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Já pensou para onde vai o dinheiro dos seus impostos?

por Rodrigo Moita de Deus, em 30.11.06
  
220 mil portugueses estão em lista de espera. 220 mil! Existem salas de operações em número suficiente e cirurgiões também. A questão está no número de cirurgias que os nossos médicos fazem por dia. Poucas, pelos vistos.
 
Em Portugal os médicos continuam a ser uma espécie de vaca sagrada. A última das salazarentas cooperações. Com direito a exclusividade no acesso à profissão, com direito a multiplicidade no exercício da profissão.
No país onde os contribuintes são obrigados a pagar os cursos de medicina, os mesmos contribuintes têm de esperar uns meses para serem operados porque os médicos (que eles pagaram) estão a ganhar dinheiro noutro lado. A alternativa agora apresentada é fazer com que os contribuintes invistam um pouco mais, agora em ordenados. 
 
Parece que o “modelo remuneratório” não é motivante para os médicos fazerem o seu trabalho. Já os cantoneiros da cidade de Lisboa se queixam da mesmíssima coisa e nem por isso deixam o lixo acumular nos passeios. Infelizmente, para eles, não têm esse direito.  
 
Três faculdades privadas de medicina e a extinção da ordem dos médicos e o problema das listas de espera nunca mais se colocava.  Quase que aposto.

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comentários

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De AntónioCostaAmaral (AA) a 30.11.2006 às 14:55

Muito bem! Da barricada sobem aos céus entusiasmados aplausos!
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De Anónimo a 30.11.2006 às 15:42

Tu gostas é destas coisas bem liberais!
um abraço social-marialva

RMD
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De AntónioCostaAmaral (AA) a 30.11.2006 às 16:34

Gosto pouco, gosto... claro que se isto se populariza, lá vou ter que arranjar uma cassete nova :D
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De Dorean Paxorales a 30.11.2006 às 18:12

Faltam médicos (e faculdades para os produzir), sim senhor, sendo que as cúpulas da casta abominam a vulgarização do seu estatuto. Mas não só os recursos humanos, também falta tempo de bloco: as salas de cirurgia estão permanentemente ocupadas e nem que todo o estagiário fosse obrigado a cumprir o seu dever cívico se acabava com a lista.

Só não se caia na falácia de que as listas de espera são um fenómeno exclusivo nacional.
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De Sara a 03.12.2006 às 17:33

O Estado não deve ter o monopólio de nada. Por outro lado, 3 faculdades de medicina privadas não resolveriam nada porque o limite de formação de internos está quase a ser atingido e sem internato não se é médico, apenas licenciado em medicina. Com Ordem ou sem Ordem, eu não quero um médico que só tem o 6º ano a atender-me sem qualquer acompanhamento - o ensino da Medicina é um bocado diferente daquilo que era há 30 anos atrás em que se podia logo exercer autonomamente no final do curso - e preciso de garantias de como aquele médico está qualificado para fazer aquilo que faz.

Também duvido muito que os alunos actuais de Medicina (principalmente aqueles do 1º e 2º anos) tenham todos acesso ao Internato uma vez que são em números muito superiores aos dos recém-licenciados (compare-se o numerus clausus de 98 ou 99 com o numerus clausus de 2006). Mesmo que se abra a possibilidade de fazer o internato em hospitais e clínicas privados (com a qual eu concordo uma vez que acredito que há hospitais que têm essa capacidade formativa e que cada vez mais hospitais a terão no futuro próximo), não haverá capacidade para formar ainda mais os alunos provenientes das escolas privadas.

Resumindo, mesmo concordando com o princípio do não-monopólio e com a formação de internos em entidades privadas, a abertura de 3 faculdades (sejam elas públicas ou privadas) não teriam um impacto real na qualidade da saúde em Portugal.

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