Sábado, 13 de Junho de 2009

Imagine que comprou uma pequena empresa. Mas depois de já ter feito a transacção, descobre que as contas estão furadas. Basicamente, a dívida é bem maior do que pensava, o que o obriga a cortar violentamente nos custos. Ainda por cima, os bancos estão a apertar e ameaçam deixar de lhe financiar a actividade. Que fazer?

 

Olhando bem para as contas, você descobre que o gerente anterior tinha deixado uma pilha de dívidas por cobrar, muitas das quais estavam até em tribunal. Você sabe que a maior parte daquelas dívidas nunca serão cobradas - mas também sabe que vendendo-as, consegue a liquidez de que precisa para aguentar o embate da reestruturação sem ir à falência.

 

E é assim que vende 120 000 euros de dívidas ao Banco da Cidade, em troca de 17 000 euros de liquidez. Segundo este acordo, o que você cobrar até aos 17 000 euros é para o Banco da Cidade (mais uns juros, que até são bonificados). Se conseguir cobrar mais, o restante fica para si. Se a cobrança não chegar a tanto, o Banco da Cidade é que fica a arder. Um negócio ruinoso, não lhe parece?


Com estes 17 000 euros em caixa, você conseguiu acalmar os restantes bancos e garantir o refinanciamento da sua actividade. Não deu para endireitar a empresa, mas pelo menos tirou-a de sarilhos bem mais sérios. À medida que vai cobrando as dívidas antigas, vai pagando ao Banco da Cidade e vai podendo reestruturar a sua actividade.

 

Com o passar do tempo, verificou-se que muitas das dívidas que estavam em tribunal acabaram por ser anuladas por decisão judicial. Porquê? Vá-se lá saber. Parece que o contabilista que havia antes se fartou de meter os pés pelas mãos. Para cumprir a sua parte do acordo, você acabou por entregar mais uns 20 ou 30 000 euros de dívida malparada ao Banco da Cidade. Dívida válida, você continua a só ter entregue 120 000: mas para assegurar esse valor, vai ter de trocar dívida inválida por dívida válida. Claro que é aborrecido: mas atendendo a que de qualquer forma nunca receberia a dívida anulada pelo tribunal, continua a ser um negócio ruinoso, não lhe parece?


publicado por Vasco Campilho às 10:07
link | nunca erro e raramente me engano
2 comentários:
De balanta a 13 de Junho de 2009 às 11:19
voce ......delira? contexto?


De tenho medo de dizer quem sou a 14 de Junho de 2009 às 02:34
Sim, sim...é melhor ir preparando o caminho para explicar o que Avó Manuela andou a fazer.

Sugiro que faça o seguinte..invente 5 histórias diferentes e depois coloque a votação.

a mais votada servirá de base à defesa que vão ter de fazer.

Sobre esta versão, deixe-me já dizer-lhe que não cola.

Boa Sorte.

miguel

P.S. tb tem de arranjar uma parabola para explicar alguma coisa sobre o lugarzinho no Santander...


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