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Spam emocional

por Laura Abreu Cravo, em 05.03.07

Esta manhã perdi 3 horas de volta de um PC moribundo. Para quem visse de fora, parecia até um episódio do Dr. House, com direito a assembleia de sábios — os senhores informáticos cá da casa— que, com semblante carregado, vertiam doutas opiniões, prognósticos e terapêuticas para a criatura agonizante. No fim de contas parece que o problema era o excesso de Spams acumulados no respectivo compartimento da minha caixa de correio electrónica. A máquina diligente faz uma triagem dos e-mails não deixando chegar à final destinatária aqueles cujo conteúdo possa ser nocivo, irrelevante, ofensivo... Ao que parece ninguém esvaziava o dito repositório de lixo electrónico há demasiado tempo e a máquina ressentiu-se.

Enquanto prometia aos senhores informáticos que passaria a estar mais atenta ao fenómeno, não deixei de pensar na injustiça de não ter um mecanismo destes aplicável à humanidade vária. Senão vejamos: alguém, sem que nós tivéssemos sequer que pensar no assunto, faria uma triagem (baseada, naturalmente, em critérios objectivos determinados por cada um de nós) que se traduziria no bloqueio prévio e automático dos seres humanos potencialmente nocivos, irrelevantes e/ ou ofensivos. Mensalmente, acederíamos ao "depósito" e, ao sabor da nossa vontade e animus do dia, resgatávamos um ou mais exemplares ou faríamos despoticamente uso de um libertador "select and delete all". Sem constrangimento das primeiras conversas malogradas, sem despedidas difíceis, sem fugas estratégicas cujo sucesso depende do desempenho sincronizado de muitos actores e porque a despedida sincera, minimalista e desassombrada tende sempre a ser tomada por crueldade.

Um dispositivo anti-spam: a resposta para todos os problemas criados pelas demonstrações ostensivas de humanidade não consentida.

 

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