Eles não querem que levemos a sério os jornalistas. Segundo o Partido Socialista, são os culpados das acusações que recaem sobre José Sócrates. A tese da cabala e das forças ocultas, que tanto tem sido explorada pelos dirigentes do PS, sugere que há uma conspiração para “tramar” Sócrates. Mas ontem soube-se que o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, João Palma, pediu uma audiência ao Presidente da República para debater as pressões que os responsáveis judiciais têm sofrido sobre o caso Freeport.
Um arquivamento deste processo, como tem sido ventilado pela imprensa, seria a machadada final na (pouca ou nenhuma) credibilidade da justiça portuguesa. E esta, que parou a investigação durante mais de quatro anos, sairá sempre manchada deste processo. A dúvida é se terá capacidade para ilibar, ou não, os suspeitos, ou acontecerá o mesmo de sempre nestes processos mediáticos: mesmo depois de terminarem, as dúvidas permanecem.
Entretanto, o Correio da Manhã informa que os magistrados querem ouvir José Sócrates sobre alguns factos vindos a público nos últimos dias. Será que se a imprensa não tivesse noticiado este caso, alguma vez teríamos ouvido falar no Freeport? Será que sem o escrutínio dos meios de comunicação social, este caso já não teria morrido há muito?