Quinta-feira, 5 de Março de 2009
A dada altura, RAF escreve,
«O actual clima de conflitualidade que o poder político projecta sob certas classes profissionais terá, a prazo, que dar lugar a uma intensa cooperação entre os diversos intervenientes na cadeia de valor. Ora, tal dificilmente se conseguirá se não houver um realinhamento dos incentivos gerados.
Esta é a parte do percurso mais delicada de trilhar, desde logo, porque é neste universo que surgem as maiores resistências à mudança, movidas pelo status quo, que tem a sua particular posição fortemente protegida por uma teia complexa de dispositivos legais e administrativos anacrónicos. A revisão das carreiras, a possibilidade de laborar em horário descontinuado, de estabelecer remunerações em função dos objectivos, a promoção do mérito, entre outras medidas, algumas, dolorosas, outras fonte de motivação para os profissionais, embora difíceis, impõem-se como fundamentais.»
Como parte de uma dessas classes, admito que as reformas acima são tão necessárias como desejáveis. Alerto, no entanto, para o seguinte facto. Nos serviços públicos, mesmo nos novos hospitais-empresa, funciona mais a lógica do yesman do que do mérito. Isso é um reflexo do modo de gestão e financiamento que tem sido adoptado e que urge corrigir. Fazer a revisão das carreiras médicas (e também da dos enfermeiros) sem fazer esta última correcção, colocará os profissionais de saúde ainda mais reféns de um sistema hierárquico tão aleatório quanto autoritário e cujo patamar último é ocupado pelo Estado.
Ironicamente, tem sido o próprio Estado a manter o status quo. Tal como a maioria das reformas da saúde deste governo, propagandeadas mas não concretizadas, a revisão das carreiras médicas tem sido adiada sucessivamente desde o início da legislatura. Ao Estado e ao governo não convém expor as feridas, principalmente em ano de eleições. Seria um péssimo final da legislatura e estou certo que seria mesmo o final.joaompinto

publicado por João Moreira Pinto às 17:56
link | merkel perdeu as eleições em frança
2 comentários:
De Pedro Marcos a 5 de Março de 2009 às 22:42
"Nos serviços públicos, mesmo nos novos hospitais-empresa, funciona mais a lógica do yesman do que do mérito."

A sério???
Mas que grande novidade!
É por isso que entre o princípio e a realidade das coisas vai a distância que se sabe.
Tal como o "socialismo real", também existe a "meritocracia real".
Gestão por objectivos?
Pois a crise actual deve muito a essa forma de gestão, do "vale-tudo" para justificar a superação do mesmo, nem que seja à custa da verdade e do valor real.
Teóricos da treta, é o que são.


De Antoine a 11 de Abril de 2009 às 15:56
Um misto "gastronómico" de ignorância e vontade de influência. Toda a gente sabe mas toda a gente que as pessoas que trabalham nos sectores referidos são aqueles que: Ostentam residências de luxo,carros topo de gama,férias em locais paradisiacos ! Para quê então a reestruturação revisão das carreiras?! »já têm tudo ! vejo o meu e muitos , mas muitos povos a definhar social,económico,e mentalmente .É presiso reinventar a sociedade esta morreu .E pior : a guerra, sim! sem medo das palavras a guerra já começou por aqueles que não têm que dar aos filhos ao fim do dia . Um mundo novo precisa-se.Sugiro um filme»»Marley e my e como um cão consegue mostrar ao homem o quanto vale o sentimento , e a felicidade .


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