Durante a semana que passou, a violência doméstica esteve em destaque no RCP1. O repto era lançado todos os dias: «O que pode ser feito para acabar com a violência doméstica?» Sentado ao volante do carro, a caminho de casa ou a partir dela para mais uma noite de trabalho, pensava no tema. O que é que cada um de nós pode fazer com para travar a violência doméstica? Nós que não batemos nas nossas mulheres, que não abandonamos os nossos velhos, que não sovamos os nossos filhos, mas que achamos errado que outros o façam. Nós que não somos violentos em casa, mas acabamos por lançar impropérios aos outros automobilistas que se atravessam à nossa frente, param em segunda fila, travam a fundo no amarelo.
O primeiro passo para acabar com a violência doméstica deve ser tomado por todos nós: lutemos contra violência das nossas vidas. Temos tendência a canalizar as nossas angústias e as nossas frustrações para os outros. No trânsito, no trabalho, nos blogues, em família (porque violência não é só física) muitas vezes somos agressivos; demasiado agressivos, vezes demais. Temos que aprender a domesticar esta violência.
Falou-se muito em denunciar. Claro que é importante apontar os casos bárbaros que tivermos conhecimento. Apesar de a violência conjugal ser um drama que mata demasiadas mulheres por ano, lembro que a violência dentro de portas estende-se também às crianças e aos velhos; frequentemente sob a forma de insultos e terror psicológico mais que agressão física. Esta passa na maior parte dos casos incógnita, infelizmente.
1. Já o fiz no seu blogue, mas não queria deixar de congratular novamente a Ana Matos Pires pela iniciativa. É de louvar trazer o tema para a agenda política e pôr os autarcas a homenagear as vítimas destes crimes hediondos.joaompinto