Os resultados de 27 de Setembro são uma incógnita, o que já não é pouco. O PSD pode ganhar as eleições mas dificilmente estará ao seu alcance uma maioria relativa confortável, pelo menos por agora e se Sócrates não meter a pata na poça. É verdade que o PS já acelerou a sua máquina eleitoral mas o regresso de Santos Silva é um daqueles mistérios que me escapam e ajudam a oposição a Sócrates. Está tudo em aberto para o dia 28 de Setembro e no entanto lendo alguns cenários pouco tenho lido sobre a possibilidade de uma coligação PS/BE.
O BE estar numa fase crucial da sua existência, não tem implantação local como o PC e com resultados cada vez mais positivos a agremiação de egoísmos chegou a um ponto complicado da sua existência, precisa de começar a distribuir poder equivalente aos votos que possuí e não consegue fazer. Muitos verão com surpresa que afinal o BE, ultrapassada a fase de partido contra-poder, agirá de forma similar ou pior que os partidos do bloco central. A melhor maneira de garantir a sua sobrevivência nos próximos anos é justamente aceitar fazer parte de um governo e será isso que fará.
Fala-se muito de um bloco central, suplica-se de resto em alguns sítios, coisa que não vejo como possível com as actuais lideranças, mas verão como Louçã se adaptará facilmente aos defeitos de Sócrates e este ao estilo seminarista arrependido do sibilante trotskista. Acho mesmo que foram feitos um para o outro.
No CDS-PP já me garantiram alguma fé na vitória do PSD nas eleições, até pode ser mas tenho muitas dúvidas que o “efeito Nuno Melo” se repita nestas eleições pelo que o cenário de um governo PSD/CDS parece-me pouco provável e pode dar-se o triste evento de termos uma vitória do PSD mas um Governo PS-BE.
O pior cenário que poderá acontecer é um governo PSD, com um apoio de um PP quase inexistente, sem maioria absoluta e com Maria José Nogueira Pinto a complicar, a enfrentar quatro anos de uma oposição maioritária de PS/BE e PC. Marcelo dá-lhe dois anos o que é uma simpatia da parte dele.
Na rua, nos cafés o que oiço é um total e absoluto desprezo pela política, uma vozearia contra Sócrates, uma indiferença para com Ferreira Leite, um encolher de ombros para com Portas ou Jerónimo mas um entusiasmo que me arrepia por Louçã e restante trupe.
Na semana passada vim de Alfa de Lisboa para o Porto. Estavam uns panfletos espalhados pelo comboio, mas como tinha melhor literatura para ler, nem sequer lhes peguei. Na sexta-feira à noite um amigo alertou-me para o facto de estarem espalhados pelo Alfa panfletos com propaganda ao TGV, da autoria da RAVE (Rede Ferroviária de Alta Velocidade)
Hoje fiquei a saber que a RAVE comprou nos dois jornais de maior circulação, CM e JN, um encarte de propaganda sobre o TGV.
A construção do TGV é um dos temas onde existe maior discórdia entre o PS e o PSD nesta campanha eleitoral. Colocar empresas e dinheiro do Estado ao serviço de um partido é ilegítimo e imoral. É isso que o Partido Socialista tem feito com a RAVE.
Também aqui.
Amanhã pelas 19h, representarei o 31 da Armada num encontro de Pedro Santana Lopes com bloggers. Já tenho uma ideia do que lhe quero perguntar, mas deixo a caixa de comentários aberta a sugestões de perguntas dos nossos leitores. Preferencialmente sobre Lisboa.
Aos 5,54 milhões de euros que o Partido Socialista pretende gastar nas eleições legislativas devem ser acrescentadas estas e outras peças de publicidade paga por todos nós.
No caso em questão, a peça em forma de texto jornalistíco, está na primeira página do caderno de classificados do JN de hoje.
O Ministério da Educação paga semanalmente estes anúncios ao Jornal de Notícias, desde 2005.
Em tempo oportuno os deputados questionaram o Ministério da Educação sobre esta prática. A resposta chegou e a prática é mesmo para manter, ao custo de 874 euros por peça.
À atenção da Comissão Nacional de Eleições.
"O PS não está bem" e "o maior erro de Sócrates foi não ter afastado a ministra da Educação"
Edmundo Pedro, histórico e membro da comissão política do PS
Mar de Rosas, por Paulo Tunhas.
Sabe qual é neste momento, o plantel mais caro em Portugal?
SPORTING ???...
PORTO ???...
BENFICA ???...
Nãooooooooooooo!!!! Estão absolutamente enganados!!!

“Paz com professores vai sair muito cara ao país”, Maria de Lurdes Rodrigues, hoje no DE.
E a guerra aos professores e às escolas, quanto custou?
A pagar por quantas gerações?
Há por aí muito slogan que revela mais sobre os candidatos do que sobre os partidos e as mensagens que pretendem representar. É o caso desta candidata do PS a Cascais. Por amor, fazem-se muitas loucuras. Ela ama Cascais, mas tenho a sensação que o amor não vai ser correspondido.
(a fotografia foi roubada ali).
Segundos os jornais, o presidente colombiano Alvaro Uribe tem gripe A. E notou-se logo na cimeira da América do Sul.
Bolas, logo agora que estava de relações cortadas com Chavez e mais uns quantos.
joaompinto
José Sócrates esteve longos meses ausente do contacto com as populações. Todas as aparições públicas foram criteriosamente planeadas para afastá-lo de qualquer contacto com as populações. Esta visão do Primeiro-Ministro que evita a todo o custo cruzar-se na rua com o povo que governa é antítese da imagem do animal feroz, da imagem de homem determinado e corajoso que o PS tentou construir.
Bernardo Ferrão mostrou ontem o Sócrates para lá da encenação dos comícios, do teleponto e dos holofotes.
A campanha ainda não começou e Sócrates já não suporta as pessoas. E não suporta sequer aquele pouco povo que foi a Santa Cruz para dizer que continua a apoiá-lo.
Não imagino como possa ser a sua actuação num ambiente menos controlado, mais natural, com mais povo. Com apoiantes e opositores.
A máquina socialista encontra hoje mais dificuldades para colocar o seu candidato num arraial português do que para fechar a praça vermelha para um jogging matinal.
Sobre Carolina Patrocínio, que está satisfeitíssima com «fim da recessão técnica» (sic).
"Combateremos ao lado de José Sócrates os cépticos e os bota-abaixo"
Carolina Patrocínio, Publico

Leio este texto da ITP e pergunto-me: alguém aprenderia surf na Universidade Independente ou assim?
Pois. Pode-se fingir um canudo, mas não serve de nada fingir saber nadar.
Explica-nos a Filipa “que Cavaco nos diz é que, não equiparando ‘uniões de facto’ a ‘casamentos’, está-se a dar mais liberdade aos cidadãos, uma vez que quem opta por não se casar não quer ter as mesmas responsabilidades/direitos daqueles que se casam.” Ela diz que percebe a ideia, curiosamente eu também. O pior é que a Filipa teme que a ideia, que ela percebe e eu também, tenha água no bico. Diz então a Filipa, “que as verdadeiras razões deste veto tenham mais que ver com um pensamento conservador, burguês e católico – próprio do século XIX – que punha a esposa no pedestal/altar e a amante na cama".
Foi nesta parte que me perdi. Não por causa do burguês, católico e conservador mas por ela achar mal, ou aparentemente não gostar, que o dito burguês, católico e conservador tenha posto a mulher num pedestal e a amante na cama. Não vejo onde está o mal, pode dar-se o caso de o burguês não o ser ou sendo-o ser pouco católico, ou mesmo não sendo nenhuma dessas coisas, ser apenas conservador e no entanto nenhuma destas pitorescas criaturas se lembrar de por a mulher noutro sítio que não num altar e sendo ela também amante na cama, o que dá uma imagem um pouco caricata que é a do marido tirar a mulher do altar para a por na cama. Vamos pensar que a mulher e a amante não podem (e não sei porquê) ser a mesma pessoa mas duas, como é óbvio até podem estar as duas na cama, mas sendo um burguês, católico e conservador dificilmente a coisa lá vai na mesma cama. Tiremos o conservador e o católico, fica o burguês para inveja do resto das gentes, que vão ter de gastar dinheiro em duas camas.
Certo é que até para essas estranhas criaturas se a mulher estiver num pedestal ou altar (coisa que boa parte das mulheres faz questão que se construa durante o namoro) alguém tem que ir para à cama, se não for a mesma, será outra.
Não há hipocrisia nenhuma, muito menos quanto às uniões de facto, estranho será que se queira equiparar em que medida for aqueles que optaram por não carregar com os deveres e direitos de um casamento ao lombo.
Sei bem que temos no campo das uniões de facto diversas realidades, algumas que não estão previstas e já deviam estar, outras que nem serão verdadeiras uniões de facto no sentido em que se tratam de amizades que o destino e as necessidades levaram a uma coabitação. Só que são assuntos diferentes, a hipocrisia reside em fingir que com esta lei se aproximavam realidades que nasceram da necessidade da diferença e como se isso levasse a maior igualdade. A questão deve ser resolvida com o Estado a meter-se menos nisto e muito menos meter-se desta maneira desta maneira. Quando digo Estado não estou a falar de Cavaco.
Durante meses a nomenclatura socialista tentou colar o PSD a um projecto neo-liberal ou ultra-liberal, seja lá o que isso for…
Acontece que na semana passada foi divulgado o Programa Eleitoral do PSD, e, azar dos azares, esse Programa do Partido Social Democrata é … social-democrata!
Agora o PS já não podia dizer que o PSD não tem propostas, tanto mais que estas têm sido muito mais discutidas no País do que as o próprio Partido Socialista.
Aliás, só por deliberada má-fé ou manifesta incompetência é que hoje alguém pode dizer que o PSD não tem um projecto para a recuperação económica do País, largas medidas de reforço da solidariedade com os mais desfavorecidos ou um ambicioso mas realista projecto de qualificação dos portugueses, seja na educação, na formação ou no trabalho. Como aqui um dia escrevi, pode-se discordar e criticar. O que se não pode é dizer que as propostas não existem.
Mas este fim-de-semana aconteceu ainda pior: Pina Moura, o antigo cardeal de António Guterres, veio afirmar que as propostas do PSD são mais realistas e mais correctas do que as do PS, as do seu próprio partido.
O desespero tomou então conta de José Sócrates, que começa a perceber que o cartão amarelo das europeias pode agora transformar-se numa verdadeira expulsão do Poder (que o PS ocupou em 11 dos últimos 14 anos).
Vai daí, Sócrates passou ao ataque pessoal e crispado: já não confronta as propostas do PS com as do PSD, seja no sistema político, na economia ou na solidariedade: tenta agora colar a líder do PSD a absurdas visões retrógradas ou conservadoras, por oposição às suas, supostamente luminosas e progressistas. Torce o que os outros dizem, reinventa as palavras alheias e, nessa arte da fabulação em que Sócrates se tornou mestre, refugia-se nas questões fracturantes (já não há pachorra!), foge dos verdadeiros problemas do País, que são a crise económica e social (especialmente o desemprego), a educação, a justiça e a segurança.
É pena que assim seja.
O debate podia dar-nos um PS que fosse um pouco mais do que um Bloco de Esquerda em ponto grande…

Ver história aqui e vídeo ali.
Há um novo negócio em Portugal que teima em contrariar a crise: é o negócio das escolas. Não estou a falar das escolas, vá lá, tradicionais, onde se aprende a ler, escrever, biologia e matemática. Não, refiro-me às escolas onde se aprende, digamos, a brincar. Mas a sério, com saber. Onde se ensina, por exemplo, surf, winsurf, futebol, vela, remo, ténis, bodyboard, judo, robótica, rugby, piano, teatro, dança, ballet, saltos de trampolim, costura, pintura, patinagem ou artes plásticas. Com ciência, claro.
Inês Teotónio Pereira (ver também o blogue dela).
Sócrates discursou e encerrou hoje o festival de verão que o PS promoveu durante a semana.
Sócrates enunciou algumas medidas do seu mandato de quatro anos e meio com grande auto-satisfação.
Vejo que o seu Portugal é muito diferente do país em que todos vivemos. Sócrates sentir-se-á como o soberano de um país das maravilhas idealizado por alguém com uma imaginação semelhante à de Charles Lutwidge Dodson.
Depois da festa rija que prolongada durante toda a semana, o secretário-geral do PS não teve uma única palavra para com aqueles que hoje estão mais longe das excentricidades de Carolina Patrocínio ou dos deslumbramentos de José Sócrates.
A festival de verão do PS está a terminar.
O país segue dentro de momentos.

Quid es Veritas?

Leio, nos obituários do Telegraph, sobre a morte de Paul Cattermole, um entusiasta dos sinos e historiador amador. Anos atrás - e para escrever uma inscrição para um sino a ser colocado numa nova igreja - li um artigo deste professor (de matemática) inglês e comecei a interessar-me sobre o assunto.
Nos dias de hoje, em que a religiosidade - agora chamada de espiritualidade - é circunscrita à intimidade pessoal e aos espaços fechados, os sinos são o símbolo (aliás origem etimológica de sino), com as procissões, de um tempo em que o mundo, mais que uma igreja, templo ou mesquita, era o próprio espaço sagrado. Os sinos, lembrava Cattermole, eram parte integrante e ritual da vida quotidiana, urbana como rural, num tempo de horários sem relógios.
Como se fossem uma entidade em si mesmos, tinham nomes (de Santos que invocavam ou das funções que exerciam), eram "baptizados" cerimonialmente e o seu som era reconhecido na comunidade, como um recruta que aprende a conhecer os toques do clarim.
Sem telemóveis, televisão ou rádio, os sinos eram o meio de comunicação social por execelência. Choravam os mortos, nos enterros ("Funera plango"), animavam as festas ("Sabbata pango"), convocavam o povo e o clero ("Plebem voco " e "Congrego clerum") e alertavam para os perigos - incêndios, tempestades ou mesmo guerras ou revoltas -quando tocavam "a rebate".
Saudades de um tempo passado? Só para quem teve o "sino da minha [sua] aldeia" num 4.º Esqº. aos Mártires. Na "minha" aldeia ainda é assim, até porque não tem cobertura de rede telemóvel.
Caro Pedro,
“Luminária” significa, entre outras coisas, “pessoa de grande ilustração e competência”. Sei que, não raras vezes, é um termo que se utiliza de forma pejorativa, normalmente acompanhado da ironia da praxe. Não foi essa a minha intenção. Utilizei-o no sentido de «proeminente», dada a visibilidade mediática de quem opina na têvê. E usei-o, também, num contexto lúdico-burlesco que a sonoridade do vocábulo encerra em si mesma. Nunca me passou pela cabeça ofender ou desqualificar quem quer que seja. Vá lá, Pedro: a malta da opinião televisionada e publicada tem que, de quando em vez, estar preparada para estas farpas inócuas dirigidas às suas personas «fazedoras de opinião» (termo horroroso, eu sei). Se te sentiste pessoalmente ofendido, deixo desde já o meu pedido de desculpas.
Mas vamos ao que interessa (ou ao que mais interessa). Dizes que apenas respondes pelas tuas convicções. Sabemos disso. Ou pelo menos eu sei, que já te «sigo» há algum tempo. O tempo suficiente para perceber com quem estou a falar (igualmente, Pedro, é um prazer falar contigo). Daí ter tido o cuidado de fazer a distinção entre a tua pessoa e a do teu «antagonista». Talvez não tenha sido claro, mas o meu ponto ia mais para a escolha de Vítor Ramalho. A escolha resultou num notório desequilíbrio: de Vítor Ramalho já se sabe o que se espera. A cassete é garantida. Teria sido óptimo caso a SIC Notícias tivesse convidado uma personalidade de esquerda, ou de centro-esquerda, que não se pautasse por uma visão absolutamente canídea relativamente ao partido ou à capelinha a que pertence. Aliás, que bom seria se houvesse mais Pedros Marques Lopes a opinar sobre política no espaço público, ou seja, que houvesse mais gente «desmilitarizada» que, apesar de não ceder às sua convicções políticas, soubesse ser minimamente equilibrada na forma e coerente no conteúdo, mesmo que isso significasse estar contra a sua suposta «família política» nesta ou naquela matéria (e repara: eu falei em «mais gente» e não «só», que do Dr. Azeredo quero distância). Em Portugal, é absolutamente obscena a forma como os políticos (militantes ou pseudo-independentes) marcam uma presença massiva nas têvês. Não há paciência para, por exemplo, a sabujice do Carlos Zorrinho ou do Vítor Ramalho. E refiro estes porque já nem a vergonha ou o pudor os faz disfarçar aquilo que começa a ser um clássico: a tendência acrítica, zelosa e adulatória por parte dos militantes ou simpatizantes do partido que está no governo/poder, para tudo caucionar, apoiar e defender, fazendo crer que não fosse o partidinho a que pertencem, que deu à luz o governinho sacrossanto que nos serve, tudo seria caos.
A Verdade? Não queria que me acusasses de paternalismo, mas o que é a Verdade em política, Pedro? O problema, ou melhor, o que caracteriza a política é isso mesmo: nem sempre o que é verdade hoje, é verdade amanhã. Lamento dizer aquilo que eu sei que tu sabes: a Verdade, em política, não é uma coisa constante, objectiva, imutável, universal. A própria evolução do mundo e os erros que se cometem provam isso à saciedade. Penso, e posso estar redondamente enganado, que «a política da Verdade» da Dra. Ferreira Leite está mais relacionada com o não prometer o que não pode ser cumprido e, acima de tudo, falar a verdade sobre o estado real do país. A verdade para a Dra. Ferreira Leite é não escamotear, disfarçar ou enfeitar a realidade. Coisa que este governo e o Eng. Sócrates tem andado a fazer há anos. O que me assusta no PS é a forma como, por exemplo, em relação aos números do endividamento, se tenta assobiar para o lado, avançando, ao mesmo tempo, com um programa brutalmente estatizante e oneroso para o país.
A questão do ADN explica-se de forma simples: vai levar gerações até se perceber o que significa essa coisa da liberdade (de escolher, de dizer «não», de optar, de tocar a vidinha sem beijar a mão do «pai») e o bem supremo que é não vivermos à mercê de um Estado que gasta mal o dinheiro e suga grande parte da riqueza produzida em nome de um common good que na prática não se materializa (veja-se o estado da Justiça, da Saúde, da Educação), e de governos que exercem um poder quase ilimitado sobre o cidadão (e este governo agudizou em muito essa situação), alicerçados num pensamento supostamente igualitário que convida a escolher a igualdade na miséria e na mediocridade à desigualdade na liberdade, e num conservadorismo quase autocrático. Esta democracia, no sentido lato, é pueril e trôpega, Pedro. Não é a Dra. Ferreira Leite que vai mudar qualquer coisa de significativo. Se mudar qualquer coisa, já seria salutar. Entre a Verdade/Mentira da Dra. Ferreira Leite, e a Verdade/Mentira do Eng. Sócrates – para já não me «oferecem» outras alternativas – não hesito um segundo. É lixado, mas é um facto: a política é o mundo do possível, do contingencial e do transitório. Como diria o outro, melhores dias virão. Abraço.
Post imperdível do Rui Castro, a propósito dos devaneios de quem, ao invés de ler o programa eleitoral que pretende criticar, opta por fazer aprofundada análise estatística tendo por base a avançadíssima ferramenta de procura de texto do Acrobat Reader.
A Silly Season pela fantástica mão do Pedro Lomba [que quase me fez acreditar neste texto].
O rui a., meu ilustre companheiro do blog O futuro é agora, está rendido ao programa do PSD. Devo dizer que, não obstante uma ou outra discordância de pormenor, eu também. E pelas mesmas razões (ver aqui, aqui e aqui). A 1 de Junho do ano passado, não esperava vir a encontrar tanto das orientações que defendi durante a campanha das directas no discurso e no programa de Manuela Ferreira Leite. Mas ainda bem que encontro. As ideias fazem o seu caminho.
O programa eleitoral do PSD foi apresentado. Está mal. Com a sua apresentação, um dos mais sólidos e intelectualmente honestos argumentos socialistas – o de que o PSD não tinha ideias, não tinha a mais pálida ideia do que queria para o país, daí não ter programa (só comparável, note-se, com o potente e seríssimo argumento do «salazarismo») -, deu o toque de finados. Uma chatice. Mas uma chatice que durou horas. À noite, na SIC Notícias, o Sr. Vítor Ramalho, militante do partido socialista, afirmou o óbvio (para ele e para o seu partido): o programa eleitoral do PSD é de uma «vacuidade confrangedora», afirmando-se triste por esse facto. Comungo do aborrecimento e da tristeza do Sr. Vítor Ramalho. O Sr. Vítor Ramalho aguardava, sonhava, suplicava por um programa riquíssimo, repleto de rasgos de génio, propostas revolucionárias e ideias libertadoras. O Sr. Vítor Ramalho desejava, afinal, o bem para o PSD. Todos sabemos que sim. Infelizmente, saiu-lhe a fava. Igualmente conturbado, a resvalar para a irritação (é um homem, de facto, com tendência para a gravidade), o Carlos Abreu Amorim também se mostrou descontente com a Dra. Ferreira Leite (caso, aliás, estranhíssimo). E o nosso Pedro Marques Lopes (presente no estúdio com Vítor Ramalho) também. Aliás, toda a gente o fez, embora, convenhamos, por razões distintas. Vítor Ramalho, ainda assolado pelo fantasma do «neo-liberalismo», que ele não faz a mínima ideia do que é (ninguém, em boa verdade, ainda o explicou convenientemente) mas jura a pés juntos que a besta está mais ou menos moribunda (mérito da crise «internacional»), viu no programa do PSD um regresso da desregulamentação e do assalto dos interesses privados ao erário público. Pedro Marques Lopes, pelo contrário, acha que o programa do PSD ficou muito aquém do desejável no que toca à «desestatização» da economia e da sociedade. Estavam, portanto, os dois, em directo, descontentes com o programa e com a Dra. Manuela Ferreira Leite – uma mulher que desilude todos os dias pelo menos um milhar e meio de portugueses. A SIC Notícias esteve, aliás, muito bem ao ter convidado para o debate um ferrenho e empedernido socialista – que nunca ousou em tempo e lugar algum despir, por um minuto, a jaqueta partidária que o envolve freiraticamente quando é convidado a «analisar» o país e o mundo – e um vero liberal (no bom sentido da palavra, convém dizer, que é termo que constitui anátema em Portugal) que por diversas vezes, nestes últimos meses, demonstrou «desilusão» (chamemos-lhe isso) pelo ideário da actual direcção do PSD. Com uma diferença que importa relevar: o Pedro é um homem que, não renegando o seu posicionamento ideológico, consegue reunir para qualquer debate essa nesga de imparcialidade que tenuemente qualquer pessoa intelectualmente honesta consegue sintetizar, ao passo que Vítor Ramalho faz questão de nunca se desprender do engajamento politico-partidário que o espartilha e que, na hora do discurso, descamba numa vacuidade analítica confrangedora (onde é que eu já ouvi isto?). Seja como for, estiveram todos muito bem. O programa eleitoral do PSD é nulo em rasgos de génio, parco em novidades e tímido no que respeita à concretização do seu inestimável desígnio: acabar com o dirigismo asfixiante do Estado.
Acrescento, apenas, dois ou três pormenores (que, tenho a certeza, não beliscam as desiludidas luminárias). Pela sua natureza, timing e contexto, qualquer programa eleitoral de qualquer partido é mais ou menos previsível. Ninguém em Portugal ousou ou ousará surpreender um só mortal com um programa eleitoral (o que é o programa do PS senão uma paupérrima amálgama que repisa promessas não cumpridas e um socialismo requentado para conquistar as franjas esquerdistas?). No fundo, ninguém, em Portugal, ousará «rasgar» o que quer que seja. Este é um país cuja tradição liberal é ínfima e cuja disposição para a mudança é inerte. É isso mesmo Carlos e Pedro: não se ganham eleições em Portugal dizendo que se vai acabar com as Golden Shares ou que se vai pôr em prática um sistema de protecção social misto (publico-privado) ou que se vai privatizar a Caixa Geral de Depósitos. Cairia o Carmo e a Trindade. Mais: a própria ideia de cortar a direito com o investimento público pode ser fatal. Não se trata do eleitorado ser maioritariamente de esquerda (também o é, de facto). Trata-se simplesmente de vivermos num país onde o ADN dos seus habitantes não comporta uma atmosfera de rarefacção do peso paternalista e dirigista do Estado, no qual o Estado Providencia (apesar de essencial) é uma espécie de altar onde todos vão rezar, pedir amor e protecção – porque, também é verdade, o que o Estado suga da economia e das famílias conduz a essa doentia interdependência. Esperar do programa eleitoral do PSD aquilo que ele não pode dar, dados os condicionalismos históricos, económicos e sociais, e a própria génese do seu povo, é que me parece confrangedor e potencialmente risível.
(originalmente publicado aqui)

"Cavaco Silva garantiu que está a acompanhar com "muito interesse" tudo aquilo que vai acontecendo no país, procurando "interpretar os factos e os acontecimentos para, se for necessário, dizer uma palavra aos portugues".
Cavaco Silva pediu para que não "tentem desviar as atenções dos problemas graves que Portugal atravessa e reafirmou que "Portugal atravessa um momento muito grave".
"Os candidatos a deputados e os partidos políticos devem concentrar a sua atenção sobre os grandes problemas do país, como o desemprego, a pobreza ou o endividamento, insegurança, competitividade ou cuidados de saúde", declarou o Presidente da República.
"Com certeza que alguns podem desejar afastar as atenções de que o desemprego é elevado, porque Portugal tem problemas de competitividade e de insegurança... Mas o Presidente da República é aquele que está acima dos partidos políticos e se pauta exclusivamente pela defesa do superior interesse nacional."
Eis que quando tudo se espera de Isaltino Morais nos chega agora uma bela peça de publicidade aos 250 anos do Foral de Oeiras em horário nobre na Televisão. Ele é o géiser, o arvoredo e as casas que vieram substituir as barracas…dos 250 anos nem uma palavra mas pouco falta que se oiça "viva o Isaltino "no dito anúncio. Certamente pago pelos contribuintes, Isaltino lá se mantém fiel aos esquemas a que se habituou, usar os dinheiros de todos em proveito próprio.
Pena que no anúncio, já que tão personalizado, não conste que a condenação a 7 anos de prisão efectiva diz respeito a crimes praticados no exercício do cargo . Espero que os oeirenses não deixem passar este comportamento em claro, outra vez.
Grande ideia: oferecer um "estágio profissional", como assessora, a uma candidata a Vereadora nas próximas eleições autárquicas.
Não só vai conhecendo os dossiers como, melhor ainda, começa já a receber antes das eleições.
Se o PS nacional agarra a ideia, lá se vai a contenção orçamental autárquica.
Já está anunciada a nova obra de Saramago: Caim. Um texto que se apresenta como um ajuste de contas definitivo com os homens que criaram Deus. Passando por cima da prosápia do adjectivo, próprio de quem se assenhoreou já de um absoluto praticamente divino, sempre que me dou conta das pirraças com que o rebelde escritor gosta de afrontar o Criador, ocorre-me evocar a memória de um grande Poeta, Rodrigo Emílio, que lhe dedicou uns versejos:
Saramago Segundo Jesus Cristo
Est'ano Senhora trago
Comigo um pesado encargo
Intenção extra e concisa:
A de orar por Saramago
Que coitado bem precisa
Não tivesse Cristo-Rei
Um tão imenso fair-play
E já Irmão Saramago
Agora teria pago
Com juro e língua de palmo
O seu sacrílego salmo...
José Saramago, visto
Ao vivo por Jesus Cristo...
Saramago o escritor
Biografadinho e descrito
Segundo Nosso Senhor:
Havia de ser bonito! ...
O que salva é Cristo-Rei
Ter um tão grande fair-play
Quando não Virgem Maria
Esse Evangelho vermelho
Onde é que já não estaria
Proponho assim, por descargo
- como quem dá a camisa -
Rezarmos por Saramago
Que bem precisa coitado! ...
Mãe dos Céus, Oh se precisa.
Os senhores que tratam das malas no aeroporto estão em greve. Não trabalham. Faltam 95% dos trabalhadores. Há confusão com as malas, atrasos e problemas. É um dia como os outros no aeroporto de Lisboa.
A escasso mês das próximas eleições legislativas, o Diário de Notícias divulga uma fuga de informação, alegadamente oriunda do próprio Departamento Central de Investigação e Acção Penal, segundo a qual “Até agora não há nenhum indício contra o primeiro-ministro”.
Essa fuga dever-se-á provavelmente ao facto de algumas almas estarem muito preocupadas com os “danos políticos” que o caso Freeport pode provocar a José Sócrates.
Daí a oportunidade do timing…
Mas também é certo que a referida fuga de informação não surpreende se nos lembrarmos que Cândida Almeida, responsável pela investigação no DCIAP ao caso Freeport, já assegurava em 30 de Janeiro passado, numa entrevista à RTP 1, que "Sócrates não está a ser investigado"...
Se não está a ser investigado como poderia ser suspeito?
Acontece que, na mesma ocasião, a referida directora do DCIAP também afirmou, perante notícias que envolviam o actual Primeiro-Ministro nas suspeitas de corrupção do caso Freeport (alteração à Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo, decidida três dias antes das eleições legislativas de 2002, através de um decreto-lei, quando Sócrates era ministro do Ambiente), que iria instaurar “um processo contra desconhecidos” para apurar de onde partiu a "fuga de informação".
Ficamos pois à espera de saber se a procuradora Cândida Almeida vai também desta vez instaurar “um processo contra desconhecidos” para apurar de onde partiu esta nova "fuga de informação", noticiada pelo DN.
Caso contrário, que o Estado de direito requiesceat in pace.
Um aspecto final: na altura e à semelhança do que já se passara com o sórdido caso “Casa Pia”, não faltaram dirigentes socialistas a acusar a comunicação social de estar a fazer uma campanha negra contra o PS.
A manter-se o seu silêncio percebe-se que esta fuga para o DN já não é campanha negra. Deve ser cor-de-rosa…
Segundo o jornal SOL, foi descoberta na casa de Dias Loureiro uma arrecadaçãozinha pela qual se entrava por uma porta oculta numa casa de banho. Nessa pequena divisão, ao que parece, estavam documentos relevantes. Que maçada. Já estou a ver os técnicos da Câmara Municipal lá do sítio a pedirem a licençazinha daquela obra. Oportuna. Mas porventura ilegal.
Relembro aqui um grande anúncio de John Mccain. Dos melhores da campanha presidencial do ano passado nos Estados Unidos.
O Bloco Central não é pacto de regime, é pacto de silêncio.
Repararam que Augusto Santos Silva comentou o programa do PSD como se Manuela Ferreira Leite fosse a primeira-ministra e ele deputado da oposição? Má estratégia do PS.
"PORTUGAL foi a Guantánamo escolher 2 presos"
Título na 1.ª página do SOL.
Aqui está uma abordagem sofisticada aos direitos humanos...
Por momentos lembrei-me daqueles outdoors de 2005, carregados de promessas, compromissos e objectivos.
Cortesia: JMF1957
O ponto do programa de governo do PSD, é que a fasquia foi de tal maneira reduzida pelo PS, que qualquer frase escrita sem erros iria surpreender-nos pela positiva.
Noto, apesar de tudo, no programa na área económica , alguma coerência e conformidade com aquilo que o CDS tem defendido no ultimo ano.
Vale a pena ler o programa eleitoral do PSD.
Ao contrário do que diziam as habituais carpideiras situacionistas é um programa sólido, com propostas muito concretas e realistas.
Não promete tudo mas mostra uma vontade séria de desbloquear os nossos constrangimentos estruturais. Também por isso é uma lufada de ar fresco num País farto de promessas não cumpridas, farto de demagogia política.
As diferenças entre PSD e PS são óbvias: ao nível dos valores, da exigência, da visão sobre Portugal e da responsabilidade da Política perante o Futuro.
Pode-se criticar. Pode-se discordar. Mas convém antes ler. Aqui.
Hoje, ao ouvir o ministro da propaganda, percebi que Santos Silva tresleu o programa.
No passado dia 25, apenas com um telemóvel conseguimos uma emissão em directo do Jantar da Liberdade. Não prometemos nada, mas fizemo-lo. E apenas com um telemóvel.
Na BlogConf prometeram-nos uma emissão em directo da conversa de José Sócrates com os 20 bloggers e não o fizeram. Com meios técnicos sofisticados à disposição e disseram que não conseguiram.
Calma Paulo. Não posso falar pelos restantes colegas do Jamais, mas essa não é uma solução que eu apoiasse. Em nenhum cenário. Estaria certamente do lado de um grupo do estilo "Nova Esperança". Felizmente essa não é uma hipótese que se coloque neste momento, pois Manuela Ferreira Leite já disse publicamente qual a sua política de alianças.
O candidato a deputado pelo PSD, João de Deus Pinheiro, defende no i que "seria muito benéfico uma coligação PS-PSD" e que "a única maioria viável é uma maioria do Bloco Central." A verdade é que o Bloco Central é um dos cenários plausíveis na próxima legislatura. E não deixaria de ser engraçado o convívio num mesmo governo - ou no apoio a uma solução desse tipo - de bloggers do Jamais e do Simplex. Jamé?
@ascensosimoes : "O 31 da Armada deste que subiu à varanda da edilidade ficou com vertigens..." - A propósito do post de ontem sobre o cancelamento da entrevista de Sócrates à RTP.
A informação que o 31 adiantou ontem foi hoje confirmada pelo próprio querido líder ao DN.
Conclusão: O senhor secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e Florestas tem pouco jeito para apagar fogos... e o mundo rural é o que se vê.
Ontem deixei aqui um post que dizia que José Sócrates tinha cancelado "a ida à Grande Entrevista da RTP confirmada para as 20h55 de amanhã, para marcar uma iniciativa de campanha precisamente para a mesma hora da apresentação do programa eleitoral do PSD."
Um couro de apoiantes do querido líder clamou por provas, comunicados e esclarecimentos. Provavelmente, por não deviam acreditar em tamanho recuo e hesitação do Primeiro-ministro.
Lamento, mas este é o vosso líder. Pensei que já o conhecessem.
Creio que o DN de hoje já deve servir como fonte.
E a festarola de verão do PS também deve servir na perfeição a recorrente desculpa "motivos de agenda".
Sócrates tem fugido aos debates, apesar dos inúmeros desafios já lançados por Manuela Ferreira Leite.
Agora foge das entrevistas.
Não se preocupem mais. As autoridades estão a fazer inspecções às arribas em risco nas praias do Algarve. Podem ficar descansados os muitos milhares de portugueses que costumam ir a banhos em Outubro e Novembro.