Pondo de parte a diferença entre uma coisa interessante, como uma miúda interessante e uma coisa extraordinária como Eva Mendes a declarar amor incondicional pela tua pessoa, para que percebas a diferença entre o que foi aquilo e uma coisa “bastante interessante”.
Era bom que compreendesses uma coisa complicada até para um crente, o Amor de Deus é incondicional e universal. Deus ama mesmo Saramago, quer ele acredite ou não. Não tem nada de condescendente mas de misterioso e divino para o crente. E complicado.
O crente que acha que acha que Deus não ama Saramago anda com falta de Fé.
Bottom line Daniel, qual é o problema do ateu se o crente diz que Deus o ama? Na prática as consequências são simples e de resto benéficas, do ponto de vista do crente pelo menos e inócuas do ponto de vista do ateu, imagino:
Deus não existe, eu morro, tu morres e puff. Surprise u'r dead nas imortais palavras dos Faith No More.
Se Deus existe e eu morro, tu morres, S. Pedro recebe-nos à porta e presumo que depois de uma breve análise das provas documentais das nossas façanhas, se houver tradição burocrática portuguesa pode ser mais complicado, lá irei para o mesmo sítio que tu se eu for digno dele, até porque tenho cá um pressentimento que Deus te ama mas anda um bocado desiludido comigo.
De I don't want to believe a 23 de Outubro de 2009 às 17:24
Tão liberal como um taliban ou um missionário, que no fundo são a mesma realidade...
Só muda o arsenal.
De
Ega a 23 de Outubro de 2009 às 18:06
Absolutamente de acordo. Se algo distingue um missionário é justamente a sua fúria persecutória.
Lá nos confins de África, a sua missão é justamente abater doentes e feridos e esfomeados. Gente a mais no mundo...
Por isso, são frequentemente corridos ou impedidos de entrar nos países mais pobres.
Fez muito bem em nos recordar desta terrivel verdade.
De I don't want to believe a 23 de Outubro de 2009 às 20:51
Os missionários nem sempre foram as senhoras da LIAM. Em concreto, pensava mais naqueles que acompanhavam os indíos do Novo Mundo.
Para além disso e em termos conceptuais, ainda que por força de meios distintos, são ambos opressores, são ambos impositores.
São todas pessoas interessadas em ter uma única crença no Mundo, a deles.
Naturalmente, o exemplo dos taliban ficará melhor como reverso da medalha dos comunistas ou dos nacionalistas, na medida em que são todos ignobilmente violentos e professam o credo dos fins sobre os meios.
Mas e daí, quem nunca promoveu um bom auto-de-fé que atire a primeira pedra.
De
Ega a 23 de Outubro de 2009 às 21:44
Se recordar o filme «A Missão» (post aqui esta semana) verá o papel dos missionários Jesuitas junto dos indios sul-americanos.
Os autos de fé têm a ver com os dominicanos (posso aceitá-los como a policia politica daquela época) mas nunca como os missionários.
E depois temos esse aspecto fundamental. As épocas mudam, os costumes também, o homem vai-se humanizando. Eis senão quando um taliban qualquer carregado de dinamite se faz explodir matando não sei quantos (crainças, mulheres, velhos, paisanos, à sua volta)
De
Raul a 23 de Outubro de 2009 às 17:50
Só uma pergunta, um ateu quando morre também é enterrado no cemitério? Já agora o Saramago é nobel da literatura porquê? e quando ele morrer vai para os jerónimos ou a Maitê não deixa e cospe-lhe em cima?. Esta história esta-me a deixar biruta da cabeça, devo estar à beira de um esgotamento.
H e l p
De
Ega a 23 de Outubro de 2009 às 18:03
Raul:
Está visto que o Saramago quer ir para os Jerónimos.
Isto quando todos pensam que ele opta pela cremação e cinzas ao mar em Lançarote.
Nã - Saramago sente-se bem ao pé do Aquilino. Aquilino é que não sei se gostará muito da companhia, porque escreve muito melhor.
Paciência: é o Purgatório dele. Não tinha nada que se envolver com esses malandros que mataram o Rei e o Princípe.
De tenho medo de dizer quem sou a 23 de Outubro de 2009 às 19:27
"um ateu quando morre também é enterrado no cemitério?"
Não entendi a pergunta, Raul. Onde é que havia de ser enterrado?
Pedro
De
Raul a 23 de Outubro de 2009 às 19:50
Como é a cerimónia fúnebre de um ateu? Enterra-se e pronto?
De
Ega a 23 de Outubro de 2009 às 19:58
Enterra-se ou cremasse. E é velado, normalmente na sede do partido ou da Maçonaria (isto quanto a políticos, figuras públicas). O quartel dos bombeiros também serve.
Se é figura grada tem direito a discurso na beira do coval. Se não é, seguem-se imediatamente as competentes pazadas de terra.
E pronto. Tutto é finito.
De tenho medo de dizer quem sou a 23 de Outubro de 2009 às 20:42
Mais ou menos isso. Eu explico. Como se sabe, os ateus não têm familia nem amigos. De modos que só se dá pela morte dele quando os vizinhos notam que começa a cheirar mal no apartamento. Chamam o coveiro e este depois atira-o para um buraco no cemitério e atira-lhe umas pazadas de terra para cima. Agora a serio, ó Raul, quantos anos tem?
Pedro
De
Raul a 23 de Outubro de 2009 às 22:39
Obrigado Ega pela explicação, desconheço mesmo como se processa esse ritual, nunca fui de funerais nem dessas coisas, daí não saber.
Pedro
E desde quando é que o conhecimento tem a ver com a idade? Não sei onde quer chegar.!!!
Já agora sabe, o que fez D. Pedro depois do grito do Ipiranga? Olhe que se não souber vou-lhe perguntar a idade...
De Marquesa de Carabás a 23 de Outubro de 2009 às 23:50
Raúl,
Normalmente os mortos enterram-se todos.
Há uns que são cremados outros que são enterrados e há uma classe especial: os que são doados para a ciência.(ficam no formol)
Depois há vários processos de enterrar os mortos: de pés, deitados, rápidamente ou, depois de umas horas, consoante a crença do "falecido" e o local onde se morra.
Os ateus não têm cerimónia propriamente dita. Ficam ali. Umas pessoas rezam e outras conversam, outras passeiam e fumam um cigarrinho cá fora.
Normalmente fala-se da vida.
Depois alguém diz que o defunto era a melhor pessoa do mundo,(uma vez que não há padre, no caso dos ateus) mas isso, normalmente é só no outro dia.
Todos levam muitas flores.
Cumprimentos,
Marquesa de Carábas
P.S:agora digam-me e os chineses? Com tanto chinês em Portugal..alguém já viu um velório de um chinês? O que é que fazem aos chineses?
Que estranho...não há lápides em chinês, jazigos em Chinês...nada em chinês em parte nenhuma...????
De
Ega a 24 de Outubro de 2009 às 09:27
Sra Marquesa:
Que se saiba a 1ª familia chinesa a vir para Portugal foi na 1ª metade do séc. XX. Nome: Ho. Fizeram razoavel dinheiro começando a vender gravatas de feira em feira.
Depois estabeleceram-se no Porto e os Srs. Ho chegaram à idade de ter filhas casadoiras. Os maridos escolhidos - portugas. Por isso devem ter sido baptizadas. Duas gerações de Ho já entregaram a alma ao Criador e , tanto quanto sei, foram enterrados cristamente.
Resta saber, realmente, como será com esta nova vaga das lojas de 1€. Sei que não são de cremação, como os hindus. O pior é se são de corpo exposto nas alturas, como os indios americanos.
Enfim, os tanatórios dar-lhes-ão solução. E sábado não é dia de reflexões mórbidas.
Aceite os meus votos de um alegre week-end.
De Marquesa de Carabás a 24 de Outubro de 2009 às 14:32
Caro senhor Ega,
Mas era mesmo desses, os das lojas, que eu estava a falar...não se vê um único morto chinês...nos cemitérios não há uma única lápide em chinês...ora se eles estão cá...será que voltam para a China, depois de entregarem a alma ao criador, no contentor das camisolas, para ficarem no torrão familiar?
Um bom fim de semana também a V/ Excia.
Cumprimentos,
marquesa de Carabás
Marquesa de Carabás
De
Ega a 24 de Outubro de 2009 às 14:53
Sra. Marquesa:
Eles comem cães e ninhos de andorinhas.
Terrivel lembrança, não é?
Mas nesta andança de contentores entre os mares de Sandokan e os da infância do Eanez, lugar-tenente, sabe-se lá: cabe lá dentro tanta chinezice...
De V. Ex.cia...
De artur mendes a 23 de Outubro de 2009 às 18:11
Saramago é um comunista convicto da velha cepa...
Fala-nos do horror da Biblia e da barabaridade do cristianismo.
Como gostaria que ele nos falasse da Biblia "O Arquipelago dos Gullag" de autoria do seu colega laureado, Alexander Soljenitsim...
Para que conste:
" Os regimes comunistas tornaram o crime em massa uma forama de Governo "
20 milhões na Uniao Soviética
65 " na Republica P. China
1 " no Vietnam
2 " no Camboja
1 " nos Estados C. da Europa de Leste
1,7 " Àfrica
1,5 " Afeganistão
1,5 " America Latina
10.000 "Resultantes do movimento internacional comunista e de partidos não no poder"
Acrescente-se toda a forma de d violação dos Direitos do Homem
( como amostra infima: o exemplar acto de saneamento de jornalista no DN..... lembra-se... Nobel Saramago?)
Era disto que eu gostaria de o ouvir papaguiar!
O resto ... aquilo que de tanto tem falado e escrito é puro markting.
Desculpar ou esquecer todas as atrocidades cometidas em nome de deus ao longo de milénios só porque em nome do comunismo também se assassinaram milhões de pessoas é ainda mais descabido...
Quer a bíblia, quer a União Soviética são um manual de horrores se escolhermos as passagens certas.
De A Velha a 23 de Outubro de 2009 às 22:13
Caro
As atrocidades cometidas em nome de Deus, foram executadas por homens.
As atrocidades cometidos pelos revolucionários Franceses e pelos fiéis disciplos dos regimes Comunistas, foram-no em nome do Povo.
O que eu quero dizer com isto, é que os homens, sempre arranjam motivos Major, para justificarem os seus crimes.
Deus ou o Povo!
Nunca se mata em nome dos mesquinhos interesses mercantilistas, que é afinal a verdadeira causa de morte.
A Velha
De
Ega a 23 de Outubro de 2009 às 23:24
Aliás, Amiga Velha, hoje as matanças são sobretudo na África selvagem - aqueles genocídios de que ouvimos falar à distância - mais as concebidas pelos fundamentalistas islâmicos.
O Mundo tem já algum pudor em cometer mortandades. Por isso é descabido analisarmos com os olhos de hoje os acontecimentos do Passado.
A Alemanha nazi e a URSS terão sido (afora os primarismos) acima referidos, as últimas aberrações.
E antes, o trinfo da Liberdade-Igualdade-Fraternidade via TERROR. O paradoxo dos paradoxos.
De
Paula a 23 de Outubro de 2009 às 18:46
Enervam-me coisas como "Deus ama mesmo Saramago, quer ele acredite ou não."
Que raio de condescendência, de paternalismo. Deixem fora dessa crença quem quer estar fora dela.
De tenho medo de dizer quem sou a 23 de Outubro de 2009 às 19:42
Concordo em absoluto: "deixem fora dessa crença quem quer estar fora dela".
Quanto a mim que não sou, nem de perto, nem de longe, comunista (há quem ainda pense que quem é ateu é comunista, algo que não faz o mínimo de sentido no séc. XXI), preocupo-me tanto com deus quanto com o pai natal, o coelhinho da páscoa, os duendes ou os gambozinos. Mas enquanto se considera ridículo acreditar nos três últimos, para muitas pessoas faz o mais completo sentido acreditar no primeiro, apesar das provas de existência de qualquer uma das quatro entidades ser a mesma: Nenhuma!! Há coisas fantásticas realmente!
Meus senhores libertem a vossa cabeça de medos e macaquinhos e só assim serão de facto livres! (que é uma coisa fantástica mas da qual muitas pessoas têm medo) De resto não tenham medo de um qualquer castigo divino nem de uma qualquer ajuda divina num momento de aflição, procurem vocês mesmos enfrentar a aflição (eu sei que é mais difícil mas é mais aliciante). E o Saramago (não gosto dele atenção) até tem a sua razão quando diz que deus é uma personagem "rancorosa, vingativa, má pessoa." O deus que Jesus disse que existia não é nada parecido com o deus do velho testamento. Esse é mesmo "rancoroso, vingativo e má pessoa". Que raio de exemplo para termos como deus, não?
De
Ega a 23 de Outubro de 2009 às 20:51
Meu Caro: Dentro de minutos começa na SIC um debate entre um padre especialista em Teologia (Carreira das Neves) e Saramago, ele próprio, em toda a sua divindade.
Deve ser muito interessante. Depois vimos aqui comentá-lo.
De
Ega a 23 de Outubro de 2009 às 23:04
Afinal o debate foi péssimo. Saramago não perdeu a magestade, fez demagogia q.b. e o padre agachou-se.
O M. Crespo estava especialmente inspirado em interromper... o padre. A Religão não evoluiu além do Génesis, ou seja estamos ainda uns milhares de anos a.C.
De Marquesa de Carabás a 23 de Outubro de 2009 às 23:35
Assim de repente...o José Saramago parecia uma testemunha de Jeová. Será que ele agora vai escrever para a "sentinela"?
E o telemóvel do senhor padre...que mau!
Cumprimentos,
Marquesa de Carabás
Seria deus, no telemóvel?
De
NEga a 24 de Outubro de 2009 às 05:48
Não, parece que era a Vodafone com mais uma campanha de preços.
Na minha opinião pessoal