A vitimização de Sócrates a propósito desta história do acordo para a Justiça é tão mais acentuada quanto permitida por Menezes. O PSD é um partido político num regime democrático e não precisa de demonstrar - como desesperadamente tenta fazer - o alegado ou eventual incumprimento, por parte do PS, dos termos pactuados. Basta-lhe referir o óbvio: em democracia, um partido na oposição não faz acordos com um partido de governo com maioria absoluta no Parlamento; apresenta alternativas. Quem violou as regras da sanidade e da clareza democráticas foi Mendes, e não Menezes - o qual, apesar de muito afoito a sacudir do dorso a herança dos líderes recentes, tem tido a inabilidade suficiente para não esclarecer esta regra essencial.
A educação portuguesa é uma lástima. os principais responsáveis pela educação são os professores.

The Leader
I wanna be the leader
I wanna be the leader
Can I be the leader?
Can I? I Can?
Promise? Promise?
Yippee, I'm the leader.
I'm the leader.
OK what shall we do?
Luis Filipe Menezes lá teve os seus cinco minutos de fama, em directo, no jornal da SIC generalista. Mais pelo interesse da própria estação do que pela bondade intrínseca da medida que fez a espuma destes últimos dias. Se Menezes quisesse verdadeiramente afirmar uma posição de ruptura, não defenderia o projecto Balsemão, mas sim a pura e simples privatização da RTP. Para além da iniquidade civilizacional que é um Estado manter órgãos de comunicação social, a concorrência no mercado da televisão de sinal aberto - de que o PSD se julga o exército de salvação - não é de qualquer modo defendida com o afastamento de um concorrente, mas pela colocação de todos nas mesmas condições.

"For now sits Expectation in the air
And hides a sword from hilts unto the point
With crowns imperial, crowns and coronets,
Promised to Harry and his followers."
S., W. - Henry V, Prol.
E, é assim, meus caros amigos, que se roubam coisas das malas, nos aeroportos. E nós, tranquilos, a pensarmos que estão seguras… fechadinhas.
Pronto. Admito. Não percebo nada. Querem agora ver que também não caminhou sobre as águas, não ressuscitou o Lázaro, não multiplicou os pães e até atirou meia dúzia de calhaus à Maria Madalena. E não há-de um cidadão andar confuso. Onde anda o espírito santo quando precisamos dele?

Na sede do PS estão a debater a possibilidade de fazer os próximos outdoors do partido com fotografias de Luís Filipe Menezes.

Ora bolas para este programa de computador que me enfia fotografias de militantes do PSD em postes que não têm nada a ver com eles. Diacho!
96 quilos de Liamba vão ser queimados nas instalações da ValorSul
Em complemento ao artigo do Paulo Marcelo que o PPM cita, vale a pena ler John O'Sullivan na New Criterion de Janeiro. Um excerto:
«[T]he Left showed unsuspected resilience. It was, however, a different kind of Left. Left-wing parties no longer sought to nationalize and administer industries in the interests of the working class. But they had not lost the itch to regulate. In domestic affairs that instinct now migrated to social policy, health policy, race relations, gender equality, and much else. As the late Frank Johnson summed it up: “Because they’re not allowed to nationalize industries anymore, they nationalize people instead”.»
Chovem, quase diariamente, nas nossas caixas de correio, mails com petições contra os mais variados tipos de atrocidades infligidos, mundialmente, a animais.
A maior parte das vezes, apagamo-los, porque na nossa já tão complicada vida queremos é esquecer a desgraça e iludir-nos que o mundo corre, senão belo, pelo menos harmoniosamente, à nossa volta.
Nos últimos tempos, contudo, tenho reflectido sobre este assunto e visto vídeos e fotografias onde estas barbaridades estão documentadas. Digo-vos, não é fácil! Estas são atrozes, chocantes, repugnantes. A maioria das vezes, tenho dificuldades em as conseguir ver até ao fim!
A carnificina é variada:
Há quintas onde animais são mantidos nas condições mais degradantes – expostos na sua já curta vida ao frio, à fome, à sede e a falta de espaço – para acabarem mortos por electrocussão anal ou vaginal, para que a sua pele não fique danificada, muitas das vezes, não sendo esta fatal à primeira, acaba por ser arrancada ainda com eles vivos.
Já na romântica e requintada França há quintas de criação de gansos e patos para produção da famosíssima delicatesse “fois-gras” que são autênticas fábricas de tortura. Este, consegue-se através da alimentação forçada dos animais, sendo-lhes enfiados tubos pela garganta, duas ou três vezes por dia, e quantidades absurdas de ração e gordura bombeadas continuamente para o estômago destas aves, que lutam desesperadamente para fugir. Muitas vezes, os tubos perfuram as gargantas dos animais, causando-lhes hemorragias fatais e dores insuportáveis.
Na China, por exemplo, os animais são apanhados pelas autoridades de forma brutal, literalmente, engaiolados em compartimentos minúsculos onde mal se podem mexer e ficam imobilizados horas para serem abatidos de forma cruel, à paulada ou enforcados.
Também neste país, animais domésticos – mas também vacas, galinhas e coelhos… – são jogados vivos nos recintos dos leões e tigres, em jardins zoológicos, e servidos como alimento. Funcionários do zoo incentivam os turistas a comprar estes animais para oferecer aos predadores e assim se divertiram a presenciar o repasto.
Tudo isto, já para não falar no uso de animais na indústria do entretimento, na cosmética, na decoração, na experimentação e até na pornografia!
É evidente que é impossível a alguém civilizado ficar indiferente a esta barbárie e, aqui, é fundamental o papel das instituições de defesa dos animais na divulgação e sensibilização destes crimes. Contudo afasto-me destes organismos, geralmente nisto: é que na defesa de princípios inquestionáveis caiem, grande parte das vezes, em radicalismos extremos.
Comer carne é natural para nós, como o é para os tigres e leões e para todos os outros carnívoros à face da terra. O que é inconcebível é que os bichos que comemos tenham de sofrer para/ e ao morrer. Sendo nós, os humanos, especialmente, mestres na tecnologia (e no Direito), porque temos de infligir vários choques até que a nossa presa morra electrocutada? Porque temos de lhe tirar a pele ainda viva? Porque temos de a deixar sangrar até morrer? Porque temos de a manter, nas suas já curtas vidas, em compartimentos minúsculos, amontoada com milhentas outras, nas condições mais adversas de higiene, rodeadas de fezes, urina e escuridão, vivendo na mais profunda infelicidade?
Em nome da economia de custos, dos costumes e da moda, entre outros, eu sei, mas com estes não posso compactuar.
É inconcebível que em pleno século XXI um artista plástico – o costa-riquenho Guillermo Habacuc Vargas – exponha um cão vadio numa galeria de arte e o deixe morrer à fome e à sede perante os olhos atentos de um público faminto de cultura. E que ainda para mais seja premiado por isso! (o artista foi escolhido para representar o seu país na "Bienal Centro-americana Honduras 2008")
É estapafúrdio que num país como o nosso, em nome da tradição, os organizadores da festa de Carnaval em Campia (Vouzela) metam um gato num cântaro de barro – onde, em pânico, fica fechado até à hora da festa – o icem num mastro forrado com palha, para, no fim do desfile, lhe lançarem fogo, que, ao queimar a corda, o deixa cair ao chão e, então, sair o pobre gato que corre desnorteado, tendo ainda à perna foliões mascarados que o perseguem com paus e tenazes na mão, tentando apanhá-lo. Repito, é surreal!
Há, ainda, outra questão porque me afasto do radicalismo destas organizações: é que compreendo que em muitos dos países onde isto acontece, a vida humana tem um valor diminuto, comparado com o que se lhe atribui nos países ditos civilizados, e não são respeitados nem os direitos humanos quanto mais os direitos dos animais! Nestes casos, assinar petições contra o boicote mundial dos seus produtos seria, para além de nada resolver em relação aos animais, contribuir para a degradação do seu já, muitas das vezes, miserável povo. E entre os animais e os humanos – por muito que algumas vezes me custe – ainda escolho, obviamente, os segundos.
A União Europeia decidiu suspender o embargo à carne brasileira.
Pior, ainda, à carne «in natura» brasileira!!!

“Se Deus tivesse feito o corpo humano para fumar, então as nossas narinas seriam para cima”
Bispo Edir Macedo in “O Bispo, a história revelada de Edir Macedo”
rapapé
(no pl. ) bajulação;
(no pl. ) adulação;“Ou pelo rapapé ou pelo incensador, o homem prudente deve ir fazendo assim uma série de sábias adulações, desde a Arcada até ao Paraíso. Com um compadre no bairro, e uma comadre mística nas alturas – o destino do bacharel está seguro.”
[Em “O Mandarim”, de Eça de Queiroz, Edições Livros do Brasil, pág. 30]
Imperdível, a conversa entre João Pereira Coutinho e Diogo Mainardi.
«(...)
Antes de qualquer pergunta sobre o seu livro, gostei de ver nele as fotos dos seus filhos brincando com um pelúcia do Lula. Em São Paulo, um amigo mostrou-me o mesmo boneco e disse-me que tinha sido criado por um artista plástico. Ainda tentei comprar um, mas não consegui. Você sabe onde eu posso encontrar esse boneco?
Vou ver se arrumo um boneco extra.
Obrigado. Você não acha que o boneco tem uma graciosidade que falta ao presidente?
Pouco tempo atrás, acordei no meio da noite e flagrei o boneco roubando minha carteira e tentando matar o peixe no aquário.
E o que você fez? Não me diga que pediu impeachment...
Tranquei o boneco no armário da cozinha.
(...)
Por que motivo os petistas nunca acertam com o seu nome? É sempre "Diego", "Diego".
O petismo tem um problema com a língua portuguesa, Juan.
(...)
Abrindo um pouco mais a conversa: como você observa a política da América Latina --Chávez, Morales e tutti quanti?
Jura que você quer falar sobre essa gente?
Claro. O grotesco diverte-me.
Em excesso, o grotesco enjoa.
Apesar de tudo, seria improvável que Lula seguisse os passos da "revolução bolivariana" de Chávez, não?
Eu sempre reconheci uma qualidade em Lula: ele é maricas demais para se meter numa fria dessas.
(...)
Você tem candidato favorito nas eleições americanas?
Meu preferido é John McCain. Os americanos têm o dever de ajeitar as coisas no Iraque, e o único que capaz de fazê-lo é o velhote.
Meu preferido é Obama, por causa do antiamericanismo mundial. Seria uma lição para o mundo eleger um negro.
Se eu fui demasiado otimista com o Brasil, você está sendo demasiado otimista com o mundo.
E o Brasil? Seria capaz de eleger um negro?
O Brasil seria capaz de eleger uma anta.
(...)»
Lições de ciência política.
Quando um pobre, operário, analfabeto, urbano vota à esquerda, é porque os partidos de esquerda defendem os interesses das classes oprimidas. Quando um pobre, agricultor, analfabeto, rural vota à direita é a expressão do conservadorismo retrógrado e ignorante.
Relembro, começa hoje a 28ª edição do Fantasporto – Festival Internacional de Cinema do Porto.
A Sessão de Abertura é às 21.30h, com o filme “Este País Não é Para Velhos” (No Country for Old Men), de Ethan e Joel Coen, filme vencedor do Oscar para melhor filme do ano.
Informações sobre a programação: aqui

Está a decorrer a reunião da National Governors Association, de onde, provavelmente sairão os candidatos a vice-presidente de ambos os partidos. Especialmente porque os nomeados serão senadores, esta reunião está a ser vista como uma entrevista de emprego para quem estará a um "heartbeat away from the Oval Office".
O actual estado do CDS faz lembrar uma cena da Vida de Brian onde estão reunidos uns activistas de um movimento. Nesse encontro clandestino vão vociferando contra o invasor romano mas quem eles não gostam mesmo é dos membros dos outros grupos que teoricamente também lutam contra os mesmos romanos. Claro que acabam por lutar apenas entre eles.
Pelo que li esta semana no Expresso, parece haver mais grupos de “reflexão” que militantes. Nenhuma destas alas ou grupos de reflexão gosta de Sócrates mas de quem eles não gostam mesmo é de Paulo Portas (a ala liberal gosta assim-assim).
O CDS cada vez mais se parece com os partidos de extrema-esquerda em 1975. A grande diferença é que estes aprenderam com os erros e conseguiram-se fundir no BE. As guerras e os ódios dentro do BE estão bem vivos mas eles perceberam que apenas conseguem sobreviver se se mantiverem juntos. O CDS está a fazer o caminho inverso e ameaça fragmentar-se em pequenos grupos.
O CDS conseguiu manter a aparência de união à custa de líderes fortes. O problema é que Portas deixou de ser esse líder.

A opinião publicada condenou Telmo Correia. Faz sentido. Parece que o ministro do CDS tomou decisões, assinou papéis e até trabalhou no último dia em que lá esteve. Ministeriou. Se não tivesse feito nada, ninguém diria nada.
Melhor guarda-roupa: Elizabeth - The Golden Age
Melhor Montagem: The Bourne Ultimatum
Melhor Fotografia: There Will Be Blood.
Banda Sonora – Atonement
Melhor Filme: Este País Não é Para Velhos (No Country for Old Men) de Ethan e Joel Coen
E como a noite já vai longa, por este ano...
That`s All Folks!
A Pequena Sereia. Vulgo, Marion Cotillard (em La Vie En Rose).
Oscarizado.
Livra, que raio de palavra!

"A história começa quando Llewelyn Moss (Josh Brolin) descobre uma pickup rodeada por um grupo de mortos.
Um carregamento de heroína e dois milhões de dólares em dinheiro vivo estão ainda na caixa aberta da carrinha.
Quando Moss leva consigo o dinheiro, despoleta uma reacção em cadeia de catastrófica violência, que nem mesmo a lei – na pessoa do idoso e desiludido Xerife Bell (Tommy Lee Jones) – consegue travar.
À medida que Moss procura escapar aos seus perseguidores – em particular a uma misteriosa personagem (Javier Bardem) que atira a moeda ao ar para decidir se poupa ou não uma vida – o filme simultaneamente desmonta o género do crime dramático americano e alarga os seus interesses para abordar temas tão antigos como a Bíblia e tão sanguinariamente contemporâneos como os cabeçalhos desta manhã." (sinopse adaptada desta daqui)
Este filme tem estreia prevista para Portugal no próximo dia 28, mas quem estiver no Porto pode já vê-lo amanhã, às 21.30h, na Sessão de Abertura da 28ª edição do Fantasporto – Festival Internacional de Cinema do Porto.
Na categoria de melhor realizador, estão todos nomeados pela primeira vez:
Paul Thomas Anderson (Haverá Sangue);
Ethan e Joel Coen (Este País Não é Para Velhos);
Tony Gilroy (Michael Clayton - Uma Questão de Consciência);
Jason Reitman (Juno); e Julian Schnabel (O escafandro e a borboleta)
Eu estarei por aqui, a partir da uma da manhã, a fazer a sua cobertura em directo, até que o sono me vença…