Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Da impossibilidade de fazer o mal

por Henrique Burnay, em 08.02.07
A “Samanta” , diz o seguinte, num comentário a um post do Rodrigo:

“Percebo a sua posição quando fala que muitas "meninas" são obrigadas a fazerem o aborto pelos companheiros,mas só ia perceber a posição do sim se fosse mulher.
Tenho 20 anos,gosto da minha rotina,das minhas jantaradas com amigos,das minhas noitadas...se eu agora ficasse grávida tenho a certeza que,mais tarde,iria descontar a minha frustração de ter que começar a minha vida "a sério" com 20 anos,enquanto os meus amigos continuam com as jantaradas,as noitadas,as festas,os cafézinhos até às tantas....numa criança!!Criança essa que iria ficar profundamente traumatizada.Mas não pense que não gosto de crianças,muito pelo contrário,adoro crianças!Creio que concorda comigo quando digo que as crianças devem ser criadas com muito amor e carinho,para poderem ser bons adultos e transformarem a nossa sociedade de forma a que seja um pouco mais civilizada.E é esse tipo de educação que quero dar ao meu filho.E para educá-lo de forma correcta tenho que amá-lo mais que tudo.E querê-lo.E neste momento não quero nenhum.
Se o sim ganhar,só aborta quem quiser,se o não ganhar,podia ver o meu futuro perfeito desmoronar-se por causa de uma criança.
Pense um pouco nisto.”

Eu tenho o maior respeito pela Samanta, pelas jantaradas da Samanta, pelas noitadas da Samanta. Só não me peçam que alinhe no coro “as mulheres – lálálá – nunca abortam – lálálá - sem uma boa razão. A tese de que a condição feminina ou maternal impede de cometer erros (a escolha da palavra é propositada) é uma tese extravagante. Humanamente extravagante.  

Autoria e outros dados (tags, etc)


comentários

Sem imagem de perfil

De caramelo a 08.02.2007 às 14:06

E agora, para benefício da educação das nossas meninas, a edificante historiazinha moral "O Henrique e a Samanta"
Sem imagem de perfil

De caramelo a 08.02.2007 às 14:43

Ó Henrique, e há também a história, contada no Insurgente, daquela inglesa muita doidona que fazia abortos como quem bebe uma guiness. Doudas, estas gajas.
Sem imagem de perfil

De João Monge de Gouveia a 08.02.2007 às 15:24

Caro Henrique,

Basicamente é isso! tens toda a razão!
Sem imagem de perfil

De João Monge de Gouveia a 08.02.2007 às 15:25

P.s. - Abraço
Sem imagem de perfil

De Lara a 08.02.2007 às 15:50

Como é que vocês defendem a proibição do aborto. Há muitas vezes em que as mulheres ficam à espera de filho sem o querer. Isso é algo que as pode atrasar relativamente aos homens. Se queremos uma sociedade onde haja igualdade entre homens e mulheres não podemos criar condições para que as mulheres fiquem para trás. A cuidar de filhos que não quiseram ter.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 08.02.2007 às 16:00

Confesso estava indeciso quanto ao voto mas de facto, são argumentos como os da Samanta que me fazem estar inclinado para votar Não.
Jantaradas, cafézinhos, noitadas??????
Só de pensar que uma pessoa pode abortar por comodismo, egoísmo e medo de perder jantaradas, cafézinhos e noitadas dá-me vótimos.
E o pior que tudo é que como a Samanta há muitas meninas de 20 anos que pesam assim... Confesso durante as últimas semanas tentei achar que não podia ser verdade, que não era assim... Estava até convencido a votar sim...
Obrigado Samanta acabou de relembrar o meu sentido de voto. Definitivamente NÃO. NÂO vou votar para que meninas incoscientes possam matar uma vida humana em troco de jantaradas, cafézinhos noitadas e muita cama, claro...
Sem imagem de perfil

De caramelo a 08.02.2007 às 16:24

genial ...;)
Sem imagem de perfil

De paula a 08.02.2007 às 17:52

Hum... então é preferível deixar uma inconsciente a cuidar de uma criança? Ou então mandá-la para o aborto clandestino? Porque está visto que a Samanta não vai ter filho que não quer.

E porque não para o tribunal? Lá é certo que perde pau e bola: nao ha jantaradas, nem noitadas nem filho pra ninguém. Algumas investigações e um julgamento depois (e quem sabe uma condenação) acho que de facto será uma Samanta rejuvenescida, consciente e responsável que sairá dos tribunais.

Deixá-la recorrer à consulta pré-IVG? Nem pensar!! Ainda lhe podem trocar as voltas e ela pode gostar da ideia de ter o filho. E ninguém quer isso para a Samanta, está visto.
Sem imagem de perfil

De Francisco BT a 08.02.2007 às 21:43

A Samanta pode brincar à vontade aos papas e às mamãs, mas use uma gabardine, tome a pilula, veja as temperaturas, e acima de tudo, aprenda a dizer não de vez em quando. Poupa-lhe tantos trabalhos!

Ou então experimente a lobotomia.
Sem imagem de perfil

De João Monge de Gouveia a 08.02.2007 às 23:10

O que não pode acontecer é as meninas de 20 anos, continuarem nos cafézinhos, copos e noitadas e depois utilizarem o aborto como mais um método anti-contraceptivo... depois do que disse a Samanta cada vez me convenço mais que é isso que vai acontecer se o Sim ganhar.

JMG
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 09.02.2007 às 01:23

É Paula...é preferível tudo isso, para mim, do que saber que uma menina pode ir a um jantar no sábado, engravidar de madrugada, abortar na terça-feira e estar pronta para um cafézinho na sexta seguinte. Isto sem que nada lhe aconteça. Já viu que injustiça, esta lei, representa para a pobre Samanta? E por falar em jantaradas aquele amigo meu??? Que também adora jantaradas aos sábados, beber uns copos e pegar no carro a seguir. E não é que exsistem uns maus que dizem que isso é crime e que teimam em levá-lo a tribunal? isto há com cada injustiça.

Comentar post


Pág. 1/2