
Em Intellectuals, de Paul Johnson, um livro que nos conta a vida dos grandes homens para além dos livros (a coisa reúne Rousseau, Shelley, Marx, Ibsen, Tolstoy, Brecht, Sartre, Norman Mailer e está às carradas na Fnac do Chiado), num ror de diatribes capaz de espantar qualquer criatura pacata, podemos ler, no capítulo dedicado a Rousseau, esta afirmação visivelmente impossível de conter, depois de uns floreados e umas quantas platitudes sobre a auto-comiseração do pobre Jean-Jacques:
«It is true that he always had trouble with his penis».
Há problemas assim, pessoalmente trágicos e historicamente irónicos. Rousseau, o homem que alardeava aos sete cantos o seu rígido e submisso «amor à Humanidade», não a podia sequer levar para a cama. Depois da recuperação da «cidadania» da República, este é outro conceito que o girondino foi buscar a Platão.