Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

O erro de Rangel não foi admitir que poderia aceitar um convite para pertencer ao Governo se o PSD vier a ganhar as eleições. Já aconteceu antes – o nome de António Costa diz-vos alguma coisa? – e ninguém se espantou com isso. O erro foi pronunciar-se sobre um cenário – um cenário que ainda por cima não depende de Paulo Rangel, mas apenas de quem o poderá vir a convidar. Nada o obrigava a pronunciar-se, e tudo o aconselhava a não o fazer. Neste aspecto, Rangel tem muito a aprender com Manuela Ferreira Leite. Não há praticamente entrevista em que a líder do PSD não responda “Não me pronuncio sobre cenários” a alguma questão que lhe é colocada.

 

Agora, também não convém crucificar o homem à conta deste erro. Porque uma coisa é pensar alto sobre uma situação hipotética. Outra bem diferente é candidatar-se simultaneamente a dois mandatos incompatíveis, a ver o que dá mais. Nesta matéria, sugere-se à eurodeputada Ana Gomes que faça mostra de – como é que dizia o Tunhas, que sabe grego? – alguma aidôs. Algum pudor. Se puder ser, claro.

 


publicado por Vasco Campilho às 20:00
link | nunca erro e raramente me engano
4 comentários:
De boston a 18 de Junho de 2009 às 21:51
Lamento, mas é bem ao contrário. Ao menos a Ana Gomes e outros avisaram logo ao que iam e o que queriam. O vosso Rangel só depois do acto eleitoral é que disse aquilo que pensa. É muito cobarde...


De Sara a 19 de Junho de 2009 às 04:29
Pelo menos (e ainda assim acho uma atitude muito baixa) Ana Gomes e Elisa Ferreira foram sinceras, não esperaram para ver "quem dá mais". Aliás, ambas desde logo admitiram que as câmaras municipais são a sua prioridade. Rangel foi pura e simplesmente... estúpido.


De Carlos Alberto a 19 de Junho de 2009 às 10:49
Estúpido é que ele não foi!... Ele foi mas é esperto, Chico esperto! Característica muito apreciada pelos tugas!


De brmf a 19 de Junho de 2009 às 10:53
Discordo completamente. O mal da política em Portugal é esse tipo de posição: esconder o que se pensa. Bem ou mal, os eleitores estarão cá para julgar, as pessoas devem assumir as suas posições e/ou opiniões. Uma oposição credível não pode pedir a uns que que assumam a sua posição e depois dizer que não comenta cenários. É oportunismo e calculismo político que mais cedo ou mais tarde vai ter uma factura. Estou convencido que o povo não gosta dessas fugas para a frente. Mais a mais, vai contra a principal mensagem política que o PSD tem procurado transmitir: a famosa mas pouca verdadeira, a julgar por estas posições, "política de verdade".


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