"Oasis of the Seas", Crónica de Bordo - Dia 4
Se um português podia viver de café americano em vez da velha bica? Podia, mas não era a mesma coisa.
"Oasis of the Seas", Crónica de Bordo - Dia 4
As locutoras de continuidade, no tempo em que as havia, celebrizaram a expressão “para toda a família”. Disseram-no acerca de tanto filme, concurso e sitcom com o Nicolau Breyner que o rótulo se tornou absolutamente vazio. Vagueando pelo “Oasis”, contudo, o dito recupera todo o sentido (sem Nicolau nem Fernando Mendes). Há parques de diversões para crianças, uma discoteca exclusiva para adolescentes (fabulosa ideia que propomos, desde já, estender a toda a civilização), Shreks e personagens afins da Dreamworks circulando pelo navio, uma biblioteca recatada, discotecas de adultos, bares para fumadores e não fumadores, capela, casino, bar de jazz, clube de comédia, etc, etc, etc.. Sim, Isabel Wolmar e Helena Ramos, sim, Helena Isabel e congéneres: a honra da locutora de continuidade está salva.
"Oasis of the Seas", Crónica de Bordo - Dia 4
Programa da noite: “Oasis of Dreams” no Aqua Theatre, um anfiteatro ao ar livre, na popa do navio, com mergulhadores, ginastas e nadadores sincronizados. Há rótulos de champô com mais história, mas suponho que se perdoe isso a tipos que se lançam de 30 metros em queda livre para uma piscina de cinco por três num barco em andamento.
"Oasis of the Seas", Crónica de Bordo - Dia 4
Aparentemente, metade das Caraíbas é privada: mansões de estrelas pop só acessíveis por barco, praias onde só entra quem as comprou e respectiva família, hotéis faraónicos que se estendem por meia ilha. Na esplêndida St. Thomas, no entanto, todas as praias são públicas. Excepto uma: a melhor. Megan’s Bay está no top ten das melhores praias do mundo. Há poucos anos, era livre; depois, passou a ser cobrada uma entrada de dois dólares; agora, pedem-nos quatro. Em troca, garantem que ali não entram motos de água nem música alta e proibem gritarias e histerismos afins. Não é mau negócio. Mas, se continuarem a subir o preço, vão ter de oferecer mais qualquer coisa. A Pamela Anderson como nadadora-salvadora, talvez.
"Oasis of the Seas", Crónica de Bordo - Dia 4
Hoje, numa loja perdida em St. Thomas, encontrámos a primeira pessoa que parecia saber onde fica Portugal – “You’re far away from home”, disse o rapaz de caracóis louros numa ilha de negros retintos. O habitual seria qualquer coisa como: “De Portugal? Nós somos da Costa Atlântica, Washington D.C..” Significa isto, amigos, que há esperança: a crise ainda não nos pôs nas notícias tanto quanto temíamos.
"Oasis of the Seas", Crónica de Bordo - Dia 3
No “Oasis of the Seas”, há uma pista de patinagem artística. Sim, algures, um génio do mal lembrou-se de torturar arquitectos e engenheiros mandando-os construir um ringue de gelo dentro dum navio. A prova foi superada e chama-se Studio B e é palco de espectáculos como “Frozen In Time”, resumo livre dos títulos essenciais de Hans Christian Andersen tão certeiro e encantador que fez este vosso humilde escriba perceber, ao fim de mais de trinta anos, que, afinal, também podia gostar de patinagem artística. Contudo, há algo de intrigante no comportamento do público neste género de espectáculo: os aplausos saem de quando em quando, após pirueta mais espalhafatosa, como quem diz: “Sim, senhor. Este foi bem feito.” Não sei que pensa o leitor, mas, por mim, alguém conseguir manter-se de pé durante mais de cinco longos segundos em cima de duas lâminas, numa pista de gelo, num navio a balançar, já é motivo para ovação de pé.
"Oasis of the Seas", Crónica de Bordo - Dia 3
Esta manhã, no Park Café, fomos atendidos pela Xin-Xin, que é chinesa; ao jantar, somos servidos pelo Morgan, um jamaicano gigante que se denuncia no “Ya, man” com que responde a uma em cada duas perguntas; o Ronny, que faz o serviço de quartos, é filipino e é nossa missão conseguir fazê-lo perceber até ao fim desta viagem onde fica, afinal, Portugal e que língua se fala lá. E já conversámos com tripulantes de Goa, Turquia, Inglaterra, Brasil. Só no Opus Dining Room, o restaurante principal do navio, há empregados de 45 nacionalidades. Nas placas identificativas, ostentam orgulhosamente abaixo do nome o país onde nasceram. Curioso. Partiram de casa para percorrer o mundo e, enquanto percorrem o mundo, o que os identifica é a casa donde partiram.
"Oasis of the Seas", Crónica de Bordo - Dia 3
Entre outros bons hábitos dos cruzeiros, urge transplantar este para a vida de todos os dias: um cartão que é, simultaneamente, chave de casa, cartão de crédito, documento de identificação e bilhete de entrada para espectáculos. Perto disto, o cartão do cidadão é para meninos.
"Oasis of the Seas", Crónica de Bordo - Dia 3
Hoje, espera-nos somente o mar – a travessia do triângulo das Bermudas, para ser mais preciso, e que, daqui, parece bem menos perigoso do que avistado da literatura. É dia e meio de viagem até St. Thomas, nas Virgin Islands, e há vento forte e nuvens lá fora. Sem ressentimentos. O “Oasis” podia estar parado na doca de Alcântara que se continuaria a passar uma grande semana de férias dentro dele.
"Oasis of the Seas", Crónica de Bordo - Dia 3
E ao terceiro dia, o iPhoto morreu. Que o wireless a meio das Caraíbas não fosse o Usain Bolt das ligações à net, já se esperava; que um Mac abandonasse o seu fiel proprietário a meio do oceano é que não estava nos planos. A menos que um deus da informática circule por estas paragens, este diário de bordo segue até final da viagem sem fotos ou vídeos. Publicá-los-emos no regresso a Lisboa. Até lá, voltamos à forma clássica da literatura de viagem: palavras e imaginação. Numa notícia não relacionada, estamos a lançar a petição a favor da criação rápida e em força da Assistência Mac Em Viagem.
O Insurgente fez sete anos. São sete anos de leituras diárias para mim. Que continuem iguais a si próprios e que mantenham a qualidade que sempre me habituaram. Mesmo nas (muitas) vezes em que não concordo com o que escrevem. Um abraço a todos, especialmente ao timoneiro André Azevedo Alves.
"Oasis of the Seas", Crónica de Bordo - Dia 2
Ao final da tarde, regressamos ao “Oasis”. Para quem sempre conduziu utilitários e viveu em T2, há qualquer coisa de glorioso em sair da doca no maior navio da praça. À noite, espera-nos a recepção de boas-vindas com o comandante, um concerto pela orquestra do navio, o jantar e “Hairspray”, o musical da broadway, no imenso Opal Theatre. Temo que, no regresso a casa, pareça nada haver para fazer em Lisboa.
"Oasis of the Seas", Crónica de Bordo - Dia 2
Metade de Paradise Island é dominada por uma unidade hoteleira gigante chamada Atlantis. Aquilo que aparenta ser uma ponte de ligação entre duas das torres é, na verdade, uma suite de 25 mil dólares por noite. O hotel só a abre a partir de uma estadia mínima de quatro noites. De acordo com Theo, era aqui que Michael Jackson ficava hospedado quando vinha às Bahamas (um estranho destino de férias para quem não podia apanhar sol). E está reservada para os próximos cinco anos.
"Oasis of the Seas", Crónica de Bordo - Dia 2
Apanhamos o ferry para Paradise Island, um pequeno barco de pesca onde pedem que nos apertemos nos bancos “like one big happy family” porque “it’s all about love in the Bahamas”. A viagem custa quatro dólares, mais a gorjeta que quisermos dar ao guia. O fabuloso Theo é um stand-up comedian com o número bem rodado: gere, cirurgicamente, cada silêncio, piada e história. Conta-nos quanto custa cada casa da ilha e quem mora nela: Mick Jagger, Nicolas Cage, Tom Cruise, Oprah, Tiger Woods, Clint Eastwood e até, em tempos, Charlie Chaplin. Poderemos acreditar em tudo quanto diz Theo? Provavelmente não. Mas a história vale cada cêntimo.
"Oasis of the Seas", Crónica de Bordo - Dia 2
A primeira paragem do “Oasis” deixa-nos nas Bahamas. No porto de Nassau, um guia explica-nos que a economia local assenta em três vectores muito claros: turismo, banca e pesca. E, de repente, ali onde é sempre Verão, o mar tem cor de esmeraldas e por toda a parte se respira uma tranquilidade de domingo, não invejámos nada disso, mas esta extravagância de um cidadão comum saber exactamente de onde vem o dinheiro que sustenta o seu país.
"Oasis of the Seas", Crónica de Bordo - Dia 2
Às sete da manhã, esta era a vista dos camarotes a bombordo: literalmente, o Paraíso – Paradise Island, onde, entre muitas outras histórias, se filmou parte de “007 – Operação Relâmpago”. E a única coisa capaz de distrair um benfiquista da longínqua notícia dum empate no Calhabé.
"Oasis of the Seas", Crónica de Bordo - Dia 1
Às 17h locais em ponto, 20h em Lisboa, o “Oasis of the Seas” deixa Fort Lauderdale em direcção a sete dias de cruzeiro pelas Caraíbas Orientais. Na véspera, em Miami e hoje, ao longo do dia, fomos percebendo que não nos esperava um navio qualquer. No hotel ou no restaurante, se acontecia em conversa referir a razão que aqui nos trazia, o que impressionava o nosso interlocutor não era o cruzeiro nas Caraíbas, mas o nome do barco. “O Oasis?!”, diziam, invariavelmente, ao que se seguiam onomatopeias ao género de “Wowwww” e uma longa lista de adjectivos suportada por uma pequena história. “Já lá estive uma vez”, “Era para ter ido trabalhar lá”, “O meu primo já viajou nele uma vez”. E é a pura verdade, caro leitor: não estamos num barco qualquer. Enquanto aguardávamos a hora de partida, outros cruzeiros iam saindo em silêncio; quando arrancou o “Oasis”, todo o porto buzinou, acenou, disse adeus. A viagem começa aqui. Obrigado por vir comigo.
"Oasis of the Seas", Crónica de Bordo - Dia 1
O “Oasis” transporta 5402 passageiros e 2115 tripulantes. Eu nasci nos Açores, onde várias ilhas têm menos população do que isto, mas não pense que isso me torna mais impressionável. O porto de Fort Lauderdale é uma concentração de grandes cruzeiros, mas, vistos a partir dos últimos andares do “Oasis”, parecem pouco mais do que cacilheiros com esteróides.
"Oasis of the Seas", Crónica de Bordo - Dia 1
Como é que isto consegue flutuar e a minha tia Jacinta não?
Fui para o Douro este fim-de-semana. Até Aveiro a auto-estrada mudou quatro vezes de nome. Até à Régua passei por 15 (quinze) pórticos de portagem.
"Oasis of the Seas", Crónica de Bordo - Dia 1
Para chegar de Portugal a esse pequeno país em si mesmo que é o “Oasis”, é preciso passar por Miami – o que não é, exactamente, um mal necessário. Vesti o blazer directamente sobre a t-shirt em homenagem a Don Johnson, mas depressa se percebe que o estilo “Miami Vice” ficou algures onde parou a carreira do velho Don. Pelas ruas de South Beach, todos parecem em férias permanentes, de chinelos, calções e t-shirt, escondidos do mundo dos fatos e dos escritórios entre as ruelas de South Beach. A animação contínua da Ocean Drive, os pequenos hotéis escondidos entre os néons das lojas de marca, as montras cheias de manequins com bustos impossíveis, a boa vibração geral do Art Deco District – tudo constitui um doce prólogo ao caminho para Fort Lauderdale, o ponto de partida para uma viagem que, como todas as viagens, começou há muito na nossa cabeça, antes, muito antes do embarque.
"Oasis of the Seas", Crónica de Bordo - Dia 1
A minha mãe, como todas as mães, gostava que o filho tivesse sido médico, advogado ou engenheiro. Qualquer coisa que garantisse a sobrevivência, segurança e estatuto da cria. Como quase todos os filhos, contrariei-a mesmo sabendo que estava certa – tornei-me escritor. Bem sei que só talvez ganhando o Nobel a pudesse sossegar quanto à bondade da opção de vida, mas, enquanto não chega o telefonema da Academia Sueca, aqui estou, a caminho das Caraíbas, a bordo do “Oasis of the Seas”, a convite da Royal Caribbean. Cabe-me escrever um diário de bordo e trazê-lo aqui, todos os dias, e talvez conseguir trazê-lo também a si, leitor, para este mar quente que vamos agora cortando a caminho de Nassau. Nada mal, mãe. Escrever já trouxe a cria até aqui.
Congressos realizados duas semanas antes das directas e a atribuição aos militantes da responsabilidade de escolher os candidatos a deputados, eurodeputados e presidentes de municípios: são estas as propostas mais relevantes da JSD para a reforma dos estatutos do PSD. Duarte Marques, deputado e líder dos “jotas”, explicou à Lusa que a primeira ideia pretende também alargar a dimensão das directas, abrangendo, para além da votação do líder do partido, todos os órgãos políticos.
Na edição em papel do Público de hoje
Revelou toda a sua coragem e o seu espírito democrárico ao permanecer no cargo de coordenador, depois do povo ingrato ter tido a desfaçatez de mandar para o desemprego metade do grupo parlamentar do BE.
Com o seu grande talento para dar lições às massas, vem agora exortar o povo a usar da mesma "coragem" para "despedir a troika". Ou seja, prescindir do dinheiro para pagar salários dos funcionários públicos, pensões, etc. e acabar com os bancos. Enfim, ficarmos uma espécie de ... coreia do norte.
Em vez de pedirem explicações sobre o cancelamento da visita à António Arroios, os jornalistas deviam perguntar ao Presidente se já marcou nova data.
O roteiro da juventude do Presidente inclui a escola António Arroio?
Sendo defensor deste método há muitos anos para Portugal, não posso deixar de congratular Pedro Passos Coelho por esta proposta de realizar primárias para escolher os candidatos às câmaras municipais. Eu defenderia mesmo um sistema de primárias abertas, com o intuito de alargar a participação da sociedade na escolha dos candidatos. Ou pelo menos dar direito de voto aos tais "simpatizantes", figura que será criada nesta alteração estatutária. Podendo ser o primeiro passo para alargar este processo a outras eleições (nomeadamente Primeiro-ministro e Presidente da República), resta-me esperar que esta proposta vingue no seio do PSD. Menos positiva é a proposta de introduzir quotas para mulheres nos órgãos internos. Um disparate, diria.
É isso. Dar certificados é que era bom. Viu-se.
Também queriamos ter mais tempo para estarmos com os nossos filhos e um com o outro. Ela queria mais tempo para ser mãe e eu pai. Não podemos, não dá e não vai dar durante muito tempo.
É dar o nosso melhor e esperar não lixarmos tudo.
Lia-se num jornal qualquer por causa da sentença de alguém que todos queriam ver preso.
Isto de juntarmos uma justiça mediática, comentadores tolinhos a alimentar disparates em programas matinais, advogados a fingir que desconhecem as regras deontológicas costuma dar disparate. Provas? Nada. Nem uma palavra. Agora que acabou o circo e vão todos para casa, quem cuida de quem fica para trás?
Nas páginas do Diário de Notícias o Presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas queixa-se da imagem que o país tem dos militares. O país vê as forças armadas como uma instituição desnecessária e retrograda? O Presidente refuta esses preconceitos num artigo em que "por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo acordo ortográfico".
Pinto da Costa quer salvar as boas relações com o Chelsea.
O Porto leva 4 de uma equipa de manchester que nem sequer é o united e o Moreira de Sá escreve sobre...Benfica.
O envelhecimento é a forma que a vida tem para se vingar do descaramento com que existimos. É um desforço silencioso, que nos vai lentamente afastando do que fomos. The Iron Lady é também um filme sobre esse contraste. A mulher que não pode andar na rua sozinha não é a mesma que promoveu a Liberdade. A mulher resumida às paredes de sua casa não é a mesma que ajudou a derrubar o Muro de Berlim. A mulher a quem só um fantasma é leal não é a mesma que confiou a partilha do poder em quem a traiu. A mulher senil não é a mesma que fez das ideias a força da sua vida - a mulher que ia de Hayek para os conselhos de ministros e dizia: “Watch your thoughts for they become words. Watch your words for they become actions. Watch your actions for they become habits. Watch your habits, for they become your character. And watch your character, for it becomes your destiny. What we think we become”.
(também no Contra Mundum)
A jornada de trabalho do governo teve menos adesão que as jornadas de greve dos sindicatos.
Deve ser do carnaval.
O CA da Assembleia elaborou um documento sobre o custo da água que se bebe no hemiciclo.
O estudo é detalhado: apresenta os custos dos jarros, do pessoal para o enchimento, limpeza, colocação, arrumo dos vasilhames e afins.
Só uma das comissões mete água no valor de € 260/mês.
São 35.000 litros por ano (i.e. cada deputado mete em média 150 litros de água por ano).
Não será a troika a estragar a hidratação dos nossos eleitos.

Que Richard Nixon visitou a China e mudou o mundo. O Alexandre Burmester recorda aqui essa viagem histórica.
O diário de notícias explicava ontem que o Ministério da Educação tinha feito do MS trebuchet o tipo de letra oficial para a administração. O mesmo tipo de letra que o governo usa há mais de sete meses. O mesmo tipo de letra que o 31 da Armada já usa há mais de cinco anos.