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às 23:59 ocorre-me dizer isto

por Jacinto Bettencourt, em 09.02.07
Os gregos pré-socráticos definiam verdade como aletheia, o que se revela, o que se dá ao descoberto. A verdade não é um conceito metafísico, mas, primordialmente, uma postura, um estar curioso, perante o que nos rodeia.

Tristes dos que reduzem essa postura a uma ideologia; que invocam uma religião constituída para fundamentar o espanto; que não vêem o mundo para além de factos morais. E tristes dos que não compreendem para além dos conceitos, da articulação, da dedução, da coerência axiomática, que se socorrem de delegações, aberturas neutras, sem se aperceberem que, de uma forma particular, porém cobarde, actuam.

Tristes digam eles «não» mas sobretudo digam eles «sim». Os primeiros sempre preservam o que os segundos, na sua (aparente) humilde demissão, destroem.

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comentários

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De Anónimo a 10.02.2007 às 02:07

Ó sô Bettencourt, desculpe-me que eu não sou de grandes estudos, mas essa coisa da Aletheia tem a ver com a transfuga da Zita Seabra? E se essa porra da Aletheia é "o que se revela", ela revelou-se o quê? E se é "o que se dá ao descoberto", ela descobriu o quê?
E os tais de pré-Socráticos eram os do Ferro Rodrigues ou os do Mário Soares?
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De Tiago Geraldo a 10.02.2007 às 04:13

Ainda procurei por um link para o post abaixo, mas nada.
Sendo assim, vou ler o triste Demócrito e pensar neste comentário à procura de luz e esclarecimento.
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De Jacinto Bettencourt a 10.02.2007 às 16:42

Caro Tiago,

o triste não é certamente Demócrito, como deves ter percebido. E já agora: porquê um Demócrito, tão irrelevante perante um Parménides na questão da aletheia, e contemporâneo de Sócrates? Será porque entendeste, no meu post, algum tipo de desconfiança relativamente aos sentidos? Pretendes reabilitar um certo realismo filosófico, temperado com um certo relativismo moral? A escolha sugere, porventura, um certo desvio no ensino, meu caro Tiago: talvez muita filosofia (política) barata em manuais anglo-saxónicos. Andas a ler os pré-socráticos por Popper? Mas o homem nem o idealismo alemão compreendeu, quanto mais os pré-socráticos... Sabes, podemos ser liberais e saber umas coisas.

Um abraço,

Jacinto

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