Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Vivemos tempos difíceis. A nossa democracia é jovem, diz-se há algum tempo e padece de muitos males e ainda que com evidentes vantagens sobre outros regimes, em tempos como os que vivemos sobem à superfície os costumeiros estratagemas. Os bons espíritos que advogavam o mérito ainda o fazem mas só por distracção é que ignoram a sua aplicação prática. O mérito não se reconhece mas atribui-se e quem o atribui normalmente depende de um certo número de pessoas de mérito para manter essa posição, sendo o resultado evidente e lógico. Não há verdadeiro mérito mas interdependência. 

Casos de polícia que enchem as televisões são também um reflexo desta conclusão. Até porque as dependências não são necessariamente hierárquicas mas quando o são, como é por demais evidente num partido que está no poder, levam a reacções absurdas. Quando os subordinados cresceram com o busto de Napoleão na memória, a ideia de que tudo é possível, quando a dependência económica é tal que do Ministro ao mais humilde funcionário público é preciso estar preparado para defender o indefensável, é então altura de perceber que o fim está próximo. Isto não só não espanta como nem sequer é uma grande novidade ou é preciso recuar muito para encontrar exemplos nos anteriores governos mas é certamente espantoso o nível de subordinação a que os membros deste governo e a maioria dos militantes do PS chegaram.
Alguém me dizia que, sobre este dilema, se estava a borrifar para os socialistas, o que compreendo mas a minha questão é para os socialistas e é esta; os senhores estão também a borrifar-se para o vosso partido? É que parece.

publicado por Afonso Azevedo Neves às 08:55
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