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querida...apresenta-me o teu escudeiro

por Rodrigo Moita de Deus, em 23.03.09

O que eu mais gosto nesta discussão sobre o casamento gay é a vocabulogia da coisa. Mais do que o triunfo do politicamente correcto temos uma verdadeira batalha de glossário com as partes a tentarem impor o que é e não é correcto dizer. Tanto no conteúdo como na forma. Reparem, por exemplo, como o “casamento gay” rapidamente se tornou em “casamento entre pessoas do mesmo sexo” conceito mais lato e muito mais friendly para a turba que terá de decidir num eventual referendo. Ou reparem, outro exemplo, como os partidários do “sim” se abespinham cada vez que ouvem a expressão “normal”.

Em mais do que uma ocasião tivemos a oportunidade de assistir a esse fenómeno. Alguém diz “a homossexualidade não é normal” e logo se erguem os dedos apontadores com a disciplina de um pelotão de fuzilamento. Até parece que estão à espera. E estão. Até parece que gostam. E gostam. E gritam “homofobia, homofobia, homofobia”.

Normal. Normal de regular, habitual ou ordinário. Normal de comum ou exemplar. Desculpem lá mas se a homossexualidade fosse normal a espécie estaria tão ameaçada como o lince da Malcata.

Gostem ou não gostem, dê jeito ou não dê jeito, normal é os arbitros não marcarem penaltis a favor do Benfica, por açúcar no café e que os meninos e as meninas façam filhos. Gostem ou não gostem, dê jeito ou não dê jeito, o Sansão queria era dormir com a Dalila, a Isolda não casou com a sua aia e o príncipe encantado nunca engatou ninguém no chiado.

E enquanto não mudarem as histórias todas da Disney, normal, normal, é que meninos e meninas acasalem e tenham muitos filhos. Se há estilos de vida alternativos, para melhor, isso é outra conversa.    

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comentários

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De A Chata a 23.03.2009 às 14:14

"... Sansão queria era dormir com a Dalila, a Isolda não casou com a sua aia e o príncipe encantado nunca engatou ninguém no chiado."

Já o TINTIM , há quem tenha sérias dúvidas...

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De Ricardo a 23.03.2009 às 15:07

A teoria da conspiração sobre transformar "casamento gay" em "casamento entre pessoas do mesmo sexo" só mesmo na sua cabeça. Essa atitude de calimero do politicamente correcto não tem razão de ser, "casamento gay" usa-se e bem à vontade. Acredite, ninguém tem paciência para estar constantemente numa discussão a repetir "casamento entre pessoas do mesmo sexo" 500 vezes.

Quanto ao "normal", a questão mais importante é esta: porquê tanta preocupação em acusar o comportamento gay como anormal? É porque somos pessoas muito arrumadinhas e gostamos de usar gavetas de normal e anormal, ou porque queremos justificar qualquer coisa mais tarde?
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De Rodrigo Moita de Deus a 23.03.2009 às 15:40

Caro Ricardo,

Também sou uma vítima do politicamente correcto. Nunca utilizei a expressão "anormal". Até porque não vejo que a homossexualidade seja o oposto de "normalidade". Para os devidos efeitos, prefiro o termo "excepcional". Se quiser extraordinário.
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De João Lopes a 23.03.2009 às 15:20

Totalmente certo, Rodrigo.
E olhe que abespinham mesmo.

Já o tinha comprovado quando tentei explicar que NORMAL é a água ferver a 100º. Admitimos porém que, em certos casos, como no topo do Everest, por exemplo, a água possa ferver a 72º, na medida em que as condições de pressão padrão ( ou seja 1 atm), obtida ao nivel do mar, sejam diferentes neste ponto. E dizemos isto sem nos questionarmos. Aceitamos universalmente que NORMAL é a água ferver a 100º. O resto são excepções, para não dizer desvios.

Mas.... há quem ache que não.

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De miguel a 23.03.2009 às 16:14

o grande problema deste post é a definição de normal! A normalidade digam o que disseram é um dado meramente estatistico e matemático dependente da população! Por exemplo se fizessem o estudo com a população dos conselhos do vaticano, se calhar o normal era ser assexuado. nem nenhum heterossexual é normal nem nenhum gay é normal, é gay ou é hetero ou bi ou whatever, a normalidade não entra na discussão. dizer que os hetero são normais, se não é homofobia é um complexo de superioridade, tal como existe quando se olha para os humanos como os seres mais evoluidos do planeta.

Sobre o lince da Malcata e os comportamentos homossexuais dos humanos, ha inumeras especies de mamiferos com parceiros do mesmo sexo, em muitos primatas as femeas escolhem outras femeas como parceiras, e tem comportamentos lésbicos e so acasalam com machos para reproduzir, o mesmo acontece com os golfinhos machos que normalmente escolhem outros machos para parceiros e tem contactos sexuais frequentes, e acasalam com femeas uma ou duas vezes por ano, reproduzem-se e acabou. voltam para o macho seu parceiro para a vida. E nenhuma destas especies está ameaçada, aliás a Homosseuxualidade no ser humano existe ha milénios, e a especie nunca esteve ameaçada, alias no muito avançada sociedade grega ou na belica sociedade romana, a homosseualidade era não só estatisticamente normal, como era encorajada e muito bem aceite.

Acho que ler um bom manual sobre estatisca e a sua aplicação sobre a normalidade e psicologia, assim como um bom livro de comportamento animal poderia ajudar o autor a fazer um post factual, e não a debitar os seus preconceitos como leis universais.

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De Rodrigo Moita de Deus a 23.03.2009 às 17:46

Caro Miguel,

Vamos por temas.
1. "A normalidade digam o que disseram é um dado meramente estatistico e matemático dependente da população!"
esse é exactamente o meu ponto. e como o principe real não é amostra do país...
2. "ha inumeras especies de mamiferos com parceiros do mesmo sexo, em muitos primatas as femeas escolhem outras femeas como parceiras, e tem comportamentos lésbicos e so acasalam com machos para reproduzir"
a discussão é sobre o casamento. não sobre aquilo que um homem (ou mulher) faz para se divertir ao fim-de-semana.
3. "Acho que ler um bom manual sobre estatisca e a sua aplicação sobre a normalidade e psicologia"
isso é que não. toda a gente sabe que eu não leio livros. odeio livros. morte aos livros. mas parece-me que o facto do Ken ser namorado da Barbie, em vez de dormir com o Action Man, diz muito sobre convenções sociais.
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De Pêndulo a 23.03.2009 às 20:07

Mas o Rodrigo só se diverte ao fim de semana? Não vai uma a meio?
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De Rodrigo Moita de Deus a 23.03.2009 às 23:28

durante a semana é preciso trabalhar
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De Jacinto Leite Capelo Rego a 23.03.2009 às 16:51

Brilhante, Rodrigo. Cá vamos nós ter de aturar a bichanada nos comentários...
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De miguel a 23.03.2009 às 17:02

Não sei porquê inferir sobre a minha sexualidade pode mostrar brilhantismo nos argumentos do rodrigo, que eu destrui com razão e factos! Mas se me tentam colocar numa dessas "Caixas", coisas que os nazis faziam com triangulos cor-de-rosa, garanto-lhe que não é na caixa "bicha" que eu me encaixo, lol.
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De A Chata a 23.03.2009 às 19:28

O que não é nada normal é que gente adulta continue a pensar que se negar as realidades que nao lhe agradam estas deixarão de o ser.
O que não é normal é que gente adulta continue a defender que a sua 'normalidade' é a única e a verdadeira.
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De J2P a 23.03.2009 às 19:52

Abençoado país que, em circunstâncias como as actuais, só se tem que preocupar com paneleirices...
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De Tiago Moreira Ramalho a 23.03.2009 às 20:19

Rodrigo,

Chamou-me especial atenção a parte do engate no Chiado. É que ainda ontem fui ao Chiado e vi uma número desproporcionado de indivíduos que, não tendo eu certeza de nada (notas necessárias, para que não me façam mal), me pareceram gays. É a sede do partido ou assim?
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De kruzeskanhoto a 23.03.2009 às 21:27

E porque raio não hei-de poder dizer fufa, paneleiro ou rabeta?! Façam lá o que quiserem com o cú mas não queiram limitar a liberdade de expressão dos outros.
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De Miguel a 24.03.2009 às 20:10

1º Fazemos com o cu, com a boca, com a lingua, com os dedos, com os labios, com a vagina, com as mamas, com a pila, com as orelhas, com os dentes, e com muito mais.. como se costuma dizer fazemos festas com o corpo todo...

A razão para não usar rabeta, ou paneleiro é a mesma porque não te chamamos otário, inbecil, cromo, ou tone! Ou porque não chamamos "preto" ou Filhos da Puta(tirando aos arbitros), não é socialmente bem aceita que pessoas com pelo menos 2 dedos de testa se insultem só por prazer. Não é uma questão de liberdade de expressão amigo kruzes canhoto, mas sim de inteligencia
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De Tio Patinhas, o próprio a 24.03.2009 às 21:00

Normal... de norma, entendeu? Vá lá ler os compêndios que só folheou, e depois far-se-á luz sobre o sentido de normal.
Por outro lado, talvez tenha razão. O próprio Walt Disney farto-se de criar tios e tias, sobrinhos e sobrinhas, e não consta que Donald e Margarida acasalassem... Nem se conhece nessas revistinhas da Disney-pré-hollywood, casais normais como manda a Santa Madre Igreja. Como exemplo de 'norma', parece-me que o universo Disney é, assim, como um acto falhado.

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