O mundo perfeito: onde (i) certas pessoas têm vergonha de falar do que não sabem nem compreendem, e/ou (ii) onde que tem vergonha, cala-se e limitam-se a ouvir.
Ontem em plena hora de ponta na Fontes Pereira de Melo.Um miudo num Porsche descapotável tentava sair da garagem de um banco. Teve de esperar quinze minutos para que alguém finalmente o deixasse entrar.
E se uns acham os membros do Gato Fedorento hilariantes, o que dizer perante as seguintes passagens da acusação particular de Pinto da Costa contra os humoristas:
«[O]s arguidos sabem muito bem do prestígio, do sucesso e consideração de que goza Pinto da Costa e o clube a que preside», sendo aquele «...um homem íntegro, honesto, honrado, pacífico, ordeiro e defensor dos mais elevados valores morais e sociais».
Quando Blair saíu directamente de Bruxelas para o Vaticano, comentou-se que o então ainda PM britânico queria revelar a sua conversão ao catolicismo antes de abandonar o governo. Passados uns dias, parece que a pressa não era essa, a pressa era reunir com Bento XVI antes de ser nomeado emissário do Quarteto. Se foi esse o motivo, resta esperar pelo resultado. Ter o apoio do Vaticano na tentativa de mediação no médio oriente é uma boa notícia. E motivo para algum realismo optimista
Ontem, ouvi numa rádio nacional o Sr Abílio Curto dizer, entre várias coisas, que eram normais as ofertas a políticos por parte de empresários e que o seu colega de partido, Dr Almeida Santos, lhe teria dito que ele teria sido o bode expiatório...
Rapaz inocente como sou, fiquei atento esperando pela altura em que essa rádio ou televisão fosse perguntar ao Dr Almeida Santos o que é que ele queria dizer com aquela afirmação... nada. Hoje de manhã corri para a banca dos jornais e... nada.
Será que este comentário de tão importante figura do Partido Socialista não tem relevância jornalista? O que é que Almeida Santos queria dizer? Que há tanta corrupção nas câmaras que se tinha de escolher um bode expiatório para acalmar as pessoas? Se assim for, será que nos pode dizer o que sabe? Ou quereria dizer, apenas, que como se fala muito de corrupção era preciso uma vítima? Se assim fosse porque não veio a terreiro defender o seu correligionário?
Estará instalado um clima em que não se pode perguntar nada ou será que o tema era... desinteressante?
De facto, não é de espantar. O Dr Mário Soares disse no Expresso que os Americanos têm um estudo para exterminar populações do sul e as duas “vedetas” jornalistas que o entrevistaram nem se deram ao trabalho de lhe perguntar onde estava o estudo...
É já às sete da tarde, daqui a duas horas, que poderá ouvir LauraAbreuCravo dedicar uma pequena música a Fernando Negrão e à reconhecida dificuldade com as siglas, assim como HenriqueBurnay a perorar sobre o putativo referendo à Europa que José Sócrates não quer. Aliás, peroramos todos, mas o Henrique é que é o especialista. Com Antonieta Lopes da Costa e comigo, falaremos ainda do documento do Compromisso Portugal, “O Estado da Governação”, que nada subliminarmente aproveito para ligar ao texto de capa desta edição da Atlântico, nas bancas; mas também de Joe Berardo vs. Mega Ferreira mais a colecção no CCB, assim como da saída de cena de Tony Blair e da sua substituição por Gordon Brown, com outras conversas pelo meio.
O programa como sempre repete no domingo, às 11h e às 19h, podendo ser ouvido em directo no computador ou nas rádios da TV/Cabo.
PS. No domingo pode ouvir Henrique Burnay a dobrar: entre as 11h e o meio-dia na Europa e a partir das 12h no Rádio Clube Português (104.3 FM). É mais uma estrela da Atlântico e do 31 a dar cartas. Sobre a Europa, no caso.
A República de Malta é um pequeno país europeu, composto por um arquipélago de cinco ilhas muito próximas, situadas a 93 km ao sul da ilha da Sicília, a sudoeste da Itália, e a 290 km ao norte da Líbia, na África. O arquipélago maltês está encravado no centro do Mediterrâneo. As terras mais próximas são todas sicilianas / italianas: a grande ilha da Sicília a norte, as ilhas Pelágias a oeste e a ilha de Pantelleria a noroeste. Sua capital - situada na ilha de Malta - é La Valetta. As cinco ilhas do arquipélago maltês são: Malta, Gozo, Comino e duas ilhotas desabitadas Cominotto e Filfla, as quais, no total, têm superfície de 316 km² e abrigam uma população estimada em 400 214 habitantes (agosto 2006).
A história da exoneração da Directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho também pode ser lida aqui. A serem verdadeiros os factos relatados pela TSF, parece evidente que se trata de pura perseguição política. Com efeito, para o lugar da ex-Directora foi nomeado um vereador socialista da CM de Ponte da Barca, não indiciando os factos descritos quaquer comportamento reprovável por parte da ex-Directora que justificasse a sua exoneração. Depois de Charrua e da tentativa de condicionamento dos jornalistas no caso da licenciatura de Sócrates, o Governo continua a dar mostras da sua intolerância, exibindo sem pudor tiques nada próprios de um regime que se diz democrático. Só estranho que algumas vozes que clamaram tão alto em anteriores governos de direita, estejam agora praticamente mudas, ignorando as manifestações de desprezo pela liberdade do sr. Sócrates e dos seus ministros.
Os mais saudosos do Indy recordarão as fantásticas palavras cruzadas que por lá se publicavam. Aliás, os que esperavam ansiosamente por cada sexta-feira para as resolver, recusam-se a admitir que eram palavras cruzadas. Porque, na verdade, só o eram formalmente. Para os fanáticos, esse exercício intelectual era conhecido apenas por IPA (petit-nom do autor). Saibam que houve quem decidisse recuperar alguns desses problemas, partilhá-los com antigos e, quem sabe, novos dependentes. É aqui, todas as 6.ªs feiras. Como antigamente.
“Vamos onde nos leva o vento? Ou somos nós que remamos para o caminho que escolhemos? Seja qual for a escolha ou o motivo o importante é ir. Podemos até não saber muito para para onde vamos, mas é obrigatório saber para onde não queremos que o barco nos leve... entenderam?”
Atribuindo efeitos civis aos casamentos celebrados ao abrigo de outras religiões, deverá o Estado consagrar a tutela dos direitos que, perante essa religião, o casamento faz nascer para os cônjuges?
Um casamento religioso reconhecido pelo Estado, que confira ao marido o direito a castigar a mulher caso esta o desonre, deverá ver todos os seus efeitos reconhecidos civilmente?
E se a mulher quiser contestar o castigo, qual é o Tribunal que vai julgar se houve ou não houve desonra? E se, perante a rteligião, a mulher não tiver direito a contestar o castigo?
Qual é o valor que prevalece perante a Constituição? A igualdade formal ou a igualdade material?
Que efeitos civis deverá o Estado atribuir aos casamentos religiosos? Se um casamento religioso que admita a poligamia vier a ser reconhecido pelo Estado, poderá o homem ser condenado, em caso de divórcio, a pagar pensão de alimentos a duas ou mais mulheres? E os direitos (pensões, prémios, subsídios) que o Estado ou o não-Estado estão obrigados a conceder ao cônjuge sobrevivo por morte do marido, têm que ser pagos a dobrar, a triplicar, a quadruplicar, ou são divididos por quantas mulheres aquele tiver? E passará o homem a ter direito a tantas licenças de 11 dias quantos os casamentos que célebre, a tantas faltas justificadas quantas as vezes que qualquer uma das suas mulheres precise de acompanhamento, a tantas licenças de nojo quantas as mortes das mulheres com está casado? E quem vai pagar tudo isto?
Conservador: aquele que quer impor, através da Lei do Estado, o jejum e a abstinência na Quaresma. Aquele que quer proibir, através de lei geral e abstracta, o consumo de carne à sexta-feira. Primo não muito afastado de vegetarianos e feministas.
Por causa das proibições de fumo em locais públicos reparei que é cada vez maior o número de pessoas que fumam enquanto andam na rua. Para além do beatério em que se transforma a nossa calçada não há coisa mais degradante que uma mulher a fumar enquanto anda. Por muito gira que seja.
Gosto particularmente do novo imposto único de Circulação (que substitui o Imposto Automóvel). Tão único, tão único, tão único que o governo lançou meses depois um outro imposto de circulação mas com o nome rodoviário.
Nota tardia mas obrigatória. Chegado o sol e o verão, a nossa queridíssima Isa apresenta-se de trajos mais frescos, arejados e, até, atrevidos. Sempre aprazível.
"A Comissão da Carteira de Jornalistas vai convocar o jornalista Pedro Rolo Duarte por considerar que a sua participação numa conversa on-line sobre a qualidade dos ingredientes da McDonald’s tem fundamento para abrir um processo de averiguação."
Nota: A notícia já tem alguns dias. Ando sempre afastado destas querelas gastronómicas e só dei por esta através do Portugal dos Pequeninos. Pedro Rolo Duarte já foi ouvido pela notável Comissão da Carteira dos Jornalistas? Já foi considerado culpado de ser cúmplice desse eterno símbolo da exploração capitalista do homem pelo homem?
Pelo Coimbra é nossa descubro que a Eterno Retorno e a Ler Devagar abriram uma coisa que é mais do que uma livraria ali para os lados de Braço de Prata. Para descobrir aqui e ir lá.
Esta exposição (Encompassing the Globe: Portugal and the World in the 16th and 17th Centuries June 24, 2007 - September 16, 2007) em Washington parece que vai, parcialmente, passar uns tempos em Bruxelas, lá para o fim do ano, dizem-me.
Espero não me ter esquecido de ninguém, desta vez. Muito para ler, como sempre, com destaque aqui para a casa: a estreia de Carlos do Carmo Carapinha, Alexandre Borges, Rodrigo Moita de Deus, Francisco Mendes da Silva, Laura Abreu Cravo, Henrique Burnay, Luciano Amaral, Pedro Marques Lopes, Rita Barata Silvério e Vítor Cunha. (Faltava o grande chefe, como lembrou bem o Rui Castro.)
O pavilhão multiusos de Gondomar, projectado pelo arquitecto Siza Vieira, é amanhã inaugurado pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos. Um investimento de 20 milhões de euros vocacionado para eventos desportivos, musicais e outros, anunciou ontem o presidente da autarquia, Valentim Loureiro."
"Três quartos dos municípios sem dinheiro para pagar dividas
Três quartos das autarquias não têm dinheiro para pagar as dívidas, segundo um anuário financeiro de 2005, que aponta as câmaras de Lisboa, Gondomar e Sines como as mais devedoras. O documento adianta que os municípios continuam a depender muito do Estado."
Adversários. Aliados. Todos. O parlamento britânico despediu-se de Tony Blair com uma unânime ovação de pé. Foi uma inesperada demonstração de fair play dos trabalhistas com um dos melhores primeiros-ministros conservadores que o país conheceu.
O senhor primeiro ministro explicou na Assembleia da República que não se pode falar agora de um referendo ao Tratado porque não se sabe o que vai ser o Tratado. Há mil razões - na verdade há uma e chama-se não provoquem os franceses - para não se fazer ou para se fazer o referendo, mas dizer que não se sabe qual vai ser o conteúdo do Tratado não pode ser uma delas. O mandato para a CIG é absoluatmente claro. Vai haver Alto Representante da política externa, vão acabar as presidências rotativas, vai haver um presidente do Conselho, vai haver personalidade jurídica da União, não vai ficar inscrita a livre concorrência. Não sendo de esperar que o povo se pronuncie sobre detalhes e formulações jurídicas, o argumento de de Sócrates é mesmo o único que não pega, a menos que façamos todos de conta que não sabemos ler nem temos links. Just in case, aqui fica o mandato claro da cig:
"Na Península Ibérica pôde observar-se desde tempos recuados movimentos naturais e sazonais de gados herbívoros que abandonam o território de origem para se alimentarem de pastos frescos em solos de outras zonas. Esta forma de pastoreio, conhecida por Transumância, consiste fundamentalmente no deslocamento periódico de gados entre dois regimes determinados de clima diferente.
Face à escassez de pastos, motivada pelas condições desfavoráveis do clima, os rebanhos desciam da serra para pastos em regiões temperadas.
Na actualidade, apenas um rebanho que não atinge o milhar de cabeças, na sua maioria constituído por ovinos, mantém viva a tradição de, anualmente, por alturas do S. João, iniciar uma caminhada desde Barbeita, nos arredores de Viseu, localidade de reunião dos efectivos, até à serra de Montemuro, onde permanece até meados de Agosto."
Isto, ou ir de férias para climas mais agradáveis para não ter de votar PSD nas intercalares.
E se os 27 líderes europeus não tivessem chegado a acordo sobre o Tratado Europeu? E se... Um programa do Nuno Costa Santos no Rádio Clube Português, esta semana com o prof. António Costa Pinto e o rapaz que assina este post (irra, estes gajos fazem autopromoção que se fartam).
A Europa, a presidência portuguesa, o Tratado e os tratantes. Domingo, às 12h (daí o título, pois claro).
Para ouvir em 92.9 - Braga, 90.0 - Porto, 97.4 - Vila Real, 94.4 - Aveiro, 98.4 - Coimbra, 94.8 - Sabugal, 96.4 - Leiria, 104.3 - Lisboa, 106.7 - Portalegre, 107.5 - Santiago do Cacém, 106.4 - Beja, 107.1 - Portimão ou mesmo 106.1 - Faro.
Apenas para deslocações a hotéis e moteis. Atendimento a casais totalmente desinibido. Acompanhante de requinte,disponivel para acompanhamento a senhores e casais de nivel . acompanhante altamente recomendada......
É só para lembrar que um dos melhores blogs a solo mudou de endereço e de nome. Agora o lóbi do chá é só lobi e do blogspot passou para os blogs do Sapo. Somos vizinhos, portanto.
Sempre que vou ao Porto paro na estação de serviço da Antuã e ali fico durante uns minutos. É que a Antuã é paragem certa das centenas de excursões que saem do Minho e de Trás-os-Montes em direcção a Fátima e ao sul do país. E que delícia!
Magotes de gente de todas as idades que sai dos autocarros e se instala nas mesinhas ali à volta. Há tupperwares com pastéis de bacalhau, garrafões de tinto e inevitavelmente ouvem-se os últimos êxitos do rancho lá da terra. Comida, bebida e música. Bom de ver que a coisa acaba em bailarico ali mesmo no parque da estação para repulsa dos restantes utentes.
Aqui há uns anos dir-se-ia que este era o país real. Agora, o país real é o país suburbano encavalitado em torres de betão algures na Póvoa do Varzim ou em Mem Martins. Gente por natureza insatisfeita que cultiva a inveja em vez de batatas. Gente que olha com desprezo e sobranceria para quem faz “figuras tristes” em estações de serviço. Os meus amigos da Antuã são uma espécie em vias de extinção. Como os sérvios no Kosovo também eles se tornaram numa minoria no seu próprio país.
O país real agora é outro. Mais moderno. Mas muito mais feio.
A minha referência à «assertividade» não teve que ver com o que aqui escreveste. Partiu de um comentário a um post meu, no 31. Seja como for, respondo-te começando por dizer que esta questão é pouco interessante. Reclamar ou incitar à «assertividade» em sede de blogosfera – leia-se “em habitat onde a latitude estilística e argumentativa é a pedra de toque” - remete-nos para os «idiotas da objectividade» de Nelson Rodrigues. Quem mede ou afere quem? E o quê? A «assertividade» pode estar contida no próprio estilo, na ironia, no humor, na indirecta sub-reptícia, no exagero ou até na putativa falta de «assertividade». Houve excelentes colunistas cujo esforço pró-assertivo raramente se fez notar. Nelson Rodrigues, Auberon Waugh, Michael Wharton, Henry Louis Mencken. Entre muitos outros. Há afectos indizíveis, ódios não dissimuláveis, preconceitos indeléveis que baralham a boa da «assertividade». E isso não tem que ser negativo. Lembra-te do Iago: “But men are men, the best sometimes forget”.
Não sei a que conclusões é que o Washington Post quis chegar, mas há criatividade neste vídeo. Como explica o Tarzan, o Washington Post: convidou "o famoso violinista Joshua Bell para tocar o seu Stradivarius numa estação de metro de Washington, de forma completamente anónima, no dia seguinte a ter dado um recital naquela cidade. O vídeo pode ser visto aqui."
Meu querido, assim de repente, eu diria que a Opus Dei é uma organização privada, que procura reunir o que há de melhor nas sociedades onde está, em mérito, em trabalho, em dinheiro, em poder, e dar-lhe um sentido religioso da vida. Como é boa nisso, não precisa do Estado para nada. Aliás, em muitos domínios, substitui com vantagem o Estado. É óbvio que favorece e privilegia aqueles que a ela pertencem. Mas estavas à espera de quê, que favorecesse quem a ataca e desdenha? Eu não sou da Opus nem tenciono vir a ser. Mas a minha costela liberal e as minhas costelas capitalistas acham-na admirável.
"Lisboa precisa hoje, mais do que nunca, de ser governada. Vamos dar ao Dr. António Costa a possibilidade de governar Lisboa com estabilidade e de acordo com o seu programa. Para isso, é indispensável uma maioria que o torne independente"
Basílio Horta, sessenta e tal anos, funcionário do governo.
A festa estava bonita, as senhoras trajavam elegantemente (ou como podiam), os cavalheiros de fato escuro, os Jerónimos vestiram de Gala para celebrar a chegada de um novo museu a Lisboa. Goste-se ou não de Joe Berardo (e eu gosto) o certo é que Lisboa passa a ter uma colecção privada representativa do movimento artístico contemporâneo.
No mais, e ainda no que a Lisboa diz respeito, avistámos Helena Roseta. Consta que Fernando Negrão se enganou no local porque se baralhou com a sigla CCB e parece que Telmo Correia foi convidado a sair por dois seguranças quando se preparava para começar a limpar um grafitti na parede do museu que era, afinal, uma obra de Banksy, conhecido artista de rua britânico.
É a palavra da moda: “assertivo”. Já houve o “incontornável” e o “pró-activo”. Agora todos temos de ser “assertivos”. Diz-me aqui o Aurélio Buarque de Holanda Ferreira que “assertivo” (adj.) significa “que contém asserto; afirmativo, assertório”. O “asserto” remete-nos para “asserção”, que quer dizer “afirmação, alegação, argumento”. Caríssimos: há que ser “assertivo”. Sempre. É claro que, na generalidade dos casos, os que exaltam e reclamam a “asserção”, estão-se nas tintas para a mesma em 90% do que escrevem. Mas há que ser “assertivo”. E “objectivo”. E “coerente”. E nada de “contradições”. Isto da blogosfera é assunto seríssimo. E fumar? Fumam enquanto escrevem? Fazem mal. E álcool? Metem-se no dito? Parvos. E a gordura saturada? Querem matar-se? E eu: será que fui pouco “assertivo”? Peço desculpa.
"Agostinho Coutinho Caridade, o homem que durante anos celebrou casamentos, baptizados e funerais , enviou uma carta ao canal televisivo TVI em que pede desculpas às pessoas que enganou". (in Diário de Notícias)
Neste governo de Sócrates há qualquer coisa que faz lembrar o antigamente. Autoritarismo, estatistismo, revanchismo, centralismo e controlismo. Assim sendo, Maria José Nogueira Pinto, José Miguel Júdice ou Freitas do Amaral não fizeram inversão de marcha. Simplesmente regressaram às origens.
O Carlos do Carmo Carapinha eu sei quem é. Publica este mês na revista Atlântico um excelente artigo sobre a "esquerda superior". Estou à espera de mais.
O Carlos Carapinha toca no ponto que interessa: o problema do Carlos Abreu Amorim (vulgo CAA) é, antes de tudo mais, ser mal-criado e desagradável. Já não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que reage a críticas e/ou graçolas que lhe são dirigidas apenas na base do impropério primário.
Trata-se, aliás, de um tipo de reacção não exclusivo do CAA, que tem vindo a alastrar em alguns blogs e a tornar esta brincadeira, que alguns teimam em levar a sério, um tanto ou quanto cansativa. A pretexto de uma real ou suposta superioridade intelectual, e assente na ideia de ininputabilidade que domina o espírito deste tempo e deste meio, há gente que, ao mínimo pretexto, desata a insultar o próximo. A mentalidade é esta: "eu escrevo bem, eu penso bem, eu fui criticado, eu sou liberal, eu estou zangado, eu posso insultar"
Só que para o próximo - para muitos dos próximos, suponho e espero - nem a boa escrita (que nos blogs nunca chega a ser genial), nem as ideias arrojadas, nem a rapidez de raciocínio, justificam a ordinarice. Um ordinário é um ordinário, quaisquer que sejam as suas qualidades intelectuais. Pode até escrever uns posts legíveis, ser liberal ou aparecer na televisão. Mas, enquanto for desagradável e mal-criado, como pessoa, só deve suscitar condescendência, algum desprezo ou a indiferença.
Para além da falta de humor e da propensão para um estilo caceteiro-armado-em-intelectual (óculos de massa preta oblige), é notória a falta de educação em Carlos Abreu Amorim e a facilidade com que resvala para a ofensa de baixo nível. Desde tratar-me por “um tal Carapinha”, a apelidar-me de “Carlos do Carmo reinventado”, o homem é capaz das mais incríveis deselegâncias. Repare-se na pesporrência do “que não faço ideia quem seja”, como que a dizer “ao contrário de mim – ser televisionado, respeitado, badalado – esse aí é uma insignificância”.
Carlos Abreu Amorim parece incapaz de compreender que há direitas conservadoras e direitas conservadoras – assim como liberais, nacionalistas, etc. A própria confissão de não auto-exclusão – género “Ah, atenção: eu também me considero estúpido e tal” - é pífia e hipócrita.
Carlos Abreu Amorim não percebeu a comparação, mas eu explico-lha. Luís Pereira de Sousa já por diversas vezes criticou o actual estado da televisão em Portugal e a suposta «falta de qualidade» da programação «generalista». Ora, Luís Pereira de Sousa foi um agente implicado nos momentos mais sofríveis e patéticos da história da televisão em Portugal. Da mesma forma, é um pouco indecoroso Carlos Abreu Amorim apontar baterias à «direita conservadora portuguesa» (o que é e quem a representa?) tendo ele próprio sido apoiante de Manuel Monteiro e da sua Nova Democracia – figura e movimento que, na minha modesta opinião, corporizam a estupidez e a falta de ideias em política (apesar da roupagem nouvelle vague).
Mais vale pertencer à direita estúpida conservadora do que à direita néscia e atávica, apoiante de Manuel Monteiro, embriagada pela soberba e pelo ódio, simpatizante das «novas ordens» e dos «novos paradigmas» (embora em ambiente bafiento e velho, muito velho). Além disso, a «minha» direita não é, certamente, a do Sr. Carlos Abreu Amorim. A deste senhor não tem maneiras e leva-se demasiado a sério.
Daniel Oliveira chama a atenção para este relato sobre a delicadíssima situação dos homossexuais na palestina. Tem sido assunto esquecido da agenda mediática internacional. Todos se preocupam com a guerra civil entre a Hamas e a Fatha, com os refugiados do Líbano e com a agenda nuclear do Irão. E os homossexuais palestinianos? Quem se preocupa com eles?
Ainda ontem, enquanto via imagens dos confrontos em Gaza, pensei: “coitados dos LBGTs palestinianos”. Hoje, em boa hora, encontro esta comovente chamada de atenção de Daniel Oliveira.
Sinto-me moralmente obrigado a fazer eco deste apelo. “No meio do fogo cruzado” é um grito de ajuda e um grito de revolta para que o mundo não vire as costas aos homossexuais palestinianos.
Se bem percebi, a "rede do Paulo Querido" está a resultar. Boa. Enquanto alguns opinam sobre a morte da blogosfera e tal, isto mostra que a coisa se está a democratizar, a crescer e - que horror - a banalizar. Já não é o pátio de um liceu. É o pátio de muitos.
Coisas sérias à parte, parece que a maior virtude do Tratado faz-de-conta-que-é-simplificado é o facto de ter sido negociado numa sala cheia de fumo, com, pelo menos, o presidente polaco e o primeiro-ministro luxemburguês a fumarem. Às vezes a diplomacia ainda é como era.
Um bilhete de avião de Lisboa para Berlim (145 euros) é mais barato que um bilhete de avião para o Funchal (149 euros). Um bilhete de avião para Berlim ou para o Funchal é ainda mais barato que um bilhete de avião para o Porto (172 euros).
Adivinhe quais destes três voos são serviço público prestado por uma empresa pública num regime monopolista?
A lei eleitoral autárquica avisa que : "CAPÍTULO II, Campanha eleitoral, Artigo 47o, Início e termo da campanha eleitoral. O período da campanha eleitoral inicia-se no 12o dia anterior e finda às 24 horas da antevéspera do dia designado para as eleições".
Se bem me lembro, isto queria dizer que se colocavam cartazes e se fazia tudo igual à campanha, mas não se apelava ao voto - uma bizantinice que só os juristas conseguem apreciar. Seja como for, a lei é esta. E se é - se eu estiver enganado peço já desculpa - então a candidatura da CDU está a violar a lei desde sexta-feira. Desde a tarde de dia 22 que há, no Marquês de Pombal, pendões a dizer Vota CDU.
A Lei será ridícula, mas não a cumprir não é irrelevante. Queiram, poranto, arrancar os pendões. Os senhores da CDU ou a polícia, tanto me faz.
CORRECÇÃO Segundo o Daniel Oliveira, a lei não impede o apelo ao voto. São vários anos de engano meu e, mais relevante, de mais umas quantas almas que esperam pelas duas últimas semanas para começar a pedir o voto. Se assim é - e não perdi o tempo que devia a verificar portanto passo a dar como boa a informação do Arrastão - fico duplamente descansado. Porque se está a cumprir a lei, claro, mas, sobretudo, porque o PCP não está a errar, e a infalibilidade do PC em certas matérias parece-me fundamental.
Se algum jurista praticante quiser contribuir, encantado.
(um abraço especial ao Carlos Alberto Amorim, que muito estimamos e em quem depositamos as maiores esperanças para que num futuro próximo seja o representante maior de uma direita liberal, esclarecida e evoluída)
Acabo de ouvir o Dr Fernando Negrão a afirmar no RCP que a EPUL é a empresa abastecedora de água da cidade de Lisboa e que o IPPAR deve ser extinto. Esteve 5 minutos a falar do tema. Foi-lhe perguntado duas vezes se estava, de facto, a falar do IPPAR ao que ele respondeu: “claro que sim”.
O grande jurista do regime tem uma opinião muito definitiva sobre os britânicos (e os polacos e todos os que não gostem do Tratado e de tudo o que seja definido como europeisticamente correcto, presumo eu):
Eu gosto destes desbafos. Como é óbvio, quando os franceses chumbaram o Tratado, ninguém se lembrou de dizer semelhante coisa e, claro, refez-se - ou fez-se que se refez - o Tratado. Portanto, quando é o povo francês, é preciso fingir que se respeita a sua vontade. Mas quando são os britânicos, é mandá-los às malvas, irra com eles que até chateia. Compreende-se. Há qualquer coisa nos britânicos - deve ser a sua costela atlântica, o seu amor pelo comércio livre, a mania da soberania ou simplesmente o facto de estarem sempre mais à direita do que a direita europeia - que os torna insuportáveis. Isso e um piquinho a azedo estalinista explica tanta coisa.
Já agora, quererá o Dr Vital explicar quais são os povos e as posições que se podem defender quando se discutem estas coisas? Um manual para Tratados Europeus facilitaria muito a vida às próximas cimeiras. Por exemplo, quer explicar por que razão os alemães não defendem um lugar para a UE no Conselho de Segurança das Nações Unidas, mas antes a inclusão da Alemanha entre os membros permanentes?
Irra, esta atitude, ou é como nós dizemos ou vão-se embora, até enjoa.
Gosto de Rui Rio, gosto de muita coisa em Rui Rio. Acho-o inteligente, corajoso, atrevido e provocador, qualidades que não sobram na política portuguesa. Mas há uns tiques que irritam.
Esta utilização do site da CMP é absurda. E, pior que isso, é um mau sinal. Rio pode fazer um, dois, mil blogues, sites na internet, escrever livros, dizer o que lhe apetecer quando dá entrevistas, mas isto não.
Há uns seis anos e tal, quando foi eleito pela primeira vez, a Grande Reportagem publicou uma entrevista a Rui Rio feita pelo FJV que tinha como título "este homem vai ter problemas". É verdade. Alguns por culpa própria
Mas vamos aos argumentos. Para o Francisco, a direita (em particular a dele, recordo-o eu, porque o PSD tudo fez para desfazer a coligação) tem culpa no estado a que Lisboa chegou, que será de falência e desorganização da Câmara (o facto de a CML estar endividada desde o mais recôndito dos tempos – nomeadamente dos amigos socialistas - parece que não afecta a questão). E acha que a cidade precisa do dr. Costa porque precisa de um “politico hardcore” e porque o dr. Costa cumpre uns requisitos que o Francisco resolveu alinhavar. A saber: o Dr. Costa – vá-se lá saber porquê - é capaz de “acabar com a bandalheira dos gabinetes e dos departamentos da câmara”. É provável que o Francisco veja nas declarações sobre corrupção do mandatário do candidato do PS uma garantia de no jobismo for the boys. Porquê, é um mistério. Acresce, segundo o Francisco, que o próximo presidente vai ter de governar em coligação e, portanto, tem de ser o líder incontestado dessa coligação. Coisa que o Francisco acha que o dr. Costa é, independentemente de saber – ou sequer perguntar – com quem é que o dr. Costa pensa coligar-se. Com Roseta, Ruben, Sá Fernandes ou Carmona, tanto faz para o Francisco, o importante é que o homem é um líder nato – que , por mero acaso, raríssimas vezes foi líder do que quer que fosse, excepto na sombra. Mas o bom é que vai liderar uma coligação, mesmo que não se saiba com quem. Convém ainda, segundo a listagem do Francisco, que o presidente “tenha a pressão de governar bem, para no futuro poder dar saltos maiores”. Razão pela qual, lá está, o dr. Costa será um excelente candidato: porque tem ambições. Este argumento é forte, quanto mais não seja porque é uma característica muito original entre politicos. A restante rapaziada que ali anda não tem ambições. Por mero acaso eu até imainaria que o facto de ser óbvio que o sonho do dr. Costa é ser outra coisa na vida que não presidente da Câmara o desqualificava como candidato. Pelos vistos é uma virtude. Por último, o melhor argumento de todos: “precisamos de um presidente que tenha boas relações com o Governo, por onde passarão inevitavelmente todas estas questões (ou acham que não?) e, já agora, também o dossier Aeroporto”. O Francisco acha, portanto, que o facto de o candidato do PS ter a mesma opinião que o governo sobre a localização do aeroporto é uma virtude. O facto de isso tornar a discussão do tema inútil e de transformar o próximo presidente da CML num porta-voz dos interesses do governo nessa matério não o impressiona, pelo contrário, assim é que é bom, eles estão de acordo entre eles, eles que se entendam. De resto – parece ser essa a tese – o melhor é eleger autarcas da cor do governo porque “quem está com o governo recebe, quem não está não recebe”, como se dizia há uns anos.
Há mil razões para se apoiar um candidato: porque tem obra feita, porque se gosta do carácter, porque se concorda com o programa, porque os outros todos são tão maus que não sobra outra possibilidade. Nenhuma delas é invocada pelo Francisco que, resumidamente, acha que o dr. Costa tem peso politico e é do governo e que isso o recomenda para presidente da Câmara. Nada que recomende o Francisco como conselheiro eleitoral da direita nestas eleições.
E agora a parte pessoal do post: Queres recomendar um Costa, sugiro o retiro do chefe Costa, que é um restaurante onde se come bem, ali para os lados de Alcântara. Bom para almoços.
O Tiago foi dos primeiros a mostrar o logo dos Jogos Olímpicos de Londres, e agora mostra os logos que perderam. Cada um sabe de si, mas eu acho-os todos muito feios.
Existe uma evidente campanha contra Armando Vara. Periodicamente (Público de hoje) vêm a lume umas rocambolescas histórias deste ilustre bancário (verdadeiro study case: “Como chegar a administrador do maior banco português tendo apenas trabalhado seis meses como caixa numa dependência em Trás-os-Montes e depois de ter estado ausente da actividade bancária durante vários anos…”), político e especialista em prevenção e segurança.
É tempo de parar esta terrível cabala contra este amigo e colega de academia de José Sócrates.
Enquanto metade do País político diz que quer um referendo ao tratado; a outra metade, mais a maioria da jornalistada, está fascinada com o facto de o próximo tratado que "vai governar a União Europeia a partir de Outubro" (dizia há pouco uma ignorante na RTP, sem desconfiar que o tratado só vigorará lá para 2009) ser o tratado de Lisboa. Ah, o Tratado de Lisboa. Agora sim, o mundo vai saber quem somos.
Depois de os holandeses nos terem imposto o bizarro nome de Maastricht, que ninuém sabe como raio se pronuncia, agora era bem mais divertido que se reunissem em Cinfães, Fornos de Algodres ou Cuba. Isso sim, revelava alguma vontade de deixar uma marca no mundo.
Verifiquei, lá mais abaixo, que o nosso Deus confessou ao auditório que “o que mais gostei no poste de Carlos Abreu Amorim sobre o assunto foi vê-lo crítico literário querendo discutir o acervo de Aquilino”.
Literal ou ironicamente, dizer uma coisa destas revela coragem e espírito de sacrifício. Mas, bem vistas as coisas, achar piada a um homem cujo porte lhe permitiu, no passado, apoiar Manuel Monteiro e, agora, afirmar que “a direita conservadora portuguesa é a mais estúpida da Europa”, não deixa de ser muito bem observado.
Thtacher disse um dia que a Europa foi criada pela História e a América pela Filosofia. Correcto. Tão correcto que a decadência da Europa começou precisamente quando a Filosofia, que foi sempre central no Velho Continente, passou a andar mais rápido que a História.
Foi sempre assim. Quando nos conclaves europeus alguém põe o dedo no ar para falar, instala-se a histeria. Parece que é suposto ninguém questionar as decisões que chegam à mesa das negociações já minutadas pelos burocratas sem rosto e sem votos. E quando um país o faz, é logo apoucado como reaccionário, nacionalista e outros anátemas da mesma sorte. Sérgio Sousa Pinto, na SIC-Notícias, acaba de considerar a posição britânica "indecorosa", "cínica" e "terrorista". Antes, na RTP-N, José Lello tinha já dito que a Polónia se estava "a tornar num estado-pária". Se dúvidas houvesse acerca dos métodos e do espírito da "construção europeia", este ressentimento verbal de estilo chiraquiano a que temos vindo a assistir nos últimos dias será definitivamente esclarecedor. Viva a democracia.
Ao contrário do que garante hoje o indispensável "Inimigo Público", nas suas duas páginas centrais, Rodrigo Moita de Deus, colaborador da revista Atlântico, não irá publicar qualquer entrevista a Jacinto Leite Capelo Rego na próxima edição, ainda que escreva sobre outros assuntos marialvas. Não imprimimos a entrevista por ser imprópria para menores de 18 anos e adultos com problemas cardíacos. O que sairá, isso sim, é um artigo muito sério em que José Sócrates é acusado de poder provocar claustrofobia. Política, constitucional e fiscal. O ensaio é escrito pelo social-democrata Paulo C. Rangel, e é mais uma razão, entre muitas, para não perder o próximo número, nas bancas dia 28. Aqui fica a capa:
Não sei se já vos tinha falado do melhor programa da rádio portuguesa.
(em primeiro plano, os autores: à esquerda, de barba, Pedro Adão e Silva; à direita, ostentanto um belíssimo antílope, Nuno Costa Santos. Em segundo plano, temos os restantes elementos originais: de mãos nos bolsos, Eduardo Nogueira Pinto; de bigode, Cristóvão Gomes; de chapéu à Neil Young, Ricardo Esteves Correia. Eu, sempre atrasado para estas obrigações promocionais, estava ainda no quarto com a Penny Lane, ressacado, a cantar "hold me closer, tiny dancer").
Ao fim de algum tempo a unanimidade - mais exactamente o respeitinho - vai desaparecendo. Com a crítica à RTP - e depois de uns meios arrufos com Sócrates - Cavaco começa a ser criticável e criticado. Concorde-se ou não com o que diz o Nuno Saraiva, o facto de o Presidente da República ser discutido e discutível pode ser uma das maiores vantagens da eleição de Cavaco. A dessacralização é virtuosa.
Sobre o episódio RTP a minha solidariedade vai toda para os anunciantes.
Entretanto, em Belém não devem ter achado graça nenhuma.
A avaliar pela comunicação social, a única coisa que está em causa na negociação do novo tratado europeu é saber se Portugal ficará ou não para a História como o país que presidia à União no momento em que o acordo foi alcançado. O conteúdo da coisa e qual a posição portuguesa sobre ele parece interessar quase nada. A malta quer é resultados depressa - sejam eles quais forem. Não resistimos ao patrioteirismo mais parolo mesmo quando apregoamos o europeísmo mais acrítico. Paradoxos da nossa circunstância.
Espantei-me que ninguém ainda tivesse usado esta campanha autárquica para falar das próximas eleições regionais nos Açores. Olhando para a lista de candidatos percebi porquê.
Joe Berardo acaba de dizer na Sic-Notícias que está satisfeito com a gestão de Luis Filipe Vieira. É compreensível. Eu, se quisesse comprar acções do Benfica - e partindo do princípio que a sanidade ainda me permitia querer comprá-las ao preço mais baixo possível -, também estaria felicíssimo com o trabalho do homem.
Denoto no tom de V. Exa. o desiderato de dizer coisas sérias a bricar, de elaborar uma piada de fundo carregado e crítico. Mas quando, recorrendo a esse tom, pede ao Dr. Telmo Correia para limpar o "'morte aos pretos' que uma besta qualquer" grafitou na parede do prédio de V. Exa. quer dizer concretamente o quê? Que jamais o Dr. Telmo Correia limparia a dita frase, porventura por com ela concordar? Ou trata-se apenas de um diletantismo infeliz e desapropriado de V. Exa.? E, já agora, por que razão a pessoa que escreveu "Portas isto" e "Portas aquilo" o fez candidamente "como testemunho do consulado ministerial" do insultado, e não também por ser, simplesmente, "uma besta qualquer"? Veja lá, que se calhar estamos a falar da mesma "besta". Desde já agradecido.
A edição do mês passado da revista Homem trazia em grande destaque a entrevista de Paulo Portas celebrando o seu regresso à liderança do CDS (aka PP, aka CDS/PP). Entre as habituais fotografias de género, a tradicional pose de biblioteca. O estado da arte: Portas de livro aberto (terá certamente sido interrompido a meio da leitura) rodeado de farta biblioteca.
Com a curiosidade de um transeunte do outro lado de um acidente, atirei-me à dita fotografia de lupa na mão. Um homem é os seus livros e foi nas prateleiras que procurei conhecer melhor a natureza do homem e do político.
Em cima à esquerda, Portas, o conservador. Biografias e mais biografias. Os clássicos da última metade do século passado. Um De Gaulle, um Franco, um Nixon… Apesar dos esforços nesse sentido não encontrei nem uma biografia de Churchill. Calculo que a tenha emprestado a Telmo Correia. Também atrás, e logo na fileira do generalíssimo, Portas, o democrata cristão. Literatura variada sobre variadíssimos Santos, Santas, Beatos e Papas. Entre a pia colecção saltava aos olhos o volume sobre doutrina social da Igreja. Desejos de reconciliação dentro do partido ou só para irritar o Ribeiro e Castro?
Seja como for, a verdade é que Portas, o conservador, e Portas, o democrata cristão, há muito que estão arrumados na estante. Em cima da mesa quem manda é o Portas, moderno. Coroando uma pilha de revistas a edição do mês da Walpapper. Um pouco mais à frente, entre documentos de trabalho, a Houses&Gardens (prima chique da Casa&Jardim).
Pois foi exactamente enquanto me debruçava sobre a House&Gardens que reparei no pormenor mais delicioso da fotografia. Os livros em cima da mesa, não estão virados para quem ali se senta, mas estão virados para a máquina fotográfica. A mesa foi produzida para o momento kodak do líder do CDS. Os livros e as revistas arranjadas e provavelmente escolhidas a dedo de acordo com o público e a ocasião. Nada disto é estranho. O que é surpreendente é a falta de pudor.
Prática do aborto isenta do pagamento de taxas moderadoras
Todas as mulheres que decidam interromper voluntariamente a gravidez estarão isentas de taxas moderadoras no Serviço Nacinal de Saúde, tal como qualquer outra grávida (Publico)
Eu, aliás, não percebo a razão pela qual não se atribui um subsídio às mulheres por cada aborto realizado.
«O projecto do aeroporto da Ota é apontado como um "risco considerável" para os potenciais investidores privados, numa análise sobre o futuro do sector e a sua relação com as companhias de baixo custo realizada em Março deste ano por um docente e investigador do MIT (Massachussets Institute of Technology), Richard de Neufville, para um jornal da especialidade.
"As receitas futuras de um investimento num grande aeroporto são imprevisíveis", alerta o especialista, que indica ainda que "o potencial para aeroportos secundários sub-utilizados em Portugal pode ter um crescimento interessante", devido às necessidades das "low cost".
Num artigo científico sobre a mudança de paradigma dos sistemas aeroportuários, divulgado pelo blogue norteamos.blogspot.com, o responsável do MIT chama a atenção para a "incerteza considerável" quanto ao futuro do tráfego aéreo de passageiros em Portugal e recomenda que a estratégia de desenvolvimento do futuro aeroporto inclua duas medidas.
Primeiro, "o adiamento de investimentos até que a respectiva necessidade seja totalmente demonstrada", como a construção de apenas uma pista no aeroporto a inaugurar, deixando a segunda pista para quando o tráfego na área esteja "totalmente justificado". Segundo, "fazer investimentos que permitam o desenvolvimento de diferentes tipos de tráfego", oferecendo infra-estruturas dedicadas ao segmento de baixo custo.
Em causa está a necessidade de investir numa estratégia "flexível" de desenvolvimento do aeroporto — uma das fraquezas apontadas pelos críticos ao modelo da Ota —, de forma a que os recursos financeiros "não sejam comprometidos prematuramente em infra-estruturas que serão inapropriadas para as futuras necessidades de transporte aéreo".
O PS faria seguramente melhor figura se, ao contrário da estratégia demonstrada ontem, evitasse colocar o lamentável e desaparecido presidente da Concelhia de Lisboa na frente desta batalha, desmerecendo-a como um mero aproveitamento político a propósito das eleições intercalares. Como se pode ver pela torrente noticiosa dos últimos dias e pelo desvendar ostensivo de todas as mentiras e ligeireza com que o governo embrulhou a questão do novo aeroporto, o problema vai muito além da pequena política eleitoral. E o cerco a Sócrates e a Lino começa a ser insuportável. Esperemos que pelo menos o receio das consequências que lhes possam advir nessa pequena política os faça repensar os seus juízos acerca dos interesses de que se faz a grande política.
Portugal só é mesmo suportável com ironia. Admiramos os outros países à distância, invejamos-lhes a sorte e o engenho, tentamos-lhes emular os modelos, mas quando deles nos aproximamos, quando somos bafejados por uma primavera moderada e um estio nórdico, quando Lisboa parece Copenhaga, o Porto a Cornualha e Viseu um verdejante e ameno vale irlandês, não temos outra cordialidade que não a de verberar esse vislumbre de civilização com o desdém dos mal-agradecidos.
Summer in winter Winter in springtime You heard the birds sing Everything will be fine
I spent the summer wasting The time was passed so easily But if the summer's wasted How come that I could feel so free I spent the summer wasting The sky was blue beyond compare A photograph of myself Is all I have to show for
Seven weeks of river walkways Seven weeks of staying up all night
I spent the summer wasting The time was passed so pleasantly Say cheerio to books now The only things I'll read are faces 1 spent the summer wasting Under a canopy of
Seven weeks of reading papers Seven weeks of river walkways Seven weeks of feeling guilty Seven weeks of staying up all night
Summer in winter Winter is springtime You heard the bird say Everything will be fine
Há anos que os candidatos à Câmara Municipal de Lisboa falam de revitalizar a Baixa. A FNAC no Chiado, e a Sportzone, os cafés, os hotéis com bares abertos ao público, as lojas abertas ao fim-de-semana, fizeram mais por isso do que qualquer vereador ou presidente da Junta. O mais difícil é conseguir que as Câmaras deixem a cidade viver, com regras, alguma estratégia e sem fazerem disparates. Possibilidade que não resulta nada excluída depois das declarações da maioria dos participantes no debate de ontem.
Não me revendo especialmente em nenhum dos candidatos que a direita apresenta, assisti a este debate com espírito suficientemente aberto para me deixar convencer (agora e na campanha) por qualquer um dos que, dessa facção ideológica, estavam presentes na SIC notícias.
Não tinha expectativas no que a Negrão e Telmo diga respeito — embora tenha ficado mais bem impressionada com o segundo — mas de Carmona, tendo em conta a trapalhada do final do mandato, esperava o pior.
O facto é que, de tudo o que vi, não achei que Carmona estivesse mal preparado, acho que se defendeu competentemente e mostrou conhecer os dossiers (se os foi estudar agora, ou se alguém o preparou, o facto é que sabia do que estava a falar que é mais do que Negrão pode dizer).
Como disse já, não me parece que tenha sido brilhante — razão pela qual continuo a afirmar que ainda não sei em quem votar— mas acho cumpriu mínimos. Apenas isso.
O Sporting e Derlei têm um acordo para um contrato válido por duas temporadas (Record)
O muito que me afasta da lagartagem não me leva a desejar-lhes uma coisa destas. Daqui apresento os meus mais profundos sentimentos, desejando que não passe de pura especulação jornalística.
O líder do bloco de esquerda lembra com autoridade os exemplos do Milão e do Chelsea. De facto esta OPA é má para o clube porque o Benfica pode ficar igual ao milionário Chelsea e ao campeão europeu Milão. Que benfiquista pode desejar isso?