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Falência moral

por Francisco Mendes da Silva, em 28.11.06

Com as dificuldades da coligação no Iraque, regressam algumas inanidades conhecidas. Num documentário da BBC transmitido este fim-de-semana pela SIC-Notícias, um conjunto de especialistas mostra-se favorável ao diálogo com a Al Qaeda. Argumentam, em resumo, que se até ao momento a estratégia da Guerra ao Terrorismo não teve sucesso, então talvez seja hora de mudar de estratégia. E exemplificam, para sua própria credibilidade, com a longa tradição de diplomacia entre as democracias ocidentais e os grupos terroristas que as foram desafiando.

Enfim, desconheço que paralelo será possível traçar entre grupos localizados como a ETA, o IRA ou o Baden-Meinhoff e uma organização internacional como a de Bin Laden. Assim como não percebo que comparação se poderá estabelecer entre as reivindicações independentistas contra um determinado estado ou os delírios ideológicos de um grupelho de poucas dezenas de activistas e as ambições da Al Qaeda e respectivas afiliadas - o domínio global, através do resgate de todo um modo de vida pelo terror apocalíptico, com o fim de forçar o  mundo inteiro a viver segundo o seu integrismo radical.

Seja como for, uma coisa é certa. Afirmar que o sucesso de uma guerra desta dimensão e complexidade - empreitada para algumas gerações - está em causa passados apenas cinco anos, é demonstrar a absoluta falência moral que nela o Ocidente arrisca.          

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