Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Tinha cerca de 4 anos. Na escola, um pequeno selvagem (que pode perfeitamente corresponder ao padrão do calmeirão) tinha tentado atirar-me para fora de um parque de areia onde costumávamos brincar. Não contente por a coisa não lhe ter corrido de feição, atirou-me o conteúdo de um balde de areia à cara: olhos cheios de areia, berraria total e pais chamados à escola. O meu pai dispunha-se imediatamente a ir esganar o selvagem para defender a princesa. A minha mãe ficou impávida, disse que não teriam nada a dizer sobre o assunto e levantou-se para indiciar a saída. No caminho para casa explicou-me que tínhamos de “lidar com as nossas feridas de guerra”. Dois dias depois trepei para a estrutura de um baloiço (ou coisa semelhante) e atirei um balde de areia ao pequeno selvagem que passava lá em baixo. Note-se: não atirei o conteúdo de um balde de areia, atirei um balde cheio de areia lá dentro. E abri-lhe a cabeça. Se bem me lembro, não o tornei a ver na caixa de areia.
(i) Moral da história: o importante não é ser o leão, é ser a cobra.
(ii) A minha fraca capacidade de fazer juízos de proporcionalidade na ponderação de valores quando o valor em causa seja a minha segurança pode ter causado uma hipertrofia da minha veia diplomática? Claro que sim. Mas não estou cá para a corrida para o Nobel da Paz. Para isso há gente no mundo bem menos imperfeita do que eu.
(iii) Esta história não interessa nem ao menino Jesus? Admito. Mas qual de nós não teve já a impressão de que a blogosfera não é mais do que um enorme pátio do Liceu (ou uma caixa de areia de parque infantil)?

Autoria e outros dados (tags, etc)


comentários

Sem imagem de perfil

De caramelo a 14.03.2007 às 11:37

Laura, o que a menina merecia, quando foi fazer queixinhas do outro puto seu adversário de guerra, é que a sua mãe a tivesse mandado fazer trinta flexões, seguidos de uma corrida de dez quilómetros com a mochila cheia de pedras às costas. Mas o que fez de seguida, redimiu-a. Pronto, destroçar, à vontade, estou muito orgulhoso de todos vocês. At ease.
Imagem de perfil

De Laura Abreu Cravo a 14.03.2007 às 11:51

Caríssimo Caramelo,
Eu não fui fazer queixinhas, fui arrastada e para a enfermaria e depois a tramitação, como é costume com as crianças de 4 anos, ultrapassou o meu poder decisório. Mas o importante não é isso. O importante é que temos mesmo de aprender a viver com as nossas mazelas. Aprender isso aos 4 anos é um privilégio. Aprender mais tarde tende a custar mais.Obrigada por ler.
Sem imagem de perfil

De António Pais a 15.03.2007 às 11:37

"...Mas qual de nós não teve já a impressão de que a blogosfera não é mais do que um enorme pátio do Liceu (ou uma caixa de areia de parque infantil)?"
RDM de bibe com o nome bordado sobre um rectângulo branco, numa mão a cabeça de um puto acabado de chegar à "caixa de areia", na outra a marmita do lanche pronta a entrar em rota de colisão, a alta velocidade, com a cabeça do tal puto.
LAC (Laura o bolo de Amesterdão não é grande coisa) no pátio do liceu vestindo mocassins, meia castanha de algodão até ao joelho, sai de pregas em xadrez com um fundo castanho, camiseiro branco, pulôver castanho de decote em bico pelas costas (à menina do colégio do Ramalhão de Sintra) e livros debaixo do braço. Põe uns olhos de Bambi (que ternura), para citar uma menina que aqui escreveu isso, para evitar problemas.
RDM continua por lá, entretido na sua caixa de areia, continua a usar bibe, não cresce, se não atente-se nos posts de 4ª feira: Bullying desportivo (para esta jornada); Bullying comunicacional; Bullying partidário". Atitude de cachopo.
Sem imagem de perfil

De Joana a 14.03.2007 às 11:38

Em pequena, o meu Pai ensinou-me que caso alguém me tentasse bater deveria dar ao meu atacante uma murro no nariz. Ensinou-me o sítio exacto onde iria doer mais e a forma como o meu punho deveria fechar. Nunca dei um murro no nariz de ninguém. Nunca ninguém me tentou bater. Ser a gaja discreta e com olhos de bambi é de longe a melhor estratégia para sobreviver aos pátios da escola - e até chegar a delegada de turma (coisa chata, qd estamos a falar do Liceu Pedro Nunes).
Sem imagem de perfil

De Insano a 14.03.2007 às 11:40

O Bullying não se resume a payback... ou resolver-se com palavras ou actos...

Embora acredite que naquelas idades seja importante para a emancipação, resolver as coisas de uma forma menos politicamente correcta (nada de visitas à professora e conselho directivo). A verdade é que nem todos os alvos do Bullying têm alguém em casa que os "acorde para a vida", tornando-se vitímas das frustrações de alguém...
Nesse aspecto convém a sociedade e os seus agentes, corrigirem essas falhas da nossa "selva", para própria preservação, pois podemos estar a criar gerações de sociopatas.

Abraço,

Aconselho o visionamento de "Bully" de Larry Clarke, aqui fica um pequeno tease... para os mais visuais:
http://cine-libido.blogspot.com/2007/01/bully-2001-larry-clark.html
Sem imagem de perfil

De caramelo a 14.03.2007 às 12:31

Laura, levar com o conteúdo de um balde de areia nos olhos é bom motivo para berrar e chamar o papá e a mamã e fazer queixinhas, sobretudo quando se tem 4 anos. Não é coisa que dê muita saúde e duvido mesmo que faça crescer alguma coisa, ao contrário do que diz o RMD ;) Quanto ao resto, é claro que temos de aprender a viver com as nossas mazelas, e quanto mais cedo isso acontecer melhor, como diz. Mas isso não tem nada a ver com o aceitar, ou não aceitar o bulliyng, que é uma coisa muito séria, ao contrário do que possa parecer. É que a maior parte das crianças não tem exactamente preparação paramilitar, incluindo técnicas psicológicas de ultrapassar a violência e humilhação. A grande maioria é irremediavelmente azelha nessas coisas. E muitos dos que praticam o bullying já ultrapassaram há muito o tempo das traquinices da caixa de areia do parque infantil.
Sem imagem de perfil

De Maria das Flores a 14.03.2007 às 12:48

Darwin continua a ser um grandessíssimo incompreendido, quase 150 anos depois de ter publicado "As Origens das Espécies". 'Adaptacao' e 'seleccao natural' tem que se lhe diga...
Mas, enfim, a metáfora blogosfera/pátio de liceu/caixa de areia de parque infantil tem a sua graca.
Sem imagem de perfil

De mafia russa a 15.03.2007 às 11:10

Aqui vai um link http://www.sitecontabil.com.br/modelos_contrato/0041.htm com um modelo de contrato de serviços de cobrança,de um site que não é nosso mas o modelo serve. São muito importantes os pontos 1,4,13,14 e 15. Pode ser incluído um ponto extra sobre queixinhas, por exemplo, devedor contactado por nós que faça queixinhas verá a sua dívida agravada em 10%. Temos eficácia de cobrança garantida sem qualquer responsabilidade para o contratante.

Comentar post