Acabo de receber uma mensagem de um amigo que, numa viagem de um mês e meio, atravessa a África de Cape Town ao Cairo. Diz-me que conheceu hoje os companheiros de viagem para as próximas semanas. Sessenta e quatro pessoas. O mais novo tem 58 anos!
Nas palavras que Damon Albarn dedicou ao Francisco, destacou as inúmeras qualidades deste ilustre advogado democrata-cristão-liberal-conservador facção brit-pop noivo da mesma mulher vai para 63 anos, andrade, beirão ariano e capilarmente dotado, sobretudo nas costas.
(grande abraço Francisco)
Cenário: Falava-se de animais de estimação: cães, gatos, coelhos, pássaros… Sai-se o Simão com esta:
Acção: – Tenho um amigo que tem um Piri-Piri. – Um QUÊ???
Gargalhada geral. – Um piriquito, queres tu dizer!
E ele orgulhoso, sem dar o braço a torcer: – Não, não, é mesmo um Piri-Piri. É uma ave exótica.
Gosto muito quando os políticos europeus criticam os Estados Unidos por se recusarem a dialogar com certos regimes, invocando que é necessáiro dialogar com o Poder vigente, mesmo não o apreciando. Portanto, dialogar com Musharraf e não o querer derrubar é mau, é um apoio inaceitável ao regime do Paquistão (eu, por acaso acho que sim, que mais vale falar com os militares, como sugere a Economist); já falar com os tarados de Teerão, é correcto e revela multilateralismo porque simultaneamente se diz: queremos eleições mesmo livres, ouviram?, ai ai.
Falar multilateralmente com facínoras não é a mesma coisa que apoiar facínoras, presume-se. Excepto, evidentemente, quanto aos resultados.
Sócrates avisa que poderão haver mais alguns "pequenos ajustamentos" ao nível de secretários de Estado.
Neste Processo de Remodelação Em Curso, gostaríamos de saber se os secretários de estado da agricultura - cujas delegações de poderes foram retiradas em março passado - e que estão, de facto, colocados no quadro de mobilidade do ministério da agricultura, vão ver o seu papel definido. Nem que sejam reintegrados como secretários de estado pelo tribunal.
Já li cinco ou seis posts a dizer que a ida de JA Pinto Ribeiro para o Palácio da Ajuda é uma forma de manter o Grâ-Cruz Berardo calmo.
Erro.
Depois de Nuno Artur Silva não ter sido nomeado - como foi afirmado - director de programas da RTP, Sócrates decidiu compensar as Produções Fictícias com um cargo governamental, no palácio da Ajuda, para um dos seus sócios.
É que Sócrates sabe bem quem é que realmente tem poder, além de mera atenção mediática, em Portugal.
A discutir a campanha eleitoral americana, dei por mim a dizer que votar Obama é um tiro no escuro. Responderam-me que não pode ser. Não pode? Não deve. Não devo dizer isso, soa mal. E também não devo dizer que é um cheque em branco. Gaita para os preconceitos dos outros.
Lembram-se do “Monstro”? Esse mesmo, o que durante anos nos ameaçou com a assinatura mensal! Ao que parece, um dos seus filhos sofreu uma mutação: passou de “Monstro” a “Zon(bi)”.
Existe a forte possibilidade da secretária de José Sócrates se ter enganado na chamada. Em vez do António Pinto Ribeiro da CulturGest ligou ao José António Pinto Ribeiro advogado. O José António deve ter ficado surpreendido, mas queria ser ministro. O António deve ter ficado a pensar que, desta vez, foi por pouco.
A Lusa debita declarações e comentários sobre a remodelação.
Um dos primeiros é de Carlos Fragateiro que hoje "manifestou hoje total solidariedade com o novo ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, sublinhando que é um homem de "visões largas"."
Carlos Fragateiro. Lembram-se? Cuja nomeação - por Pires de Lima -para director do Teatro Nacional D. Maria II - substituindo António Lagarto tantas vigílias e dores de cabeça deu à Ministra. Está solidário, pois.
PS- Ainda disse que o novo Ministro "frequenta as coisas da Cultura". As "coisas". Bonito, não é?
Finalmente percebi a diferença que sempre tinha intuído entre desportos de grupo e desportos colectivos. O andebol é um desporto colectivo. Faz-se em grupo, tem de estar tudo a jogar para o mesmo lado e tem de se estar em sintonia. A corrida pode fazer-se em grupo, mas não precisa de ser colectiva. Mesmo que se vá correr com um grupo de amigos, corre cada um na sua pista. O mesmo vale para o futebol e o surf, o Rugby e a Fórmula Um, o pólo e o jogo da malha. Um blog também pode ser uma coisa ou outra. A esquerda costuma ter blogs colectivos, a direita (pelo menos a de que gosto) calha mais ter blogs em grupo. Cada um corre a pista que quer, desde que não pise muitas vezes o gajo do lado.
... que Pinto Ribeiro é Ministro da Cultura, e depois da frente ribeirinha de Lisboa ter sido entregue a JM Júdice, quem disse que o Governo não pode estar entregue a "grandes escritórios de advogados"?
Os agentes culturais vão estar contentes, dirão mesmo que o seu abaixo-assinado demitiu uma Ministra. Já não querem académicos, intelectuais ou criadores na Ajuda. Querem alguém que resolva os seus problemas, que saiba negociar com os mecenas, que decida o regime de apoios pontuais e continuados, que não permita que a Dança acabe em 2009, que organize as delegações do MC, que resolva - duma vez por todas e sem mais demoras - o estatuto do artista.
Talvez seja altura para um "problem solver" e talvez JA Pinto Ribeiro esteja à altura. É necessário alguém que saiba - e consiga - negociar com as Finanças e talvez ele consiga. Falta articulação entre a Cultura e a Educação, e o MNE, e a Economia. E as autarquias - a quem deveriam ser devolvidos alguns museus que só de nome são nacionais. Um ministro que não tem o peso político partidário conseguirá?
Mas, penso, é preciso mais do que isso. O MC esteve, até agora, a ser dirigido à distância pelo gabinete do PM - lembre-se a desautorização de Isabel Pires de Lima em relação à colecção Berardo - e nunca conseguiu vingar a sua ideia estratégica para a área. Será, agora, diferente?
E porque, repito, é preciso uma visão para a Cultura, para a internacionalização, para o acordo ortográfico, para o ICamões, para uma nova Lei do Mecenato, para os arquivos, para a rede de produção das artes do espectáculo, para os multi-disciplinares e, especialmente, para a rede de museus, para o turismo cultural, para as indústrias criativas.
Atendendo ao seu profundo conhecimento pecuário - quem não se lembra da frase “Um ovo não é igual a um pinto, um ovo não tem os mesmos direitos do que um frango” - não teria sido melhor que o Dr. José António Pinto Ribeiro tivesse ido parar ao Ministério da Agricultura?
O País está incómodo, mas não é nada de novo. Portugal nunca foi lugar de grandes liberdades, de gente empreendedora e entregue a si mesma, nem nunca o poder teve o hábito de se manter à distância. Pelo contrário, somos poucos e vivemos apertados porque gostamos de viver assim ou porque não nos importamos, nunca percebi. O certo é que, tirando quando alguma espécie de direita está no poder e se ouve um burburinho a reclamar contra os "tiques autoritários", por norma ninguém se escandaliza mais do que o normal ao saber que um governo escolhe o presidente do conselho de administração de um banco privado, que nos gabinetes do governo se discute a composição da direcção da redacção de um jornal ou alinhamento do telejornal, quando o Dr. Júdice fica à frente dos destinos da "Deus nos livre de haver especulação imobiliária" zona ribeirinha de Lisboa, quando um processo judicial subitamente desaparece da agenda mediática, as vítimas são reavaliadas e a coisa se arrasta até à eternidade, e por aí fora. O normal, entre nós, é reclamar entre dentes. Como quando nos passam à frente na fila, rosnamos "só neste País", "parece impossível", "é incrível", e ficamos quietos, obedientemente quietos. O País está um lugar desconfortável, mas nunca foi muito melhor. Somos um país que parece estar sempre cansado para se modificar. A diferença é que esta rapaziada está mais atrevida e descarada do que nunca. Só isso.
“It was a great moment for multiracial Britain, when one of those July 21 [attempted suicide-bombers] had tried to detonate his bomb and then had a little fit and passed out, and the next thing he knew there was an African, with a sort of London accent, leaning over him and saying ‘Are you alright mate?’”
É o triste fim das mobílias de casa de jantar, das mesas escuras, dos louceiros em contraplacado castanho escuro e vidro baço, através do qual se vislumbrava o serviço de jantar rendilhado a dourado que a avó usou uma vez. É a vitória do tabuleiro. O mundo, tal o conhecemos, está a acabar. Isto já para não falar do naperon em cima da tv e da foto de Sua Santidade. Oh, sofrei, conservadores.
Atonement não é só um filme (ou livro) sobre um amor destruído por um capricho infantil. Nem sobre o arrependimento e a expiação da culpa ao longo de uma vida. Atonement é uma obra sobre a criatividade. Essa maravilhosa capacidade de nos transportar para uma realidade à parte, segura e harmoniosa, onde é possível reescrever a história e – desta forma – criar finais felizes.
Há quem não goste do nome "clube dos pensadores". Eu gosto. Aliás, prefiro o nome "Clube dos Pensadores" a outras alternativas que também foram equacionadas no príncipio. Tipo "clube dos iluminados", "clube dos sobredotados" ou "clube dos brilhantes somos nós".