Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Cristo desceu à blogosfera

por Paulo Pinto Mascarenhas, em 07.02.07
TV Bloco

Achei muita piada à resposta de Ricardo Araújo Pereira no blogue Gato Fedorento - presumo que desta vez posso acreditar que aquilo é mesmo para mim, ao contrário do que acontece com a personagem do programa a que se refere. É porém muito difícil de responder a quem entra no domínio do sobrenatural, misturando Alexandra Solnado, Jesus e diversos poderes censórios de gente muito poderosa. Como nota prévia, agradeço também penhorado a RAP que tenha descido da sua cruz mediática, dignando-se a esclarecer um comum mortal, um mero bloguiador que realmente não está ao nível de estrelas do quilate de um morango com açúcar, de um gato fedorento ou de uma floribela. Mas, repito, é mesmo muito difícil de lhe responder, sobretudo porque todo o texto do humorista parte de um pressuposto falso: o de que eu teria a "convicção firme" de que uma "certa personagem" que interpretou no último domingo estaria a falar comigo.

Explicando por miúdos, para quem não está a par da história: a tal personagem inventada pelos GF e que, por mero acaso, usava diversas expressões que escrevi num texto aqui no 31 da Armada - "pluralismo democrático", por exemplo - levou a que uma jornalista do 24Horas me telefonasse para a revista de que sou director a perguntar se me sentia retratado. Respondi-lhe que obviamente que não e que seria aliás uma honra descabida se tal fosse verdade. Foi isso que saiu numa coluna que acompanhava a notícia de uma página com a resposta de RAP às críticas dirigidas aos Gato Fedorento a propósito da caricatura do Prof. Marcelo. No meu comentário publicado aqui e no blogue da Revista Atlântico - limito-me de novo a responder - em meu nome e das mais diversas minorias citadas pelo próprio - ao que é dado por adquirido numa notícia do "DN" de que o humorista é aparentemente a única fonte.

E o que diz a notícia? Passo a citar: "vários críticos, sobretudo na blogosfera, entre aplausos, defenderam que a rábula seria uma forma de os Gato tomarem o partido do 'sim' no dito referendo. E, para que a imparcialidade fosse conseguida, sugeriam que o quarteto desse eco da posição contrária. Críticas que explicam o aparecimento de um provedor do telespectador, encarnado por RAP (na foto), e não qualquer género de pressão da RTP ou do seu provedor."

Mais: "As 'vozes críticas usam argumentos bizarros' que partem de uma 'premissa errada', defende o humorista. 'A nossa ideia não era manifestarmo-nos favoráveis ao 'sim'', mas 'criticar Marcelo [Rebelo de Sousa] por tomar uma posição no referendo'. Uma crítica, aliás, igual às que vieram 'dos partidários dos dois lados da campanha', reforça. Isto apesar de 'nós os quatro nunca termos feito segredo de que votamos 'sim' no referendo ou das nossas opções clubísticas. Parece-nos honesto', acrescenta. É motivo para perguntar se Herman José tinha razão quando avisou que não iam ter tarefa fácil assim que entrassem em campos difíceis? "Mandei-lhe uma SMS a dizer: 'Estou-lhe a escrever para lhe dar razão'", revela RAP."

Depois da dita revelação de RAP - cá está, a presença do sobrenatural - a dita notícia segue por ali em diante, com outros pormenores diversos, mas nunca falando do que agora ficamos aparentemente a saber através do blogue dos próprios: os Gato têm afinal sido alvo de diversas tentativas de censura por parte de "gente poderosa", incluindo recados com ameaças. A que a RTP e os próprios têm resistido estoicamente. E muito bem, claro. Só fica a dúvida porque se confundiu, em todas as notícias sobre o assunto, essas repetidas ameaças de gente poderosa com as meras críticas de meros bloguiadores. A culpa deve - só pode - ser dos mensageiros.

Autoria e outros dados (tags, etc)


comentários

Sem imagem de perfil

De silva a 05.08.2012 às 20:34

Penso que isto é muito importante visto existir gente que se aproveita da posição que tem para destruir a seu belo prazer.Este processo de despedimento coletivo do Casino Estoril, já dura sensivelmente á vinte e quatro meses, nestas condições não constituirá um escândalo e uma imoralidade proceder-se à destruição da expectativa de vida de tanta gente? Para mais quando a média de idades das mulheres e homens despedidos se situa nos 49,7 anos?
Infelizmente, este despedimento coletivo tem-se vindo a tornar no nosso dia a dia numa situação de banalidade, à qual com pedidos de informação do nosso advogado que nos diz que não pode fazer nada pois é assunto do tribunal.

Em esclarecimentos pedidos ao tribunal, simpaticamente, nos dizem que o nosso advogado nos deve informar sobre o desenvolvimento do nosso processo.

E o que mais choca ainda é vermos - nos como pessoas a ser atingidas com o fim do subsídio de desemprego e que na atual conjuntura, nem emprego nem salário, tudo isto por omissão do cumprimento de deveres quer, sobretudo, por cumplicidade ativa no cometimento de atos que objetivamente favorecem o despedimento de trabalhadores.

Comentar post


Pág. 10/10