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Um lugar ao Sol

por Tiago Geraldo, em 22.02.10

O esforço abnegado do liberalíssimo Passos Coelho e do seu sincronizado grupelho na «procura de um lugar ao sol» é, mais do que compreensível, quase comovente.

 

Em todo o caso, na procura desse lugar adequado às ambições e ao extensíssimo currículo de Passos Coelho - um homem que, como bem lembrou o impoluto João Marcelino, «soube retirar-se para ter vida académica, profissional e pessoal» -, convém não obscurecer o que outros vão dizendo pelo caminho. Infelizmente, o passos-coelhismo não tem sido tão disciplinado como seria de supor (ou talvez não) no cumprimento da sua promessa de pureza e mudança.

 

Desta vez, foi o Vasco Campilho – aplicado, como poucos, na defesa da libertadora causa passos-coelhista – quem se atravessou para nos dizer, muito conspicuamente, que «Desacreditar a regulação não é o caminho, Paulo Rangel». Perante a investida do Vasco, pensei eu e pensará o comum dos mortais que Paulo Rangel, qual Pedro Passos Coelho, anda por aí a defender a desregulação absoluta dos mercados ou a redução de competências das autoridades reguladoras, num daqueles avançados delírios que os amigos do Rato têm por perigosamente «neo-liberais».

 

Mas não. Afinal, o que Paulo Rangel se limitou a dizer – o que, em suma, despoletou a interjeição directa e o dedo em riste do Vasco Campilho – foi que a necessidade de defesa dos «interesses estratégicos» que sucessivos Governos (PS e PSD) têm associado à existência das golden shares deve antes ser assegurada, na medida do possível, por autoridades reguladoras independentes.

 

Em que é que uma tal proposta contribui para «desacreditar» a regulação, é coisa que não chegamos a perceber. É, de resto, e para romper (bela palavra) com o profundo cinismo das golden shares e dos pretensos interesses «estratégicos» que estas têm por suposta missão acautelar, uma proposta louvável, que separa devidamente as águas e tem por intenção evidente estancar a permanente manipulação das prerrogativas associadas àqueles instrumentos visando finalidades estritamente político-partidárias, como seja o exercício do direito de veto relativamente a operações de mercado contrárias aos interesses do poder ou a atribuição de generosas sinecuras a gente do calibre de um Rui Pedro Soares – competências que, corrija-me o Vasco Campilho se estiver enganado, não se encontram cometidas a nenhuma autoridade reguladora. Nem mesmo, segundo creio, à ASAE.

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comentários

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De Tiago Azevedo Fernandes a 22.02.2010 às 15:24

Se o Paulo Rangel seguir a onda agressiva e nervosa deste seu aparente apoiante, o que ele quer não é romper, é mesmo arrebentar qualquer coisa, nem que seja o partido e o país! ;-)
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De jfd a 22.02.2010 às 16:28

O Estado deverá sempre defender o interesse nacional. Não será o conteúdo que aqui foi posto em causa mas sim a sua forma.
Como me dizia um amigo, trocar as golden shares por reguladores pode acabar por ser apenas mudar as moscas ...
No meu ponto de vista e tendo em conta aquilo em que devemos apostar por forma a sermos realmente competitivos, a criação dos desajustes de mercado propostos em nada iriam avançar no longo prazo os desígnios nacionais. Criar artifício no mercado livre em que vivemos não trará nada de proveitoso para lá de curtas e insustentáveis vitórias... Vitórias essas que seguiriam sendo constantemente financiadas às custas de financiamento externo, sofrendo a economia com o serviço da dívida. Claro que já se percebe qual o caminho da coisa...
Solução? É complicado. Mas no meu mundo ideal seria tão simplesmente deixando o mercado funcionar para que cada um se tornasse excelso naquilo que realmente traria novidade ao dito mercado. Caberia ao estado garantir as condições e o framework correctos para o leal funcionamento do mesmo.
Mas esta conversa parece mais do mesmo do que muito por aí se tem falado, principalmente nos tempos que correm...


De louvável a proposta ainda tem muito para explicar para se poder comprovar tal qualidade...
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De Observador a 22.02.2010 às 17:16

Excelente. Começava a pensar que este blog estava colonizado pelos passistas. Ainda por cima nem deixam caixa de comentários para ninguém lhes dizer umas verdades.
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De jfd a 22.02.2010 às 21:07

A isto é que se chama valor acrescentado!
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De CRF a 22.02.2010 às 17:16





 "Na minha opinião pessoal" Passos C. devia trocar os "golden showers" pelas  dominatrix.  
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De jfd a 22.02.2010 às 21:07

lolololol
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De Anónimo a 22.02.2010 às 23:09

Os chicos-espertos 'preocupam-se' é com a CGD, a PT... isto é... concorrência pública que lhes 'furam as contas' da cartelização...

Vejam lá se os chicos-espertos se 'preocupam' com a privatização da CP...

Os privados possuem TODA A LIBERDADE para abrir negócios… mas eles querem é cartelização… e a CGD, a golden share na PT, etc... furam-lhes as contas...
Concluindo: os privados têm de começar a levar com a concorrência pública em mais sectores de actividade…

Nada contra os privados... mas parece que os privados não gostam da CONCORRÊNCIA pública... AHAHAHAHAHAH

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