Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007

É um daqueles clássicos do nosso Portugal. De tempos a tempos evoca-se “Zeca Afonso”. E qualquer pretexto ou número redondo serve para o efeito. Cinquenta anos do seu nascimento, vinte anos da sua morte, trinta anos de Grândola Vila Morena. E depois vêm os lugares comuns: Zeca Afonso, a obra. Zeca Afonso, o legado. Os jovens e Zeca Afonso. Como um fantasma que nos atormenta lembrando uma “dívida de gratidão” que dificilmente fará sentido.

Em tudo isto há uma enorme artificialidade. É que Zeca Afonso não era assim tão bom.


publicado por Rodrigo Moita de Deus às 11:23
link | Dia 24 de Novembro há festa dos 3 anos do 31 da Armada
24 comentários:
De Ricardo Duarte a 23 de Fevereiro de 2007 às 12:04
Pois não Rodrigo, tem muita razão. E parece que ainda é pecado afirmar isso.


De Paulo a 23 de Fevereiro de 2007 às 12:09
Não era assim tão bom como? Como músico? Pergunte aos músicos; diga-me, também, quantos compositores portugueses do século de José Afonso tiveram o impacto que ele teve.
Como pessoa?
Acho que você confunde um bocado as coisas. Admito que algumas pessoas achem artificial, mas parece-me que é um problema delas, relacionado com o seu tempo, e não das figuras evocadas.
É como eu dizer que há uma enorme artificialidade na evocação de António Salazar, que não era assim tão bom. Estou a protestar contra quem o evoca ou contra ele?
E o Rodrigo, está a protestar contra a evocação ou contra José Afonso? Fará o mesmo post quando se evocar a morte de António Variações, usando a sua fraseologia, outro "clássico" de Portugal? E Amália?
O seu título talvez faça sentido para si. Para mim não faz sentido nenhum. Ouve-se e lê-se mais José Afonso do que se lê sobre José Afonso.
Note-se que me irrita tanto como a si o lugar-comum em torno do Zeca. Mas não o considero um fantasma e não tendo para com ele nenhuma dívida de gratidão, tenho-o em alta conta como compositor e cantor.


De isa a 23 de Fevereiro de 2007 às 12:18
subscrevo! ele foi mais o papel que teve no tempo da outra senhora e logo dps do que propriamente na música. cadê a música dele dps da Abrilada (direitos de autor teus)? n se ouviu gd coisa de novo pois n? enfim, pior é o SG que nem sequer canta.


De tenho medo de dizer quem sou a 12 de Novembro de 2007 às 09:57
pois é, toy e tony carreira é que é bom!


De Pedro Farinha a 23 de Fevereiro de 2007 às 12:20
Por acaso era, Rodrigo. Era assim tão bom. Um dia experimenta ouvir, penso que só te falta isso.
Há ali mais ironia do que tu pensas. Mas ficas agarrado aos refrões que te irritam.


De Ricardo Duarte a 23 de Fevereiro de 2007 às 12:35
Pois só ser for isso…uma espécie de código nas letras, que apenas alguns conseguem decifrar. Eu não consigo, mas eu sou daqueles que preciso de ficar à espera que me decifrem as vírgulas das frases de Cavaco Silva por isso...


De Insano a 23 de Fevereiro de 2007 às 12:37
Não gostar é uma coisa, dimimuir a sua capacidade artística, porque as cores que defendia não eram bem as nossas é outra...
Salvo a devida comparação, é a mesma coisa dizer que Leni Riefenstahl era má realizadora, porque os seus filmes eram propaganda...

Abraço,


De Pedro Farinha a 23 de Fevereiro de 2007 às 12:46
Não, meu! Quais códigos nas letras?! A música, pá, a música! A música é que era boa, inteligente, e sobretudo tinha uma bagagem de quem ouvia e estudava muita música. Há ritmos complexos, muitas misturadas, umas que correram bem, outras que não, e no fim um legado musical realmente interessante de se ouvir. É disso que estamos a falar... ou não?


De Ricardo Duarte a 23 de Fevereiro de 2007 às 12:50
Epá…a musica? ritmos complexos, muitas misturadas? Acho que não devo ter ouvido toda a obra então…


De Pedro Farinha a 23 de Fevereiro de 2007 às 12:57
:) Mas há, Ricardo. Garanto. Nem sempre bem conseguidas porque nem todas as misturadas saem bem. E esta nem é das que aprecio mais. Mas é muito comum apanhar harmonias do norte de África com ritmos de alguma música tradicional portuguesa. Quando saía bem é mesmo interessante.

Quanto às letras das músicas, que evidentemente fazem parte, até acho que o homem teve azar. Se não fosse isso não tinha sido tão ferozmente adoptado pela esquerda e talvez o Rodrigo e o Ricardo até nem se aborrecessem tanto de o ouvir.

Abraço, bom fim-de-semana.


De Cidadão Anonimo a 23 de Fevereiro de 2007 às 13:56

Carissimos,

O que lhes custa é que:

1 - A Grandola Vila Morena foi uma senha de um movimento militar, que de organização popular teve muito pouco (Quanto quadros Milicianos souberem em concreto alguma coisa antes da noite de 24 de Abril ? - 000!!!)

2 - Aceitar que o PREC já acabou e que Portugal não poderia ser governavel ou viavel num Regimo Marxista puro e duro

3 - Engolir a cobardia do PC de não ir mesmo mas mesmo até ao fim - Leia-se "Iniciar um guerra civil segregacionista" - e ter que aceitar as eleições de 75 e o seu resultado

O resto, citando o JG, é ideologia e sandalias nos pés...


De Daniel MP a 26 de Fevereiro de 2007 às 18:15
Preocupa-me viver num tempo e num espaço em que alguém tem que desempenhar o papel de paladino da qualidade musical de um, pasme-se, músico do dito regime, tão elogiado, tão venerado, tão atirado ao ar que cai no vazio do desconhecimento.

Do regime? Em certa medida...e mantenho ainda as minhas dúvidas. Mas se vocês forem ficando embaciados quanto ao músico eu por cá vou-me abotoando com as pérolas, pena é que na música menos um ouvinte não representar mais uma cançoneta :)


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