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A namorada e a OPA (conclusão)

por Vítor Cunha, em 03.03.07
Caro Manuel,

nunca tive dúvidas de que os governos, em Portugal, «convivem mal com o liberalismo». Aliás, é essa certeza que produz cada vez mais «liberais».

Julgo que a Sonae.com já tem no mercado TV sob ADSL e PT já a anunciou; o concurso da TDT não tem sido adiado: como não terás esquecido, esse concurso já foi realizado há muitos anos, mas o vencedor acabou por desistir. E não foi porque existia TV Cabo.

Sobre os novos operadores: o meu conhecimento pessoal não coincide totalmente com a tua análise. Alguns novos operadores, quando iniciaram o negócio, não estavam prontos para o fazer. Estarás lembrado da inépcia que existia, por exemplo, na simples emissão de facturas. Ao contrário, operadores com know-how, como a Vodafone, cresceram; o fixo exige grandes investimentos tecnológicos e na rede e, como todos sabemos, não foram feitos em tempo. Por fim, recordo que um Governo de Portugal solicitou à PT a aquisição da rede para dessa forma aliviar os seus gastos. A PT assim o fez. A empresa não pode ser responsabilizada por ajudar o Estado a cumprir os seus desígnios. E os seus accionistas não podem ser penalizados.

Esta conversa toda, contudo, não está relacionada com o que se passou na AG da PT. Creio, mesmo, que o Estado, ao abster-se, está a dar um sinal de que as suas orientações clássicas podem estar em vias de mudança. De outro modo teria votado ao lado da maioria. Não o fez porque quis ouvir o mercado pronunciar-se. E o mercado disse «não».

Saudações,

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comentários

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De Manuel Castelo-Branco a 03.03.2007 às 22:51

Meu caro Victor : Do que mais gostei do teu post foi a forma como eliminaste qq hipótese do contraditório. O titulo "conclusão" não deixou hipóteses . Qt a TV ADSL a Sonae hoje não dispõe mais de 1000 utilizadores (eu sou um deles) e a PT Comunicações que deveria já ter introduzido os serviço há mais de um ano, não o fez para proteger a TV Cabo. Tal como só agora, num cenário pós OPA, introduziu a voz na TV Cabo, 5 anos depois da Cabovisão . Qt ao teu ultimo paragrafo, confesso que continuo sem o perceber como é que uma abstenção (do estado) e o voto contra do Sr. Vara terão deixado o mercado funcionar. Mas, sobre este tema, poderemos estar os dois em conflito de interesses. Um abraço
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De Vítor Cunha a 04.03.2007 às 11:08

Meu caro,

entre as minhas fraquezas não se conta a tentação de anulação do contraditório. Mas, pelo meu lado, nada mais tenho muito mais a acrescentar à questão de fundo.
Ainda assim, folgo em saber que a Sonae já dispõe de mais de 1000 utilizadores. Já fui abordado das mais diversas formas para subscrever o serviço, mas nunca o fiz. Sabes porquê? Porque é muito fácil multiplicar acessos, dentro de casa, ao sinal do cabo do que do ADSL . Tenho fichas de tv em todas as divisões prontas a receber esse sinal; pelo que me informaram as meninas da Sonae , com ADSL há limitações de desdobramento. Talvez essa razão não seja importante para os 1000 utilizadores, mas para mim até é. Manias. Não sei quantos clientes tem a cabovisão a subscrever o triple-play; considerando a área geográfica de actuação deve ter milhões. Sei que a minha sogra tentou várias vezes contratar esse serviço e abandonar a PT. Contactou a empresa duas ou três vezes e foi sempre mal tratada e ignorada. Optou por ficar onde sempre esteve. Este dado da qualidade do serviço não é marginal e, acredito, tem sido a qualidade que tem levado à mudança de operador por parte dos clientes residenciais. O preço também conta, mas para ter bons preços é necessário efectuar investimentos... pois é. Foi por isto tudo que abandonei a Novis cá em casa.
O eventual «conflito de interesses» que evocas não é razão para não podermos discutir o assunto com menos liberdade. É isso que nos permite ter esta conversa num nível menos emocional e mais racional, e com algum conhecimento das causas e das coisas.
Para finalizar: a CGD afirma ter optado pela via que mais valor lhe confere; o Estado não tomou partido porque não quis que o seu voto influenciasse o mercado. Os adeptos do mercado, contudo, prefeririam que o Estado exercesse um direito que contestam (o veto), para demonstrar que estava ao lado dos liberais. Compreendo a particularidade da tua situação, mas não me consegues convencer que aquela abstenção não é razoável. Se o Estado quiser sair da PT, se quiser largar a «golden-share», não o pode fazer a meio de uma disputa entre privados porque, aí sim, estará a beneficiar uma das partes. Talvez tenha existido aqui um erro de análise por parte do oferente. Talvez se não tivesse imposto a deslindagem como condição de sucesso pudesse, depois de o mercado se pronunciar, ter mais sucesso.
Como vês, já me estou a repetir. E para não me repetir de novo, de novo, dou aqui por concluído este interessante debate.
abraços
vc

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