O meu post sobre o TGV suscitou comentários interessantes, tanto aqui como no twitter. E até n'O Insurgente. Vou tentar responder aos pontos principais que foram levantados.
Congestionamento da linha do Norte: até ao momento em que escrevi, não tinha conhecimento de qualquer objecção à ideia de que a linha estava irremediavelmente congestionada, que consta dos estudos em que se baseou o projecto. Várias pessoas me responderam no sentido de dizer que não é bem assim. Pelo que percebi não há estudos que permitam sustentar a sua posição. Mas que isso não seja impedimento: se a CIP financiou um estudo para Alcochete, alguém há-de financiar um estudo para o descongestionamento da linha do Norte. Pessoalmente, teria o maior interesse em ver esse estudo feito. Agora, não é assim porque ando de comboio e sei... é um argumento fraquito.
Mercadorias: na minha opinião, a ligação às redes transeuropeias justifica-se essencialmente para o tráfego de mercadorias. O Henrique Burnay chama-me a atenção para o facto de as mercadorias circularem em velocidade alta e não em alta velocidade. Certo. Mas justamente, a ligação Porto-Vigo é VA, não AV. Uma eventual ligação Aveiro-Salamanca seria VA, não AV. Já a ligação Lisboa-Madrid será supostamente AV (o que não impede a circulação de composições mais lentas).
Mercadorias II: o Daniel Rodrigues defende que a verdadeira prioridade é Aveiro-Salamanca, sem necessidade de qualquer TGV. Admito que, ultrapassada a questão do congestionamento da linha Lisboa-Porto, assim seja. Mas essa questão parece-me longe de estar ultrapassada.
Mercadorias III: o Henrique Burnay relembra o desígnio de ligar Sines à rede de velocidade alta. Fará sentido se a rede vier a passar por ali perto (Lisboa-Madrid via Badajoz). Mas não penso que faça sentido a rede passar por ali perto, e Sines por si só não me parece justificar os custos dessa ligação. De certa forma, seria acoplar um segundo elefante branco ao primeiro.
Conclusão: apesar de o TGV ser terreno politicamente minado (e disso se ter notado na exaltação de algumas reacções) há espaço para um debate racional, onde cabem especialistas e cidadãos interessados. E isso também se notou. Balanço positivo, portanto.