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made in china

por Rui Castro, em 22.05.08

Este texto do André Abrantes Amaral, apesar de poder soar bem a quem quer respirar "liberalismo", é de uma demagogia óbvia. Não se limita a formular o princípio de que o Estado deve ser cada vez mais regulador e menos interventivo (nesta matéria, aliás, só o BE e o PCP teimam na dissonância). Afirma que a crise económica em Portugal só se resolve com a instituição do mais puro dos liberalismos. Isto, mais do que uma conclusão, é axioma. O André omite, por exemplo, o facto de haver países, como os EUA, onde se aplicam muitas das soluções por ele defendidas, que estão a atravessar uma crise tão ou mais profunda que Portugal. Depois, aproveita a embalagem e dispara em todos os sentidos, pugnando pela liberalização total  do país (acho que se esqueceu da Segurança Social). Pelo meio, aproveita para debitar as frases feitas que alguns liberais adoram ouvir, sem pejo de afirmar meias verdades (em que é que a lei do arrendamento impede as pessoas de circularem pelo país?) e algumas falsidades (desde quando é que não há liberdade para abrir escolas?). O texto encerra em si o problema de todos os radicalismos, afastando quem, como eu, defende que o Estado tem que intervir menos e de forma mais eficaz. Mais, algumas das ideias do André, para além de requentadas e vagas, revelam o total desconhecimento que ele tem do país que somos. É, sem dúvida alguma, um excelente argumento para que os socialistas mantenham tudo exactamente como está.

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comentários

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De E a 23.05.2008 às 00:35

O texto do AAA é pobrete. Liberdade na educação, liberdade na saúde, liberdade no emprego, ... parece uma música do sérgio godinho. Mas em mau.
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De hospedagem de sites a 23.05.2008 às 01:08

Claro a intenção do Google é dominar o mundo seus produtos/ferramentas escondem um poder sobre todas as outras e engolir os menores se tornou a maneira mais rápida de dominar o mundo, a realidade é ess!
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De toni a 23.05.2008 às 14:44

desde quando é que os estados unidos sao uma forma pura de liberalismo?
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De jcd a 23.05.2008 às 15:09

(em que é que a lei do arrendamento impede as pessoas de circularem pelo país?)

Quem tem rendas antigas não consegue encontrar nenhuma alternativa competitiva à sua renda actual. Por exemplo, suponha que alguem oferece mais 200 euros por mês a alguém, implicando mudança de residência. Imagine agora que essa pessoa paga 20 euros/mês de renda. Embora esse possa ser um passo importante para a carreira de quem foi convidado, acha mesmo que esse convite será aceite? O "rent control" é um dos maiores inimigos da mobilidade.

e algumas falsidades (desde quando é que não há liberdade para abrir escolas?)

Poder abrir, pode, pese embora a burocracia do ministério que dificultam a vida ao máximo. Mas depois, como é que compete com escolas que "custam" 0 euros/mês?
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De Rui Castro a 23.05.2008 às 21:00

"Quem tem rendas antigas não consegue encontrar nenhuma alternativa competitiva à sua renda actual."
E em que é a liberalização da actual lei das rendas vai ajudar os tais das rendas antigas com que se mostrou tão preocupado?
"Poder abrir, pode, pese embora a burocracia do ministério que dificultam a vida ao máximo. Mas depois, como é que compete com escolas que "custam" 0 euros/mês?"
Já é um princípio admitir que afinal há liberdade para abrir escolas. Quanto ao demais, é evidente que a burocracia pode diminuir, mas o texto a que respondi não era isso que afirmava. Com as escolas a "0" euros, compete-se oferecendo maior qualidade, o que aliás já é feito actualmente.

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