Quinta-feira, 30 de Novembro de 2006

A desmesura da lata de alguns governantes é de tal forma ostensiva que até uma pobre alma cínica, sempre pronta para a pândega analítica, se incomoda e irrita.

Hoje, no Parlamento, o sr. Ministro das Finanças tratou, mais uma vez, de verberar o "planeamento fiscal agressivo" - um "eufemismo" para as "práticas de má-fé" dos contribuintes "que exploram as lacunas la lei".

Isto num país cuja administração fiscal é célebre por perder nos tribunais cerca de metade dos litígios em que se envolve com os contribuintes, muitas vezes por lhes ter liquidado impostos de forma conscientemente ilegal (a ver se pega; e muitas vezes pega - nem todos os contribuintes têm a noção dos seus direitos e o desafogo económico para enfrentarem o estado perante um Juíz).

Aliás, que má-fé poderá existir em aproveitar os espaços que o legislador - por escolha ou azelhice - deixou em aberto? É tamanha a sanha legislativa e controleira deste governo que o mesmo até se sente ofendido de cada vez que um indivíduo tenta livremente mexer um braço.     


publicado por Francisco Mendes da Silva às 23:34
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Consta que Marques Mendes cometeu a incúria de obrigar o PSD a um debate sobre a genética ideológica do partido. A coisa mete até Pacheco Pereira, que, como é recorrente, promoverá a sua habitual série de formulações salomónicas e vazias sobre o partido que é tudo e não é nada. 

Ora, eu não aconselhava os meus amigos a apostar em tal investida teórica. Lembrem-se do que aconteceu a Dorian Gray. Quis tanto manter-se eternamente belo e púbere como naquela tarde de Junho em que Basil lhe pintou o retrato que o desejo acabou por se realizar. Dorian continuou esbelto e enxuto, enquanto a sua imagem do retrato  - escondida no sótão - ia acumulando as mazelas visíveis de uma vida de hedonismo e trangressão moral.

Receio que ao PSD possa acontecer o mesmo que ao pequeno apolo wildeno quando, já arrependido, resolveu destruir o quadro e terminou morto e velho. Enfim, nada disto é muito provável. O PSD confrontar-se-á certamente com os seus pecados. Mas, ao contrário do espírito derradeiro de Dorian Gray, seguirá com alívio o aviso de Lord Henry Wotton: a aparência é a nossa maior virtude. E lá ficará, convenientemente, tudo na mesma. 

Bom esforço, camaradas. 


publicado por Francisco Mendes da Silva às 22:45
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Escuto um deputado do PSD decretar que a diferença entre o seu partido e o PS é que, enquanto este olha para a sociedade a partir do estado, o PSD olha para o estado a partir da sociedade. Muito eloquente, sim senhor. Pena que a sensação que temos desde sempre seja a de que ambos olham para o estado a partir do Partido e para o Partido a partir do estado. 


publicado por Francisco Mendes da Silva às 21:40
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Parece que a Rádio Renascença assumiu hoje a sua posição a favor do "não" no próximo referendo;

Parece que a notícia surpreendeu toda a gente;

Parece que o sindicato dos jornalistas não gostou " é um absurdo que um órgão de informação tome uma posição colectiva sobre uma matéria deste teor" acrescentando que a Renascença "põe em causa o direito de opinião dos jornalistas que trabalham na rádio e defende que "cada jornalista, independentemente do local onde trabalha, deve ser livre de exprimir a sua opinião em todas as matérias";

Parece que há gente a trabalhar na Renascença que não sabia, quando para lá entrou, que aquela é a Emissora Católica Nacional;


publicado por Rodrigo Moita de Deus às 18:15
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Anda uma pessoa a (tentar) ler Proust para poder escrever alguma coisa pomposa e interessante, a recuperar o Maquiavel que estava nos prateleiras desde os tempos das aulas com o Professor Marcelo na faculdade para verter neste estabelecimento algo de realmente inovador do ponto de vista do pensamento político e, a estas horas, tinha eu já o texto para sair (daqueles com parágrafos numerados e tudo), abro e blog e percebo que, como em tudo o resto na vida, o que importa é o Template?

Os estetas, ai os estetas...

Podiam ter avisado. Assim sempre tinha lido a Vogue deste mês. Diz que a secção sobre sapatos é de sonho...


publicado por Laura Abreu Cravo às 17:58
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sempre que se aproxima o dia 4 de Dezembro - num anúncio à revista Focus, no RCP, fala-se de 1 de Dezembro... - regressou a "teoria da conspiração".
João Gonçalves in Portugal dos pequeninos
Pois é João. A teoria da conspiração. Temos um avião que cai. Um primeiro-ministro e um ministro que morrem. Um desastre que mata membros de governo e que fica sem explicação oficial. Temos um tribunal que não sabe dizer se foi acidente. Um parlamento que diz que foi atentado. Temos motivo, método e até uma confissão. Temos muita gente que devia perceber que tudo isto são “coisas que acontecem”.

publicado por Rodrigo Moita de Deus às 17:29
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este template faz tudo para confirmar os meus piores preconceitos relativamente ao mau gosto da direita. E a sua presunção.
Lutz in Quase em Português
Depois de seis dias de enorme expectativa podemos finalmente estar tranquilos. O Lutz não gostou do template. Também não o entendeu e jura que aqui não volta. É uma enorme vitória para a equipa do 31 da Armada. Pior do que o Lutz gostar do template só se o Lutz gostasse do que aqui se escreve. Assim sendo, e graças a Deus, tudo fica no seu devido lugar.
 

publicado por Rodrigo Moita de Deus às 17:27
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Há qualquer coisa de inesperadamente aliciante nos editoriais doSemanário. A factualidade e o estilo são sacrificados regularmente no altar da trama e do enredo mas vale a pena. A sua fulgurante criatividade torna-os imperdíveis para os amantes do bom thriller político. Há cor, há movimento, há conspiração, há jogadas de bastidores, há traição, há ambição. Tudo o que é preciso, enfim. Resta-nos esperar pelo livro.


publicado por João Vacas às 16:31
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Nessa altura já havia televisão a cores...


publicado por Pedro Marques Lopes às 16:24
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À atenção do Blogue do Não.


publicado por lucianoamaral às 15:30
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A negligencia de um piloto de aviões causará invariavelmente mais baixas que a negligência de um médico. Deve o estado ter o exclusivo das academias de aeronáutica?

publicado por Rodrigo Moita de Deus às 15:21
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Médicos deviam ter modelo remuneratório mais aliciante
O presidente da Associação de Administradores Hospitalares, Manuel Delgado, propõe um modelo remuneratório para os médicos mais aliciante de modo a rentabilizar mais o serviço público, no dia em que se ficou a saber que à espera de cirurgias continuam 220 mil portugueses.
  
220 mil portugueses estão em lista de espera. 220 mil! Existem salas de operações em número suficiente e cirurgiões também. A questão está no número de cirurgias que os nossos médicos fazem por dia. Poucas, pelos vistos.
 
Em Portugal os médicos continuam a ser uma espécie de vaca sagrada. A última das salazarentas cooperações. Com direito a exclusividade no acesso à profissão, com direito a multiplicidade no exercício da profissão.
No país onde os contribuintes são obrigados a pagar os cursos de medicina, os mesmos contribuintes têm de esperar uns meses para serem operados porque os médicos (que eles pagaram) estão a ganhar dinheiro noutro lado. A alternativa agora apresentada é fazer com que os contribuintes invistam um pouco mais, agora em ordenados. 
 
Parece que o “modelo remuneratório” não é motivante para os médicos fazerem o seu trabalho. Já os cantoneiros da cidade de Lisboa se queixam da mesmíssima coisa e nem por isso deixam o lixo acumular nos passeios. Infelizmente, para eles, não têm esse direito.  
 
Três faculdades privadas de medicina e a extinção da ordem dos médicos e o problema das listas de espera nunca mais se colocava.  Quase que aposto.

publicado por Rodrigo Moita de Deus às 14:16
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Já deu para o tsunami, já deu para os furacões, já deu para os incêndios e as cheias. Agora, o aquecimento global dá também para uma nova idade do gelo. Tudo bem, mas agora expliquem-me tudo outra vez como se eu fosse muito estúpido.


publicado por lucianoamaral às 12:01
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"Nunca imaginaria que o PCP me utilizasse como produto de consumo"

Luísa Mesquita in Visão


publicado por Rodrigo Moita de Deus às 12:01
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Voz do Deserto

Voz do Deserto

Voz do Deserto 


publicado por Rodrigo Moita de Deus às 11:16
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Admitindo que o "sim" ganha e que a lei é alterada, fazemos um novo referendo daqui a oito anos a pedido dos defensores do "não"? Obrigado.
publicado por Rodrigo Moita de Deus às 10:56
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É verdade. Devia ter-se ficado pelo IV. Aquele equilibrado e bem musicado tributo à democracia e à justa luta do mundo livre. Mas não.

Ele insiste.

Vem aí outra vez. E é actor. E é guionista. E é produtor. E é realizador. E é uma maçada.

Se a coisa continua, a inumerável e inenarrável Police Academy corre o risco de parecer uma série decente.


publicado por João Vacas às 10:54
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Nunca me saíram bem. Disse um banal "Papá", ou arraçado disso, aí por volta da idade normal de cometer o erro de se começar a dizer o que se pensa. Uma vulgaridade. Tenho um amigo cujo filho disse "carro" e um outro amigo que alega ter exclamado, ele próprio, alto e bom som, "Chalana".
Não sei se acredite. Ou se não acredito por inveja.
Ainda hoje, tento convencer os progenitores de que, algures de entre aquela amálgama de sons salivados, brotava, aqui e ali, um evidente "Shéu", por vezes mesmo o nome completo do médio: "Shéu Han", mas a sua concordância lassa sabe-se a piedade.
Nos blogs, o nível de dificuldade aumenta: há quem grite, ao primeiro post, "Wittgenstein", ou "zeitgeist", "Alberto João", "Sócrates", "TGV", "muito meu amor", letras inteiras dos Smiths, contestações à Teoria da Relatividade Restrita, enfim. Um pagode (valha-nos ser tempo de discussão do aborto e poder bastar, sem mais complexidades, acenar com um "não" ou um "sim").
Podia pedir desculpa ao Paulo por nunca ter dado uso à 'invitation' para a versão blog da Atlântico. Ou, acompanhado de um sorrateiro toque de cotovelo, explicar ao Rodrigo que dei, por fim, com o registo para aceder ao 31, algures no meio do caos nervoso da caixa de e-mail. Podia pronunciar, muito aplicadamente, "Miccoli" ou "Katsouranis" ou "Mantorras, vê lá se atinas".
Mas, que diabo!, um conservador é um conservador. Se é uma primeira palavra que se pede, fique a de sempre: Papá!

publicado por Alexandre Borges às 03:59
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Leio no Corta-Fitas que o Partido Socialista de Vila Franca de Xira decidiu processar o congénere social democrata por causa destes cartazes. Se o PSD perder a acção acho bem que se vingue e nunca mais autorize trocadilhos com a altura de Marques Mendes ou com o facto da laranja andar sem sumo.


publicado por Rodrigo Moita de Deus às 02:50
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Impedido de participar pessoalmente nas comemorações dos seus 80 anos, Fidel Castro escreveu uma mensagem de agradecimento que termina com a frase:

Tenemos el deber de salvar nuestra especie.

Não há ninguém que lhe diga, devagarinho, que a espécie já está extinta?


publicado por João Vacas às 01:24
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Quarta-feira, 29 de Novembro de 2006

Para Jorge Coelho, os militares são amanuenses fora de forma que, por acaso, apresentam armas. E uma carta firme escrita pelo CEMGFA cessante não passa de um mero papel. 

Enquanto Mendes Cabeçadas põe o Governo em sentido, Coelho fala à vontade.

É o que se chama olhar à esquerda, marcar passo e descansar.


publicado por João Vacas às 23:47
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Não sei o que mais possa ter o PS a estudar sobre a segurança e flexibilidade no trabalho. Já por várias vezes no passado me pareceram bastante seguros e inflexíveis sobre a matéria. Aliás, o actual ministro Vieira da silva foi sempre um dos mais irredutíveis.  

Ainda assim, gostava de ler os especialistas.


publicado por Francisco Mendes da Silva às 22:35
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Porque 10 semanas? e Porque não 8? e Já agora porque não as 12 semanas que defende o PCP?

O referendo alias faz me recordar as cenas absolutamente infelizes, no caso do barco do aborto, de alguns deputados da estrema esquerda do PC e BE a apelar a desobediência civil em puro desrespeito pelos leis emanadas pela AR e referendadas pelos Portugueses.

E já agora alguém me explica o porque que seremos um pais mais avançado e moderno com uma lei do aborto mais permissiva? o PIB aumenta? haverá melhorias significativas na saúde dos Portugueses? Ou seremos um povo mais produtivo e mais eficiente? Onde esta a modernidade?  Percebo muitos argumentos, mas confesso que o da modernidade me escapa.

Mas, voltarei a este tema oportunamente!


publicado por Manuel Castelo-Branco às 22:28
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Com o atraso tradicional da RTPi, discute-se nos Prós e Contras o Ensino Superior. Começou agora. Tenho curiosidade de ver duas coisas: se alguém se lembra de dizer que a primeira de todas as Leis de Guterres foi a revogação da Lei das propinas (de Cavaco); e se no fim os gajos que ali estão mascarados de preto vão cantar aquelas coisas medonhas das Tunas. Depois digo-vos.

Chama-se a isto um directo em diferido.
publicado por Henrique Burnay às 21:24
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Depois de Yushchenko e Litvinenko, chegou a vez de Yegor Gaidar.
Caiu-lhe mal qualquer coisa, parece. Mais um coice da mula moscovita.
 
Para que não volte a acontecer, nós damos a receita certa:

4 cl Vodka
2 cl Sumo de Lima*
Preparar em copo longo com gelo
Preencher com Ginger Ale
(*) N.B.: Não confundir com Polónio 210.

publicado por João Vacas às 21:21
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Al-Qaeda: visita do Papa à Turquia "é uma campanha contra o islão"

«A organização terrorista Al-Qaeda no Iraque afirmou hoje que a visita do Papa Bento XVI à Turquia faz parte de "uma campanha contra o Islão (...) a visita do Papa serve, de facto, para consolidar uma cruzada contra as terras do islão, depois do falhanço dos líderes da cruzada [no Iraque e Afeganistão] (...) e é uma tentativa para extinguir a chama do islão entre os irmãos turcos» 

Sim, sim. Aliás, parafraseando um conhecido alerta público, será interessante acompanhar o nascimento, evolução (e, se se mantiver a tendência do passado, a morte por inanição) destes ataques ao Islão que, pelos seus meios profissionais, se percebe terem financiamentos próprios cuja origem é desconhecida. É um fenómeno novo que mostra a importância crescente da religião e do qual não vem nenhum mal, se existir um pouco mais de transparência. No fundo, trata-se de política pura e dura e não de qualquer actividade confessional e lúdica pelo que saber quem paga é relevante. Relevante e instrutivo.


publicado por Francisco Mendes da Silva às 20:18
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O aniversário da Casa Pessoa. Amanhã, com festa non-stop.
publicado por Francisco Mendes da Silva às 18:33
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Este rapaz de direita que vai votar pelo sim, não reconhece nem deixa de reconhecer o Daniel Oliveira como seu porta-voz. Mas, se defender bem a causa que luta por a não interferência do Estado em questões em que não se deve meter, tem, com certeza, todo o meu apoio.
No fundo, estou na mesma situação de certos homens de direita que defendem que todos os males do mundo vêm dos Estados Unidos, “capisce” Rodrigo ?

publicado por Pedro Marques Lopes às 17:48
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Quem gosta da Literatura do Absurdo não pode perder o último editorial do Avante.

Aqui fica um excerto:

O desaparecimento da União Soviética que, há quinze anos atrás, culminou a derrota da primeira grande tentativa na história da humanidade de construção de uma sociedade liberta de todas as formas de opressão e de exploração, constituiu uma tragédia civilizacional com profundas e trágicas repercussões - repercussões na situação dos trabalhadores e dos povos à escala planetária, na paz mundial, no movimento comunista internacional.

As causas dessa derrota, não obstante estar por fazer a análise aprofundada que a sua gravidade impõe, podem reduzir-se a dois grandes conjuntos de factores essenciais: no plano externo, a permanente e violenta ofensiva do capitalismo internacional num vale-tudo que durou setenta anos; e, no plano interno, a adopção de práticas de frontal afastamento e afrontamento do ideal comunista.

Já as consequências da derrota, essas são visíveis a olho nu – pelo menos para quem não seja (ou não seja pago para ser) cego: em comparação com o tempo em que existia a URSS e a comunidade socialista do Leste da Europa, o mundo é, hoje, menos livre, menos democrático, menos justo, menos fraterno, menos solidário, menos pacífico.

Uns pândegos.


publicado por João Vacas às 17:27
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Luís Filipe Menezes em entrevista ao Semanário Sol

Em rigoroso exclusivo a um dos jornais credíveis do país, Luís Filipe Menezes desmente que tenha sido iniciado sexualmente por uma "profissional". Garante que "nunca foi às meninas" e orgulhosamente revela já ter sido "assediado por um homem". Nesta entrevista única Menezes mostra que tem a virilidade na ponta da língua e que a política até pode ter versões mais light. Que Deus o conserve muitos e bons anos em cargos públicos.


publicado por Rodrigo Moita de Deus às 17:22
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Daniel Oliveira (pelo sim) e Rui Castro (pelo não) debatem amanhã o aborto na Rádio Europa. Daniel Oliveira! Aposto como a direita que defende o sim deve estar em pulgas para ouvir o que o seu porta-voz na causa tem para dizer. 


publicado por Rodrigo Moita de Deus às 16:50
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De acordo com sondagem da Aximage, publicada hoje no «Correio da Manhã», Francisco Louçã é o político que «melhor tem feito oposição» ao Governo (opinião partilhada por 31,1% dos inquiridos). Ribeiro e Castro é bom opositor para 4,6% dos inquiridos e Jerónimo de Sousa e Marques Mendes disputam o segundo lugar (com 19,6% e 22,4%, respectivamente).
Para percebermos um pouco melhor este resultado, aparentemente desastroso para o PSD, convém ler a notícia publicada na mesma página (23) do diário generalista da Av. João Crisóstomo. Passo a citar a citação: «(Marcelo Rebelo de Sousa) tem uma fixação por mim que é quase feminina», refere Luís Filipe Menezes em resposta a um comentário do professor na RTP sobre o mesmo Menezes e sobre os seus apetites pela liderança do PSD - ou seja, das suas movimentações para expulsar Marques Mendes, o tal que, segundo a sondagem, não se opõe bem.
Ora, meus caros, aqui temos um grande problema: o que será uma «fixação quase feminina»? Será muito diferente de uma «quase masculina»? E o «quase» tem implícito algum juízo moral ou comportamental, ou é apenas uma fanfarronice de quem se imagina a ser assediado até pelas pedras da calçada?
Não tenho resposta para estes mistérios da mente humana, mas assim percebe-se melhor por que é que os inquiridos da Aximage imaginam que Anacleto cumpre bem a sua missão. O Bloco poderá ter no seu seio discreto muitos exemplares exóticos da espécie humana, mas nenhum chega aos calcanhares do pediatra que manda em Gaia.
publicado por Vítor Cunha às 15:45
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O que é uma banda punk? Em sentido estrito (e não preciso lembrar que no punk tudo deve ser radical), uma banda punk é aquela que edita um só álbum de canções simples com letras desafiantes, espalha o terror na respectiva digressão, insulta o poder político (de preferência de sucessão hereditária), chega ao cimo dos tops de vendas, é proibida de tocar ao vivo e de aparecer na televisão e vê pelo menos um dos seus membros morrer de suicídio ou de overdose. Por isso, ao contrário do que diz o Rogério Casanova, os Sex Pistols são a melhor banda punk da história. Os Clash e os Ramones editaram demasiados álbuns e foram, em medidas diferentes, abençoados pelo establishment.


publicado por Francisco Mendes da Silva às 15:37
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A Companhia Teatral do Chiado comemorou, ontem, 10 anos de representações das "Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos".
Esta companhia, fundada em 1990, por Mário Viegas e Juvenal Garcês continua a ser, na minha opinião, o melhor grupo de Teatro deste país. O trabalho notável que tem feito em prol do Teatro português, tem sido reconhecido pelo público que sistematicamente lhe enche a sala onde tem residência, bem como as salas por onde vai passando.
Tenho a certeza que o Grande Mário Viegas, esteja onde estiver, continua orgulhoso da “sua” companhia.

publicado por Pedro Marques Lopes às 15:16
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A proximidade entre eleitos e eleitores sempre me pareceu um argumento fraquinho para a necessidade de círculos uninominais. Primeiro, porque me parece de todo desaconselhável para a saúde mental de ambos a sobre-exposição de uns à presença dos outros. Depois, porque duvido sempre desse discurso marxista que acentua as iniquidades do sistema. Ao culpar a super-estrutura que é o nosso actual sistema político eleitoral, os primeiros aliviam-se da prestação de contas e os segundos desresponsabilizam-se do acompanhamento e consequências das sua escolhas. A verdade é que não há nada que os círculos uninominais permitem que não seja também permitido pelas listas plurinominais.

No entanto, do Reino dos círculos uninominais chegam-nos, por vezes, óptimos exemplos de prestação de contas por parte dos políticos eleitos:


publicado por Francisco Mendes da Silva às 13:32
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O fellatio do Francisco Mendes da Silva à Oriana ficou mal feito e deu problemas...técnicos. Estamos a corrigir os problemas com a ajuda da assistência do Sapo. O 31 da Armada tem apenas cinco dias. Estamos ainda a apanhar o jeito e os defeitos. Se tiver problemas de visualização ou de utilização das caixas laterais e superiores por favor informe a gerência através desta caixa de comentários ou do email posto lá em cima. E por favor refira qual o browser que utiliza.   

a bem da Nação


Luciano: Se esta é a Diana, imagina a professora de ginástica...


Pois é, Rodrigo, afinal sabias mais sobre a Diana do que nos querias dizer. E depois de te pores aos beijos com uma professora de ginástica, o que é que querias que ela fizesse?


publicado por lucianoamaral às 10:56
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Luisão está apto para o jogo com o sporting


publicado por Rodrigo Moita de Deus às 10:11
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08:00 - Fonte segura do ministério garante que o Governo vai avançar com o modelo "flexisegurança"

09:00 - Reacções dos sindicatos: não apoiam a flexisegurança 

10:00 - Fórum TSF sobre a "flexisegurança"

11:00 - Reacções do patronato: a proposta não é viável

12:00 - Fonte segura do ministério (outra, presume-se) garante que o Governo NÃO vai avançar com o modelo "flexisegurança"

18:00 - Ministro garante que o governo vai mexer na reforma da legislação laboral mas que não se chama "flexisegurança". Para "pensar" sobre o assunto será formada uma comissão.

20:00 - Notícia de telejornal: Governo mexe com a legislação laboral mas não avança com flexisegurança porque o modelo não é aplicável as especificidades portuguesas. Por todas as razões, este governo é bestial.


publicado por Rodrigo Moita de Deus às 08:40
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Melhor que uma manchete do Expresso, uma abertura de telejornal ou audiências do tamanho da Floribella. Mais comovente que uma polémica com Daniel Oliveira, uma amabilidade da Helena Matos ou dez financiamentos obscuros.  

Apenas quatro dias depois do seu nascimento, tenho o prazer de vos anunciar que o 31 da Armada foi incluído na mailing list do Grupo de Amigos de Olivença.

Penso que estamos todos de parabéns.  


publicado por Rodrigo Moita de Deus às 02:48
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Em Intellectuals, de Paul Johnson, um livro que nos conta a vida dos grandes homens para além dos livros (a coisa reúne Rousseau, Shelley, Marx, Ibsen, Tolstoy, Brecht, Sartre, Norman Mailer e está às carradas na Fnac do Chiado), num ror de diatribes capaz de espantar qualquer criatura pacata, podemos ler, no capítulo dedicado a Rousseau, esta afirmação visivelmente impossível de conter, depois de uns floreados e umas quantas platitudes sobre a auto-comiseração do pobre Jean-Jacques:

 «It is true that he always had trouble with his penis».

Há problemas assim, pessoalmente trágicos e historicamente irónicos. Rousseau, o homem que alardeava aos sete cantos o seu rígido e submisso «amor à Humanidade», não a podia sequer levar para a cama. Depois da recuperação da «cidadania» da República, este é outro conceito que o girondino foi buscar a Platão.


publicado por Tiago Geraldo às 00:17
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Paulo Portas comenta a sua mudança de visual.

Via Blogadissimo (Deus lhe pague por esta pérola)

 


publicado por Rodrigo Moita de Deus às 00:12
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Esta senhora gastou 4 milhões de euros dos contribuintes numa equipa de futebol.

Esta senhora é acusada de ter gasto 4 milhões de euros dos contribuintes numa equipa de futebol que mesmo assim não jogava nada.


publicado por Rodrigo Moita de Deus às 00:12
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Terça-feira, 28 de Novembro de 2006

Na Vanity Fair de Dezembro, Christopher Hitchens faz o elogio de Oriana Fallaci (indisponível online) e a elegia da Arte da Entrevista, da qual a italiana intranquila foi o maior exemplo e que hoje - com a excepção esporádica de alguns jornalistas-celebridade (por exemplo, Jeremy Paxman) - é apenas uma saudosa memória. O artigo começa com uma comparação entre a entrevista feroz de Fallaci ao Xá do Irão nos anos 70 e a conversa amena de Dan Rather a Saddam Hussein em 2003.

Quase no fim do texto, o camarada Hitch revela que «all her life she had denounced clericalism and fundamentalism in every form, yet now her loathing and disgust for Islam had drivem her into the embrace of the Church. She had, she told me, been given one of the first private audiences with the new Pope, whom she referred to as "Ratzinger". "He is adorable! He agrees with me - but completely!"»

Felizmente que os integristas islâmicos não lêem a Vanity Fair, esse repositório da alienação, do despudor e da decadência do Ocidente.


publicado por Francisco Mendes da Silva às 22:51
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O maior sucesso da União Europeia é o efeito provocado pelos sucessivos alargamentos. A Portugal e Espanha, a oito países do que chamávamos Europa de Leste há vinte anos. E, noutra escala mas no mesmo sentido, a todos os países europeus que esperam um dia poder entrar. Muito mais do que o suposto e altamente discutível softpower europeu, é a perspectiva de adesão que tem provocado mudanças no Mundo. E mudanças para muito melhor. Estes sucessivos processos de adesão são a mais rápida e eficaz história de transformação democrática, reforma económica e progresso social em qualquer parte do Mundo nas últimas décadas. É esse o maior sucesso europeu. 

Acontece que o seu potencial está – por enquanto – limitado pela sua própria definição. Só quem tem expectativas de aderir é que se reforma o suficiente para poder entrar. Foi assim connosco, com Espanha, com os oito de Leste mais os dois que chegam já em Janeiro. E assim será, melhor ou pior, com os Balcãs e, talvez um dia, com a Ucrânia. Mas, e o resto?

A capacidade europeia de provocar mudança no mundo tem sido este mecanismo, se ele se esgota geograficamente, o papel reformador da UE também termina aqui (esta tese, evidentemente considera que o efeito da UE no mundo fora do alargamento está muito muito longe de ser comparável tanto no passado como no futuro).

A solução passa – deveria passar, entenda-se – por procurar reproduzir os efeitos desse mecanismo, exportando, consequentemente, o mesmo sucesso reformista. Como? Com um novo projecto europeu, desenhado em potencial parceria com os nossos vizinhos (estou a pensar primeiro que tudo nos mediterrânicos). Resumindo: criar, num futuro de médio prazo, uma área de livre circulação no Mediterrâneo tão próxima quanto possível da lógica do modelo da UE, à qual possam aderir os países aqui à volta que cumpram os critérios de democracia, economia de mercado e respeito pelos direitos humanos (o essencial dos critérios de Copenhaga). Seria uma espécie de adesão (com direito a beneficiar dos Fundos Europeus, das políticas comuns e das agências europeias) em troca de reformas. Seria, incidentalmente e sem ser essa a sua maior virtude, uma solução que, se interessasse a Marrocos, a Israel ou à Tunísia, poderia talvez interessar à Turquia se tivesse de concluir que o processo de adesão estava num impasse insuperável.


Em vez de lamentar a ausência de uma política externa comum ou de um lugar único no Conselho de Segurança das Nações Unidas – coisa que, curiosamente, nenhum dos “europeístas” defende – a União Europeia poderia assim cumprir eficazmente o seu projecto de promoção da paz e do desenvolvimento. Exportar, expandindo, o nosso modelo, é o melhor que a União Europeia pode fazer a si e ao Mundo. Ter vizinhos ricos, com populações sem necessidade de emigrar custe o que custar, pacíficos, democráticos e constrangidos pelos benefícios é um bom projecto europeu. E nem sequer é completamente novo.

Publicado na última Atlântico

publicado por Henrique Burnay às 21:53
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Segundo o Presidente do Sudão, não há nenhum genocídio em curso no país. Não morreram nada 400.000 pessoas. Nas palavras do próprio, "nem sequer morreram 9.000". Ora, o que são 9.000 pessoas (8.000 e tal, vá lá) comparadas com o trágico flagelo das cheias em Portugal? E quem disser o contrário faz parte de uma gigantesca conspiração internacional comandada por Israel e com "fontes obscuras de financiamento". Que o diga a Diana.


publicado por lucianoamaral às 18:19
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publicado por Paulo Pinto Mascarenhas às 18:01
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Filipa

Desculpem trazer para aqui as minhas memórias, mas descobri agora um blogue que se entretém a recordar o que era o Liceu Filipa de Lencastre dos tempos remotos em que por lá andei. Tempos remotos mas sempre gloriosos. Isto pode parecer um livro do Lobo Antunes, mas nunca me esqueço de um dia ter dado um sugus ao cão da Teresa Villaverde (Cabral) e da agora justamente famosa realizadora de cinema me ter perguntado algo assustada se não estava a envenenar o animal. Eram tempos revolucionários, eu era de direita como hoje e a Teresa era próxima da JCP. Concorríamos em listas opostas à Associação de Estudantes: a minha era a "I" de Independente e a dela acho que era a "G" de Grupo. Foi a "I" que ganhou, já agora. Claro que o sugus era apenas um sugus e o cão não se importou nada com a origem ideológica do dito. Mas, enfim, sobretudo para os quarentões que se lembram do que passaram nesses tempos tão animados e divertidos, vale a pena visitarem o blogue do Filipa. Tanta miúda gira, tanta pomba assassinada, tanta juventude desperdiçada.
publicado por Paulo Pinto Mascarenhas às 17:17
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José Esteves, antigo segurança e um dos nomes ligado ao Caso Camarate, foi hoje detido pela Polícia Judiciária (PJ) e encontra-se a depor no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa (TIC), soube a Lusa de fonte policial. Numa entrevista à revista Focus, a publicar quarta-feira, José Esteves assume ser o autor de um engenho que fez explodir a aeronave Cessna onde seguiam o então primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro, a sua mulher Snu Abcassis, o chefe de gabinete António Patrício Gouveia, e o ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa, assim como os dois pilotos do aparelho. in Diário Digital

Um dia, mais cedo ou mais tarde, amanhã ou para o ano, nesta ou na próxima geração, acabará por ser feita uma justiça histórica sobre o que realmente se passou em Camarate. No dia seguinte a esse, será tempo de acertar as contas com  quem, durante 26 anos, negou o direito à justiça dos tribunais.


publicado por Rodrigo Moita de Deus às 16:57
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