
"Quando avançamos sobre o impossível, ele recua"
«When I became editor of The Spectator, Wendy Cope wrote a gloomy poem entitled "The editor of The Spectator is only 27".»
Charles Moore, na Spectator desta semana.

Henrique, meu caro, sabes porventura qual é a medida mais relevante do famoso pacote do Cravinho? Pois bem, é presunção de enriquecimento ilícito de todos aqueles que apresentem sinais exteriores de riqueza. Uma inversão do ónus da prova inaceitável a quem defende a rule of law. Vingue o pacote Cravinho, e teremos todos que demonstrar publicamente, sob pena de condenação, por que razão não nos limitamos a viver uma vida modesta e despojada.
Acho muito bem que se reforcem os mecanismos policiais e jurídicos de combate à corrupção. Mas pela via decente. Da investigação e da prova, com o ónus a recair sobre quem investiga, de que alguém corrompeu ou se deixou corromper. Passarmos a ser todos presumíveis culpados porque o Estado não tem capacidade para investigar é que nem pensar. Não é por acaso que o BE vai recuperar esta proposta.
Admito – porque não conheço a fundo – que o pacote Cravinho tenha medidas aproveitáveis. Mas esta, que acabou por ser a mais notada, é má. E não é pelo facto de poder servir de arma de arremesso contra um governo PS que passa a ser boa.
P.S.: quanto ao referendo, pergunto-me como é que alguém que o acha tão supérfluo e marginal passa os dias a escrever sobre o assunto. Mas isso sou eu, que cada vez percebo menos do que quer que seja.


Ontem no debate do Aborto na SIC Notícias, José Pinto da Costa (não confundir com Jorge Nuno) sentava-se do lado do Sim enquanto especialista médico. Isso mesmo. José Pinto da Costa, o médico legista.
mais uma musiqueta para estragar o dia a toda a gente.
*da compilação «The Snob Sessions». É mais forte do que eu, desculpem lá. Eu já volto para escrever um post decente.

Fidel Castro reapareceu hoje. Outra vez com Chavez. Outra vez com o mesmo pijama.

...ninguém estranha se o resultado do Não no referendo for directamente proporcional ao resultado do Benfica nesse fim-de-semana.
It's my birthday
No one here day
Very strange day
I think of you day
Go outside day
Sit in park day
Watch the sky day
What a pathetic day
I don't like this day
It makes me feel too small
I don't like these days
They make me feel so small
(Blur, "Birthday")


Chama-se José Manuel Pureza.
Apareceu ontem no Prós e Contras. A voz à Teatro Nacional D. Maria II e um esgar à Paulo Portas. Menino marrão, cheio de certezas e com incorrigível risinho de Mutley. Conheço o género dos meus tempos no Pedro Nunes. Fiz a folha a uns quantos. Só umas galhetas. Obviamente não chegaram. Nunca chegam.
*Espero que o Carlos não estivesse convencido que eu era monogâmico.
Conseguirá Sócrates na China mais minutos de televisão que Cavaco na Índia?
Bush, generosamente, oferece umas carícias a Angela Merkel. A chanceler Alemã finge que não gosta.
...tem sempre restaurantes típicos. É o caso desta Zona Fantasma do Luís Rainha e do Jorge Mateus. Nesta minha demanda para arranjar uma polêmica de jeito, deposito grandes esperanças na Zona Fantasma.
O lipemarujo diz que gosto de estar do lado dos vencedores e que, pelo sim pelo não, vou preparando a derrota do Não no referendo.
Caro lipemarujo,
Sou benfiquista com ternura pelo belenenses, sou católico, monárquico, conservador, tradicionalista, sidonista,marialva (de fados e tourada), miguelista e em rugby estou sempre pelo País de Gales. Preparar-me para a derrota? Para a derrota? Ò meu amigo, a vitória é que me faria muita confusão.
Kátia Guerreiro confessou-se chocada com as descriminações que «as gentes» do interior poderiam sentir caso o aborto fosse despenalizado, uma vez que não disporiam do mesmo nível de informação e assistência médica disponível na centralista Lisboa.
É um facto que as assimetrias regionais são um dos grandes males deste país. Mas nesse caso a questão nem se colocaria, querida Kátia. Afinal a abortista Espanha é ali bem perto.
Rodrigo, embora a expressão possa parecer ligeiramente «engajada» não consta que tenha sido baptizada por nenhum barbudo.
Como já disse no Blogue da Atlântico, ainda que determinado crime se revele conforme a uma dada opção moral, é necessário que à conduta criminalizada corresponda uma «reprovação ética geral» (fundada na tal consciência social dominante que não é obviamente confundível com a rousseauniana «vontade popular»).
Confesso o meu fetichismo com alguma extrema-esquerda e a tendência para criticar o marxismo na fnac, nas casas de banho públicas e no parlamento. Mas parece-me despropositado praticar e desenvolver esse fetiche neste momento.
A questão básica começa e acaba aqui: se somos pluralistas devemos ser contra incriminações que tenham por base um juízo moral que não reúne consenso da sociedade. E não me parece que este tipo de afirmações possa ser considerado sintoma de relativismo. Aproveito para dizer «qualquer coisa de direita» e cito a meu favor John Kekes, um autor certamente benquisto entre as hostes cá de casa, para lembrar que um estado relativista tenderá a defender que todos os valores são dependentes do contexto. Para o Estado relativista é a própria pluralidade dos valores, associada à dependência destes valores de um qualquer contexto, que «exclui a possibilidade de crítica e justificação objectiva». O que torna o pluralismo diferente de outros «ismos» é a rejeição partilhada por monistas e relativistas que só um valor incondicional pode ter autoridade moral, racional e independente do contexto. Neste referendo, para muito boa gente, o único valor ponderável é o Bébé-que-mexe-e-dá-pontapés. O contexto não entra nas contas. Essa absolutidade é profundamente contrária à mais elementar noção de pluralismo que devia ser dado adquirido nas nossas sociedades.
E não me parece que a importância do «pluralismo» tenha sido anunciada pelos amanhãs que cantam nem pelo farto couro cabeludo do dr. Vital Moreira nos loucos anos da Revolução.
(actualizado)

...lembrar com Vital Moreira os bons velhos tempos da "consciência social dominante"
E pelos comentários de Aguiar Branco - um homem que começou o debate por lembrar simpaticamente que tinha cinco filhos, dado relevantíssimo e fundamental para o debate - é óbvio que nem dispensou de oral. O ex-Ministro da Justiça mais bem penteado de sempre disse sem se rir que neste referendo «não é o Código Penal que está em questão».
15 a zero?
Vai para os livros: Vital Moreira começa o debate "simpaticamente" lembrando que Aguiar Branco era aluno quando ele já era professor.


Avô cantigas Vital Moreira
Entre os discursos xaroposos e entusiasmados da plateia nesta edição do Prós e Contras, destaco o daquela senhora cujo nome agora não me recordo mas que quando fala parece ter vontade de nos saltar para cima e unhar a garganta, que disse, com a voz embargada, que o Não combate o aborto por pressão do patronato.
Ódios, ódios de estimação; são fundamentais para manter a nossa sanidade intelectual, mental e ideológica. E é bom mantê-los, nem que seja em lume branco. Muitas vezes sem motivo racional que o justifique, vamos cultivando-os com pequenos comentários azedos com aqueles que nutrem o mesmo sentimento pelo ser visado. É saudável, liberta-nos dos maus fígados .
Aproveitem esta época pré referendária para os actualizarem. Não faltarão alvos apetecíveis!
Recomendamos vivamente o magnífico sketch do gato fedorento sobre o aborto, transmitido ontem na RTP. Os interessados podem vê-lo no site do Bloco de Esquerda.

...e o Alexandre Borges continua de férias, aqui fica a repetição do magnífico video de Henrique Burnay sobre as declarações You Tube de Francisco Louçã.


A coisa mais excitante da blogosfera desde a carta aberta do António Figueira ao Pulido Valente: "Chegou o momento. Depois destes dias em que trocámos argumentos virtuais, convidamos o blog Sim no Referendo para um debate real. Três de cada lado. Quinta-feira, às 21:30, em local e com moderador a designar." Eu ofereço-me como moderador.
«O Simão mete a bola onde mete os olhos».
*o Jorge

Gerador Geravidas
1. Ainda a festa: o Vítor diz que fiz furor. Não notei nada. Mas se ele notou, gostava só de saber entre qual "comunidade". Não foi de certeza entre a "comunidade cabo-verdiana".
2. Outra vez a festa: Vítor, se não estou a ser indiscreto, em que é que as amigas da Laura se revelaram conservadoras?
3. Ainda a propósito da festa: o Henrique aconselha ao Pedro um livro ateu. Henrique, o problema do Pedro não é intelectual. É psíquico. É um trauma. Pergunta-lhe lá sobre quando, já ele era homem feito (a caminho de se licenciar), outro homem o arrastava pela orelha e lhe perguntava: "Ó Pedrinho, então e sexo?"
4. Quem é que contratou o Carapinha para esta treta? Foi barrete. Afinal, o gajo escreve que se farta. Só não escreve é para aqui.
Foi por um quase imperceptível capricho temporal que Al Gore, esperado por cá esta semana, não nos falou do "aquecimento global" numa Lisboa debaixo de neve.
"(...)o Rodrigo Moita de Deus é mais jovem e menos barrigudo do que pensava"
Miguel, é verdade sim senhor. Mas antes que faças qualquer convite, aviso que eu só tenho olhos para o Carlos Abreu Amorim.
"foi engraçado partilhar os urinóis com Vasco Rato"
Miguel Vaz no República dos Desalinhados, fazendo a crónica da festa de sexta-feira.