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O mal que se faz sem se querer

por Henrique Burnay, em 26.02.07
Não vi muitos dos filmes de ontem, mas vi Babel e gostei. Gostei muito. Não é sobre a globalização, nem sobre as dificuldades de comunicação – para mim não é, quero eu dizer. Ou talvez seja e talvez seja aí que não resultou tão bem (daí o merecido entusiasmo com que a cena da rapariga muda na discoteca é referida). O que faz de Babel um filme magnífico é o recordar da nossa incapacidade para dominar as tragédias que provocamos sem querer.  Somos culpados do mal que não queremos. Babel não é sobre o mal, é sobre os nossos erros e a impossibilidade frequente de evitar as suas consequências. Ninguém ali queria aqueles resultados, mas ninguém ali é inocente. O mal nem sempre é um acto de vontade. É isso que causa angústia.


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comentários

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De isa a 26.02.2007 às 23:59

bela posta!
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De Anónimo a 27.02.2007 às 03:09

qual é a culpa dos filhos do brad pitt? qual é a culpa da miúda japonesa? qual é a culpa da desgraçada que leva um balázio? não são inocentes porquê?
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De Henrique Burnay a 27.02.2007 às 08:05

Para algumas pessoas é preciso dizer mais do que o óbvio. Muito bem. A culpa do pastor, dos irmãos, do Brad Pitt e da mulher, da mulher-a-dias, a culpa que o pai japonês não tem, a culpa da polícia. De facto "todos" não podia ser lido literalmente, e algumas pessoas não conseguem evitar ser literais.
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De Convidado Invisível a 27.02.2007 às 16:42

Não sei bem porquê mas acho que esse anónimo parece ser alguém nosso conhecido.
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De Anónimo a 27.02.2007 às 22:19

portanto, onde se lê "Ninguém ali queria aqueles resultados, mas ninguém ali é inocente", deve ler-se "ninguém ali queria aqueles resultados, mas algumas pessoas ali são inocentes." pois. assim já seria verdade. estragava era um raciocínio tão bonito. mais vale não ser literal (aka torcer a realidade)
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De Henrique Burnay a 28.02.2007 às 01:01

Primeiro pensei explicar que não, que tem de se conseguir ler ninguém como querendo dizer ninguém dos que provocam a acção.
Mas pensando bem, se não viste isso, azar. Começa por uma coisa tipo Noddy. Ou uma com muitas explosões.

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