Domingo, 14 de Junho de 2009

A sua família está bastante endividada. Boa casa, bom carro, boas férias, mas cada fim do mês é um suplício. É que você e a sua mulher trazem trezentos e cinquenta contos por mês para casa todos os meses, mas somando as despesas todas, gastam perto de quinhentos. Você bem tenta cortar, mas não consegue. Se não fossem aqueles primos emigrantes na Alemanha que todos os meses lhe enviam oitenta contitos, você já estava falido. Assim, está só a caminho da falência.


Nisto, atravessa-se-lhe pela frente uma crise financeira. Como você é vendedor, as suas comissões começam logo a sofrer. A sua mulher, ao fim de uns meses, é despedida. De trezentos e cinquenta contos, o rendimento familiar passa para duzentos e setenta e cinco. Felizmente, os primos da Alemanha não falham nas remessas (mal sabem eles como você as gasta...) Mesmo assim, a coisa está preta. Cortar nas férias tudo bem. Mas... vender o carro? Impossível, como é que você iria trabalhar? Mudar de casa? Com os preços a virem por aí abaixo não compensaria, e nem pensar em pôr a Cristina a dormir no mesmo quarto que o Daniel: matavam-se! Não: é preciso arranjar outra solução.


Nisto, você tem uma ideia luminosa: e que tal construir uma piscina no jardim? Está bem que é carote. Mas os seus primos da Alemanha, que vêm cá de férias todos os anos, estão dispostos a avançar com 10% dos custos. E com a sua proverbial lábia, você consegue um empréstimo com uns anitos de carência de capital. Mas o golpe de génio é pôr o Daniel a trabalhar na obra: que diacho, o rapaz já tem catorze dezasseis anos! Desta forma, entram mais oitenta contitos por mês durante a obra e tapa-se o buraco uns tempos. Um negócio excepcional, não?


Claro que depois vai ter de amortizar o custo da piscina. E ainda pagar a água, o aquecimento, o cloro, a manutenção. Mesmo que pusesse a vizinhança toda a pagar bilhetes para tomar banho no seu jardim, nunca iria reaver o investimento, quanto mais rentabilizá-lo. Mas isso é só daqui a uns aninhos. E de qualquer forma, está tudo em nome da sua mulher, não é mesmo? Não há dúvida de que é um negócio excepcional


publicado por Vasco Campilho às 10:12
link | nunca erro e raramente me engano
3 comentários:
De blogdaping a 14 de Junho de 2009 às 15:07
Mais uma trapalhada do Santana Lopes !!!


De A. R a 14 de Junho de 2009 às 17:54
Cheira a TGV e à Fundação do Saramago.


De NetKingCool a 14 de Junho de 2009 às 18:37
mande isso ao lino que pode ser que ele atine
ao socrates não vale a pena porque parece que já não lhe dão muito credito la no largo do rato


Na minha opinião pessoal

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