Vital Moreira, pergunta, com razão:
Ao fazê-lo, no entanto, VM faz mais três coisas: Entra no jogo da discussão pública do processo, contribui para legitimar as investigações da comunicação social (sendo que nem tudo é investigação) e participa da legitimação das dúvidas sobre a condução processo. E assim, tanto valem as conclusões favoraveis a Sócrates como as que lhe são adversas.
O curioso é que a pergunta que faz é, parece, a mais relevante. A que se pode acrescentar outra: mas por que raio é que alguém se lembraria de juntar o tal Charles Smith e o tio Monteiro? Mas, vê Dr. Vital, já estamos a discutir o processo.

A intromissão do Irão, Kirkuk e os curdos, as feridas antigas, a al-qaeda, a presença militar estrangeira, as divisões que não existiam e foram criadas. Os mortos. O Iraque está muito longe de ser um lugar pacífico. Mais ainda de ser uma Democracia. Mas se um dia for, muito do que foi dito terá de ser revisto. A História demora muito tempo a ser escrita.
Às vezes aquilo que a família faz de facto não interessa nada para a História.
Às vezes pode interessar. Eu gosto mais quando é a Justiça a decidir.

O nosso país tem um excesso de pessoas facilmente irritáveis. E eu irrito-me facilmente com pessoas facilmente irritáveis. O que num taxista é uma condição inerente à função que desempenha e, como tal, aceitável, é francamente indesculpável em pessoas que aparecem em barómetros (aparelho que mede a capacidade de insuflação mediática de um personagem). Dois exemplos: Mário Nogueira e o Dr. Pedro Nunes. O ubíquo Nogueira não se resigna a uma pacífica obscuridade sindical e a distribuir panfletos nas escolas. Ele está determinado em aparecer. O ano passado ele só não apareceu em sessões espíritas. De resto, para onde quer que nos virássemos, Nogueira estava lá: a liderar protestos, a negociar com o Governo, a desnegociar com o Governo, a ouvir os professores, a segui-los quando foi ultrapassado. Nogueira ascendeu à categoria de "rosto do descontentamento" dos professores. A satisfação é sempre anónima, diluída nas massas. O descontentamento precisa de um rosto, Nogueira emprestou-lho. O curioso é que Nogueira, não raras vezes, sorri. O rosto do descontentamento é traído pelo sorriso do homem contente por aparecer. Eu compreendo o homem: como sindicalista tem de se mostrar irritado, como "aparecido" denuncia o seu íntimo contentamento. Outro que aparece muito e sempre irritado é o Dr. Pedro Nunes, bastonário da Ordem dos Médicos. Não o consigo compreender. Hoje, o Expresso publica uma reportagem sobre a questão da formação dos médicos para comunicarem más notícias aos pacientes. De entre as pessoas ouvidas pela jornalista só uma é que considera a formação inútil: o Dr. Pedro Nunes. A curiosidade está no facto do Dr. Pedro Nunes não pensar que a formação seja inútil. Ele defende que no contexto ideal seria interessante. No contexto actual, em que segundo ele não se privilegia o humanismo, é que é inútil. No contexto ideal, é útil mencionar, não teríamos doenças, nem médicos, nem más notícias. No contexto ideal, para irritação e surpresa do Dr. Pedro Nunes, nem sequer haveria bastonário.

Foi bonita a festa. Direita e esquerda. Betinhos e dreads. Gays e heteros. Vaders e jedis. Capitalistas e altermundialistas. Conservadores e liberais. Marxistas e maoistas. Vasco Barreto e Nuno Miguel Guedes. Um ambiente entre o terceiro anel do Estádio da Luz e a secção D do PSD. Todos juntos e unidos para ouvir os quase famosos.
O PM José Sócrates veio esclarecer Portugal e os portugueses que com ele não fazem farinha, que ele se indigna, se zanga e fica revoltado e tudo. Que anda por aí, segundo a literatura técnica do inevitável Santos Silva, uma campanha negra contra ele, alguém, uns tantos ,com a inestimável ajuda da comunicação social, resolveram acabar com ele, mas estão muito enganados! Óh se estão! Até porque ele tem ali uma declaraçãozita vejam lá de quem? da PGR. Pois é... por esta é que não esperavam, o PM vendo a sua honra atacada por meliantes na praça pública, atacado politicamente diga-se, atira-nos com as conclusões de um dos orgãos máximos da Justiça de Portugal. E acabou-se? Nem pensar, dá-se ordem ou não, deixa-se à vontade do fregês para o seu Chefe de Gabinete lá do Largo do Rato para pegar numas estrofes e desatar a envia-las por mail com a mensagem:
'Camarada, (...) Peço a sua melhor atenção para o ponto 7º onde está, de forma objectiva e concreta, que 'os alegados factos que a polícia inglesa utiliza para colocar sob investigação cidadãos portugueses são aqueles que lhe foram transmitidos em 2005 com base numa denúncia anónima' e que 'não há suspeitas fundadas'
O PM, o PS, todos a recorrer às boas graças da Justiça para resolver aquilo que, nas suas palavras e reacções, é um ataque político.
Isto tudo tem um preço como é óbvio.
“Maria Adelaide Monteiro assim se chama a mãe de José Sócrates. No «Correio da Manhã» de hoje faz manchete com uma notícia que garante ter comprado um apartamento em Lisboa sem recurso a crédito bancário a uma sociedade offshore com sede nas ilhas virgens britânicas.
Com tudo o que já foi tornado público pelos jornais, e não desmentido por ninguém, que indícios precisará a senhora doutora procuradora Cândida Almeida para considerar José Sócrates e outros nomes referidos como suspeitos? Se estes factos se referissem a outros cidadãos, será que seriam suspeitos de ter cometido actos ilícitos?
O twitter, portanto, é uma espécie de SMS grupal.
O André Salgado não sabe distinguir entre um partido e um blog. É natural a confusão: escreve n'O País Relativo...
A Festa dos Quase Famosos
"Só os ministros socialistas é que se demitem por razões éticas", exemplificava [Sócrates], sem necessitar de citar os nomes de Walter Rosa, que saiu do Governo porque "o filho foi acusado de comportamento desonroso"; de António Vitorino, "acusado de não ter regularizado a sisa" quando até tinha pago a mais; de Jorge Coelho, que abandonou o cargo "quando caiu uma ponte", meses depois de ter sobraçado a pasta das Obras Públicas". (DN, 6/Out/05).
Créditos: Estrago da Nação.
«Eu liguei-lhe e disse 'oh Zezito', realmente existe este absurdo', porque é assim que a família o chama, e ele disse para chamar o Charles Smith, enfim, para ele ir ao Ministério do Ambiente para, enfim, ele resolver o assunto», salienta o tio de José Sócrates (...) Júlio Monteiro disse ainda que se «se provar que ele (José Sócrates) está envolvido perde-se parte orgulho» que a família tem por estar no lugar que ocupa. O tio de José Sócrates diz ainda que se «se provar que o PSD está por detrás deste processo pela primeira vez» deixa de «votar PSD». (daqui)
A maior e mais grave violação do segredo de justiça no caso Freeport terá ocorrido ontem e foi perpetrada pela procuradora Cândida Almeida.
Num Estado de Direito democrático, em que vigore um processo penal garantístico como em Portugal, para além da apresentação de uma queixa-crime, a procuradora seria imediatamente demitida.
Ontem, a procuradora não se limitou a esclarecer meias verdades ou falsidades vindas a público.
Ontem, a procuradora deu a sua opinião pessoal sobre o caso, tendo chegado ao ponto de dizer que compreendia a indignação do primeiro-ministro.
Se na altura ficámos na dúvida sobre se as notícias vindas a público seriam todas falsas, percebemos já hoje, pela leitura da carta rogatória e através da transcrição de alguns e-mails trocados no seio da empresa Freeport, que a procuradora foi muito além da legitimidade conferida pelo cargo que exerce.
Calma rapaziada, este ano temos 3 eleições. Há muitos lugares para distribuir.

O cartaz é da JSD e vai ser lançado nos próximos dias.
"Alguns excertos dos e-mails trocados:
- «tudo deve estar concluído antes do novo Governo tomar posse»
- «tenho estado sob ordens muito rígidas do ministro para não dizer nada»
- «enviar a taxa em duas partes, uma para o Estudo de Impacto Ambiental e outra para os protocolos. Tenho as pessoas sob controlo graças a essa transferência»
- «para o Estudo de Impacto Ambiental é necessário pagar mais 50K. Não digo para pagar já, faça só a transferência»" (SOL)
“O dia 14 de Março é o dia mais importante para que tudo se resolva”, lê-se na mensagem que Charles Smith enviou, a 10 de Março de 2002, para Garry Russell, director do Freeport no Reino Unido. Foi dia 14 que o aval ambiental foi conseguido. Ainda de acordo com o “Sol”, nas mensagens, os ingleses demonstram não confiar nos portugueses. Num dos e-mails o engenheiro escocês alerta Russell: “Na reunião de 17 de Janeiro assumiste que pagávamos pelo estudo de impacto ambiental 90 por cento à cabeça, mas aconselho-te a dividir a quantia em três ou mais tranches”. Terá sido nesta data que, segundo a carta rogatória inglesa, José Sócrates participou num encontro com responsáveis da empresa." (Público)
Enquanto líder da maioria parlamentar, cabe antes de mais ao Primeiro-Ministro fazer a avaliação das condições políticas de que dispõe para governar. Ontem, o País ficou a saber que a avaliação que José Sócrates faz dessas condições não foi alterada nem pela implicação de familiares seus no caso Freeport, nem pela inclusão do seu nome na qualidade de suspeito numa carta rogatória dirigida à Procuradoria-Geral da República pela justiça inglesa.
Penso que ao manter-se no seu cargo, José Sócrates não prestou um bom serviço nem ao seu partido, nem ao seu País. E faço esta apreciação presumindo, de boa fé, a sua inocência. Simplesmente considero que Portugal não se pode dar ao luxo de ter um Governo diminuído na sua capacidade - como este já está - no preciso momento em que mais precisa de um Governo capaz de enfrentar a crise com energia e imaginação. Quanto ao Partido Socialista, teria certamente vantagem em se apresentar a eleições com uma nova liderança sob a qual não pesem quaisquer suspeitas de corrupção, e porventura mais capaz de fazer acordos pós-eleitorais à esquerda.
A propósito do caso Freeport, o PSD faz bem em permanecer calmo. Nos dias que correm, é importante haver um partido que não se compraz em especulações, permanece sereno, confia na justiça portuguesa e não mistura o plano judiciário com o político. O contraste com o frenesi dos “poderes ocultos” e das “campanhas negras” que tomou conta do PS é total.
Posto isto, penso que Paulo Rangel se excedeu quando assegurou que José Sócrates conta com a confiança institucional do PSD. Mas o que é isto? O PSD confia em quem baseia a sua governação numa mistificação orçamental? Em quem enche salas de aula com figurantes para efeitos de propaganda? Em quem inventa relatórios favoráveis da OCDE para tentar estancar uma vaga de más notícias? Ao Primeiro-Ministro de Portugal é devido o respeito pelo cargo que ocupa. Mas certamente que nenhuma confiança lhe é devida, e não é preciso invocar suspeitas de corrupção para lha negar.
Do jornal Público, no arquivo do Sindicato do Magistrados do Ministério Público.
Já esta notícia, deixa-me confuso. Estamos a falar da mesma pessoa?
Bem sei que não são notícias novas, mas fiquei algo perplexo.
Este país é uma quinta.
28 de Novembro de 2002 - PGR: «Nenhum indício, nenhuma prova ou investigação. (…) Não há absolutamente nada que possa fazer pairar qualquer suspeita sobre essa pessoa» [Carlos Cruz]
31 de Janeiro de 2003 - Carlos Cruz detido. (5 dias)
Adenda:
6 de Maio de 2004 - (…) Souto Moura ficou surpreendido com a libertação de Carlos Cruz.
enviar avisos à navegação, como cidadão, esclareceu.
Longe dele, querer pressionar os media.
Aquele novo penteado e a barba grisalha não ficam bem à Manuela Moura Guedes. Também ganhou um bocadinho de peso. Mas dá para perceber que é ela.
Para confrontar com as declarações ontem prestadas pela procuradora Cândida Almeida, ide ler a carta rogatória enviada pelas autoridades inglesas. Aqui.
A Fernanda Câncio tem quase razão naquilo que escreve hoje. Alguns dos links para que remete, têm, no entanto, mais razão.
Ao associar o caso Freeport ao J'acusse, Câncio esquece um detalhe. Ali estava em causa um julgamento impróprio, no local próprio. Um sistema judicial que se corrompe oferecendo um resultado (que sabe) falso. Aqui não é nada disso que está em causa. Pelo contrário, é, quando muito, um julgamento no local impróprio, porque o local próprio não funciona e, de qualquer maneira, não é certo que ofereça confiança.
No Caso Freeport, por agora, o que está em causa é, de facto, o perigo enorme de termos o poder político às mãos da Justiça, nas mãos da Justiça. Talvez a Fernanda Câncio não tenha reparado, mas a entrevista de Cândida Almeida ontem significou que um primeiro-ministro pode estar dependente de uma palavra de um magistrado do MP. E os magistrados do MP não são divindades. E isto é grave, seja o dependente Sócrates, Fátima Felgueiras, Isaltino, ou outro qualquer.
Num país onde nos habituámos a ver o sistema judicial não apresentar resultados, o sistema judicial habitou-se a usar a comunicação social para condenar ali o que não prova nos tribunais. É grave? Gravíssimo. É pior com Sócrates do que com Isaltino ou Felgueiras? Não. Rusgas em directo ou segredos de justiça sussurrados, são sempre denegações da Justiça. Sempre, e não apenas quando achamos pessoalmente injusto.
Coisa diferente, entretanto, é saber se um Primeiro-ministro sobrevive à dúvida que, como noutras ocasiões fez a outros, o deixa fragilizado. Isso é uma dúvida política. E tem pouco que ver com a Justiça das coisas ou sequer com o sistema judicial
A noção de independência e autonomia defendida por uma fatia relevante da nossa magistratura judicial é curiosa…

Emile Zola

Cândida Almeida
Nota: a propósito deste bonito texto, que nos emocionou a todos.
Ao minuto 4:36, à questão sobre se o seu nome constaria da carta rogatória enviada pelas autoridades inglesas, José Sócrates responde "isso não é verdade". Pergunta: como é que o primeiro-ministro sabe se o seu nome consta ou não da carta rogatória? Será que a leu?
O que eu mais gosto no caso Freeport são as buscas.
Para ver se eu percebi: o ministério público recebe uma denúncia. a notícia sai escarrapachada num jornal. A coisa dá uma confusão monumental e, quatro anos depois, fazem as primeiras buscas. Quatro anos depois! Depois do alarido todo que o freeport deu, quatro anos depois, esperavam encontrar exactamente o quê? Impressões digitais e um recibo assinado?
É verdade que não percebi a racionalidade da intervenção de ontem. Não percebi a pertinência, nem percebi o objectivo. Quem falou ontem não foi um PM; foi um homem acossado, inseguro, completamente descontrolado. As forças ocultas são só um exemplo menor.
No entanto, talvez Sócrates tenha percebido que não tem outra solução que não o espernear por todos os lados. É verdade que a imagem que passa é a de um partido "socratizado", dominado por ele e pela sua equipa. Mas as coisas são muito claras: no momento em que a figura de José Sócrates passar a ser uma liability, e significar a perda das eleições, o PM mais poderoso vai ser abandonado. Toda a lealdade canina de que agora beneficia será transferida para o próximo homem novo, que represente a continuidade do controlo do poder. E isso deve assustar.
Um PM perseguido pelas forças do oculto e um Ministro das Finanças que já não se consegue guiar pelas estrelas.
É tempo de mudar o Conselho de Ministros para Vilar de Perdizes e convidar a Maya para o governo.

Pensei que o Galatasaray tinha ganho. Afinal não.
Aquilo não foi uma entrevista.
Foi a leitura do acórdão do arquivamento do processo.
Artur Mendes na caixa de comentários do 31
O comunicado de hoje deve ficar disponível lá para as 23h30 no Portal do Governo. É ir acompanhando.
Fernanda Câncio escreve hoje um artigo no DN, relembrando o célebre caso de Alfred Dreyfus, falsamente condenado pela justiça francesa, e defendido por Émile Zola em J'accuse. Percebe-se o timing, num momento em que são poucos fora do arco de poder socialista que defendem o primeiro-ministro. Mas os indícios que têm vindo a ser publicados na imprensa, nomeadamente no Diário de Notícias em que a jornalista trabalha, vão noutro sentido. Portanto, as comparações com Alfred Dreyfus são muito forçadas. Até porque o poder judicial em Portugal tem-se destacado não por condenar falsamente, mas sim por ilibar vários suspeitos que têm relações com o poder.
O próprio primeiro-ministro já percebeu a gravidade do caso, e em menos de uma semana, sentiu-se na obrigação de falar três vezes aos jornalistas, até para introduzir na agenda mediática notícias favoráveis. Mas já mentiu aos portugueses sobre este caso. E veremos se não será novamente apanhado. Relembro que ele disse que não conhecia Charles Smith de lado nenhum.
Mesmo que não venha a ser acusado ou constituído arguido, da suspeita não se livrará, até porque os factos conhecidos são reveladores de uma conduta menos própria. Pergunto: não será obrigação de um titular de cargo público denunciar às autoridades judiciais quando lhe é revelada uma conduta ilícita sob sua alçada? E alguém acredita que ele esqueceu-se do facto do tio dele lhe ter contado que estariam a existir tentativas de corrupção no seu ministério?
Mais uma vez os portugueses vão ser colocados à prova: desejarão eles ter líderes políticos sob suspeita? No passado, os habitantes de Oeiras, Felgueiras e Gondomar disseram que sim. Veremos se a nível nacional irão responder da mesma forma.
A rapaziada do País Relativo está excitada com o que acha que foi a excessiva excitação que aqui houve ontem. Sem querer estragar a excitação dos rapazes, tentava explicar-lhes o seguinte: nas redacções dos jornais, nos gabinetes ministriais (ah, pois, também lá conhecemos alguns), aí pelos cafés, houve muita gente que pensou que o Primeiro-ministro se ia demitir. Os Relativos acham isto um exagero e estão muito felizes com tudo o que se passa e satisfeitos consigo próprios. Não fosse alguma contenção estética diria que isso tem um nome.
Sem as festas da Goldman Sachs, nem a cantilena de Bono ou os apelos de Geldof, Davos deixou de ter interesse para o mundo e em particular para os media. Aquilo perdeu a graça. Está entregue a políticos como Barroso, Putin, Brown, Merkel e Jiabao. Uma lástima.
Enquanto isso, no calor do Brasil, tudo por um mundo melhor. Um mundo de tanga e água de coco. Um mundo sem dinheiro e ganância. Um mundo onde os puros desta vida tenham finalmente palco. Puros como Lula, Chávez, Morales, Correa (não confundir com a mulher do Augustos) e Lugo. Um mar de gente boa. E que sobretudo abomina o dinheiro. E o poder também. De tal maneira que não os largam por nada. Nem mesmo por um mundo melhor.
E no dia seguinte ao pânico causado pelo suspense do eng. Sócrates, a nata empresarial deu um ar da sua infinita graça apelando à "estabilidade" e chutando para canto qualquer cenário de eleições antecipadas. Como eu os compreendo. Como nós os compreendemos.
Curioso e muito interessante, também, é ver o caminho de Pedro Passos Coelho. No dia seguinte à declaração de Sócrates, o DN vem mostrar como Passos Coelho chega aos consumidores das grandes superfícies comerciais da Sonae, por via da revista Plenitude aí distribuída (Miguel Relvas está de parabéns). Ainda hoje, em Aveiro, Passos falará aos empresários da região sobre as suas propostas económicas. Não pede demissões. Não ataca o momento frágil de Sócrates. A distinção é acima de tudo de Manuela Ferreira Leite, quer com a ajuda da Economist, quer ainda com a ajuda de outros "poderes ocultos". Não por acaso, Rui Machete veio apelar no passado Domingo à inclusão de Passos Coelho "na equipa do PSD". Como eu o compreendo. Como nós o compreendemos.
Espera-se, pois, que se consiga apurar a autoria das seguintes fugas de informação:
"afirmou hoje, em entrevista à RTP, que o nome de José Sócrates consta do processo, mas não está a ser investigado."
"Já sobre o seu tio, Júlio Monteiro, admitiu ter indícios, mas não suficientes, de que recebeu dinheiro para luvas."
"nada indica que o primeiro-ministro seja suspeito, mas não negou que, “se vier a ser suspeito um dia, naturalmente serão investigadas as suas contas bancárias”
"Sobre a carta rogatória inglesa com o nome do socialista, onde se lê que terá “solicitado, recebido ou facilitado pagamentos”, explicou que se limitaram a citar uma anterior carta da polícia portuguesa, onde foram levantaram dúvidas que não se confirmaram: “[Hoje] não utilizaríamos nem a frase nem o nome de José Sócrates”, garantiu."
"explicou que todo o processo foi reavaliado quando passou para a sua alçada e que foram feitas “as diligências externas consideradas necessárias”."
"acrescentou que continuam à espera de uma resposta das autoridades inglesas sobre algumas contas no país e em “off-shores”
"No que diz respeito ao número de envolvidos, informou que não devem ultrapassar os 20 – dez de cada país –, e confirmou que os extractos das contas bancárias de algumas das pessoas “estão a ser analisados”."
"confirmou e explicou que se trava de “uma prova absolutamente nula” [DVD] na justiça portuguesa e que, por isso, não deve influenciar a investigação."
"acabou por admitir que o tio de Sócrates poderá ser ouvido “depois das declarações” que fez."

A magistrada Cândida Almeida deu ontem uma entrevista sobre uma investigação em curso. O que na prática constitui uma “cirúrgica” e “gravíssima” violação do segredo de justiça.
Há várias e boas razões para a aproximação da União Europeia e da Turquia. Duas delas, centrais: a prova de que o Ocidente e a Democracia não excluem o Islão nem o mundo islâmico, e a importância da alternativa energética. Ao longo dos últimos anos, os crentes nas virtudes da aproximação apresentaram o actual governo turco como a prova do que afirmavam. Islâmico mas reformista, islâmico mas moderado, islâmico mas a favor da liberdade (mais até do que os extremistas laicos). Contra estas vozes havia quem garantisse que Erdogan era um fundamentalista disfarçado e que a Democracia turca só era possível sob tutela militar. Nas últimos tempos, infelizmente, o que chega da Turquia parece dar mais razão aos últimos do que aos primeiros. Nas relações com o Médio Oriente e Israel, há aproximação aos poderes regionais (mais autoritários do que fundamentalistas, reconheça-se) e afastamento de Israel. E há pouco mais de uma semana, quando veio a Bruxelas, Erdogan deu a entender que a viabilidade do projecto do gasoduto Nabucco estaria dependente do sucesso das negociações de adesão à UE. Se o propósito era demonstrar a importância da adesão, o resultado foi assinalar a imprevisibilidade turca. E ninguém quer passar da dependência da Rússia, que faz chantagem com o gás, para a dependência da Rússia e da Turquia, que ameaça fazer. É pena. Quem atravessa a Istiklal Caddesi, a principal avenida de Istambul, fica com a convicção de que as reformas do país são irreversíveis. Mas quem ouve o Primeiro-ministro turco fica com dúvidas.
O treinador tem toda a nossa confiança.
Queremos apurar todas as responsabilidades.
Neste momento só penso no Trofense.
Isso não diminui a minha autoridade.
José Miguel Júdice apresentou o argumento que faltava em defesa da tese da cabala:
"não me cheira que José Sócrates tenha sido corrompido no apelidado "caso Freeport"."
É arquivar o processo.

Sócrates safou-se... Apesar de sair muito chamuscado. Agora é esperar pelas manchetes de sábado. Será que vão trazer novidades?
Mário Bettencourt Resende explicou na TSF que os ingleses eram conhecidos pela sua sobranceria e arrogância.
e a última vez que uma magistrada do ministério público deu uma entrevista sobre um caso em curso e em segredo de justiça foi...