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Eu gosto de Diana Spencer, de Diana de Gales, da Princesa e da (semi-)plebeia, do Al-Fayed proprietário pai, do Al-Fayed playboy filho, do iate da família, de St. Tropez, do Harrods, de Kensington Gardens, da Rainha, do Príncipe, dos Principezinhos, da futura Princesa, da madrasta (uma coisa não impede as outras) e, sobretudo, daquele semblante que muito me espanta os meus amigos aqui da casa asceticamente ignorem. Como se a comprovada impossibilidade de a senhora - na alegria ou na tristeza, na euforia ou no enfado - resultar menos que gloriosa em qualquer fotografia ou filmagem não fosse a demonstração de que beneficiava da predilecção divina. Aliás, foi uma pena que não tivesse sobrevivido mais tempo à década trágica do corte de cabelo feminino (1985-1995).
O cristianismo resolveu o problema da igualdade dos homens há dois mil anos atrás. E com admirável pragmatismo. Deus é pai. Nós somos filhos. Os homens são irmãos numa família grande. Esta simples equação dissolve todas as dúvidas que podíamos ter. Porquê? Porque a família não se escolhe e por isso a família entristece-nos mas temos que amar os irmãos. Por muito estúpidos que sejam.
Quando 1800 anos depois Karl Marx tirou Cristo da equação deixou novamente o problema da igualdade por resolver. Seguindo a cartilha, todo o revolucionário acredita na igualdade das criaturas humanas. Essa é a premissa de todas as outras crenças. Essa também é a premissa que justifica a própria revolução. As dificuldades começam com a extraordinária descoberta de que os homens, afinal, não são todos iguais. Há uns mais estúpidos que outros. Sem Cristo, sem família, o revolucionário desilude-se com a natureza humana. Desilude-se com os homens.
Incompreendido pelas massas, sem talento para as conduzir, incapaz de encontrar conforto nos braços de um igual, o revolucionário tem ainda e sempre a necessidade de elevar-se sobre o anonimato. A única forma de o fazer é através da intelectualidade. O intelectual é
Todos os intelectuais são revolucionários desiludidos com a natureza humana.
Alguns anos mais tarde, Lenine tentou tapar o buraco deixado por Marx, ao mesmo tempo que dava utilidade a esta gente com dificuldades de ego. Criou as castas musculares. Aquelas castas que deveriam suprimir as classes sociais. Para a revolução, uns contribuíam com os músculos dos braços, outros com os músculos do cérebro.
Este princípio, tão simples, tinha ainda a vantagem de justificar aos campesinos e aos proletários a razão pela qual sustentavam com o seu trabalho alguém que não produzia a sua própria comida.
A intelectualidade, os intelectuais enquanto casta como hoje os conhecemos, são o resultado da primeira tentativa bem sucedida de estratificação social com base em critérios puramente eugenicos: o socialismo.
Por isso, Tiago, não foi por falta de honra, respeito ou tomates que não “cospi” na cova de Prado Coelho. Quando centenas de “intelectuais” o entronizaram como “o grande intelectual” achei desnecessário insultá-lo ainda mais.

Ao saber que o Gualter Baptista iria apresentar uma comunicação sobre OGMs na Universidade de Verão do Bloco de Esquerda considerei seriamente a hipótese de me inscrever. Mas, a avaliar pelo programa final da coisa, parece que ele afinal foi subitamente desconvocado.
Uma pena, digo eu.
Adenda: Acusaram-nos já há um par de dias de nos termos esquecido de avisar que o Gualter iria participar na Universidade de Verão do Bloco. Nós não nos esquecemos de avisar, o Bloco é que se esqueceu de o convidar.
O momento televisivo mais esperado do ano. Isso mesmo. A Entrevista de Gualter. Entrevista com letra grande.

Neste mês de estio, aconteceu eu escrever mais posts que o normal. Aliás, provavelmente, mais que durante os sete meses antecedentes. Mais surpreendente ainda, foi que aconteceu o Carlos do Carmo Carapinha escrever vários posts também.
Se o Jacinto, o Fernando e o Vítor tivessem escrito, o 31 teria parecido outro blogue, tal a novidade.
Na teoria do Henrique, os blogues - como o poder - têm o horror ao vazio. Assim, quando uns vão de férias, outros voltam para dar uso à casa.
Queria só agradecer ao Rodrigo, que teve a temeridade de me pedir para escrever mais. Ou seja, fazer mais que só os posts com fotografias. E, claro, agradecer aos comentadores que não dormiram em serviço: a Isa, o António Almeida e o Anónimo.
Assim, nas palavras imortais de Dino Meira:
Meu querido mês de Agosto
Por ti levo o ano inteiro a sonhar
Trago sorrisos no rosto
Meu querido mês de Agosto
Porque sei que vou voltar
Loin des sépultures célèbres,
Vers un cimetière isolé,
Mon coeur, comme un tambour voilé,
Va battant des marches funèbres.

(sim, porque houve mais quem morresse a 31 de Agosto. E porque estamos fartos de perlongadas efemérides de quem não era nem princesa nem do povo)
Menezes quer que o PSD retome a liderança da “bandeira ambiental” (Publico)
A irritação é estúpida, mas a verdade é que mais desconcertante que o limite de velocidade de 50 Km/h no túnel do Marquês só mesmo os domingueiros que insistem em ocupar as 2 faixas de rodagem à velocidade de 30 Km/h. Fico sempre na dúvida se se trata de um acto puramente altruísta, visando evitar que nós, os potenciais infractores, sejamos multados, ou, se pelo contrário, pretende impedir que outros façam aquilo que eles gostariam de fazer mas não têm coragem para tal.
Via blasfémias, descobrimos que o Gualter, a mais recente estrela do espectro político nacional, tem um blogue. Obrigado, Gualter.
Seguindo o Jornal de Notícias, “As ameaças ao actual regime democrático de Portugal serão um dos temas em foco no ciclo de debates da Festa do Avante“. Espera-se uma frutosa troca de “experiências democráticas” com os representantes do Vietname, Coreia do Norte, China, Cuba e de outras organizações que, estando na oposição (ou clandestinidade), ainda não tiveram a oportunidade de por em prática a sua curiosa versão da Democracia.

Krall

Ross

Chaves
O André Abrantes Amaral responde ao post do Rui Albuquerque que linkei algures lá em baixo, dizendo que "há conservadores e conservadores" e que "[o] conservadorismo anglo-saxónico, apostou nas pessoas, acreditou que cada ser humano tem algo de muito específico para dar. Que cada um é um mundo a ser descoberto e que a ninguém deve ser imposto um ponto de vista. Estes conservadores não têm saudades do passado, mas também não anseiam pelo futuro. Vivem o presente, porque é esse o único tempo que existe".
Tenho dois comentários:
Primeiro, o post do André é um recorrente "déja-vu" da blogosfera política "de direita" portuguesa, muito por culpa do próprio André mas, essencialmente, do Carlos Abreu Amorim. Basicamente, em Portugal, só existe um liberal, verdadeiramente testado e certificado na sua pureza: o André ou o Carlos - consoante, claro, qual deles esteja a escrever. Fazem lembrar o "Daffyd, The Only Gay in the Village", a brilhante personagem da série "Little Britain". Pode-lhes uma qualquer turba invadir a casa, citando de cor o Hayek e arrastando pelos pés o Ministro das Finanças, que eles ainda assim apregoarão serem o único liberal da aldeia.
Quanto ao resto, é curioso que a tese do André não vingue com o argumento com que a resolveu ilustrar. Há seguramente conservadorismos e conservadorismos. Mas também é verdade que há conservadorismos ingleses e conservadorismos ingleses. O conservadorismo "friedmaniano" e "hayekiano" de Thatcher (com desculpas pelo eventual insulto ao Prof. Friedrich) não é, sequer, de longe, a principal ou maioritária corrente do conservadorismo inglês. Em larga medida, o Thatcherismo foi um parêntesis na tradição conservadora dos Tories. Eu, pelas razões impecavelmente resumidas pelo Rui Albuquerque, acho que não existe grande divergência entre o conservadorismo tradicional que é a chave da minha "disposição" intelectual, cioso do individualismo, da privacidade e da ordem espontânea, e o liberalismo do André. O Enoch Powell explica. Acho até que, em Portugal, com os problemas que hoje o país enfrenta, o conservadorismo só faz sentido com essa inclinação liberal. Mas isso não impede que a tradição conservadora inglesa seja, essencialmente (mesmo agora com Cameron), uma tradição aristocrática - a qual, se é pelas instituições tácitas e pelo indivíduo, é também assistencialista e nostálgica. Scruton e Kekes explicam.

Uma "efeméride" que dura uma semana.
“De facto, não tive qualquer conhecimento, nem evidentemente qualquer intervenção neste caso”. O Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, numa carta a Hans Gert Poettering sobre o caso Somague.

"Hollande a "foutu un bordel noir" au PS"
Em entrevista ao Diário Económico José Miguel Júdice explica que a coordenação da reabilitação da frente Tejo é “um cargo técnico e não um cargo político”. Se Júdice tem razão, para que raio convidaram um político para o lugar de um técnico?

(não se importam, pois não? é que este mês houve elton johns a mais..)
Fiel ou infiel com Fernando Santos (clique na imagem para aumentar)
uma ideia do Mundo aos Quadrados
não fingi que não aconteceu. Nestes momentos fala-se sobre

Pois é, Francisco, o Daniel parece viver atormentado pela imagem do cerco à Assembleia Constituinte: não sabe se estaria dentro ou fora.
Bem, Daniel, respondo como o Rodrigo Amarante ao jornalista preguiçoso no final do vídeo postado no Arrastão: "você leu pouco. Desculpa a sinceridade".
Vamos por partes:
Quanto ao apoio do PS e de Mário Soares ao buzinão, valem todas as palavras que dediquei ao Bloco.
Quanto ao Ghandi e ao Martin Luther King, o Daniel parece não se ter percebido que, quanto à promoção da desobediência civil pelo Bloco de Esquerda, eu a critiquei no quadro de um "Estado de Direito democrático em que não subsistem na lei quaisquer soluções inaceitáveis do ponto de vista das liberdades individuais, dos direitos civis e da igualdade de estatuto ou de oportunidades entre pessoas de sexo, ideologia, religião, cor ou etnia diferentes", e em cuja assembleia legislativa o partido que a promove está representado. Parece-me óbvio do texto do meu último post que tenho simpatia pelas acções de King e de Ghandi (assim como pelas de Rosa Parks e Thoreau, que referi), e que, em princípio, as aprovo moral e politicamente. O problema é que o Daniel e o Bloco, quando querem recolher argumentos factuais e históricos susceptíveis de inclinar o sentido do debate em favor da aceitação da desobediência civil, apenas o conseguem em contextos que nada têm a ver com o Portugal de hoje, e muito menos com o de um partido parlamentar num regime baseado num sistema legal de direitos, liberdades e garantias.
Quanto ao jornalista do New York Times (com cuja causa e acção tenho igualmente simpatia), não me parece que ele seja um partido com assento parlamentar, com as responsabilidades do Bloco na produção legislativa. Será que o Daniel não percebe que a Democracia, para além de evitar o poder abusivo de um (ou de poucos) sobre muitos, serve também para evitar a necessidade da acção directa (assim como a justiça dos Tribunais serve para impedir a justiça privada)?
Percebo que o Bloco aprecie acções que coloquem em causa leis de que discorda. Mas, a partir do momento em que aceitou o jogo democrático, a partir do momento em que aceitou concorrer a eleições livres e em que foi eleito para a AR (e mesmo que não o tivesse sido: o jogo é o mesmo, o regime é só um), não pode defender a desobediência civil. Senão, onde é que se traça a fronteira? Quais as leis suficientemente injustas para que seja aceitável o seu não cumprimento como meio de protesto? Quais os requisitos? Faz-se uma lei? Pois, mas aí a desobediência civil deixa de ser desobediência civil. A não ser que estabeleçamos como critério que todas as leis injustas podem ser violadas em protesto, independentemente do seu grau de injustiça. Já reparou o Daniel como seria a vida se o Bloco, o CDS, o PSD, o PS e a CDU (e todos os demais partidos - repito: o regime é só um) resolvessem agora promover o desrespeito por todas as leis que consideram injustas? Complicado, certo? A não ser que o critério do Daniel seja o de que apenas podem ser violadas as leis que o Bloco julgue injustas - no que a desobediência civil seria, talvez, a revolução continuada por outros meios.
Daniel, isto da democracia burguesa é uma chatice. Mas já não há maneira de ressuscitar a revolução. Ao defender, hoje e aqui, a coexistência da acção directa com o processo político representativo, é o Bloco que acredita na "democracia intermitente".

O Gualter é um rapaz muito tímido e vai daí resolveu condicionar o acesso à sua página no Hi5. Ciosos que somos da sua carreira, e porque entendemos que se trata de verdadeiro serviço público, descobrimos a versão do google em cache da famigerada página, a qual, no entanto, tem a particularidade de ter ainda um texto mais antigo na rubrica "who i'd like to meet" que reza assim:
"Miss Portugal 1998, Cavaco Silva (para alisar as palmas das mãos), o Matoso (já ouvi falar dele) e os gambuzinos. Activistas para partir esta merda toda como deve ser!"
Para quem tiver curiosidade, sugiro que sigam este link. Se preferirem o texto com dedicatória simpática aos jornalistas, vejam também este.
Procuram-se controladores aéreos que saibam coordenar voos de avião com deslocações a bordo de nuvens
Who I'd Like To Meet
Jornalistas medíocres que gostam de cuscovilhar as minhas brincadeiras com amigos do Hi5 para tentarem dar uma má imagem ao porta-voz de um movimento pacífico de desobediência civil...
Envie um Hi5 ao Gualter.


Ontem ensinaram-me que, ao contrário do que parece, a Floribella e a Chiquitita são duas coisas diferentes. Pareceu-me importante partilhar isto convosco.

No princípio da minha rua alguém pintou um graffiti: "zona anti-fascista". Calculo que se tenham enganado na zona.
Porque sou liberal e conservador. (por Rui Albuquerque)
«O objectivo [de quem liga o Bloco ao Verde Eufémia] é transportar, no imaginário das pessoas, o Bloco para fora da lei e da democracia.»
Engana-se, o Daniel. Quem se transportou para fora da lei e da democracia foi o próprio Bloco.
Deixemos de lado a "simpatia" que Miguel Portas afirmou nutrir pelos jovens vândalos de Silves, a tendência de Louçã para desviar o discurso e a relutância do Daniel Oliveira em dizer que aquele crime foi mais do que meramente "uma acção idiota".
Concentremo-nos na desobediência civil - o conceito que o Bloco veio alegremente promover e que, ciclicamente, ensina à criançada nos seus acampamentos de Verão. A desobediência civil traduz-se em actos que violam uma lei vigente em protesto contra a sua intrínseca injustiça. Os dois casos mais famosos (e que mais frequentemente aparecem na discussão do tema, também agora a propósito do Verde Eufémia) são o de Henry David Thoreau - o escritor que se recusou a pagar impostos em protesto contra o esclavagismo legalmente aceite nos Estados Unidos - e o de Rosa Parks - a costureira negra norte-americana que se recusou a ceder o seu lugar num autocarro na América dos tempos em que a segregação racial era também lei.
Num Estado de Direito democrático em que não subsistem na lei quaisquer soluções inaceitáveis do ponto de vista das liberdades individuais, dos direitos civis e da igualdade de estatuto ou de oportunidades entre pessoas de sexo, ideologia, religião, cor ou etnia diferentes, a desobediência civil não faz sentido. Podem certamente verificar-se situações (pontuais ou reiteradas) de discriminação. Mas como essas situações serão ilegais, a desobediência civil é impossível.
Promovê-la nestas circunstâncias é uma perda de tempo. A não ser que estejamos a falar de um partido com representação parlamentar, caso em que a coisa é verdadeiramente grave. Um partido com assento numa assembleia legislativa não pode defender a desobediência civil. O seu desacordo com determinada lei deve ser manifestado precisamente nessa assembleia (na qual exerce um mandato de representação do povo), aí argumentando e propondo a sua revogação.
Ao promover a desobediência civil (ao defender como acções legítimas, por exemplo, o buzinão da Ponte 25 de Abril ou o boicote às propinas), o Bloco está, de facto, a transportar-se "para fora da lei e da democracia".
Pelo que cabe perguntar: se o Bloco não quer fazer uso do voto, para quê votar no Bloco?
Gualter. Imperdível.
Acho que aquele imprevidente ali à frente, nas imediações do mosh, de braços em Y e indicadores em riste, sou eu.
Nicolas Sarkozy gave warning yesterday that unless the West redoubled its efforts to curb Teheran's nuclear ambitions it could lead to "an Iranian bomb or the bombing of Iran".
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The French president, in his first major speech on foreign policy, made it clear he intends to apply the same energetic approach to French diplomacy as he has to domestic policy since taking office in May.
From the Middle East to relations with Russia, the president promised a break with France's traditional Gaullist position of "splendid isolation", particularly towards the United States.
Speaking to 180 French ambassadors, Mr Sarkozy said a nuclear-armed Iran would be "unacceptable" and that the only response was to tighten sanctions while being open to talks if Iran suspended nuclear activities.
(...)

A Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa foi hoje sobressaltada pelo alarme de incêndio. Diz quem viu (e ouviu) que, para além do barulho enervante da geringonça, havia grossa fumarada no ar. Mas ninguém se preocupou muito com isso porque o dito fumo cheirava a churrasco: estavam a grelhar febras no bar.
Esta mistura entre as letras e a comida nem sequer é nova. A mesma fonte revela que há salas da faculdade onde cheira regularmente a refogado ou a peixe frito, entre outras iguarias da cozinha tradicional portuguesa. O Anfiteatro 2 não escapa à fama de levar a dianteira no que toca a odores deste tipo. Um sítio apetecível.
Por ali é preciso fazer muito pouco para que as aulas sejam um enjoo.
Gualter é contra a manipulação genética dos alimentos. Os Amish também.
Gualter é contra a introdução de pesticidas e outros químicos de controlo de pragas. Os Amish também.
Gualter é contra a introdução de instrumentos mecânicos que emitam CO2. Os Amish também.
Gualter é a favor de uma agricultura tradicional e biológica. Os amish também.
Os Amish não tentam converter o vizinho. O Gualter é evangélico.

Enquanto que.
O Daniel Oliveira, sempre o defensor dos fracos e oprimidos, veio mostrar indignação pelo tratamento que Mário Crespo infligiu ao pobrezinho do Gualter.
Dois excertos:
"Entrevistas duras, em que se fazem perguntas difíceis, é uma coisa. Para essas deve o entrevistado esta preparado quando aceita uma entrevista. Se não está, estivesse. Transformar um entrevistado (ainda mais um entrevistado inexperiente) no palhaço de serviço (por mais que ele se preste ao papel) para um espectáculo televisivo (ou um show, como com satisfação lhe chamou o Gabriel do Blasfémias), é mau jornalismo.
(...)
Já agora, faço o exercício de imaginar Mário Crespo a entrevistar nestes termos o Presidente do Conselho de Administração da Somague para falar sobre o financiamento ao PSD. Impossível, não é? É mais fácil brilhar com os gualteres desta vida."
Talvez o Daniel esteja certo quanto à improbabilidade de Mário Crespo entrevistar com aquela dureza o Presidente da Somague. Mas o resto da tese cai por terra quando no mesmo saco se colocam o Gualter e Louçã. Louçã, apesar de fugidio e levemente cínico, mostrou que tem, de facto, uma capacidade argumentativa, uma preparação intelectual, uma rapidez de raciocínio e de organização de ideias muito superior à média. Já o Gualter, conforme o tom frustrado do Daniel confirma, foi, muito pelo contrário, uma nulidade de estímulo e de inteligência. Foi confuso, contraditório, completamente desconhecedor da conformação política de um Estado de Direito e debitou inanidades à velocidade da luz (por exemplo, de novo, a comparação do seu "mandato" com a da ASAE, a das caras tapadas "por motivos estéticos" ou ainda aquela de, após lhe terem mostrado as imagens de uma agressão de um verdeufémio ao agricultor invadido, não saber se se tratava de uma efectiva agressão ou de um mero "levantar de perna" - um espasmo ou um tique nervoso, presumo eu).
O pior, contudo - julgo que também e principalmente para os seus apoiantes e simpatizantes - é que foi esquivo, negacionista, chegando mesmo a querer fazer parecer que não tinha nada a ver com os acontecimentos de Silves, quase numa daquelas operações de comunicação de controlo de efeitos que as grandes empresas (burguesas) levam a cabo quando algo corre mal. Pudémos ver o seu resplandecente sorriso. Mas, no fundo, estava ali intelectualmente de cara tapada. E se alguma coisa me entristece, são estes revolucionários sem tomates.
Por isso, ou o Daniel acha que Francisco Louçã é um dos "gualteres desta vida" e se saíu tão mal quanto o "gualter" Gualter na entrevista da Sic-Notícias, ou então a prestação de Louçã prova que há espaço no jornalismo para as entrevistas de Mário Crespo. Ser ou não ser "o palhaço de serviço" depende apenas do entrevistado.

O pior é ler e ouvir a expressão "princesa do povo" repetida vezes sem conta em elogios imensos. A senhora não gostava de povo e viu-se que não era princesa .


Gualter e Gualter

na compra de um paraguaio receba dois uruguaios totalmente gratuitos.
Sempre na senda das tradições a SIC descobriu o "banho santo" em São Bartolomeu. Parece que a tradição, desta vez, existe mesmo. Apesar de secular, santa e tal agora a coisa é paga. As pessoas dão 5 euros para ver alguém vestido de amarelo dar amonas aos filhos. Explicam os utentes que o hábito serve para as crianças perderem o medo. Repito: as amonas de um estranho servem para as crianças perderem o medo. Se cada um tem o que merece, 5 euros parece-me muito razoável.
Um tipo às vezes ilude-se. Pensa que, apesar de errados e alheios à realidade, estes românticos radicais (reaccionários ou revolucionários) são, ainda assim, inteligências raras e estimulantes, que devem ser escutadas, quanto mais não seja por puro nefelibatismo intelectual. Mas depois apanha-se com este Gualter Baptista, o verdeufémio hoje entrevistado por Mário Crespo, e afinal o que parece é. Aquela de comparar (melhor: de equiparar) o seu "mandato" (!?) de desobediência civil ao da ASAE, é uma patetice de antologia. A ASAE é uma entidade criada por lei que, na estrita medida das suas competências e objectivos, restringe a propriedade privada em cumprimento, precisamente, da lei. A desobediência civil, pelo contrário e por definição, envolve a violação da lei (alegadamente injusta). Para um candidato a PhD, esta confusão conceptual não é a melhor carta de recomendação.

Acabo de ouvir um jovemSD dizer que está na Universidade de Verão do PSD porque pretende "implementar uma forma de estar na vida que a política nos pode trazer".
Talvez o Rodrigo lhe possa dar uma palavrinha especial quando explicar o que é "Falar Claro".
