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ler os outros

por Rui Castro, em 23.07.08

maradona:

"Aqui, e desde que me conheço, não foi (e muito bem). Há uma óbvia complicação adicional a este pequeno furor retórico do João Pinto e Castro: quanto menos desenvolvido - rico, talvez queira dizer rico - é o país,  mais facilmente o Estado Social se torna numa boa alternativa ao esforço e sacrificio individual por ter uma vida melhor. Nesse sentido, a universalidade dos beneficios que o Estado dispensa à população foi uma boa arma contra as contradições geradas pela proximidade do nivel de vida obtido por quem trabalha do patamar mínimo de sobreviência que consideramos aceitável à dignidade humana. Sucede que Portugal está hoje num limiar fodido: não somos nem ricos nem pobres. Já não faz sentido - nem me parece que haja possibilidades para tal - o Estado dar tudo a todos por igual (propinas, taxas moderadoras, etc, são bons instrumentos para contrariar essa tendência), mas é ainda muito pequena a margem entre o local económico onde está quem tem um salário médio e dois filhos e o de quem é pobre e beneficia dos apoios do Estado. Por muito que se queira pintar outro quadro, um Estado Social com os beneficios que há em França ou mesmo em Espanha é, de facto e na realidade, um desincentivador ao trabalho e ao esforço (mesmo se calculados naquela cena dos PPPs). A Direita em Portugal - como em todos os países pobres como nós - está condenada a parecer conformada com a existência de miséria, se não mesmo a defende-la, porque logo acima do desemprego e da pobreza está quem coma esparguete com atum a partir do dia 22 de cada mês ou deva na mercearia. Mas surpreende-me a preguiça do papel representado pela Esquerda nesta história: cheguei a ouvir da boca de um ilustre que todas as pessoas têm a necessidade de se sentirem úteis à sociedade, com isto justificando a despreocupação total com as consequências que um Estado Social demasiado forte poderia ter no nivel de desenvolvimento económico do país. O principal tema de conversa de metade da população aqui da terra é o valor dos subsidios que outra metade da vila recebe. Isto não é ficção, é a realidade: há quem viva melhor com o rendimento mínimo garantido do que quem trabalhe nas limpezas da estação fluvial e não tenha onde deixar a filha menor. Vejo uma pessoa de Direita quando vejo alguém mais peocupado em acabar com esta injustiça do que em acabar com a pobreza. Antes disto e a partir daqui há toda uma serie de complicações que se ramificam e cruzam de modo indecente, razão pela qual eu vou ali cozer 200 graminhas de esparguete, despejar-lhe uma abrótea cozida em cima e depois mandar passar o pivot de azeite por cima daquilo tudo. Vai ser tão bom."

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comentários

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De Anónimo a 23.07.2008 às 18:14

Vamos todos deixar de pagar a prestação da casa e logo se vê o que acontece.
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De Pedro Sá a 24.07.2008 às 09:42

Epá ABRÓTEA é que não ARGHHH !
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De Diego a 24.07.2008 às 19:48

E aí pessoal quem quiser fazer downloads de filmes gratuitamente e ficar por dentro dos lançamentos de 2008 acessem o site: www.fuull.com

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