Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009
Para os interessados, aqui ficam excertos do livro Os Estados Unidos da América e a Democracia Portuguesa
«Estas movimentações entre a oficialidade intermédia das Forças Armadas portuguesas chegaram ao conhecimento dos adidos militares da Embaixada norte–americana em Lisboa que não deixaram de as relatar ao seu governo, ainda que negligenciando o seu alcance. A 26 de Outubro de 1973, informaram a Defense Intelligence Agency (DIA) da existência de rumores sobre uma conspiração para levar a cabo um golpe de Estado na sequência do descontentamento crescente entre os oficiais do Quadro Permanente, mas deram pouca credibilidade a esta hipótese. E no início do mês seguinte reportaram que estava a circular um abaixo-assinado, subscrito por 860 militares subalternos, mas concluíram: «Estes jovens militares não são desleais e querem servir Portugal, não tendo intenção de levar a cabo uma revolução. São patriotas que desejam mudanças nas Forças Armadas».
Na realidade, as autoridades dos EUA tiveram conhecimento desde cedo do mal-estar entre os militares portugueses e mesmo as acções dos “capitães” não passaram despercebidas; porém, as informações foram recebidas com indiferença pela Administração Nixon. Os adidos militares colocados em Lisboa não foram instruídos para estabelecerem contactos com os agentes da contestação nem para aprofundarem o assunto, acabando assim por se verem limitados aos canais oficiais estabelecidos com o topo da hierarquia das Forças Armadas».
Este dado foi confirmado posteriormente pelo general Samuel Wilson, à época na direcção da DIA, no inquérito realizado pela Câmara dos Representantes à performance dos serviços de informação. Na ocasião, Wilson confessou ter recebido relatos sobre a agitação no seio da instituição militar, classificando-os de «sugestivos de um golpe, mas não ao ponto de o preverem», e justificou a falta de atenção dada aos “capitães” com o facto de Portugal ser um aliado da NATO o que, em sua opinião, fez com que as relações se estabelecessem normalmente com a hierarquia das Forças Armadas» (Capítulo IV, ponto1. As vésperas do 25 de Abril)

publicado por Tiago Moreira de Sá às 14:57
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