Há um ano atrás vários profetas da desgraça olhavam para a crise financeira mundial com uma ponta de satisfação. Era o fim da economia do mercado, do liberalismo económico e da globalização. A redução do peso do estado na economia, o fim ou a limitação da participação do estado em grandes empresas publicas era urgente e necessário. O abandono da intervenção do estado na economia teria tido consequências brutais na vida dos cidadãos.
Nada disso foi verdade. A economia de mercado conjugado com a crescente democratização nas economias emergentes, tinha trazido uma prosperidade enorme ao mundo como um todo, nos últimos 15 anos, de uma forma nunca vista. A economia tornava-se global com crescentes oportunidades. Os países desenvolviam as suas áreas de competência que podiam comercializar a uma escala global. O proteccionismo era cada vez menor. Nas grandes economias emergentes, o Gini index aproximava-se do zero demonstrando uma cada vez maior igualdade na distribuição da riqueza. Todos os anos milhões de pessoas saíram da pobreza extrema engrossando as fileiras da classe média, em países como Índia, China, Brasil e Rússia e num numero crescente de outras economias asiáticas.
Em 2008 chegou a crise, de uma forma brutal e inesperada. Era um misto de financeira, imobiliária e principalmente de confiança. A economia tinha crescido demasiado e muito depressa. Havia algumas bolhas que convinha reduzir. Matérias primas e fontes energéticas demasiado inflacionadas. Expectativas demasiado altas e não sustentadas no crescimento real da economia. Existiam agora demasiadas instituições com um peso na economia global, o risco sistémico do sector financeiro tornou-se uma realidade e " o simples bater de asas de uma borboleta no Brasil tinha efeitos em Londres".
No entanto a crise teve também resoluções rápidas e eficientes quer a nível europeu quer conjugando com as outras economias globais. Os G20 reagiram de forma consistente evitando a facilidade do proteccionismo. O estado interveio sempre que possível indirectamente e só entrando no capital em ultimo recurso e de forma temporária. Ao final de alguns meses, a economia começou a dar sinais de recuperação: lenta mas sustentada. Hoje a discussão é sobre a forma como o Estado deverá reduzir os apoios e sair das empresas entretanto intervencionadas. A economia de mercado voltou a funcionar e a globalização mantêm-se como factor de crescimento.
Ao contrario do que diziam alguns profetas da desgraça (ainda me lembro de algumas intervenções muito infelizes do Dr. Mário Soares ou do Dr. Alegre e seus discípulos), tudo se recompôs, lentamente, com sobressaltos, mas na direcção correcta. Nada ficou com antes. A principal alteração aconteceu na regulação, penalizando os ganhos especulativos e de curto prazo. Criando mecanismos de regulação de corporações com presença multi-região. controlando os efeitos do risco sistémico entre o sector financeiro limitando os empréstimos inter-bancários (os bancos também emprestam dinheiro uns aos outros). A protecção do consumidor foi reforçada. A nova regulação optou por tornar o sector financeiro mais seguro em vez de tentar controla-lo ou limita-lo. As bolhas imobiliárias e das matérias primas foram ajustadas, não por decreto, mas por efeito da oferta e da procura. O comercio global parece estar a recuperar e as democracias emergente não foram afectadas..
Ao final de pouco mais de um ano, temos uma economia de mercado mais sólida, mais robusta. O estado que limitou a sua actuação à conjuntura procurando retirar-se da estrutura. Os tempos serão novamente de crescimento para o globo e os profetas da desgraça que defendiam modelos económicos caducos dos anos 60 e 70 provaram novamente o seu falhanço. Felizmente.
Em 1944, quando as concepções socialistas pareciam triunfante, von Hayeck escreveu O Caminho da Servidão, onde previa e definia os critérios básicos de uma sociedade livre e democrática, hoje tais critérios concretizaram-se...
Devemos ser prudentes quanto à "recuperação".
Os males da crise (aliás, da bolha seguida de crise) devem-se em primeira ordem ao socialismo monetário via Bancos Centrais, a aparente solução da crise deve-se a soluções de mais socialismo monetário.
O capitalismo para actuar e corrigir os males de tal socialismo monetário precisa de falências e liquidação de actividades artificialmente sustentadas.
Em que mundo paralelo é que o autor deste post vive?
"O proteccionismo era cada vez menor. Nas grandes economias emergentes, o Gini index aproximava-se do zero demonstrando uma cada vez maior igualdade na distribuição da riqueza"
"Todos os anos milhões de pessoas saíram da pobreza extrema engrossando as fileiras da classe média, em países como Índia, China, Brasil e Rússia e num numero crescente de outras economias asiáticas."
"Os G20 reagiram de forma consistente evitando a facilidade do proteccionismo. O estado interveio sempre que possível indirectamente e só entrando no capital em ultimo recurso e de forma temporária."
Ahahahahahahahahaahahahahahahahah. A sério que só me posso rir de tanto disparate.
"O comercio global parece estar a recuperar e as democracias emergente não foram afectadas.."
Isto raia a insanidade pura. Pura mesmo. Não sei o quer dizer com afectar, mas seguramente não será o mesmo que é para a maior parte das pessoas.
"Ao final de pouco mais de um ano, temos uma economia de mercado mais sólida, mais robusta."
Ai é?! Só pode estar a brincar. A sério que só pode.
Convém também dizer como o fizeram: com medidas proteccionistas, com forte intervenção estatal, com muita regulamentação e fugindo ao consenso de Washington. ;) Mas suponho que nada disto interesse...
"Em 2008 chegou a crise, de uma forma brutal e inesperada."
Só para citar um exemplo temos o Joseph Stiglitz que previu esta crise com bastante antecedência, assim como a crise argentina.
Só para finalizar: de onde tira todo este conjunto de "factos"?
Outros economistas capitalistas também previram esta crise, e de forma muito mais consistente, como Peter Schiff.
Com um pormenor interessante, também previu os supostos remédios que estão a ser tentados: mais expansão de moeda e crédito e despesa pública. E previu que isso também prejudicaria a recuperação.
Obrigado por me dar razão e contradizer o autor do post! Mas que eu saiba o Stiglitz foi o primeiro a dizer isso e claro que quando o disse foi gozado e ignorado. Quanto à questões de consistência gostava de saber o que quer dizer com esse termo para saber se concordo consigo ou não e dizer o porquê.
"Mas que eu saiba o Stiglitz foi o primeiro a dizer isso"
Bem não, dado que os economistas da "Escola Austríaca" (como Peter Schiff) de por exemplo Mises, Hayek e Rothbard, construíram uma teoria de ciclos económicos que explica quer as bolhas (que consideram a doença) quer as crises (que constituem na verdade o processo de cura) de forma "consistente"... e cuja base da culpa é a possibilidade de expansão de crédito por criação de moeda (em vez de transferência/mobilização de poupança prévia). Os seus seguidores presentes começaram por identificar a bolha e a inevitabilidade da crise (como Mises o fez em 1928, um ano antes da crise de 1929).
Quanto a Peter Schiff é ver o já celebre resumo das suas intervenções na CNBC desde 2006:
http://www.youtube.com/watch?v=2I0QN-FYkpw
O Stiglitz começou a falar disto antes de 2006 e quando começou foi logo chamado de maluco.
Isto claro nos meios mainstream que não faço ideia do que diziam os senhores quando se encontravam a sós.
Tem aqui outro começando em 2002
Peter Schiff was right (new) - 2002 to 2009 with exact dates.
http://www.youtube.com/watch?v=zdVP_sgCETo&feature=related
O problema de Stiglitz é ter razão com as (por parte pelo menos) razões erradas.
Não é o capitalismo nem a desregulação, nem os credit-defualt -swaps. O problema é a bolha e não a crise. E a bolha é da responsabilidade dos Bancos Centrais,.
Nesse caso diga-me o porquê dos ciclos económicos. O que é que permite que eles existam em primeiro lugar?
Realmente não sabia de previsões da crise de 2008 com tanta antecedência. Mais conhecimento para juntar ao meu arsenal quando me cruzar com tolos que dizem que isto foi totalmente inesperado.
Na verdade o problema é simples.
O sistema bancário (a começar pelos Bancos Centrais) tem a capacidade de conceder crédito por criação de moeda em vez de mobilizar poupança monetária prévia.
Ora isso significa que a taxa de juro é artificialmente baixa do que seria se todo o investimento tivesse que competir por uma poupança real e escassa.
Uma taxa de juro artificialmente baixa cria a ilusão de ser sustentável e rentável e por outro tem o efeito oposto de desincentivar a poupança real.
Cria-se uma expansão ilusória que costuma acabar em alguma forma de bolha (imobiliário, bens de capital, acções, etc) que um dia terá de rebentar dando início a um processo doloroso de liquidação e realocação de actividades e recursos, acompanhado da inevitável falência técnica dos Bancos - os instrumentos de criação de moeda (mais exactamente de depósitos à ordem) para conceder crédito.
A crise é o processo de crua. A bolha é que é a doença.
O problema é que o keynesianismo aberto ou disfarçado (diga-se que também o monetarismo) interpreta tudo ao contrário e quer fazer crer que a crise aparece não se sabe bem de onde mas é tipo as pessoas passam a sub-consumir, a irracionalmente a poupar mais, e dizem depois ser necessário mais crédito e despesa para se substituir ao privados que coitados estão em estado de depressão (literalmente psicológica).
Tem aqui um texto introdutório:
Mas o ponto a que eu queria chegar é que as crises aparecem devido ao sistema que temos.
Não sou economista, mas já li algumas coisas sobre economia e de economia e segundo me parece aconteceu uma mudança enorme nas assumpções dos modelos económicos e não sei de que maneira é que essas alterações foram incorporadas pelas pessoas de hoje em dia.
Quando a teoria económica começou a ser feita o capital era imóvel e os trabalhadores eram móveis. Claro que isto é uma sobresimplificação, mas não é difícil de perceber: o capital era essencialmente as propriedades e sim havia dinheiro também, mas os processos de transferência de dinheiro eram extremamente morosos, e as pessoas iam de país em país, de continente em continente numa velocidade que hoje em dia nos parece de caracol mas que auando comparada com a velocidade de transmissão de capital se podia considerar muito rápida (e é essa a comparação que interessa fazer).
Hoje em dia temos o oposto: o capital é móvel e a mão de obra é imóvel (quando comparada com a velocidade de transmissão de capital). Assim sendo parece-m que muitos reultados provados segundo as primeiras assumpções perdem hoje a sua validade.
Volto a afirmar que não sou economista, mas do que li e pensei isto parece-me estar mais ou menos correcto. se por acaso estiver errado pode corrigir-me ou sugerir alguma leitura que interessado em aprender estou eu sempre.
Consulte as estatisticas do banco mundial. Qt á crisefoi de facto inesperada e brutal. Alguns poucos houve poucos como o Roubini que a previram mas a generalidade do mundo não lhe prestou atenção.
Qt ao Gini index consulte as estatisticas do IMF ou World Bank e veja a evolução de alguns destes paises desde 1990 até hoje. Depois ria-se.
Ps de qq forma obrigado pelo comentário
Vive num mundo a parte você. Só pode...
Nos países em que houve melhorias, as chamadas economias emergentes, tal facto sucedeu por ignorarem por completo o consenso de Washington: intervenção estatal na economia, nacionalização, regulamentação, proteccionismo, atenção a programas sociais... Não é só olhar para estatísticas é também saber o porquê de certos números.
O exemplo gritante é mesmo a Rússia: enquanto andou a seguir o FMI foi o que se viu, após essa má fase é o que se vê. ;) (estou apenas a focar-me na vertente económica)
Tlz o meu mundo seja diferente do seu. O meu baseia-se em factos, o seu tlz em ilusões.
O Gini index melhorou quase 5 pp em paises como o Brasil em apenas 5 anos e 3 pp na India num periodo um pouco mais longo (7 anos). Há ainda os casos da Turquia e alguns paises da America Latina, e Norte de Africa. Infelizmente não consegui dados da China, mas a realidade não será mt diferente. Estes foram países que desregularam e se abriram ao exterior e apostaram na iniciativa privada. Isso trouxe-lhes riqueza, prosperidade e crescimento.
"Estes foram países que desregularam e se abriram ao exterior e apostaram na iniciativa privada. Isso trouxe-lhes riqueza, prosperidade e crescimento."
Grandes factos que você tem.
Desde quando é que algum país que se entregou à desregulamentação prosperou. Todos os países prósperos de hoje recorreram a regulamentação, a uma abertura de mercados graduais, intervenção estatal, nacionalização e alguma dose de proteccionismo. E isso seria o que você saberia se realmente tivesse consultado alguma coisa.
Novamente aponto o caso da Rússia. Que ficou na merda quando seguiu as políticas de merda do FMI e que começou a melhorar quando pôs os olhos no que faziam os EUA e Reino Unido em vez de ir em cantigas que puseram um país em queda livre.
Só para terminar deixo este artigo como sugestão de leitura: http://arxiv.org/abs/0911.4259
De Velho da floresta a 30 de Novembro de 2009 às 13:00
Sem entrar em detalhes, lembro apenas uma máxima que quando foi dita por um alto responsável da nação, provocou a 1ª queda da bolsa em Portugal e o fim da espiral especulativa de então. A qual se aplica também a todos os cenários especulativos, passados, presentes e futuros.
As arvores não crescem até ao céu.
De Bordalo a 30 de Novembro de 2009 às 14:10
Caro Manel,
dispensamos os profetas da desgraça e o discurso acantonado no síndrome do pessimismo, mas não lhe parece que está a alucinar um bocado?
A alucinar não. Aceito que o tom é excessivamente optimista e até provocatório. Caso contrário não passava a ideia nem geraria o seu comentário. De qq forma é um facto que o paradigma do mercado não se alterou. O mercado continua global, concorrencial e livre. As ajudas governamentais às empresas forma essenciais para ultrapassar a crise mas foram sempre encaradas como conjunturais e atribuidas de forma indirectas e só em casos extremos (no sector financeiro) o estado interveio directamente via nacionalização ou intervencção.
Hoje olhando para trás a grande alteração é no modelo de regulação financeiro macro prudencial cujos contornos estão a ser discutidos ( vide Warwick report e the role of macroprudential report - Banco de Inglaterra).
Há ainda maiores protecções ao consumidor.
Os paises , lentamente mas de forma mais ou menos consistente ( que ng nos oiça no Dubai) estão a voltar para uma plataforma de crescimento e de aumento do comércio global.
Parece inegável não concorda?
De metitus a 30 de Novembro de 2009 às 15:34
Mas este gajo é doido???
De
Ega a 30 de Novembro de 2009 às 14:27
Persiste, quanto a mim, um aspecto que suscita as maiores dúvidas
Vivendo nós no mundo global, quando V. fala em recuperação da economia (de mercado), uma de duas:
- Ou estamos (nós portugueses) excluidos da globalização;
- Ou a sua análise peca por extraordinári execesso de optismismo.
Porque, cá pelo nosso rectângulo, as coias continuam mal, pessimas, sem uma luz a alumira o fundo do túnel.
Quando muitos há expectiva encorajantes, de natureza psicológica (mais do que fundadas na realidade dos números).
E, sobretudo, a dita economiá do mercado tem de levar alguam rédea. Porque senão toma o freio nos dentes e dispara, levando consigo toda a corrupção, lobbys e o mais de que necessitar para vener a concorrrência.
Tal qual as economias sociliastas bem se apanhavam logo na curva, a desviarem qualquer coisinha para o bolso do diligente fundionário do Estado.
Infelizmente, como nem num nem noutro existe moralidade, não comem todos. Isso é bom para ninguém.
Amigo Ega, está disléxico...
O problema não é a exclusão de Portugal da Globalização (que nós criamos com os Descobrimentos e o primeiro império pluricontinental e mundial), mas que a nossa crise seja pré-crise financeira munidal, é que a crise mundial foi resolvida (mesmo que ainda só se comessem agora a sentir os efeitos da recuperação), enquanto que a crise portuguesa é anterior (vem pelo menos de 2004 ou 2005).
Em 2005 o Prof. Cavaco Silva (actual Presidente da República) deu um aula na FDUC (que seria só para os alunos das forense e de pós-graduação, mas eu como bom aluno jus-publicista infiltrei-me lá com a conivência do Calvão da Silva) na qual explicou a situação financeira e económica do país, já apresentou números aterradores sobre o nosso individamento, por isso a crise mundial só veio agravar a crise nacional.
Hoje o mundo (apesar do OBAMA ou por causa dele) recupera, Portugal (por causa do Sócrates) afunda-se...
De metitus a 30 de Novembro de 2009 às 15:39
ahahahaha ... mas que grande economista é o nosso Cavaco... Tambem me lembro dos elogios que eram feitos ao Constâncio . enfim é por causa destes grande pensadores que estamos onde estamos...
Ou isso ou Constâncio é mau e o Cavaco bom, uma das três...
De metitus a 30 de Novembro de 2009 às 17:28
Falta uma quarta:
Serem bons para eles proprios, porque para o resto dos portugueses não são. O constancio é tão bom que ate para vice do ECB quer ir, mas uma das clausulas é manter o seu super-super salario de 250K... Que cambada.
Servem-se todos muito bem...
De Ega a 30 de Novembro de 2009 às 15:40
Daro Réspublica:
Devo ter-me feito entender mal.
Eu não sou a favor de um Portugal isolado no Mundo.
O que disse foi, uma de duas: ou Portugal está sozinho, enquanto o Mundo vai vencendo a crise económica; ou está emparceirado em termos globais - e então o M. Castelo Branco exagera por otimismo quando refere o fim da crise (globalmente falando) que nós não sentimos cá.
V., no fundo, refere o mesmo, quando conclui o seu comentário distinguindo o Mundo pós Obama e o nosso Portugal socratino (atulhado de sucata por todo o lado).
O problema caro amigo é que o Castelo Branco fala do Mundo e considera que esta crise já passou, mas penso que a crítica até é para excluir o Portugal actual dessa solução, o que mostra a falácia do Sócrates, pois sempre disse que a crise era mundial...
Mas se o entendi mal desculpe é que estou a fazer uma alegações para o colectivo e não estou a prestar muita atenção ao blog...
De Ega a 30 de Novembro de 2009 às 16:01
Insipiração nas alegações e bom feriado, é o que lhe desejo.
De facto falo do mundo e não de Portugal. A crise não passou a ainda mas já vemos a luz no fundo do túnel Vai demorar tempo a ultrapassar, pode ter soluços mas a direcção esta correcta. Resta saber qd.
O nosso problema é estrutural, e não será resolvido com o fim da crise. As politicas de investimos publico do governo socialista só servirão para agravar os problemas estruturais e nunca para os resolver.
De tenho medo de dizer quem sou a 30 de Novembro de 2009 às 17:48
Já se vê a luz ao fim do túnel!? Não deve ir no mesmo comboio com certeza, Portugal vai num comboio mas de via reduzida, onde não há túneis, é de uma enorme lentidão e onde ocorrem "imprevistos" desmoronamentos e descarrilamentos com as consequências por todos conhecidas, quanto às teoréticas profecias e cogitações ficam bem com os seus autores em meetings de sábios em trânsito pelos Congressos Internacionais e pelos Campus Universitários, sobejamente conhecidos, não trazendo qualquer novidade a quem anda minimamente informado, não anda a dormir e não se deixa seduzir pelo canto do cisne e pelas balelas dos nossos melhores encamisados de botões de punho dourados. Mesmo que a crise por cá também se acabe a cepa torta pode muito bem continuar.
De metitus a 30 de Novembro de 2009 às 15:36
E assim vamos continuar por muito muito tempo. Nem acredito que o deficit fique abaixo dos 10%... enfim ha ainda quem acredite no pai natal...
De Bernardo Foios Simões a 30 de Novembro de 2009 às 14:36
Caro Manuel,
Uma das Ilações que podemos tirar destes tempos difíceis é que esta crise mostrou que a nossa economia não é tão sólida como parecia, e tem certamente imensas falhas, nomeadamente junto das entidades reguladoras do mercado financeiro, mostrou também (a ver pelas reacções....) que as empresas e as pessoas não vão cometer os mesmo disparates e estão certamente mais previdentes e cautelosas.
Em relação ao Estado reduzir os apoios e sair das empresas entretanto intervencionadas parece-me ainda muito prematuro, a crise ainda não passou e pelos números que vêm a publico 2010 será ainda um ano difícil.
Em relação ao Dr. Mário Soares, Dr. Alegre, Dr. Almeida Santos e afins só dizerem disparates e intervenções infelizes é o dia-a-dia destas personagens….
Abraço
Bernardo Foios Simões
De Velho da floresta a 30 de Novembro de 2009 às 14:43
Repito um post anterior.
No actual sistema de grande vulnerabilidade do sector privado aos problemas do mercado bolsista. Os quais enquanto forem um jogo de valores fictícios baseados na pura especulação, estarão sempre sujeitos a colapsos que acontecerão em ciclos irregulares, passe o aparente contra-senso da definição. Não há segurança nenhuma no sector privado nem com base na dimensão da instituição nem nas parcerias estabelecidas. Apenas instituições com a segurança acrescida da protecção estatal, conseguirão estar relativamente imunes a esses colapsos.
É absolutamente necessário que se estabeleça um sistema de paridade entre a economia real e o jogo da economia especulativa (irreal), com mecanismos de supervisão FORTES para evitar que a ganancia de alguns (poderosos) prejudique os demais.
"É absolutamente necessário que se estabeleça um sistema de paridade entre a economia real e o jogo da economia especulativa (irreal), com mecanismos de supervisão FORTES para evitar que a ganancia de alguns (poderosos) prejudique os demais."
Claro que é. A razão da desconexão entre economia financeira e a economia real, é que a expansão do crédito que fomenta as bolhas (especulativas como disse) nasce no crédito concedido por pura fabricação de moeda.
Assim o crédito tenha de ter lugar apenas e só por mobilização de poupança monetária prévia e estes ciclos não teriam lugar.
(durante a bolha para todo o investimento realizado - em casas, bens de capital, acções, etc - e consequente subida de preços em espiral - tivesse que ter competido por poupança escassa a taxa de juro teria de ter sido muito maior, o que por si teria anulado esse ciclo, na medida em que o crédito que suporta esta bolha nasce simplesmente da pura criação, a a taxa de juro é artificialmente baixa).
De Velho da florresta a 30 de Novembro de 2009 às 16:17
"Assim o crédito tenha de ter lugar apenas e só por mobilização de poupança monetária prévia e estes ciclos não teriam lugar." Completamente de acordo, agora quais os meios necessários para que assim seja. Mais, como convencer os agentes financeiros a aceitar tais restrições.
Padrão-ouro (e prata, etc) com reservas obrigatórias de 100%.
De acordo, aconselho o a ler um artigo no Economist de há umas semanas que explicava os adventos da nova regulação macro prudencial. O titulo era ( se não me engano) " Too big to fail"
De metitus a 30 de Novembro de 2009 às 15:31
Com que então a crise esta a passar, como um verdadeiro pensador anglo-saxónico , o mercado que se regule a si próprio... ah que grande Thatcher. Você é mesmo um idiota de primeira... Lá sabe você que o pior ainda esta para vir... Triste a sina a dos portugueses, com pensadores desta categoria não vamos a lado nenhum.
Na minha opinião pessoal