Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007
Por esta altura, madrugada de quinta-feira, dia 08 de Março de 2007, é já oficial: ninguém mais pode ouvir falar no aborto. A campanha, a discussão em geral e o discurso de muitos dos contendores podem ter sido valiosos contributos para que alguns de nós revissem o valor que atribuem a, pelo menos, alguma vida humana e pensado se o mundo não seria um lugar melhor depois duma criteriosa selecção natural.
No meu caso, as informações recolhidas garantem-me que não posso votar. Natural de Angra do Heroísmo e morador em Lisboa, mas tendo mantido, até hoje, residência oficial a meio do Atlântico, juram-me, de mãos postas, o presidente da junta e o presidente da câmara que só me deixarão votar na capital numa de duas situações: se estiver preso ou internado. Subitamente, ocorre-me a solução: talvez desatando à bofetada a dois autarcas consiga o direito ao encarceramento e, desde logo, ao voto. Dois segundos depois, desço à Terra: à velocidade a que funciona a justiça em Portugal, nunca mais estaria preso até domingo. Ou então era preso sexta e sábado o Presidente da República concedia-me o indulto.
Abandono o projecto e percebo que posso carregar telemóveis, fazer transferências bancárias, entregar declarações de IRS, pagar contas, fazer compras, aprender a construir bombas e espremedores de citrinos, tudo e mais alguma coisa por multibancos, telemóveis e internet, mas votar não. Votar é impossível. Não se arranjam uns hotspots para isto? Ou vá: o raio de uma base de dados dos eleitores, acessível a partir de qualquer junta de freguesia do País? Por que diabo só se pode votar num referendo referente ao aborto na nossa junta? Estaremos a autorizar ou a desautorizar a prática só entre a nossa vizinhança?
Enfim. Choques tecnológicos. De 98 para cá, viajei do “não” para o “sim”, mas, aparentemente, essa foi a única coisa que mudou. Transformo-me num eleitor de bancada. E passo a mandar bitaites sobre o assunto.

publicado por Alexandre Borges às 04:57
link | merkel perdeu as eleições em frança
3 comentários:
De tenho medo de dizer quem sou a 8 de Fevereiro de 2007 às 10:11
de Fevereiro...


De Alexandre Borges a 8 de Fevereiro de 2007 às 15:45
Bolas… Tem toda a razão. Não sei editar os posts neste sítio, pelo que terá de ficar como está, mas muito obrigado.


De João Carvas a 9 de Fevereiro de 2007 às 10:13
Tem razão. Estou a estudar na Suiça e por isso não vou poder votar. O site da Comissão Nacional de Eleições nem sequer funciona.


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