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A Big Desilusão

por Sofia Bragança Buchholz, em 14.06.08

© Foto: ?

Era (e sou) fã da série o “Sexo e a Cidade”. Achava-a inteligente, perspicaz e com sentido de humor. Divertia-me a sagacidade com que eram analisadas as relações entre homens e mulheres (ou até mesmo entre homens e homens) e a forma irónica como estas eram descritas. Nela, as vidas das personagens – apesar do brilhantismo do guarda-roupa, particularmente na última temporada – estavam longe de serem perfeitas, à semelhança das nossas, comuns mortais. E essas imperfeições eram compensadas com outras coisas, o que nem sempre acontece na realidade, mas que se revela fundamental em ficção pois transmite-nos a nós público a sensação de esperança, de possibilidade de felicidade. Carrie, a eterna apaixonada por Mr. Big, era compensada da ausência de reciprocidade pela amizade de Charlotte, Miranda e Samantha; Charlotte, que ansiava acima de tudo na vida ser mãe, via o seu equilíbrio num casamento feliz; Samantha, a braços com um cancro na última série, vê reforçada a sua auto-estima num homem muito mais novo que fica, incondicionalmente, ao seu lado; e Miranda, frente a um tipo de vida que não desejara, dá a volta por cima e compensa a liberdade de que subitamente se vê privada na estabilidade e conforto de uma família. E estes são apenas alguns exemplos.
Ontem fui ver o filme. Avisada pelas críticas “da especialidade” de que era um mau filme, não me deixei convencer, pois geralmente discordo das opiniões intelectualóides destes experts que tantas vezes não expressam o que acham, mas o que fica bem dizer. Acontece que o filme me desiludiu. O argumento é fraco e incongruente com a personalidade (já nossa conhecida) das personagens. Carrie passou de assertiva a fútil, Charlotte de clássica a histérica (nunca na série ela deu tamanhos gritinhos!), Miranda deixou de ser inteligente para passar a ser pateta (o argumento de culpa que carrega, não convence nem o mais simples de espírito), Mr. Big, de ser independente para passar a ser um triste. Só Samantha parece esforçar-se por salvar a situação, mantendo-se fiel a si própria e ao seu gosto por sexo e, vendo-se privada dele pela imposição do argumento, compensa-o, consistentemente, da única forma capaz de fazer sentido. E de nos fazer rir.

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comentários

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De Fulano de Cicrano a 15.06.2008 às 14:13

Numa rara aliança com o inimigo informo as hostes da burguesia instalada da seguinte notícia ouvida há pouco no telejornal da RTP1: - EDP pretende dividir por todos os consumidores as dívidas consideradas incobráveis e que representariam, salvo erro 3% das receitas da empresa e no valor de 10 milhões de euros. Nem que fosse 1 euro. Querem ou não querem o mercado, a livre iniciativa? Parece que sim mas a risco ZERO. Sou eu que sou o tal cromo muito exótico ou VALE TUDO ??! ÀS armas cidadãos!!!
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De desbragança a 15.06.2008 às 15:37

mete-me impressao, sra. buchholz, nao ter nada que fazer e passar o dia inteiro neste blog
va apanhar ar!
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De Anónimo a 16.06.2008 às 10:05

Sô Dona Sofia Bragança,
sou um cavalheiro de meia idade e de boa situação na vida, divorciado, sem filhos, logo, tempo de sobra para privar (e de que maneira) com belas exemplares do género em questão e, asseguro-lhe: por aquelas quatro homem algum se encanta durante mais de 5 minutos depois de se vir pra cime dela.
Valem-lhes as mamas quase de fora, a estética complicada, a expressão na testa "COME-ME QUE SOU URBANA E PÓS-MODERNAÇA".
Um dia destes dar-me-ei ao trabalho de lhe mostrar como é a mulher que capta verdadeiramente a atenção masculina.
Mais: pergunte a um desses seus "amigos", já agora a senhora que tem "amigos", como é que consegue? é que amizade homem-mulher só existe quando não dá de todo para meter cama pelo meio.
Francisco
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De P0r9u3 a 16.06.2008 às 09:04

Fui ver o filme porque... me arranjaram bilhetes de graça. Mesmo assim, não deveria ter ido.

Filme fútil, que apenas retrata as actuais superficialidades sociais.

Fiquei a perceber melhor porque não conseguia ver dois episódios da série seguidos.
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De Caterina a 17.06.2008 às 22:04

Sugiro que convidem o Ser que assina Francisco a fazer um post para o 31 onde possa dar-se ao trabalho de explicar aquela questão da atenção masculina. Pareceu-me tratar-se de uma coisa importante.
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De Anónimo a 22.06.2008 às 16:00

Cara Caterina,
dou-lhe várias ideias de contra-resposta insultuosa que acha que me devia dar:
1) armar-se em "Ana Drago" toda nos píncaros da afirmação sexual e chamar-me porco machista, vá...um pouco mais rebuscado...
2) insinuar que estou em crise de meia-idade, hiper consumidor de viagra-cyalis e isso me afecta o intelecto-para-além-de-já-ter-sido-encornado-por-uma-pós-moderna.
3) averiguar se não serei uma gaja feia e excluída, toda recalcada e tal, sem dinheiro para ir à stivali e trocada por outro camafeu pior do que eu...toca a averiguar Caterina!
É verdade essa coisa da "atenção masculina", vá por mim que ainda tem um desgosto...
Francisco
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De Anónimo a 22.06.2008 às 16:07

Esqueci-me de uma advertência: não me tente comparar com referências idiotas a nenhum Zézé Camarinha que vai cair no ridículo em vez de fazer um brilharete.
F
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De Luna a 20.06.2008 às 19:20

Concordo totalmente! Foi exactamente a sensação que tive ao ver o filme, um enorme fogo de vista sem qualquer conteúdo . No geral, uma desilusão . Quaisquer 30 minutos da serie valem mais que o filme inteiro.
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De me a 24.06.2008 às 12:47

respeito todas as opiniões que aqui estão expostas... fui ver ontem o filme e gostei bastante.... apesar de achar que algumas "caracteristicas" das personagens foram alteradas, mas mesmo assim gostei...

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De Anónimo a 30.06.2008 às 00:07

lindo.... lindo.... desculpem-me a falta de verve, mas só me ocorre isto...

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