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As minhas análises (estou com ácidos)...

por Gonçalo Capitão, em 03.06.08

Sem esconder que apoiei Pedro Passos Coelho, não considero incompatível regozijar-me com a vitória de Manuela Ferreira Leite, sem que com isso espere indulgências ou qualquer lugar para mim, para um filho (que não tenho, ao que sei) ou afilhado (desculpa, Luís…).

 

Antes de mais, seria idiota pôr em causa a folha de serviços da Presidente eleita, a sua dedicação ao País e ao partido ou sequer a clareza e o mérito da sua vitória. Chega de mau perder e de autofagia no PSD!...

 

Depois, fica a curiosidade de falarmos da primeira mulher a liderar um partido nacional, sem que para isso tenha necessitado de quotas!... À atenção de todas as senhoras que, em vez de apostarem no mérito da participação, se reúnem em jantares à espera da boleia da Lei (da qual duvido, por muito boas que sejam as premissas). Acresce que poderemos vir a ter, pela primeira vez, uma senhora eleita para o cargo de Primeiro-Ministro, já que a eng.ª Maria de Lurdes Pintassilgo foi-o por convite presidencial (sem que isso belisque o seu mérito, diga-se).

 

Mas, curiosidades de almanaque e beijocas no querubim recém-nascido (o neto) parte, manda a acutilância política que se pergunte se vamos ter mais da política e das soluções clássicas que nos governam desde o 25 de Abril. Se o hirto sentido de Estado de Sá Carneiro, Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite (enquanto ministra) foram cruciais para nos consolidar como pátria, fica a saber a pouco quando nos perguntamos como emocionar e motivar a Nação para um esforço de desenvolvimento que depende muito mais das pessoas e da cultura cívica que dos Estados que, por esse mundo, encontram na globalização e no mercado absoluto os limites de caducidade.

 

O truque pode estar em associar à sabedoria, credibilidade e austeridade da nova líder quadros com provas profissionais e cívicas que respeitem processos éticos, mas inovem nas soluções substantivas, devolvendo ao partido e a Portugal a noção de um ideal social, de um sonho, de um paradigma novo de desenvolvimento e de amparo social.

 

Do que estou certo é de que há que cerrar fileiras na concepção de uma alternativa credível ao actual Governo, causando-me urticária as análises que tenho ouvido e que dizem que Ferreira Leite não venceu, porque os votos de Passos Coelho e Santana Lopes, se somados, são mais. Ou isto mudou muito ou, que eu saiba, quem vence ainda é quem fica em primeiro lugar, não havendo coligações em eleições uninominais. Mas se calhar sou eu que já esqueci a ciência política em que me encartaram como mestre…

 

Para Pedro Passos Coelho fica a certeza de uma campanha fresca de ideias, sedutora de postura e aliciante para uma sequela. Entendo que o tempo que queda por diante poderia ser aproveitado para saltar as baias da máquina de votos que teve que montar (nunca desprezando esse capital), para separar “a boa da má moeda” (como se diz no Palácio de Belém, a nova Meca da liderança laranja) e para, humildemente, analisar as críticas construtivas que foram feitas, designadamente quanto à consistência das opiniões e das medidas propostas e respectiva carga persuasiva. Por mim, sinto-me contente com o voto que dei a Pedro Passos Coelho, de quem espero leal cooperação para com a liderança, pelo menos, até ao fim dos embates eleitorais de 2009.

 

Quanto a Pedro Santana Lopes, lá cantava o “menino guerreiro” que “um homem também chora”… Após tantos e tão surpreendentes renascimentos, já só me resta aguardar ansiosamente onde é que o James Bond do PSD vai fazer o próximo “filme”, pois se a derrota de 2005 não lhe deu sugestão para harakiri, não será o terceiro lugar no PSD que o leva a cortar os pulsos da militância. Reconhecido o mérito de um dos mais curiosos curricula da política lusa, apenas resta lamentar a forma como não soube “combater” (como costuma dizer), designadamente quando se referiu à inexperiência e às derrotas (Câmara da Amadora e PSD de Lisboa) de Passos Coelho. Algo que ainda espanta mais dito pelo mesmo cidadão que, no Congresso de Viseu (que o opôs a Durão Barroso e Marques Mendes), disse a Durão (após a graça falhada deste sobre Zandinga e Gabriel Alves): “olha, Zé Manel: nunca se deve pisar quem perde! É uma lição que te fica para a vida”… Ao Zé Manel até pode ter aproveitado a lição, já a Santana…

 

De uma ou de outra forma, se ainda percebo o PSD, o que o carisma de Ferreira Leite não conseguir fazer, caberá à esperança de um lugar nas listas de 2009: ajudar a acalmar muitos dos tribunos de ocasião que dominam a atoarda social-democrata. Oxalá também haja espaço para pensar política a sério!...

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comentários

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De teresa a 03.06.2008 às 19:41

Só posso rir-me ou melhor, lamentar. E espantar-me (ainda) com tanta superficialidade.
.........
E cito:
«Ajudar a acalmar muitos dos tribunos de ocasião que dominam a atoarda social-democrata.»
.........
- Pode explicar?
Quem são os tribunos de ocasião?
Aqueles tótós " bem intencionados e sem o dom dapalavra que normalmente nos castigam nas sessões partidárias, em tempos de crise? Não são tribunos, coitados, mas são gente que faz, que dá o exemplo, que cria riqueza, que dá mais do que tira, que não nos ensina nada, mas são o "farol" para o voto de muita gente por esse país fora.
Sim, o voto. essa coisa que dá emprego aos políticos profissionais (certamente esses, sim, os tribunos de eleição...?)
Ou serão então aqueles que de facto são de ocasião mesmo, mas apenas porque, como não vivem da politica, não visitam o partido, mal lhe conhecem a cor das paredes, mas até podem lá ir quando lhes apetece, porque lutaram pela sua existência quando foi difícil e, chatice das chatices, não querem lá ver que até são filiados e tudo?!?
Sim, os tribunos de ocasião são aqueles que os profissionais da política têm de gramar! Que grande seca, diria o Eça...
Essa choldra (poria ele na vossa boca...) que malgré vous ', existe. Esse bando de gente sem rosto, cinzenta, estúpida, sem vontade própria, espalhada por essa coisa do país real, que atrasadice de vida.
Essa coisa chamada BASES, não é?!

E cito mais:
........
«De uma ou de outra forma, se ainda percebo o PSD, o que o carisma de Ferreira Leite não conseguir fazer, caberá à esperança de um lugar nas listas de 2009»
.......
Coitado! Eu também acho que você não percebe mesmo nada do PSD, por isso que tal parar para pensar melhor?
Sim, afinal não quer que seja o PSD a mudar à sua imagem, não é?

- E depois o carisma, é?
O PSD é um partido plural. Mas eu a si não me esquecia de que pela Ala MFL há uma jazida de recursos preciosos.
A começar por Rui Rio
Que por acaso não pinta o cabelo.

(e atenção, porque eu não do Norte).
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De pedro oliveira a 03.06.2008 às 22:02

«já que a eng.ª Maria de Lurdes Pintassilgo foi-o por convite presidencial (sem que isso belisque o seu mérito, diga-se).»

O seu de quem?
Do presidente?
Da engenheira?
Pintassilgo é nome de pássaro a senhora chamou-se: Pintasilgo [lê-se pintazilgo, obviamente]
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De pedro oliveira a 04.06.2008 às 10:56

Com o devido repeito, dedique-se à AAC/oaf , pode ser que assim seja o Presidente também a convite do Presidente da AG...e sem ir a eleições!...

Saudações Académicas
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De Gonçalo Capitão a 04.06.2008 às 17:17

Irra! Não tinha ideia de agradar, mas não me sabia tão mau analista...
Mil perdões, Senhores...

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