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De que tamanho é a tua unanimidade?

por Rodrigo Moita de Deus, em 04.02.07

"(...) nem a ciência consegue estabelecer, com o mínimo de unanimidade, quando é que o embrião passa a ser uma pessoa"

Zé Diogo Quintela no Sim no Referendo

 

O Zé Diogo considera que ele há o mínimo de unanimidade e o máximo de unanimidade. É quase unânime que o mínimo de unanimidade está a uma distância mínima do máximo de unamidade. Porém entre o mínimo de unanimidade e o máximo de unanimidade está uma média unânime insuficiente para satisfazer o Zé Diogo. Mas atenção. Não é unânime que a unanimidade tenha tamanho.

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comentários

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De Zé Diogo Quintela a 05.02.2007 às 00:54

Rodrigo, obrigado por teres apontado tão bem o pleonasmo que eu usei. Devia, como é óbvio, ter usado consenso em vez de unanimidade.
Agradeço, se bem que saiba que não foi um favor desinteressado, mas sim uma forma de retribuir um que o Ricardo te prestou, ao apontar um engano teu, aqui há atrasado.

http://gatofedorento.blogspot.com/2005_01_23_gatofedorento_archive.html

Mas, hélas, muito embora eu e o Ricardo sejamos amigos e colegas, o teu favor não está pago, uma vez que ainda me sinto em dívida. Continuas, portanto, a dever-lhe. E eu estou em dívida para contigo. Quero saldá-la.
Sendo assim, fui à procura do tal post de que o Ricardo falou e, felizmente, achei logo algo com que retribuir: é que, ao contrário do que tu afirmas, não foi Francisco de Almeida que penhorou as barbas dele em Goa, mas sim D. João de Castro. Coitado do D. Francisco de Almeida que, pelos vistos foi por ti escanhoado depois de morto. Felizmente, és mais certeiro com a caneta do que com a Gillette.
Favores pagos à parte, a recordação daquele post remeteu-me para a indignação que, naquela altura, algumas pessoas sentiram por o Ricardo ter uma posição política. E, por extensão, todos os humoristas. Vendo como param as actuais modas, parece que essa indignação está ultrapassada. Felizmente. Segundo os novos desenvolvimentos, lidos no teu blog, os humoristas podem ter posições políticas: não podem é expressá-las publicamente.

Abraço

zdq
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De Rodrigo Moita de Deus a 05.02.2007 às 11:33

Ò meu querido Zé,

Se me tivesses avisado desse interesse nos meus erros e eu próprio (olha um pleonasmo) teria tratado do assunto apontando outros ainda mais aerodinâmicos para atirares de volta.

Mas temo que não tenhas percebido o sentido do meu post. Vamos a isso.

Abóboras para o pleonasmo e para a gramática! Sabes bem que não tenho o talento do Ricardo para revisor ortográfico (digo-o com cobiça). O que me interessa na tua prosa é esse requentado conceito de “mínima unanimidade” (ou consenso, se assim entenderes).

“A partir do momento em que nem a ciência consegue estabelecer, com o mínimo de unanimidade, quando é que o embrião passa a ser uma pessoa, não considero aceitável que o Estado proíba alguém de abortar.” (ZDQ)

Que belíssimo argumento! Mas já agora, qual é o tamanho da unanimidade necessária para que o Estado legisle sobre o aborto? Maior ou menor que a unanimidade necessária para legislar sobre…os direitos das mulheres, por exemplo…ou o consumo de drogas, outro exemplo…a condução sobre o efeito de álcool…Haverá mínimos olímpicos de unanimidade a cumprir para futuras iniciativas legislativas?

Mas olha…pensando bem…admito que esteja a ser miudinho com os conceitos. Esquisito de boca com as palavras. No fundo, no fundo, podia ser pior. Podia não ser unânime.

Um abraço amigo,

RMD

PS: Se não me quiseres falar mais sobre o tamanho da tua unanimidade, compreendo. Mas já agora...a tua bandeirinha...de que tamanho é?
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De isa a 05.02.2007 às 12:01

Meninos, o tamanho da unanimidade e/ou da bandeirinha n interessa o que interessa é o que se faz com ela... desde que seja jeitosinha... Bjs
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De Anónimo a 05.02.2007 às 13:24

"não tenho o talento do Ricardo para revisor ortográfico"

nem para outras coisas...
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De Inês a 05.02.2007 às 15:27

Ó Rodrigo,
Tu às vezes (só às vezes que é para não ficares com a mania) tens graça. Desta vez tiveste MUITA GRAÇA... digna dos melhores sketches do Gato Fedorento.
Bjs
Inês
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De Ze Diogo Quintela a 05.02.2007 às 16:00


Rodrigo

Está descansado que percebi o sentido do teu post. Não achei foi que valesse a pena comentá-lo, uma vez que, como demonstras na resposta ao meu comentário, só queres falar do meu erro. Vamos então falar sobre o meu argumento.
(Para já, para facilitar, permite-me mudar unanimidade para consenso.)

O consenso (ex-unanimidade) de que falo, não é relativo à lei. É relativo a um pressuposto da lei. Se proíbes o aborto porque é um atentado a uma vida humana, mas, ao mesmo tempo, os especialistas não chegam a um consenso sobre quando essa vida humana começa, não estás a ser miudinho com os conceitos, estás só a ignorá-los. Não havendo certezas, acho que é uma decisão individual.

É giro que compares o caso do aborto a outros casos de legislação que dividem a consciência das pessoas desta maneira. Ainda ontem vi uma enorme manifestação contra o direito das mulheres. Tive oportunidade de a ver durante horas, porque estava parado na rua. É que tive um acidente, causado por um activista dos direitos dos condutores ébrios. São, de facto, dois temas polémicos e fracturantes.

Gabas a beleza dos meus argumentos, mas deixa-me dizer que os teus também não são de deitar fora. São daqueles que apetece assobiar, quando os vemos passar na rua.

Acho que os direitos da mulher são consensuais na nossa sociedade. O direito do feto sobrepor-se ao direito da mãe não é, lá está, consensual. Houve uma altura em que era consensual que as mulheres não tinham direitos. Depois houve uma altura em que havia uma divisão de opiniões, agora é outra vez consensual. Daí estar consagrado na lei que as mulheres têm os mesmos direitos que os homens.

Acho que é consensual que quem conduza bêbado deva ser penalizado, porque põe em perigo a vida de outros. Não se pode comparar uma mulher que aborta com um bêbado que mata alguém num acidente de automóvel. Digo eu. Mas acho que é consensual.

(Sobre a consumo de drogas, acho que é mais um assunto em que o Estado não se devia meter, mas isso são contas de outro rosário.)

Portanto, e respondendo à tua pergunta, acho que sim, em questões como esta do aborto, há um mínimo olímpico de consenso para se poder legislar. Até porque convém saber sobre o que é que se está a legislar. Há quem ache que se está a legislar para punir uma forma de homicídio, há quem ache que se está a legislar para proibir um comportamento íntimo que não afecta mais ninguém, senão o próprio. Ninguém deu ainda uma resposta convincente. Muito menos, consensual.

Obrigado por me permitires esclarecer este ponto. Entrego-te, penhorado, as minhas barbas. Que não tenho.

Abraço

zdq
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De Anónimo a 05.02.2007 às 18:45

Zé,

Nunca te imaginei pessoa de consensos, mas venha daí a emenda (sou um perdulário) que era ao consenso que eu queria mesmo chegar.

“Os especialistas não chegam a um consenso sobre quando essa vida humana começa”. O teu ponto de vista é pelo menos consensual junto da Lídia Jorge. Há coisa, mas não é bem vida. Há vida, mas não bem é humana. Bate leve, levemente e fui ver: era a coisa humana.

Meu querido Zé Diogo é, no mínimo, louvável a tua coragem. A discussão sobre o princípio da vida acabou há vinte anos. Tu próprio o admites quando falas em “mínimo de consenso” em vez de “polémica” ou “discórdia”. Já nem a afoita Odete Santos ousa trazer essa lança encarvoada para a justa.

É claro que existem certezas sobre o princípio da vida. Onde existem dúvidas é no tipo de direitos que estamos dispostos a reconhecer a essa vida.

Mas nesse aspecto referes que “em questões como esta do aborto, há um mínimo olímpico de consenso para se poder legislar.” Pois. O consenso outra vez. Pessoalmente tenho medo do argumento do consenso. É pau de dois bicos. Repara nisto: E no entanto, ao votar SIM, autorizas a liberalização do aborto sem que esse exista o mínimo de consenso sobre a não existência de vida.
Vês? Terias ficado melhor servido com a unanimidade.

E não existindo consenso? Em caso de dúvida? Como é? “Acho que é uma decisão individual” dizes tu. “em caso de dúvida é melhor dar protecção plena" digo eu "não vá o diabo tecê-las e estar lá mesmo uma pessoa".

É que não existindo consenso, para legislar só temos o bom senso.

Abraços amigos

RMD
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De Rodrigo Moita de Deus a 05.02.2007 às 18:51

Por lapso não assinei o comentário acima.
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De O Catraio a 11.02.2007 às 16:28

É chocante como, por vezes, o consenso e o bom senso andam de mãos dadas. A nossa sociedade está longe de primar pelo bom senso mas é minimamente capaz de optar entre liberalizar ou não o aborto. É por isso que há adultos. E para isso.

Contudo, torna-se um descalabro notar que, em Portugal, o Uso/Costume é fonte mediata de Direito. Tendo eu estudado ao de leve o tema, julgo que se as pessoas praticarem o aborto de uma forma generalizada durante alguns anos (julgo que seis), pode ser considerado como prática recorrente e, como tal, permite-se essa prática. Eu nunca chamaria nomes a uma praticante de aborto, não questiono a necessidade de abortar mas nunca responderia "Sim" neste referendo. É o meu bom senso. Não é consensual porque os meus argumentos padecem de legislação pelo Rodrigo mas vale o que vale.
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De Zé Diogo Quintela a 05.02.2007 às 22:47

“A discussão sobre o princípio da vida acabou há vinte anos”. Acabou há vinte anos? Devia estar no recreio, quando se deu essa proclamação. E não recebi o memorando. Eu e uma data de cientistas que, nos jornais e nos blogues, debatem sobre quando é que começa a vida humana. É aquando da fecundação? É quando o óvulo fecundado se vincula ao útero materno? É quando se desenvolve o sistema nervoso? Enfim, uma série de hipóteses que já vi serem avançadas neste debate. Portanto, quando dizes “É claro que existem certezas sobre o princípio da vida”, presumo que estejas a falar das tuas.

(Ah, e dizeres que eu próprio o admito porque não uso as palavras “discórdia” ou “polémica” é muito imaginativo. Rodrigo, o facto de eu não dizer algumas palavras, não significa que tenhas que me pôr outras na boca.)

Portanto, não é só junto à Lídia Jorge que o meu ponto de vista é consensual. Por falar nisso, a referência à Lídia Jorge parece-me descabida nesta nossa conversa, uma vez que não me referi a “coisa”. É tão aceitável como comparar-te ao César das Neves, porque – e corrige-me, pois posso estar a extrapolar – parece-me que achas que a vida humana começa na fecundação e, sendo a vida humana inviolável, qualquer aborto deve ser proibido. E quem diz aborto, diz pílula do dia seguinte. Será que, depois deste referendo, independentemente do resultado, te irei ver a lutar pela abolição da lei do aborto que ficar? Seja a nova ou a antiga? É que ambas permitem matar.

Já a referência à Odete Santos é bem esgalhada da tua parte. Sempre que penso que vou votar no mesmo quadradinho que algumas pessoas com quem não partilho nenhuma afinidade (tirando ter dançado tango no mesmo palco), sou quase tentado a mudar o meu sentido de voto. Só que, do outro lado, estão os gajos do PNR e da Frente Nacional (com quem não cheguei a dançar), e volta tudo ao mesmo...

Dizes que, ao votar sim, autorizo a liberalização do aborto sem que exista o mínimo de consenso sobre a não existência de vida. Tens razão. Mas é aí que reside a nossa diferença: na dúvida, eu sou por deixar a decisão à grávida. Tu, na dúvida, optas por tomar a decisão por ela. Vês? Continuo a achar que fico mais bem servido com esta do consenso.

Nesta conversa toda, Rodrigo, acho que só concordo contigo mesmo no fim, quando dizes: “É que não existindo consenso, para legislar só temos o bom senso.” É que era mesmo aí que eu queria chegar! O bom senso. Cada qual decidir com o seu bom senso. Ah, ‘pera lá, afinal não pode ser! Só se o bom senso dessa pessoa for o teu bom senso.

Abraço

zdq
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De Rodrigo Moita de Deus a 06.02.2007 às 20:22

Guardei este naco a pensar em ti: “A questão em debate no referendo não se destina a reconhecer ou a proclamar uma afirmação científica: se o feto é uma forma de vida (claro que é, embora não seja uma pessoa!)”- Carlos Fiolhais, cientista no impoluto Sim no Referendo. Claro que é uma vida. Diz o Carlos Fiolhais, esse cientista ao serviço do César das Neves. O problema é que a vida “não é uma pessoa”. Suponho que, não sendo uma pessoa, há falta de melhor, regressamos à tese da coisa.

Mas este é só um. De todos os cientistas que passaram no Sim Referendo não me lembro de nenhum que tenha ousado dizer que “não existe vida”. Posso estar enganado (é raro, mas às vezes acontece). “Existe vida, mas…” Mas não é bem um ser humano, mas não é bem uma pessoa, mas é mais um aglomerado de células. (a tese do aglomerado de células é a minha preferida). Este “mas…” que juntas à equação é só um pretexto para aligeirar a consciência. Mas é um pretexto que te leva para zonas cinzentas que tenho genuíno receio de explorar.

Enfim. Voltando à abóbora. Vida existe (dizem os teus) e está por isso formado o tal mínimo de consenso necessário para legislar. Mas, se li bem as tuas palavras o teu problema não é com a existência de vida mas “sou por deixar a decisão à grávida”. Vamos parar de andar às voltas com o assunto. Tu achas que a barriga – e o que está lá dentro - é dela, portanto. É isso? Se é, diz. Assume a coisa sem “mas…” pelo meio ou analgésicos de consciência.

É que “deixar a decisão à grávida” significa que os direitos da “grávida” prevalecem, em qualquer circunstância, sobre os direitos do “filho”. Neste caso, o meu bom senso é, por via da protecção do outro um senso comum.

Um abraço,

RMD

PS: Aceita as referências à Lídia Jorge e à Odete Santos como “ternurentas pisadelas”. Sou perdulário, mas não tanto.
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De M. Mira a 22.05.2007 às 16:26

com jeitinho ainda concluem que masturbação é genocidio...
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De Laura a 04.10.2009 às 00:00

Deparei-me com este debate hoje, um ano e meio depois. Não há qualquer problema. Independentemente da minha opinião que até vai de encontro totalmente com a opinião do Zé Diogo, tenho a dizer-te, Rodrigo, que "ternurenta", palavra que tentas usar como sendo um adjectivo, é uma palavra que, das duas, uma: ou foi inventada por ti, ou ouvida por ti, de alguém que aprendeu a Língua Portuguesa por correspondência (as unidades curriculares do curso vieram com toda a certezinha do Brasil). Talvez quisesses ter dito antes "terna". Dou-te o benefício da  dúvida. É que na altercação entre unanimidade e consenso, a verdade é que, sendo unânime  que a forma correcta de escrever o adjectivo em questão será "terna", é da mesma feita, consensual, que anda aí meio mundo a pensar que será antes "ternurenta".
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De thorazine a 07.02.2007 às 22:29

"..parece-me que achas que a vida humana começa na fecundação e, sendo a vida humana inviolável, qualquer aborto deve ser proibido. E quem diz aborto, diz pílula do dia seguinte. "

Imagino eu que ao considerarem o início da via na união dos gâmetas, vão ser implementados tratamentos de fertilização forçados a toda a população feminina que tem uma vida sexual activa, devido ao facto que 75% das fecundações bem sucedidas não chegam a completar a nidação ao útero. Numa hipotética vida do zigoto, comparo o ignorar deste facto à ausência de disponibilização de cuidados médicos a um adulto. Se é vida, não vamos tratar uns como filhos e outros como enteados! :)

phenothiazine@gmail.com
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De O Catraio a 12.02.2007 às 16:14

Caro Zé Diogo Quintela,

Fala um cientista português com residência na Buraca. Descobri, juntamente com os meus colegas, o começo da vida. Julgamos que se efectua quando o Rodrigo Moita de Deus afirma que a vida começou. Aliás, fomos subsidiados por ele para efectuar este estudo não fundamentado. Analisámos apenas um caso mas era tão singular que foi consensual a sua veracidade.

Quero ainda alertá-lo para o facto de que a discussão sobre o princípio da vida acabou, efectivamente, há vinte anos quando Rodrigo Moita de Deus finalizou a questão com a sua opinião pessoal que foi, posteriormente, promulgada pelo nosso adorado PPM, filho de Deus.

Agradeço a atenção,
Professor Djárek Kambosa,
catedrático porque sim
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De o criador a 06.02.2007 às 18:33

zé diogo,

assumo que estarás de acordo que um feto até às 10 semanas será "alguma coisa". não será "vida total", ou seja, equiparável a um nascituro (se assim fosse não haveria o crime de aborto mas sim o de homicídio), mas o concepturo já será digno de ser protegido juridicamente. . seja lá o que for, o nascituro (e isto é unânime - muito ou pouco) é já o principio de alguma coisa. não sei se já bate o coração, se sente dor ou se já fuma, mas a protecção do feto não pode deixar de estar no livre arbítrio de cada um. se a proposta de lei agora referendada for aprovada, os direitos do nascituro serão equivalentes a 0.

também não colhe o argumento de quem quer abortar fá-lo em espanha. é uma realidade incontornável que aquele que dispõe de mais meios económicos contraria com maior facilidade a lei, querendo. se arranjar um bom contabilista, conseguirei contornar com mais facilidade os impostos, pagando menos que outros que não podem ou não conseguem fugir às leis fiscais. se és coerente, zé diogo, estarás a favor da abolição dos impostos, para que não haja diferenças entre quem não paga e quem não consegue evitar não pagar.

outro factor que não pega é o papel que os pais (homens) terão no futuro do concepturo. mais uma vez recorrendo ao panorama jurídico, o papel do pai fica desconsiderado. saberás que em portugal, se engravidares uma mulher e quiseres que ela aborte, mas se ela não quiser abortar, ela terá o direito de te exigir ajuda económica para contribuires para o sustento do teu (não) querido filho? tu se calhar pensarás: mas porque razão terei eu que pagar por uma coisa que eu não quis? sendo o aborto proibido, faz todo o sentido: o pai e a mãe são responsáveis pela criação de uma vida, é lógico que sejam os dois a contribuir para o seu sustento.
então façam uma coisa: se o sim ganhar, dêm oportunidade ao pai de, nas primeiras 10 semanas, declarar que quer que a mulher aborte (será legal, limpo e seguro, não haverá qualquer problema). se ela não quiser, então o pai não terá qualquer responsabilidade com a criança e não será obrigado a nada. não te parece justo? se fores corente, far-te-á todo o sentido.

e vou-te dizer que acho, sinceramente, que quem não quer não engravida. um dos factores positivos deste debate à volta do aborto é prevenir a nossa juventude sobre como não engravidar. ganhe o sim ou o não, a prevenção, explicação e informação sobre este tema tem que constituir uma séria prioridade. parece-me uma irresponsabilidade tornar o aborto num possível método contraceptivo.

estou farto de escrever. espero continuar a divertir-me com algumas posições do não e do sim. a lidia jorge põe os batanetes a um canto. sempre que a oiço só penso em votar não.
o cesar das neves humilha o batatoon. nem o saudoso badaró lhe chega aos calcanhares. as suas palavras, as suas ideias, até a sua barba me inclina irremediavelmente para o sim.
o sucesso do sim e do não passa por limitar as intervenções destes senhores ao máximo (com excepção do batatoon, que ainda vai alegrando a camada mais petiz dos nossos nascituros - e futuros sobreviventes do holocausto abortivo).

abraços




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De O Catraio a 13.02.2007 às 11:40

Prezado Criador, pai de Cristo,

Desconheço o alvo do seu comentário mas julgo ter o direito, sendo eu um feto em termos de idade mental, de lhe responder.

Prezo a sua defesa da vida. Mostra que tem algum bom senso. O Rodrigo não lhe tira isso. Mas um feto, não pode, contudo, ser protegido juridicamente. Não vejo um feto no tribunal com o seu advogado de defesa ao lado a acusarem a mãe. Vejo-o a ser despejado pela sanita depois de abortado.
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De Samanta a 07.02.2007 às 03:01

Creio é k a questão do aborto tá muito batida.
Reparem,eu sou pelo sim (claro,sou mulher) e faço o que bem entender do meu corpo:posso tapá-lo dos pés à cabeça como uma muçulmana como também posso ir pó Intendente ou para Monsanto e vendê-lo por míseros euros.
Como também posso abortar se estiver grávida e não tiver condições para criar uma criança.Isto se a lei for aprovada.Qualquer católica achar uma blasfémia mas se ela for aprovada eu posso fazê-lo e elas não.
Mas se ela não for aprovada nem eu nem ninguém pode fazê-lo(a não ser que tenha cerca de 500 euros e deslocarem-se a Badajoz, onde fazem abortos até aos 9 meses).
Portanto percebo bem a posição do ZDQ.“A partir do momento em que nem a ciência consegue estabelecer, com o mínimo de unanimidade, quando é que o embrião passa a ser uma pessoa, não considero aceitável que o Estado proíba alguém de abortar.”
Se todos pensassem assim,este país não seria de 3º Mundo.
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De O Catraio a 12.02.2007 às 16:25

Chamem-me alarmista, faccioso ou pateta mas os seus argumentos em relação ao seu corpo parecem-me descabidos.

Continuo a achar que, caso o seu cônjuge use preservativo, pode evitar a viagem a Badajoz. Da mesma forma que aposto que a senhora usa a pílula que também é um método contraceptivo.

Quanto a vender o seu corpo no Intendente ou no Monsanto, lamento mas já não pode. Teria de ser brasileira e o seu sotaque no comentário aponta para uma alfacinha. Fique com o seu corpo para si que os míseros euros não fazem falta.
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De goodmorningfrommunich a 07.02.2007 às 17:18

Com 10 semanas o coração já bate. Já existe vida....um ser que ingere alimento, que se desenvolve orgânicamente e que respira é um ser vivo. Essa história dos cientistas a discutirem nos jornais a existência da vida parece-me surreal....ZDQ...Pode-me dizer algum jornal com um cientista a dizer que julga não haver vida? É que se conseguir é provável que ele, em vez de cientista, seja um colega seu, um humorista.
É incrivel que pessoas consigam ter e defender com tanta convicção uma opinião sem sequer estarem minimamente informados sobre o assunto...E depois como são conhecidas dão-lhes demasiado crédito...Por isso é lamentável que usem os vossos programas para fazerem campanha.
Estima-se(se a memória não me falha) que 65% das mulheres que abortam fazem-no porque são pressionadas por terceiros...No fundo, o rapaz que andou na brincadeira com a menina vai sentir-se aliviado por não ter de assumir as suas responsabilidades e por isso pressiona a menina....A familia da menina pressiona-a para não engravidar de modo a poder cortar na casaca dos outros de cabeça levantada....O aborto é uma coisa horrível, que deixa marcas profundas na mulher.....está provado que a mulher, depois de fazer um aborto, torna.se uma pessoa egoísta, sem instinto maternal, o que vai reflectir-se sobre os outros filhos que vier a ter. Depois do aborto, não há limites.....Existia esta barreira moral que era uma reprovação pública ao aborto...mas depois da vitória do sim vai haver uma aceitação generalizada do aborto. O aborto irá aumentar exponencialmente....Talvez sigamos a tendência da suiça, onde 1 gravidez em cada 8 acaba em aborto..(Repara que disse 3 vezes aborto numa frase....Sabes como é...sou de engenharias)..ou a tendência de alguns países Nórdicos....onde há associações de mulheres que defendem o poder da mulher para dispôr da vida dos filhos até 2 meses depois de nascidos. Isto sim, é seguir os países desenvolvidos....Pena que não os sígamos noutras coisas. Naquela história de se dar mais valor às ciencias exactas do que às letras....e não darmos tanta importância àqueles palradores que, sem terem conhecimentos técnicos sobre os assuntos, dão opiniões inflamadas sobre eles....em vez de terem a humildade de se informarem.
(Desculpem as eventuais falhas de português...É natural que n saia um comentário com muita fluidez porque vivo há 20 anos na alemanha e já há muitos anos que penso em alemão, e são sistemas gramaticas um bocadinho diferentes)
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De NR a 07.02.2007 às 18:09

A Vida não começa na fecundação ou com a existencia de sistema nervoso ou aquando do parto.

A vida começou há alguns biliões de anos atrás e desde então tem sido um processo contínuo!

Portanto a discussão sobre este referendo não deve ser baseada na dictomia "homicidio ou não", mas sim no nível de humanidade e saúde com que queremos que esta sociedade evolua.

Saúde, segundo a definição da Organização Mundial da Saúde, "é um estado de completo bem-estar físico, mental e social". A lei actual acerca do aborto apenas prevê a componente física. Eu não creio que uma criança não desejada e não amada possa ter uma boa saúde mental. Nem que as que crescem em orfanatos tenham uma boa saúde social.

Eu não me revejo numa sociedade onde as pessoas são obrigadas a terem filhos contra a sua vontade. Onde o que é melhor é deixar as crianças ao abandono. Onde as pessoas se chocam mais com a possibilidade de se poder abortar até umas perfeitamente aceitáveis 10 semanas do que com a prostituição infantil.

O nº de abortos irá certamente aumentar, mas o argumento de um aumento massivo é, no mínimo, especulativo e alarmista.

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De O Catraio a 12.02.2007 às 16:20

Caro NR,

Creio que a vida começou há menos tempo que isso. A vida apenas teve início aquando do nascimento de Rodrigo Moita de Deus, altura em que o calendário foi alterado e nasceu o Cristianismo.

Julgo, ainda na minha crença, que a prostituição infantil não é problema da nossa sociedade. As pobres vítimas deste flagelo têm proveniência da Europa de Leste.

De seguida, atente no facto de que a prevenção evita todo o mal-estar que referiu. Falta de saúde mental e social em inocentes jovens pode ser amputada pelo uso de uma borrachinha que cobre o orgão masculino aquando da prática sexual. É isso ou abortar. Pelo sim, pelo não, abortar faz menos danos ao homem. A mulher que se lixe. Parece-me essa a opinião do "Sim".

Contudo, não se ofenda pelas minhas palavras. Eu sou um palerma e nunca escondi isso de ninguém. A minha idade mental, ficando-se pelos quatro anos, podia ser-me renunciada se eu tivesse sido abortado. No meu caso, o país ficava a ganhar.

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