dito não seja eventualmente verdade.. Simplesmente não gosto de misturar politica nacional com a actualidade (o que provavelmente será por si só um paradoxo).

Que posso dizer, sou uma pessoa complexa ;)


De blogdaping a 20 de Maio de 2008 às 14:18
E eu, aqui em Vinhais muito preocupado com as vossas tricas....


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